O anúncio mais sem sal possível

Os recordes de James Harden ou de Russell Westbrook? O impacto defensivo de Rudy Gobert dentro do garrafão, de Kawhi Leonard no perímetro ou a versatilidade de Draymond Green? A capacidade de Erik Spoelstra ou o ressurgimento de Mike D’Antoni? O fenômeno Joel Embiid ou a regularidade de Malcolm Brodgon e Dario Saric? As discussões sobre quem são os merecedores dos prêmios individuais da NBA neste ano foram das mais acirradas de todos os tempos, mas a escolha por fazer a divulgação dos awards em um show semanas depois das finais da temporada foi uma péssima decisão.

Tudo isso porque o anúncio vai ser justamente no momento em que ninguém mais se importa com os resultados. A poeira da temporada regular já baixou, a falta de competitividade dos playoffs deu um banho de água fria em todos, o draft abriu a nova temporada e a loucura da offseason já tomou o noticiário.

Não sei se é só impressão minha, mas parece que a briga jogo a jogo de Harden e Westbrook aconteceu há muito tempo. Nem lembro mais quantos mil triple doubles cada um fez, quantas partidas com mais de 30, 40 ou 50 pontos os dois emplacaram. O que é recorde de um e o que é de outro – coisa que há dois meses estava na ponta da língua dos torcedores nos seus argumentos para eleger o merecedor do MVP.

Sinceramente, nunca fui muito simpático à ideia – zzzzzz show apresentado pelo Drake zzzzz -, mas mesmo quem achou interessante concentrar o anúncio em um único dia, em um evento grandioso e tal, tem que admitir que o timming foi péssimo.

Não que a decisão sobre isso deveria ser tomada com este critério apenas, mas imagine que sensacional seria se o vencedor do MVP fosse anunciado durante a série de playoffs entre Houston e Thunder? Ou o Coach of the Year durante Rockets e Spurs? O melhor jogador de defesa justamente no encontro entre Kawhi Leonard e Draymond Green nos playoffs? Sempre foi assim e com certeza seriam fatores que fariam das disputas ainda melhores – no caso dos jogos contra o Warriors, poderiam dar alguma graça a série.

Ao longo de toda a história da liga, a forma como os prêmios eram divulgados (ao longo dos playoffs) mudou a narrativa das disputas do mata-mata. Michael Jordan querendo tirar o sangue do Utah Jazz na final após Karl Malone ser eleito o melhor jogador de 1997 numa eleição apertadíssima, Hakeem Olajuwon usando a perda do prêmio para David Robinson para aniquilar o Spurs na final de conferência e muitos outros casos que entraram para a história do basquete.

Há, ainda, outras desvantagens brutais deste modelo: com muito mais tempo entre a entrega dos votos (que acontece ao final da temporada regular) e a divulgação dos ganhadores, há muito mais chances do resultado vazar (aparentemente muita gente já sondou quem são os vencedores), além de, no futuro, permitir que o MVP, COY e etc sejam reconhecidos quando já nem estiver mais defendendo a equipe pela qual ele foi eleito (em 2010, por exemplo, se o show jé existisse, Lebron James seria anunciado como MVP DEPOIS de ter feito toda aquela cena para ir para o Miami Heat). Anticlímax total.

Que o vexame deste ano sirva de exemplo para os próximos.

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Butler e a troca de status de Bulls e Wolves

Não sou do tipo de cara que se empolga muito com o draft. Nessa época do ano, parece que os 60 jogadores selecionados terão alguma influência nos times pelos quais foram escolhidos – quando, na verdade, uma boa parte sequer acaba jogando por estas equipes e apenas alguns do grupo terão algum impacto no meio ‘dos adultos’. Mas eu gosto quando acontecem trocas, especialmente quando jogadores excelentes são envolvidos. Ontem, para a minha alegria, Jimmy Butler, All Star titular, All NBA e um dos melhores jogadores da posição, foi trocado pelo Chicago Bulls para o Minnesota Timberwolves.

A negociação faz com que os times quase que automaticamente invertam os papéis na liga: a chegada de Butler deve ser o gatilho para que o Minnesota finalmente brigue na parte de cima da tabela e o troco recebido pelo Bulls é a esperança de que a franquia se reinvente para os próximos anos.

Desde que Tom Thibodeau foi anunciado no Timberwolves, Jimmy Butler já era sondado para se mudar para o meio-oeste americano. Foi sob o comando de Thibs que Butler se tornou o Most Improved Player da NBA em 2015, por exemplo. E com um primeiro ano em que o técnico penou para construir uma defesa sólida – sua marca característica -, alguma coisa precisava ser feita.

O Wolves, então, escolheu tentar vencer agora. Abriu mão de dois talentos auxiliares ao seu núcleo principal de Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns para buscar algum atleta que já estivesse em seu auge. Que pudesse chegar e ajudar a equipe já, tanto no ataque, quanto na defesa.

(Gary Dineen/NBAE via Getty Images)

Na hora de decidir o que devia abrir mão, com certeza pesaram algumas coisas: mesmo com toda a má vontade da franquia com Ricky Rubio, Kris Dunn não conseguiu se mostrar mais eficiente que o espanhol; a melhora dos resultados do time depois da lesão de Zach Lavine; e a impossibilidade da franquia em draftar Jonathan Isaac, seu sonho de consumo na sétima posição – o jogador foi escolhido pelo Orlando Magic na sexta pick.

Agora, o Timberwolves tem um dos dez melhores quintetos titulares da NBA, facilmente, com Rubio, Butler, Wiggins, Dieng e Towns e não tem mais desculpas para não se classificar aos playoffs, mesmo na conferência Oeste. É um time com futuro, mas com possibilidades reais de bons resultados para já.

O Chicago Bulls, por sua vez, desistiu de vez de tentar qualquer coisa a curto prazo. Apostou na reconstrução. A princípio, parece que o time abriu mão da sua estrela por um trocado não muito valioso – boa parte da torcida achou que foi uma cagada, em português claro. Não foi. Dentro das possibilidades, o Chicago saiu com um núcleo jovem e comprovadamente talentoso.

É claro que ninguém ali se compara a Jimmy Butler e nem deve render o que o jogador rendia em um futuro próximo, mas há boas oportunidades de evolução em várias frentes.

Zach Lavine tem se mostrado um jogador muito bom. Ninguém assiste jogos do Timberwolves e, quando assiste, Wiggins e Towns são naturalmente os jogadores mais vistosos, mas Lavine é um excelente chutador de três pontos, tem uma capacidade atlética impressionante e recursos técnicos para ser um two-way player de destaque na liga. Com mais tempo com a bola na mão e envolvimento na rotação, não é difícil imaginar que ele emplaque logo uma temporada de 20 pontos por jogo.

Kris Dunn pode não ter tido um ano muito animador na sua estreia, mas vale lembrar que no momento do draft ele era considerado um dos jogadores de maior potencial da turma – o melhor defensor, principalmente. Agora, com um time  quase que só para ele, as coisas podem deslanchar.

Para completar, o Bulls pegou o jogador que, a princípio, tem o melhor chute deste draft. Lauri Markkanen é o retrato do pivô que os times procuram: alto, esguio e com range para arremessar de qualquer lugar da quadra. Uma aposta que não tem como não ser útil.

Claro que é frustrante para a torcida perder seu melhor jogador com a pretensa promessa de que as coisas melhorarão no futuro. Pode não dar certo mesmo, é verdade, mas não me parece que Chicago tivesse outra escolha. O time podia manter Butler por mais um ano e descolar uma oitava vaga sofrida nos playoffs, mas sem qualquer chance de ir além, só adiaria o processo de dar um passo atrás para tentar dar outros à frente.

A troca de Butler faz os times trocarem de status. O Chicago, que ano passado montou um trio para tentar ter resultados imediatos, assume o posto de franquia em evolução, que aposta em uma reconstrução a longo prazo. O Timberwolves, por sua vez, pula algumas etapas do seu processo, abre mão de alguns talentos futuros para tentar alguma coisa já nesta temporada.

A offseason está animada – mais do que a média – e é provável que mais times façam o mesmo, reconfigurando os papéis de cada um para a próxima temporada.

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Guia do Draft 2017: o que cada time precisa

No meio do turbilhão de negociações que está a NBA, acontece hoje o draft para que os calouros desta geração sejam escolhidos. A turma é muito talentosa, dizem, e vários times têm se movimentado para ganhar posições melhores na lista de seleção. Até por isso, é muito provável que muitas trocas aconteçam ao longo da noite. Como eu não sou nenhum especialista em basquete universitário, vou me limitar a falar apenas as necessidades que cada time espera solucionar na cerimônia desta quinta-feira. Vamos lá:

Philadelphia 76ers
(1, 36, 46, 50)

O time do Processo foi um dos que foi ao mercado para subir no draft. Conseguiu convencer o Boston Celtics de que era uma boa para os dois times que suas escolhas fossem trocadas. A franquia vem há anos buscando o melhor talento disponível e neste ano não corre o risco dos passados, quando pegou duzentos pivôs e acabou congestionando seu garrafão (tanto é que se livrou de Nerlens Noel no meio do caminho). Agora, o draft está carregado de armadores, a posição mais carente do time. É garantido que o time vai de Markelle Fultz na primeira escolha. Nas demais, deve tentar garimpar pelo menor um shooter.

Los Angeles Lakers
(2, 27, 28)

Muita coisa pode acontecer, já que o Lakers teve uma semana agressiva no mercado. Com a saída de D’Angelo Russell, é quase certo que o time vai no armador Lonzo Ball na segunda escolha – é considerado o segundo maior talento e da posição que o time mais precisa agora que abriu mão de Russell. No final do primeiro round, deve ir atrás de alguém com presença no garrafão para jogar com Julius Randle ou até substituí-lo numa eventual troca por Paul George.

Boston Celtics
(3, 37, 53, 56)

A equipe vice-campeã do Leste vem colecionando escolhas de draft ao longo dos últimos anos. A tática é questionável. Ao mesmo tempo que o time tem um sucesso inegável – rápido até -, existe uma dificuldade de transformar as escolhas do draft em reais estrelas. Marcus Smart e Jaylen Brown são jogadores muito úteis, mas não dão pinta de serem franchise players. Nesse cenário, o natural seria ir atrás de algum ala pontuador, como Josh Jackson ou Jayson Tatum, complementando a posição mais fraca do time. Nas escolhas seguintes, os alvos devem ser backups do garrafão.

Phoenix Suns
(4, 32, 54)

Assim como o Boston, o time precisa de algum talento para a posição de ala. Quem sobrar entre Jackson e Tatum é uma boa pedida. Há a alternativa, também, do time buscar alguém para substituir Eric Bledsoe no futuro, já que o jogador tem dificuldade de se manter saudável e, apesar de estar no auge da carreira, é mais velho do que a maioria do time. Nas escolhas seguintes, o perímetro deve ser carregado, já que nos últimos anos o time foi atrás de vários pivôs – que não vingaram muito bem ainda. Existe o boato de que o time poderia trocar esta escolha por Deandre Jordan, do Los Angeles Clippers.

Sacramento Kings
(5, 10, 34)

O mais inteligente seria o Kings tentar pegar com a quinta escolha o armador mais capaz que sobrasse – e possivelmente ainda seria alguém bastante promissor – e com a décima escolher algum dos melhores pivôs. Com Buddy Hield, o time construiria um núcleo equilibrado e com alguma chance de evolução. Mas dá para esperar que o Sacramento tome alguma decisão sensata?

Orlando Magic
(6, 25, 33, 35)

O time da Florida tem vários talentos jovens, mas nenhum que pareça realmente valer a pena apostar para se o pilar central de reconstrução da franquia. Tirando a armação, qualquer outra posição é minimamente carente no elenco. Como o time tem sido horroroso no ataque, um pontuador cairia bem. Malik Monk, combo guard que promete ter um impacto interessante no ataque, é um nome interessante para o time. Mas se sobrar algum jogador com pinta de franchise, o Orlando deve se agarrar nele independente da posição.

Minnesota Timberwolves
(7)

Parecia que já ia acontecer neste ano, mas não rolou. Agora, o Minnesota só tem a tarefa de não FODER seu futuro neste draft. Se chegar alguém decente para somar, legal. Rubio pode sair numa troca, mas Kris Dunn é uma boa aposta para o futuro. Zach Lavine está melhor que a encomenda. Andrew Wiggins tem se desenvolvido em um excelente pontuador e Karl Anthony Towns tem tudo para se tornar um dos melhores jogadores da próxima década. Pensando no time titular, dava para o time buscar o ala-pivô mais talentoso à disposição. Acontece que Gorgui Dieng já está lá e, discretamente, se transformou em um cara muito útil ao elenco. Então qualquer ala que sobrar por ali já seria uma boa escolha, nem que fosse para compor elenco.

New York Knicks
(8, 44, 58)

É bem difícil prever o que será do Knicks no futuro. O time tem Carmelo Anthony, mas o jogador e o presidente do time, Phil Jackson, estão tretando publicamente e é provável que Melo seja envolvido em alguma troca – com o seu aval, já que ele tem direito a veto. O time tem Kristaps Porzingis, mas o jogador recentemente começou a ser cogitado como um nome forte para ser trocado (não consigo entender o motivo). Então, de concreto, não temos muita coisa para usar como parâmetro. Na minha opinião, o mais correto seria se aproveitar que esta turma tem milhares de bons armadores e tentar construir uma dupla jovem e promissora com Porzingis – de quebra, ainda despacharia Derrick Rose que, pra mim, é um ex-jogador em atividade.

Dallas Mavericks
(9)

O Dallas vive um cenário incomum. Entrou na loteria do draft e deve ensaiar uma reconstrução do elenco. Ao mesmo tempo, é muito difícil imaginar que vai conseguir garimpar algum talento que salve a franquia ou que tenha um impacto tão significativo nesta posição. Então, é interessante encarar o draft deste ano como o primeiro de uma série. Acho aconselhável tentar buscar algum jogador de característica mais incomum, que seja valioso no futuro e de difícil reposição – portanto, não iria em nenhum point guard nem stretch four. Se sobrar algum shooting guard eficiente no ataque, acho que seria a melhor opção.

Charlotte Hornets
(11, 41)

O Hornets não é o time que precisa buscar alguma salvação no draft. A equipe vinha de uma temporada bacana e, abrindo mão de alguns reservas importantes, teve uma queda de rendimento que o levou para a loteria do draft. O time tem boas peças em todas as posições – apesar de não ter muita profundidade de elenco -, mas um armador reserva para Kemba Walker cairia bem.

Detroit Pistons
(12)

Se eu fosse Stan Van Gundy, já estaria pensando em uma forma de dar um reset neste time. Não confio em Reggie Jackson e tenho um pé atrás com Andre Drummond. Tobias Harris é uma eterna promessa e ainda não está claro se Kentavius Caldewll Pope vai assinar um novo contrato. Dito isso, acho que o Detroit deveria ir no melhor talento existente. Quem vai chegar na décima segunda posição? Não faço a menor ideia.

Denver Nuggets
(13, 49, 51)

O time do Colorado está bem servido de talentos promissores. Nikola Kokic é um monstro e o time usou escolhas altas para completar seu backcourt nos últimos anos. No entanto, Mike Malone, técnico do time, não parece confiar em Emmanuel Mudiay na armação. Neste cenário, é possível que o time tente a sorte com algum outro point guard. Se fosse eu, buscaria algum pretendente a substituir Kenneth Faried como ala-pivô do time.

Miami Heat
(14)

O time de Pat Riley é bem consistente e não chega ao draft desesperado por alguma posição em específico, mas apostando que o núcleo Dragic-Winslow-Whiteside vai se manter intocável, e que Tyler Johnson e Josh Richardson dão conta do recado, um ala-pivô pode ser a necessidade mais visível do time. Ou o time pode apostar em algum shooting guard para tentar substituir a eventual lacuna de Dion Waiters.

Portland Trail Blazers
(15, 20, 26)

Somente o Portland e Lakers têm três escolhas de primeiro round, o que significa uma bela oportunidade de fazer trocas – ainda mais numa semana maluca como esta.  Caso não consiga descolar nada de bom no mercado, a única alternativa possível é buscar algum ala que eventualmente possa colaborar na rotação – já que Damian Lillard, CJ McCollum e Jusuf Nurkic são intocáveis – e, nas escolhas mais baixas, tentar algum backup na armação.

Chicago Bulls
(16, 38)

O Bulls está em uma encruzilhada. O time deveria desesperadamente buscar algum guard chutador. Ao mesmo tempo, o time tem milhões de armadores e ala armadores no elenco (Rajon Rondo, Dwyane Wade, Michael Carter Williams, Jimmy Butler). O ideal seria uma limpa nos jogadores mais dispensáveis deste grupo para, daí sim, buscar alguém com as características de sharp shooter.

Milwaukee Bucks
(17, 48)

Garimpar um pivô era uma opção até Greg Monroe anunciar que iria exercer seu direito de ficar na equipe no último ano de contrato. Agora, a opção mais interessante seria buscar algum ala-pivô com bom rebote e chute de três – já que Jabari e Giannis são atletas mais agudos, que atacam a cesta.

Indiana Pacers
(18, 47)

Exceto um ala-pivô atlético (nas características de Myles Turner), qualquer coisa é bem aceita em Indiana a esta altura do campeonato. Com a eminente saída de Paul George, é possível que o time sequer use esta escolha e consiga subir no draft. Neste caso, seria interessante buscar um armador, já que Jeff Teague não vingou na sua cidade natal. Se não conseguir descolar uma negociação, vale a pena buscar o melhor talento à disposição na segunda metade do primeiro round.

Atlanta Hawks
(19, 31, 60)

É de se suspeitar que o Atlanta vai partir para uma renovação lenta e gradual daqui para frente, nos moldes parecidos com o que o Dallas Mavericks passará. Por mais questionável que seja, Dennis Schroder é a única realidade do time com alguma capacidade de colaborar ativamente no futuro. Paul Millsap, um craque incompreendido, tem boas chances de procurar uma nova casa. Sendo assim, buscar um pivô ‘moderno’ ou um ala pontuador são boas opções. Partir para trocas para subir no draft também é um caminho interessante, por mais que não tenha muitos valores para oferecer.

Oklahoma City Thunder
(21)

O time de Russell Westbrook penou em muitos momentos da temporada, especialmente nos playoffs, por não contar com arremessadores especialistas no seu elenco. Russell é de lua neste quesito, Victor Oladipo não conseguiu ter um bom ano e Andre Roberson é simplesmente incapaz de colaborar ofensivamente. O problema é que a esta altura do draft, os pontuadores mais promissores já devem ter saído.

Brooklyn Nets
(22, 27, 57)

Para um time que não tem suas escolhas de draft nos últimos anos, o Brooklyn tem se saído até que bem na hora de escolher calouros. Como nas últimas vezes, deve fazer alguma escolha cirúrgica para suprir as necessidades de garrafão – e tem a sorte desta turma de calouros ter vários pivôs cotados para sair no final do primeiro round. Justin Patton, Ike Anigbogu e Isaiah Hartenstein são alguns dos nomes prováveis para fazer companhia ao recém-chegado D’Angelo Russell.

Toronto Raptors
(23)

Difícil fazer grandes prognósticos quando o time entra na free agency com Serge Ibaka e Kyle Lowry ao final de contrato. Por mais que o draft possa render algum bom talento para o banco de reservas do time, é de se esperar que as atenções estejam voltadas ao mercado. Algum ala versátil com bom chute não seria ruim.

Utah Jazz
(24, 30, 42, 55)

Apesar de já ter apostado em armadores nos últimos drafts, é provável que o Jazz repita a dose neste ano. Raulzinho e Dante Exum não vingaram ainda e George Hill deve ser recompensado com um contrato gordo depois de ter o melhor ano da sua carreira. O problema é que a esta altura do draft, os melhores point guards já terão sido escolhidos e é provável que tenham vários pivôs ainda decentes à disposição. Neste caso, algum jogador para ser reserva de Favors ainda seria útil.

San Antonio Spurs
(29, 59)

Como é de se esperar, o San Antonio Spurs tem uma das piores escolhas de draft. Como é de se esperar também, o time vai conseguir pegar algum jogador que no futuro ninguém vai entender como demorou tanto para ser selecionado. Quem é esse cara? Só eles sabem, mas é fato que o time precisa de talento e juventude dentro do garrafão.

New Orleans Pelicans
(40)

É muito difícil conseguir algo útil apenas com a quadragésima escolha, mas é fato que o Pelicans não deve buscar alguém de garrafão – tem, possivelmente, os dois melhores pivôs da liga jogando juntos! Então algum reserva na armação seria excelente.

Houston Rockets
(43, 45)

Ou algum jogador muito cru a ser desenvolvido para ser o defensor na ala ou algum pivô para brigar por posição como reserva. Mais do que isso é pedir muito.

Washington Wizards
(52)

O time tem uma formação titular muito forte, mas penou por não ter um banco confiável. Equilibrar o time, mesmo que tenha que abrir mão de alguma coisa ou outra, é fundamental para brigar com os melhores times do Leste – caso contrário, Wall, Beal e companhia chegarão exaustos mais uma vez na reta final da temporada que vem. Mas isso não se soluciona com a quinquagésima segunda escolha do draft.

Golden State Warriors, Cleveland Cavaliers, Los Angeles Clippers e Memphis Grizzlies não têm escolhas de draft.

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Dwight de graça

No momento em que apertaram o botão de reset da NBA e todos os times apareceram no mercado trocando, sondando e negociando, o Atlanta Hawks mandou Dwight Howard para o Charlotte Hornets junto com uma escolha de segundo round e recebeu os completamente inexpressivos Miles Plumlee, Marco Belinelli e a escolha 41 do draft. Na prática, o ex-melhor jogador de defesa da liga, múltiplas vezes All NBA Team e All Star saiu de graça para um rival de divisão, confirmando a impressionante queda de valor e moral de Howard perante os times na NBA de hoje.

É espantoso. Desde que saiu de Orlando, Dwight caiu num espiral decadente que não para nunca. Apesar de ter tido uma temporada bem decente, saiu quase que fugido do Lakers – por conta da treta com Kobe Bryant -, foi completamente excluído no Houston e terminou sua passagem no Atlanta Hawks por baixo, sendo pouquíssimo aproveitado nas últimas partidas dos playoffs. Agora, no fundo do poço, foi envolvido em uma negociação que tem como único e exclusivo objetivo livrar seus 47 milhões de salários restantes pelos próximos dois anos da folha de pagamento da franquia.

(Brett Davis-USA TODAY Sports)

A última temporada regular de Dwight Howard até parecia animadora diante do cenário de queda vertiginosa que vem passando. Teve a melhor média de rebotes desde a última temporada com o Magic, registrou o melhor offensive rating da sua carreira e conseguiu jogar o maior número de partidas numa temporada nos últimos quatro anos. O problema é que não parecia parte do time.

O jogador era frequentemente relegado dos momentos decisivos da equipe – foi usado muito menos do que a sua média de minutos nos playoffs, por exemplo. Fora das principais rotações, reclamou e criou uma bola de neve de problema. Além disso, não tinha nada a ver com o esquema de ‘pace and space’ do Hawks. A saída era uma questão de tempo.

Segundo Kevin Arnovitz, da ESPN, o Atlanta terminou a temporada já sondando possíveis trocas com o jogador, mas ouviu da maior parte dos times que Dwight não valia mais do que uma escolha de segundo round e alguns jogadores não muito úteis que pudessem bater os salários.

No fim, parece que o Charlotte Hornets foi a única franquia que topou o abacaxi.

Dá para suspeitar os motivos. Steve Clifford, técnico do time, era auxiliar de Stan Van Gundy no Orlando Magic que foi finalista da NBA com Dwight Howard como sua principal estrela. Aquela equipe jogava com um esquema muito característico em que quatro jogadores atuavam abertos, todos com excelente chute de três, e Dwight no centro do garrafão. A tática funcionava pois abria espaço para o pivô atacar sem muito congestionamento – algo que ajuda jogadores sem muito recurso técnico – e Howard ainda  brigava quase que sozinho pela recuperação de bolas erradas dos seus colegas.

Temporada passada o Hornets tentou reabilitar Roy Hibbert, outro jogador que passou por um processo de decadência parecido com o de Howard, mas a experiência não deu certo. Agora a tentativa vai ser com um jogador minimamente mais talentoso.

Por mais que eu ainda ache Howard útil, entendo que não dá para confiar que vá funcionar. O declínio físico e um jogo ancorado em habilidades tão específicas – e em desuso – fazem de Dwight um cara descartável em boa parte dos esquemas. E é por isso que atualmente ele não tem quase valor algum para a liga.

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Preparando o terreno

O Los Angeles Lakers conseguiu chacoalhar mais o mercado da NBA do que a troca da primeira escolha do draft entre Boston Celtics e Philadelphia 76ers. Com a explícita intenção de limpar a folha salarial para a próxima offseason, o time angelino mandou seu armador titular D’Angelo Russell e o pivô Timofey Mozgov para o Brooklyn Nets em troca do pivô Brook Lopez e da 27ª escolha do draft deste ano.

A troca pode parecer estranha, já que o Lakers vinha em um processo gradual de evolução, apostando todas as fichas em um time equilibrado formado via draft e Russell era o jogador que tinha sido escolhido com a pick mais alta do time nos últimos anos (foi o segundo em 2015, atrás somente de Karl Anthony Towns). Mas a verdade é que o desempenho de D’Angelo, a oferta abundante de armadores na turma do draft deste ano e a manifesta vontade de Paul George jogar pelo time no ano que vem fizeram a franquia mudar os planos de uma hora para a outra.

O que aconteceu, mais detalhadamente, foi o seguinte: há dois dias, Adrian Wojnarowski, insider do Yahoo que antecipa 99% das notícias quentes da liga, soltou que Paul George não renovaria com o Indiana Pacers ao final da próxima temporada e que seu destino preferido era o time roxo e amarelo. O anúncio fez meio mundo se mexer. O Indiana foi ao mercado ouvir propostas pelo jogador e muitos times procuraram o Pacers oferecendo trocas.

Acontece que o seu valor de mercado ficou limitado com a notícia de que quer ir para Los Angeles na temporada que começa em 2018 – em tese, George jogaria apenas um campeonato por qualquer time e na próxima offseason sairia de graça para assinar com o Lakers. Nisso, ficaram na briga apenas times que teriam condições de ‘alugar’ George por um ano para brigar pelo título agora.

Paralelamente, o Lakers viu que teria que se coçar. As possibilidades seriam duas: persuadir o Pacers para uma troca agora e garantir o jogador ou abrir espaço na folha salarial para seduzir George ano que vem, além de sinalizar que poderia montar um time competitivo ao seu redor – o receio é que PG13 mude de ideia ao participar de um projeto vencedor em outra cidade, escolha alguma outra franquia neste meio tempo e desista do seu plano inicial.

Aparentemente o time da Califorina fez algumas propostas ao Indiana, mas não conseguiu tirar George de lá – por enquanto, ao menos. Sem êxito, partiu para a segunda fase do plano e resolveu se livrar dos contratos mais incômodos do elenco. Timofey Mozgov é um deles.

O pivô russo foi uma das contratações mais bizarras do ano passado. Por mais que o novo limite salarial tivesse aumentado, pagar 15 milhões ao ano para ele era um desperdício nítido – eu falei sobre isso há um ano. Pior é que seu contrato ocuparia parte da folha angelina por mais três anos. Se o Lakers quer ir atrás de jogadores de peso, como o próprio George ou até Lebron James (dizem que pode ser um destino do jogador…), a limpa tinha que ser feita já.

Acontece que ninguém estaria disposto a pegar um abacaxi destes sem mais nem menos. O time precisava, então, colocar algum ‘ativo’ minimamente atraente no pacote para chamar a atenção das outras franquias. Aí que entra D’Angelo Russell.

O armador vivia uma pressão grande no time: era o que carregava a maior expectativa de um dia virar craque e, ao mesmo tempo, era o que despertava as maiores dúvidas. Randle já consegue ser mais consistente – tanto nas qualidades quanto nos defeitos. Ingram ainda conta com o benefício da dúvida. Russell, coitado, não desencantou como o staff do time esperava.

Se ainda é cedo para decretar se o jogador não é tudo aquilo, o Lakers tem a vantagem de ter a segunda escolha em um draft lotado de point guards. O mais bem cotado deles para a posição, já que Markelle Fultz será escolhido pelo Sixers, é Lonzo Ball. Na dúvida entre um e outro, o time escolheu abrir mão daquele que conhece e melhor – e pode saber que dali não sai muito mais coisa -, aliado à conveniência de usa-lo como fiel da balança na hora de se livrar do contrato horroroso de Mozgov.

De quebra, o time recebe uma escolha de primeiro round, que sempre teu seu valor na hora das trocas, e Brook Lopez, que é aquele pivô que ninguém vai brigar para ter (não defende nada, não pega rebotes), mas que quando está no seu time, é uma peça muito útil (é um excelente pontuador e que agora se tornou um chutador de três decente). Se vingar, combinar com o time e se sair bem, pode renovar na próxima temporada. Se não, são mais 22 milhões que saem da folha do time.

Particularmente, achei uma movimentação interessante. Posso estar sendo injusto e impaciente, mas não vejo um potencial tão grande em Russell. Acho que vale a pena arriscar a aposta em um point guard do draft e tentar persuadir Paul George. D’Angelo é, no máximo, uma estrela em potencial. George é uma de fato. Por fim, sou fã de Lopez – mesmo com todos os defeitos que tem.

É provável que o Lakers não pare por aí. Luol Deng é outro ‘elefante na sala’ da franquia e o LAL ainda tem alguns valores para despachar em busca de um cenário mais favorável na próxima temporada. No fundo, o time só quer preparar o terreno para atacar agressivamente o mercado na próxima temporada. Pode dar muito certo, como pode dar muito errado.

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Durant não fugiu da história, só a escreveu à sua maneira

No dia em que Kevin Durant anunciou que se juntaria ao Golden State Warriors, eu fiz um texto aqui revoltado com a decisão. Naquele momento, eu estava triste que meu jogador preferido tinha escolhido se reunir com o time que tinha o derrotado. Que ele preferia o título a uma história que parecia ser mais fascinante.

Mas seria fascinante para quem? Para mim, sem dúvidas, seria muito mais legal ver uma dupla tipo Batman e Robin enfrentando os times superpoderosos da NBA e os derrubando um a um. Ver uma caminhada heróica de dois jogadores, dois amigos, que cresceram juntos como atletas e logo estariam prontos para conquistar a glória máxima. Mas para ele talvez fosse mais uma história digna de filme de heróis do que propriamente uma possibilidade real.

Por mais que o Oklahoma City Thunder tenha verdadeiramente ameaçado o Golden State Warriors no campeonato do ano passado, a quase vitória parece mais um ponto fora da curva, um evento circunstancial, do que uma tendência. Curry e companhia já formavam um time absurdamente bom que dificilmente seria batido por uma equipe com um basquete tão simples como aquele Thunder.

Por mais que eu ainda ache que um título não é (ou pelo menos não deveria ser) determinante para nós, torcedores, reconhecermos definitivamente se um jogador teve sucesso na sua carreira ou não, é preciso, para começo de conversa, considerar que para ele isso pode ser, sim, a coisa mais importante da sua vida. Portanto, se Durant achava tão necessário para sua carreira ser campeão e não via uma maneira disso acontecer em Oklahoma, é legítimo – por mais que eu ou você discordemos – que ele tenha ido para o Warriors.

Mas eu vou mais além nesse processo de empatia. A gente não sabe o que rola no dia a dia de um time, como são as relações dos jogadores, como eles se sentem nas organizações em que trabalham e tudo mais. Se há um ano parecia que Westbrook e Durant eram uma dupla inseparável, os relatos que sucederam a saída de Kevin do Thunder mostraram um cenário bem diferente, em que Russell era próximo de todos os jogadores do time e Durant não passava de uma referência técnica, mas com pouca afinidade com os caras na vida extra-quadra.

A sua trajetória no Warriors também mostra que seu talento pode ser muito melhor aproveitado se usado em um esquema coletivo, de muitos passes, muita movimentação sem a bola – algo que não acontecia no ex-time. Não difícil imaginar que, independente de título, Durant era um cara mais ‘realizado’ profissionalmente, que tinha mais prazer em jogar com seus colegas de Golden State do que com Westbrook.

Por mais que ele ganhe milhões e que seu trabalho seja jogar bola, existem situações que podem fazer disso uma tarefa não muito prazerosa – ou melhor, uma mudança de ares pode fazer desse trabalho muito melhor. Não digo que ser jogador de basquete deva ser encarado como um trabalho qualquer, como o meu ou o seu, mas que existem fatores muito mais corriqueiros do que nós imaginamos. E que eles influenciam a tomada de decisões.

Tudo isso para dizer que eu na época fiquei muito frustrado com a escolha, como vejo que a maioria esmagadora das pessoas ficou, mas que a gente não pode tomar como base apenas a parte da história que nós achamos que conhecemos. Mais do que isso, não podemos minimizar o feito absurdo realizado por Durant – com um super time ‘apelão’, mas contra outro super time ‘apelão’ com Lebron James, Kevin Love e Kyrie Irving. Hoje, Kevin Durant é o melhor jogador do melhor time da NBA – e um daqueles que entram na discussão para ser um dos maiores da história!

Ao ir para a Bay Area, Durant não ‘escolheu se escondeu da história’, como eu mesmo disse há quase um ano. Ele só resolveu marcar seu nome na história de outra forma – como MVP das Finais, como campeão da NBA… -, talvez diferente da que muita gente queria. E aparentemente ele está mais feliz com o desfecho do que com a nossa opinião sobre tudo isso.

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Um era pouco

Depois de uma série final irretocável, o Golden State Warriors se sagrou o campeão da NBA. O time varreu todos os seus adversários do Oeste, venceu de maneira incontestável o baita time do Cleveland Cavaliers (desta vez completo), e confirmou, com o segundo título em três anos, que este é um dos grandes times do basquete dos últimos tempos.

Não vou entrar no mérito da comparação se este ou aquele time é o melhor da história, se é top3, se venceria o time de não sei lá quando – essa é uma outra discussão para depois -, mas é fato que, diante de todas as marcas que este Golden State atingiu, de todos os jogadores que reuniu, a forma como jogou e ganhou, um título seria pouco. Por tudo que esse time fez, era essencial, até obrigatório, que Curry e companhia fossem campeões de novo. Pelo reconhecimento que merecem.

Quando falo das realizações do GSW atual, não me refiro apenas aos vários recordes quebrados (de vitórias totais numa temporada, vitórias seguidas, vitórias em três temporadas e etc). Mas falo sobre toda a mudança provocada no estilo de jogo.

O Golden State Warriors retomou um fundamento básico, primário, do basquete de que este é um jogo sobre fazer cestas, sobre eficiência ao colocar a bola no aro antes de qualquer coisa. E mostraram que é possível jogar com atletas fora dos padrões de suas posições se eles provarem que conseguem pontuar.

Que, para não depender dos estereótipos, basta ter um time que saiba se movimentar no ataque e na defesa de maneira inteligente para ocupar todos os espaços da quadra, que a bola corre mais do que as pernas e que o arremesso de três pontos vale mais do que o de dois (dã!).

Não que Steve Kerr e seus comandados tenham inventado estes conceitos e estilo de jogo, mas foram os melhores a executá-los. E, se um título já não parecia mais suficiente para que todos entendessem isso, dois deixam as coisas um pouco mais claras.

Não torço para o Warriors, mas, pensando neste legado, eu fico satisfeito com o resultado. Deixemos as comparações com os outros grandes times da história, as críticas ao fato de Kevin Durant ter se juntado ao time e as ponderações sobre o futuro de uma possível dinastia para daqui a pouco. Agora é hora de reconhecer a importância de mais um título para um time dominante e inovador. E que um time com Stephen Curry, Durant, Klay Thompson, Draymond Green e Andre Iguodala tinha que ser mais do que uma vez campeão.

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Warriors não tem que temer a sombra do 3 a 1

A vitória do Cleveland Cavaliers na partida de sexta-feira deu mais do que uma sobrevida à série final da NBA. Retomou um placar que não traz as melhores lembranças ao torcedor do Golden State Warriors. Ano passado, o time da Bay Area vencia pelos mesmos 3 a 1 quando deixou o rival do Leste virar a contagem – a primeira vez na história nestas condições.

A virada foi motivo de chacota o ano inteiro e serve como um argumento para os mais otimistas de que as coisas ainda podem mudar drasticamente na final deste ano. Por mais que ~matematicamente exista esta possibilidade mesmo, as condições deste ano fazem com que uma eventual vitória do Cavs em sete jogos seja uma tarefa praticamente impossível, muito mais complicada do que na temporada passada.

Para começo de conversa, na verdade o Cleveland precisa reverter uma vantagem que começou em 3 a 0, algo que nunca aconteceu na história dos playoffs – não só em finais, como a virada do ano passado. É algo muito, mas muito difícil de acontecer em qualquer circunstância. Especialmente contra o time do Golden State Warriors, que não perde quatro partidas seguidas desde março de 2013.

Para se ter uma ideia de quanto tempo isso não acontece com o time, naquela época o técnico do Warriors era Mark Jackson, o segundo melhor jogador do elenco era David Lee e Draymond Green era um calouro vindo do segundo round com 3 pontos e 3 rebotes de média. Richard Jefferson fazia parte do time e Andre Iguodala ainda nem tinha sido contratado.

Se isso não rola desde que o Golden State era um time ainda em formação, imagine hoje, com Kevin Durant jogando em um patamar de MVP e com uma formação no seu auge. Bem difícil de se imaginar.

Também é preciso olhar para os quatro jogos que já aconteceram na série. Em dois deles o Cavs simplesmente não teve chance de vencer. Em outro a disputa foi pau a pau e no último tudo deu certo para Lebron e companhia. Para vencer o Warriors, é preciso que o último caso se repita por mais três vezes, o que é bastante improvável.

Não que o Cleveland não tenha capacidade de fazer mais jogos com mais de 20 cestas de três e tudo mais, mas é preciso lembrar que um a performance de um time não depende apenas dele, mas da sua capacidade versus a habilidade do rival em atrapalhá-lo, algo que o Golden State faz com primazia. É bem possível que o Cavs consiga mais um jogo muito bom enquanto o Golden State não tenha reação, pode acontecer até duas vezes, mas é difícil imaginar isso acontecendo mais três vezes em sequência.

Por fim, o jogo 5 acontece em Oakland, casa do Warriors, ainda com um clima relativamente tranquilo para os mandantes. Ano passado também deveria ter sido assim, não fosse a ausência de Draymond Green – melhor jogador do Golden State naquelas finais. Uma pressão bem diferente caso a série se encaminhe para um jogo 6 em Cleveland ou para uma partida derradeira com a competição empatada.

A história já nos ensinou que o imponderável toma conta das finais, que tabus são quebrados quando ninguém espera e que não dá para duvidar de Lebron James. Mas o 3 a 1 deste ano é bem diferente do 3 a 1 do ano passado.

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Um resultado conveniente – e nada mais do que isso

Se ainda parece muito provável que o título do Golden State Warriors é só uma questão de tempo, a vitória do Cleveland Cavaliers foi bastante útil para confirmar e renovar algumas convicções sobre a série, os times e jogadores envolvidos.

Golden State Warriors não é imbatível
O time finalmente perdeu depois de muito tempo (meses!). É ainda um fato que o Warriors é a melhor equipe da liga, tem o melhor grupo de jogadores e o estilo de jogo mais eficiente nos dois lados da quadra, mas uma noite ou outra nem tudo vai dar certo para eles – nos últimos jogos ficou marcada a impressão exagerada de que nunca mais alguém poderia bater este time junto numa série de playoffs. Vai ser difícil, mas pode acontecer, sim. Nem mesmo a ida de Kevin Durant faz do time invencível – uma conclusão que talvez não faça muito mais sentido para o campeonato deste ano, mas importante para a competitividade das próximas temporadas.

Cleveland Cavaliers também é um supertime
Foram 49 pontos marcados no primeiro quarto e 86 até o intervalo, duas marcas inéditas para as finais da NBA e das maiores na história da liga em qualquer situação. Um aproveitamento nos chutes insano, um volume de jogo surreal. Não se faz isso por acaso. O Cavs também é um time com muito talento reunido. Seu trio de estrelas é um dos melhores da liga na década, seu banco reúne vários bons jogadores que só se juntaram à franquia para tentar ganhar um título também. O resultado é um time excelente – que esquecemos por um tempo o quão bom era por causa da sequência de derrotas para o Golden State.

Cavs se torna competitivo acertando seu jogo de sempre
A diferença de qualidade entre os dois times existe, mas não é tão gritante quanto os três primeiros jogos fizeram parecer. Até agora, o Cleveland não tinha conseguido mostrar algumas das suas principais ferramentas, como uma artilharia pesada da linha dos três pontos. Conseguiu no jogo 4. O time acertou 7 de 12 arremessos da zona morta, de onde vinha tendo um aproveitamento pífio na série final. Foi mais físico no ataque, forçando a ida para a linha de lance livre. Conseguiu recuperar mais rebotes ofensivos. Forçou turnovers do rival. Conseguiu se desvencilhar da defesa do Warriors no perímetro. Enfim, jogou como deve jogar.

Lebron James para a história
Nas estatísticas, Lebron James já tem feito uma performance monstruosa. Anotou mais um triple-double, confirmando sua média na final com mais de 10 rebotes, assistências e pontos por partida – primeira vez na história – e ultrapassando Magic Johnson no número total de vezes que alguém atingiu este statline em jogos de final, com 9. Mas mais do que isso, protagonizou uma daquelas jogadas que entrará para a história da NBA, assim como foi aquele toco em Andre Iguodala no ano passado, mas que ainda não tinha sido feita na disputa deste ano: deu um passe para si mesmo, jogando a bola na tabela, para enterrar no meio da defesa do GSW. O lance é genial porque não foi apenas plástico. Foi um recurso mesmo. Ao infiltrar e segurar a bola para passar, viu que nenhum companheiro seu estava livre. Em uma fração mínima de segundos viu a brecha de jogar a bola na tabela para ele mesmo fazer a cesta. Uma jogada que, com certeza, vai figurar nos tapes de melhores de todos os tempos das finais.

Ainda não acho que o resultado de sexta sirva para mais coisas além disso. Na prática, e mais importante de todos, ainda não é suficiente para que o título do Warriors seja ameaçado.

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Um problema na zona morta

Mesmo que hoje já pareça claro que o título do Golden State Warriors é só uma questão de um ou dois jogos, é preciso reconhecer que o Cleveland Cavaliers apresentou alguma evolução dos jogos 1 e 2 para o jogo 3. Fora toda a qualidade ofensiva e defensiva do Warriors, todo o poder de decisão de Kevin Durant, tudo que Stephen Curry está jogando e a qualidade defensiva de Klay Thompson, o Cleveland não estava jogando o seu melhor basquete – e é até natural que as virtudes do GSW façam com que isso aconteça com seus rivais.

Nos dois primeiros jogos da série, a timidez de Kyrie Irving e os coadjuvantes do Cavs foi um problema claro. A falta de convicção se era necessário desacelerar ou não também não ajudou. Mas quando o time resolveu apostar no ataque agudo em transição e Kyrie apareceu para decidir, o jogo foi pau a pau. Decidido em detalhes.

Um destes detalhes foi a falta de eficiência do time nas bolas da zona morta. No jogo em Cleveland, o Golden State Warriors acertou 5 dos 7 arremessos do canto da quadra. O Cleveland Cavaliers meteu 2 de 18.

A disparidade é emblemática: o Cavs tentou muito dali justamente porque pintaram várias oportunidades excelentes ao longo da partida, com jogadores completamente livres – fruto de trocas de passes e contra ataques eficientes do time, tirando a defesa do GSW da bola -, mas mesmo assim JR Smith, Kevin Love, Kyrie Irving, Deron Williams e os demais não se cansaram de errar.

A falta de eficiência neste tipo de chute nesta época do ano explica muito sobre a dificuldade do time em ter jogos parelhos com o Warriors. Primeiro que os chutes dali são naturalmente, por essência, mais ‘fáceis’ que os demais – a linha é mais próxima da cesta e muitas vezes a bola chega antes do marcador, com mais espaço para quem chuta.

Segundo que esta tinha sido uma arma amplamente usada com muita eficiência pelo Cleveland ao longo de toda a temporada. A equipe foi a única de todas as 30 da NBA a arremessar mais de 10 bolas por jogo da zona morta e a fazer mais do que quatro cestas, em média, por partida dali. Tinha o mérito de ter o sétimo maior aproveitamento (40,8%) num volume brutalmente superior aos demais.

Nas finais contra o Warriors, o desempenho despencou. Continuou chutando mais de 10 bolas por partida dali (foram 34), mas acertou residuais 8 tentativas, com um aproveitamento pífio de 23,5%. No último jogo que fosse, se tivesse acertado duas ou três bolas a mais – teve mais chances do que isso completamente livre e ainda assim teria um desempenho médio muito abaixo do normal – o resultado da partida teria chances imensas de ser outro.

Neste caso, repito, nem acho que seja mérito da defesa do Warriors, pois o Cavs teve muitas chances sem marcação, em que a marcação do GSW não conseguiu acompanhar a troca de passes ou que chegou muito atrasada. Foi deficiência dos jogadores do Cleveland mesmo.

Se a batalha da série final já seria difícil para Lebron e companhia fazendo o que estão acostumados, ficou impossível de ser superada com esse tipo de erro.

Eu, pessoalmente, não consigo pensar o que causou isso. Só sei que custou boa parte da competitividade das finais.

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