O melhor troco possível por Kyrie Irving

É difícil fazer render uma troca quando uma estrela pede para sair do time. Por melhor que seja o cara, é complicado conseguir alguém que pague o preço que aquele jogador efetivamente vale. Desesperado com a possibilidade de desvalorização do seu ativo, o time até então dono do contrato do jogador geralmente acaba aceitando a proposta ‘menos pior’.

Era assim que se encaminhava o pedido de Kyrie Irving para ser trocado. O Cleveland Cavaliers sonhava com alguma coisa tipo Kristaps Porzingis, mas tinha em mãos algo mais parecido com Eric Bledsoe. Os trocos oferecidos eram tão indecentes que cogitava-se que o time de Lebron iria começar a temporada com Irving. Era melhor levar alguns meses de clima péssimo no vestiário do que desvalorizar o segundo melhor jogador do elenco. Diante do eminente enfraquecimento da equipe depois da saída de Kyrie, o abandono de Lebron James era considerado certo. E, daí, pronto: voltariam os anos de mediocridade do Cavs.

Eis que, do nada, a franquia se acerta com Boston Celtics, maior rival do Cleveland na conferência Leste, e consegue o impossível: negocia Kyrie Irving por um pacote que, pasmem, pode até MELHORAR o time. Estão nele Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e a escolha do Brooklyn Nets do próximo draft.

Elsa/Getty Images

Mesmo no pior momento possível, o Cleveland conseguiu transformar Irving em um dos melhores armadores de toda a NBA, em um ala extremamente útil com um contrato excelente, em um pivô alguma coisa promissora e em uma escolha top5 da próxima seleção de calouros.

A troca de Irving por Thomas tinha sido ventilada há algumas semanas, mas descartada logo de cara por ser uma negociação muito difícil para o time de Ohio – o Boston Celtics se mostrou duro na queda nas possíveis trocas cogitadas ao longo dos últimos meses e parecia difícil que a equipe despacharia seu melhor jogador. Isso descontando a situação frágil em que o Cleveland se encontrava, como já descrito anteriormente.

Para o acerto do Cavs, eu imagino que o time melhora, apesar de Kyrie ser o melhor nome da troca. Isaiah é um dos melhores jogadores no ataque em toda a liga. Crowder tem o perfil do banco do Cleveland. A equipe ganha profundidade e versatilidade.

Isso tudo não quer dizer que o Boston piorou. Apesar de ser uma troca surpreendente, fica claro que o time partiu para uma nova fase, apostando em jogadores de renome.

Para a franquia, a troca de Isaiah resolve algumas dores de cabeça da direção. Thomas se tornaria free agent ao final da temporada e pediria um contrato máximo, o que praticamente descartaria qualquer possibilidade do Celtics tentar buscar mais alguma estrela no mercado.

Até Kyrie, que parecia que ia abrir mão de tentar vencer com o seu pedido maluco para sair do Cavs, se deu bem: será o melhor jogador de uma das melhores equipes da liga.

Mas, mesmo que agora conte com um time titular poderoso, ainda terá que bater o Cleveland Cavaliers, que, surpreendentemente, conseguiu, de uma maneira incrível, ficar ainda melhor.

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‘Tampering’: o que é, por que virou notícia e no que pode dar?

É o assunto da semana: o Indiana Pacers acusou o Los Angeles Lakers de ter negociado com Paul George enquanto o jogador ainda estava sob contrato com o time de Indianápolis, uma prática chamada ‘tampering’ e que é proibida pela liga. A NBA acatou a denúncia e está investigando o caso, apesar de já adiantar que não encontrou nenhuma evidência mais concreta logo de cara.

Na teoria, nenhum time pode tentar aliciar, convencer ou até mesmo, em certa medida, contactar qualquer jogador, técnico ou executivo que esteja sob contrato com outra franquia. A liga pode aplicar punições, como multas, perdas de picks no draft e até bloqueio de transações, ao time que fizer isso.

O que o Indiana Pacers alega é que o contato do Lakers com Paul George fez o jogador manifestar o interesse em sair assim que seu contrato terminasse e, com isso, jogar seu valor de troca no chão. Com isso, o time acredita que recebeu muito pouco em troca quando negociou seu atleta. Tudo porque ele estaria já acertado com o time de Los Angeles e nenhuma equipe queria pagar o que ele valia para ter só um ano dos seus serviços.

Apesar do Pacers ter aceitado a proposta que quis – ninguém obrigou o time a negociar George por Victor Oladipo e Domantas Sabonis -, eu entendo que o time tenha se sentido prejudicado. PG é um atleta sensacional e sua saída, dessa forma, foi uma porrada em qualquer pretensão da franquia para o futuro. No entanto, eu duvido muito que isso vá dar em alguma coisa.

As razões são várias. Primeiro que é muito, mas muito difícil provar que efetivamente aconteceu algo. Jogadores, executivos e agentes se falam o tempo todo. É muito complicado afirmar que um contato aqui ou ali aconteceu dentro ou fora das regras. Se fossemos levar a lei da liga ao pé da letra, todos os times teriam que ser punidos dezenas de vezes a cada temporada, quando, na prática, são raríssimos os casos de punição. Na real, só acontecem quando os envolvidos admitem o ‘tampering’.

(Richard Mackson-USA TODAY Sports)

O simples fato da NBA proibir mas assumir que nunca inicia uma investigação por conta própria já dá o tom do posicionamento diante dos casos – a liga só abre um processo mediante uma denúncia. Na história, poucos casos relevantes tiveram um desfecho mais grave – como o Miami Heat que perdeu uma escolha de draft por ter aliciado Pat Riley a se juntar ao time enquanto ainda era técnico do New York Knicks. Em geral, são multas pagas em valores que sequer são divulgados.

A prática é tão comum e suas consequências são tão desprezadas que na maioria dos casos ninguém dá bola. Neste ano, Draymong Green admitiu que ao perder para o Cleveland Cavaliers na temporada retrasada, ligou para Kevin Durant e o convenceu a se juntar ao Golden State Warriors. Depois de um frenesi inicial, ninguém mais deu a mínima.

O caso envolvendo Lakers-George-Pacers só tomou o noticiário com alguma proporção mais volumosa porque é offseason e, passado o período de assinatura de Free Agents e engavetado o pedido de Kyrie Irving para ser trocado, ninguém tem nada de mais interessante para falar – este blog é um exemplo disso, risos. Claro, o fato de ser o Lakers amplifica um pouco as coisas.

Por mais que nunca tenha rolado, a regra permite punições mais severas do que as conhecidas. Existe a possibilidade até do time e do jogador ficarem impedidos de assinarem contrato, caso a liga entenda que houve o aliciamento e que foi grave a este ponto. Mas diante de todas as alternativas e do histórico, esta é a mais improvável.

No final das contas, se o Los Angeles Lakers e Paul George combinaram algo, o mais provável é que o acordo seja confirmado no ano que vem, com o ala assinando com o time californiano. Sem punições.

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O calendário da NBA mudou. E para melhor.

Definitivamente não dá para dizer que a NBA não está preocupada com alguns dos problemas que mais enchem o saco de torcedores e canais de tevê (que são os agentes que bancam a liga, direta ou indiretamente). Ficou clara a tentativa de, ao anunciar o calendário para a próxima temporada, acabar com partidas televisionadas nacionalmente sem que os melhores jogadores dos times estejam saudáveis, equilibrar os calendários, diminuir o número de jogos em dias seguidos e mostrar na tevê mais os grandes jogadores ao invés de times clássicos.

Primeiramente, como já tinha sido anunciado antes, a temporada regular ganhou mais alguns dias ao começar na metade de outubro. Assim, ganha-se mais datas no calendário e é possível ‘esticar’ a maratona de jogos pelos meses. Como a tabela de jogos continua sendo de 82 jogos para cada time, são duas semanas a mais de folgas espalhadas ao longo de seis meses.

Na prática, por si só, isso já garante que existam menos back to back, ou seja, times que jogam dias seguidos. Comprovadamente, é nestas situações que os jogadores ficam mais expostos a lesões. Por isso, com menos partidas assim, os times, em tese, teriam menos motivos para descansar seus atletas no meio do calendário, mesmo eles estando saudáveis, um dos maiores problemas comerciais da NBA – os canais, que despejaram bilhões na liga nos últimos anos, ficam sem mostrar o produto prometido aos anunciantes.

Já que ninguém pode obrigar que os times coloquem o que têm de melhor em quadra, a NBA pelo menos se certificou que todos os jogos transmitidos nacionalmente nos EUA (e, consequentemente, reproduzidos pelo resto do mundo nos canais a cabo) contarão com times que sempre terão descansado um dia antes e descansarão um um dia depois das transmissões.

De um modo geral, não vai mais rolar aquilo de um time jogar quatro vezes em cinco dias (algo que aconteceu 70 vezes há dois anos e 20 no ano passado). Apenas 36 vezes que times jogarão cinco jogos em sete noites – algo que aconteceu 90 vezes na temporada passada.

A NBA também criou um sistema para cruzar os jogos que diminui o número de confrontos desequilibrados no que diz respeito ao número de partidas jogadas e descansadas. A ideia é que não tenha muitos cruzamentos entre times que jogaram muito mais vezes do que o rival.

A ideia de mostrar mais as estrelas se estende para as escolhas de partidas televisionadas também. Mais Milwaukee Bucks, menos New York Knicks na tevê. Mais Minnesota Timberwolvez, menos Chicago Bulls.

Em resumo, a NBA fez tudo que estava ao seu alcance para levar o melhor produto televisivo ao torcedor – não porque ela é boazinha, mas porque ela perde dinheiro se não fizer assim. Tomara que funcione.

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Respostas e considerações sobre a pesquisa de público do Dois Dribles

Há uns dias postei na página do  facebook um link para uma pesquisa para eu entender melhor o perfil do público do blog e, principalmente, o que vocês esperam do Dois Dribles. Por mais que eu já tenha comigo bem detalhado aqui nos acessos de onde vêm os cliques, qual a idade média da turma e etc, queria aproveitar a offseason para estreitar esta relação – saber o que gostam de ler, por quais plataformas e que tipo de texto.

Para quem não sabe, este blog é tocado por uma pessoa só, que trabalha no horário comercial com um negócio que não tem nada a ver com basquete. Qualquer mudança ou ideia nova é, na verdade, um investimento grande do meu tempo livre em algo que, materialmente, não me dá um retorno palpável. Portanto, para que fazer algo diferente, é preciso que seja do meu gosto, me satisfaça pessoalmente e valha a pena para o público que eu considero importante para o blog.

Mesmo assim, eu tenho algumas ideias. A primeira delas é simples: gostaria de postar mais. Mas como o blog é uma atividade paralela na minha vida, não estou em condições de ‘me dar ao luxo’ de aumentar consideravelmente o número de textos em algo que não agrade o público do Dois Dribles.

Também cogito partir para outras mídias. A minha ideia inicial seria fazer um podcast, mas não sei nada da parte técnica de edição e teria que gastar um tempo brutal aprendendo e me dedicando a isso. Além do mais, não sabia dizer se vocês estavam dispostos a acompanhar um programa assim do DD.

Mas vamos às respostas e o que eu interpreto delas:

TORCIDAS
Para qual time da NBA você torce? (é possível escolher mais do que uma alternativa)

Eu coloquei essa pergunta com dois objetivos: fazer com que as pessoas se motivassem a responder (e deu certo, foram mais de 1,2 mil participações!) e para justificar algumas coisas que veremos mais detalhadamente adiante. Em resumo, muita gente reclama que há muitos posts sobre uns times e quase nada sobre outros. Por mais que eu tente balancear, é preciso levar em conta que alguns rendem mais do que outros, alguns chamam mais a atenção do que outros. Essa pesquisa me ajuda a hierarquizar as coisas.

Hábitos relacionados a basquete

Mais de 80% de vocês assistem NBA na ESPN ou Sportv, 15% assina o League Pass, 3/4 compram camisas e jogam basquete. Só 1/4 joga fantasy. Ou seja, bastante gente vê NBA, bastante gente se interessa por produtos relacionados a basquete e nem tanta gente se interessaria em ler sobre fantasy (uma ideia que eu tinha, mas que morreu ao longo da temporada passada).

O que querem do Dois Dribles?

A maioria esmagadora diz que gosta de ler opiniões e análises. Uma parcela considerável, mais da metade, ainda gosta de histórias, curiosidades e estatísticas. Enfim, eu tento fazer uma mescla disso tudo e me parece ser o caminho certo – me corrijam se estiver errado.

A turma realmente gosta de acompanhar posts ~zoeiros~ no Facebook, no Twitter. Metade diz que vê canais de Youtube relacionados a basquete e menos de 20% diz ouvir podcasts. Isso me faz pensar se realmente vale o esforço de gravar um programa assim, sei lá, semanal, quinzenal que seja. Youtube, apesar de mais popular, não está nos meus planos por enquanto, por ser uma tonelada a mais de trabalho e, na minha opinião, ter uma chance imensa de ficar uma bosta.

Quando eu abri ali para sugestões e críticas, apareceu muita coisa diferente e contraditória. Tem gente que acha que os textos são pouco profundos e gente que acha que são muito detalhados. Tem quem ache que eu falo muito de informação extra-quadra, tem quem peça mais disso.

Mas a verdade é que muita gente pediu posts sobre os times menos badalados. Reclamou que o blog é um ‘diário do Lebron James’, que só fala do Golden State Warriors e tal. Eu concordo que é assim e que posso mudar. Vou tentar fazer isso, por mais que a pesquisa de torcidas indique que quando eu começar a falar mais do Atlanta Hawks, por exemplo, muita gente possa chiar que eu não estou falando dos assuntos do momento. Vou testar e ver qual é.

Eu fico feliz também que o maior pedido é por uma frequência maior de posts. Dentro do meu limite, vou tentar aumentar o volume de coisas por aqui.

Por fim, agradeço a todos por mais um ano de interação. O blog é meu, eu escrevo o que quero, não ganho nada por isso – as vezes ganho uns xingamentos -, mas tenho a realização de ver que um monte de gente que entende de basquete ou que está tentando entender melhor o jogo procura o Dois Dribles.

Sempre que tiverem qualquer sugestão, não hesitem em me escrever – por aqui, pelo Facebook ou pelo Twitter. Que venha mais uma temporada e #PAS.

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O técnico e o executivo

Doc Rivers deixará de ser ‘presidente das operações de basquete’ do Los Angeles Clippers para se dedicar única e exclusivamente à função de técnico da equipe. Há algumas semanas, o mesmo aconteceu com Mike Budenholzer no Atlanta Hawks. As decisões são acertadas: não acho saudável que uma pessoa concentre tanto poder para decidir os rumos de uma franquia.

O acumulo de funções faz sentido até um ponto. É verdade que não há sinergia maior entre comissão e front office se o chefe de ambos é a mesma pessoa. Incontestável que a situação também não deixa margem para dúvidas sobre quem é o responsável real pelo sucesso ou fracasso da montagem e execução do elenco. Mas, ao meu ver, as vantagens param por aí. De resto, o clube só tem a ganhar quando são duas pessoas em cada um dos postos.

Vou usar um exemplo bem oportunista, mas que é o mais didático possível. Quem está mais errado: o executivo Doc Rivers que contrata o filho, com histórico duvidoso na liga, ou o técnico Doc Rivers, que o coloca para jogar mais do que o próprio elenco acha saudável (a ponto de, dizem, ser um dos motivos pelos quais Chris Paul se encheu da franquia)?

Sempre odiei Austin Rivers e, admito, me surpreendi com sua evolução nas últimas duas temporadas, mas considerando que sua qualidade ainda é questionável, imagino fossem presidente e técnico do time pessoas diferentes, a escolha por assinar com o jogador e colocá-lo em quadra não seria tão contestada (para dizer o mínimo) – afinal, teria passado pelo crivo de duas pessoas e pelo menos uma delas não seria o pai do cara. Ou, caso contrário, nem aconteceria: Austin não seria contratado ou seria ignorado pelo técnico.

(Jerome Miron-USA TODAY)

Dá para falar o mesmo dos milhares de ‘role players’ veteranos que em determinado momento assinaram com o time. Glen Davis, Paul Pierce, Josh Smith, Lance Stephenson… chegaram, cada qual em seu momento, como ‘a peça que faltava’ para o time deslanchar e na melhor dos cenários não conseguiram ajudar em quase nada a equipe – boa parte deles chegou a atrapalhar, na real.

No Atlanta, a situação de Budenholzer tem suas coincidências com a de Rivers: como executivo, ele não foi capaz de capitalizar com as saídades de Jeff Teague, Paul Millsap e Al Horford, apostou mal em Dwight Howard e só conseguiu um trocado muito baixo…

Tanto Doc, quanto Mike fizeram trabalhos interessantes, mas falharam na hora na tarefa de fazer com que Hawks e Clippers se tornassem ameaças reais aos seus principais concorrentes. O time da Georgia se confirmou como freguês fácil do Cleveland Cavaliers e a equipe californiana nunca conseguiu passar da segunda rodada dos playoffs. Agora, enfrentarão reformulações nos seus elencos e suas pretensões – e só uma parte disso continuará nas mãos de Rivers e Budenholzer.

No fundo, eu não acho que um cara seja tão pica a ponto do time precisar tanto dos seus serviços nas duas funções. A única exceção que eu posso aceitar é para Gregg Popovich, que vem conduzindo as duas funções com sucesso há quinhentos anos no San Antonio Spurs e é possivelmente o cara que mais entende de basquete na face da Terra – mas, mesmo neste caso, acho conceitualmente errado.

Não me parece certo nem eficiente que o cara que avalia o trabalho do treinador seja o próprio treinador, por exemplo. Que ele seja chefe dele mesmo. Este é um tipo de papel que pode funcionar numa atividade em que, sei lá, o cara só depende dele para mostrar seu talento, produzir seu trabalho. Mas numa função em que você gerencia um monte de gente, media vários egos complicados e tudo mais? Uma atividade que é essencialmente conjunta? Não rola.

Acho que os donos de times – que não são caras que entendem da coisa, mas enfim – se tocaram disso e estão, aos poucos, se livrando das figuras super-controladoras. Phil Jackson passou no RH do Knicks mês passado (era presidente do time e queria impor suas convicções à comissão técnica) e Pat Riley cada vez apita menos nas decisões de dentro de quadra diante de um Erik Spoelstra com cada vez mais moral. Stan Van Gundy, que ainda acumula as funções no Detroit Pistons, não está com essa bola toda depois que o time ficou de fora dos playoffs e viu seus dois principais jogadores – e duas maiores apostas – terem temporadas decepcionantes. O técnico ou o executivo, não sei qual dos dois, está em estado de alerta. Logo, logo pinta alguém para dividir o trabalho com Stan.

E é assim que tem que ser: cada um com sua função, com sua cabeça, colaborando e cobrando o sucesso do outro.

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‘Old Faces, Fresh Cuts’: designer troca cabelo das lendas da NBA

Estilo e basquete são coisas praticamente indissociáveis. De bom gosto ou não, não dá para negar que os caras da NBA estão anos-luz a frente de qualquer outra classe de atletas ou celebridades. O corte de cabelo deles é o melhor exemplo disso. Seja a careca brilhante de Michael Jordan, os mullets de Larry Bird, o afro de Julius Erving ou até o feroz high top fade do insosso Iman Shumpert: todos estão carregadíssimos de personalidade. O banho, corte e tosa dos jogadores são uma referência para a legião de fãs.

Nessa pegada, o designer gráfico e artista digital Tyson Beck fez um trabalho brilhante chamado ‘Old Faces, Fresh Cuts’. Pegou fotos de jogadores clássicos da história da liga e colocou uns penteados diferentes, mais atuais – nenhum dos caras jamais usou um cabelo desses, o que praticamente dá uma nova alma a cada um deles. O resultado é hilário.

Ufa! Mas valeu a pena, né?

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Conheça todas as novas camisas da Nike

Uma das principais novidades para a temporada 2017/2018 é o lançamento dos novos uniformes da Nike, empresa que passa a ser a fornecedora dos materiais esportivos oficiais da NBA. Não só pelo fato de que qualquer lançamento de camisa de basquete já chama a atenção por si só, mas também pela mudança- a Adidas foi a responsável pela confecção dos uniformes pelos últimos 11 anos.

Aqui, então, vou apresentar todos os modelos já confirmados ou vazados para a temporada, time a time (o post será atualizado sempre que sair uma nova camisa!):

Atlanta Hawks

Não divulgado ainda.

Boston Celtics

Não divulgado ainda.

Brooklyn Nets

Não divulgado ainda.

Charlotte Hornets

Os uniformes do Hornets eram os mais aguardados de todos. No começo do ano, foi confirmado que a franquia seria a única a usar uma marca de fornecedor esportivo diferente das outras 29 equipes da NBA. Ao invés de Nike, estamparia a marca Jordan – é associada à Nike e Michael é é um dos donos do clube.

Apesar do modelo em geral não ter mudado quase nada, só o fato de ter a silhueta do melhor do mundo no ombro direito já dá um charme diferente à regata – que, na minha opinião, é uma das mais bonitas de toda a liga.

Chicago Bulls

A primeira vista, é a apresentação menos inovadora possível. Além da marca da Nike no ombro, que é padrão em todos os uniformes, o novo modelo do Bulls apresentado só tem como novidade a cor do nome dos jogadores. No uniforme vermelho, as letras deixam de ser pretas contornadas em branco para serem totalmente brancas. No uniforme branco, o letreiro deixa de ser vermelho contornado em preto para ser todo preto.

A grande novidade é que agora os uniformes vermelhos serão usados em casa, enquanto os brancos serão os uniformes de visitante do time.

Cleveland Cavaliers

O Cleveland Cavaliers mudou bastante o uniforme, especialmente o uniforme que antigamente era usado para jogos fora: número mudou de cor, a fonte é outra e os detalhes nas laterais estão diferentes também. No modelo branco, ainda que algumas características tenham sido mantidas, é um uniforme bem diferente do antigo.

Curioso, no momento, é que o anúncio oficial foi feito com as camisas de Kevin Love, Lebron James e… Kyrie Irving!

Dallas Mavericks

Não divulgado ainda.

Denver Nuggets

O time do Colorado mudou consideravelmente a cara do seu uniforme. Abandonou o azul-bebê que vinha usando há 14 anos e mudou para o azul-marinho. Eu não era muito fã do tom antigo, achava meio infantil, mas pelo menos era diferente. Agora é uma cor que meia liga usa ou já usou. Além do mais, os dez anos em que o time usou esse azul sem graça, na década de 90, foram os piores da história da franquia. Não é feio, longe disso, mas tem identificação e tradição zero com o time.

Detroit Pistons

O Detroit confirmou sua nova camisa para a temporada com mudanças quase imperceptíveis.

O recorte da camisa, cores, listras laterais e tipografia são basicamente as mesmas do ano passado. Só o ‘P’ do calção que chega um pouco mais estilizado para este ano. A franquia também vai estampar a marca de uma empresa na regata, a Flagstar Bank.

O time de Michigan é outro que apresentou uma logo um pouco diferente para este ano também. Agora, o time resgata o visual do símbolo da época mais vitoriosa da franquia, do período dos Bad Boys.

Golden State Warriors

O primeiro uniforme confirmado foi o do Golden State Warriors. Aconteceu no mesmo dia que a Nike soltou todo o conceito da nova parceria. Praticamente nenhuma mudança visível em relação ao uniforme do ano passado. Discretamente, as diferenças são uma linha amarela mais fina na gola e números menores dentro do símbolo do peito.

O mais animador, neste caso, foi que a Nike acabou com alguns boatos bem desanimadores dos novos modelos – uma série de camisas horrorosas de sites chineses estavam aparecendo como supostos vazamentos. Mas, felizmente, eram todos falsos.

Houston Rockets

Apesar do spoiler da EA Sports sugerir que uma coisa ou outra mudaria (para melhor) no uniforme do Houston Rockets, o modelo da Nike acabou ficando praticamente igual ao da Adidas.

Na foto da capa do NBA Live, parecia que as bordas da gola e manga ficariam mais grossas e seriam brancas, retomando um layout parecido com o modelo dos anos 90 (que eu acho o mais legal da franquia), mas não. Aparentemente continua tudo igual, até com os detalhes em cinza, que eu particularmente não curto.

Indiana Pacers

Os novos modelos do Indiana Pacers são, disparados, os mais inovadores da temporada. O nome do time aparece na camisa em curva, rodeando o número na barriga do jogador – inspirado no Zollner Pistons, primeira franquia do estado de Indiana a jogar uma liga profissional de basquete, em Fort Wayne.

Eu gostei bastante do resultado final. Geralmente sou bem conservador neste tipo de assunto, tendo a estranhar uma mudança assim, mas neste caso eu curti o resultado final – boa parte disso se deve ao meu ódio ao uniforme do Pacers dos últimos anos.

Los Angeles Clippers

Como é bonito ver um time se arrepender de uma cagada. Há dois anos o Clippers lançou um conjunto de camisas que eram um terror. Pareciam regatas de summer league. Uma delas preta, que não tinha absolutamente nada a ver com a franquia. Era uma tentativa de dar personalidade a um time que era bom, mas não vencedor. Também era uma intenção compreensível de romper com o passado recente – o dono do time tinha mudado, saindo o racista boçal Donald Sterling e entrando o simpático e ~empolgado Steve Ballmer. Mas o resultado ficou ruim.

Dois anos depois, aproveitando a mudança de fornecedor esportivo, o time volta ao padrão anterior, preservando os elementos que deram certo na última repaginada (símbolo, tipografia). Excelente surpresa!

Los Angeles Lakers

Não divulgado ainda.

Memphis Grizzlies

Não divulgado ainda.

Miami Heat

Não divulgado ainda.

Milwaukee Bucks

Não divulgado ainda.

Minnesota Timberwolves

O uniforme do Timberwolves mudou bastante. Um dia antes do anúncio rodou um modelo verde-limão feito no NBA 2K18 que era horrível – e que, aparentemente, ainda pode pintar ao longo da temporada. No final das contas, a franquia confirmou uma camisa bem diferente do modelo do ano passado, mas que parece um decalque do desenho do Washington Wizards (três cores, faixa no peito…).

Apesar de não ter gostado da nova fonte, especialmente no uniforme branco, achei que ficou legal de um modo geral a nova identidade visual do time.

New Orleans Pelicans

Gostei da pequena mudança no uniforme do Pelicans: finalmente o tamanho do nome da franquia no peito aumentou e ficou em um tamanho decente. No mais, já curtia a combinação de cores, que têm tudo a ver com a cidade. Em resumo, não mudou quase nada, mas mesmo assim conseguiu melhorar.

New York Knicks

Não divulgado ainda.

Oklahoma City Thunder

O uniforme do Thunder parece absolutamente igual ao do ano passado. A maior novidade, ao meu ver, é que o time já anunciou que não vai colocar propaganda na sua camisa nesta primeira temporada em que está permitido fazer merchan.

Orlando Magic

Não divulgado ainda.

Philadelphia 76ers

A única mudança mais significativa, além da inserção do patrocínio, é essa espécie de ‘sombra’ vermelha no nome do time, jogador e número. Ficou com uma cara de camisa de time de universidade, ao meu ver. Mesmo assim, continua sendo um dos mais legais da liga. Por mais que a foto não mostre, as estrelas nas laterais foram mantidas.

Phoenix Suns

Outro time que mudou consideravelmente a camisa. A princípio, eu gostei bastante – principalmente a roxa, que é um modelo que tem algo parecido com o modelo do time dos anos 80. Combinação simples das três cores, com nomes e números grandes, o que acho legal. Minha ressalva fica para a fonte da camisa branca, que é bem parecida com a escolhida para o Cleveland Cavaliers – e a Nike tem uma péssima fama de padronizar tudo que toca.

Portland Trail Blazers

Gostei bastante deste aqui. O Portland já tem um dos uniformes mais bonitos de toda a liga. Ao meu ver tem um desenho muito original, mas que ao mesmo tempo já se tornou um clássico. O modelo da Nike manteve o alto padrão da franquia, que mudou a fonte dos escritos nas camisas.

A Nike promete que alguns times terão até quatro uniformes. No lançamento dos modelos tradicionais, o Blazers já confirmou que apresentará outros dois uniformes, um inspirado na comunidade e outro no “team spirit” em breve.

Sacramento Kings

Ano passado o Sacramento Kings já tinha passado por uma reformulação bem significativa na sua identidade visual. Partindo disso, era de se esperar que o modelo da Nike fosse bem parecido com os lançados no ano passado.

As mudanças foram muito sutis: o formato da gola em V (uma marca registrada destes novos uniformes da Nike) e uma ‘coroinha’ que tinha no peito da camisa antiga foi retirada. A franquia deve manter o modelo todo em preto e o retro azul-bebê para a temporada, mas serão apresentados mais para frente.

San Antonio Spurs

Mudanças discretas. A ideia é a mesma dos últimos 25 anos. Só a letra que ficou mais ‘sólida’. Gostei.

Toronto Raptors

Nada foi divulgado oficialmente, mas cruzando algumas informações, é de se esperar que o uniforme do Toronto seja bem parecido com o do ano passado. A suspeita se dá pelo seguinte: o NBA 2K tem soltado prints de jogadores cujos times já confirmaram seus novos uniformes, todos já condizentes com a nova parceria entre a liga e a Nike. Demar Derozan, no entanto, já teve seu visual divulgado sem que o Raptors tenha feito qualquer anúncio.

A princípio, portanto, a camisa da franquia deve ser mais ou menos isso aí.

Utah Jazz

A base do uniforme foi mantida, preservando uma combinação oldschool que me agrada. As bordas coloridas ficaram mais grossas e alguns detalhes parecem que foram simplificados. Mais do mesmo, mas, neste caso, achei uma boa.

Washington Wizards

O novo modelo do Wizards teve algumas mudanças na regata. O número está um pouco menor, as faixas levemente mais estreitas e mais altas. Eu gosto bastante do modelo, apesar de estranhar um pouco essa assimetria (agora os escritos ‘Wizards’ na camisa branca e ‘Washington’ na vermelha não estão centralizados entre as faixas coloridas, o que me incomoda).

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Entenda como funciona quando a NBA resolve aumentar o número de times

A história da volta do Seattle Supersonics voltou à tona depois que Adam Silver, o manda-chuva da NBA, falou em uma entrevista à CJ McCollum no Players Tribune, disse que o aumento no número de franquias na liga em algum momento do futuro é inevitável e que naturalmente o time do extremo noroeste americano seria levado em consideração quando isso acontecesse.

Sinceramente eu não sou tão otimista quanto boa parte das pessoas e, talvez por isso, não achei que a fala de Silver foi tão animadora. Ao meu ver, ele quis dizer que esportivamente a liga ainda não está preparada para isso (em linhas gerais, disse que muita gente já reclama que apenas um time é realmente bom, que falta jogadores bons para todas as 30 equipes e que trazer mais duas franquias para liga iria pulverizar ainda mais este talento), mas que mercadologicamente, sim, é normal que em algum momento, sabe-se lá quando, isso aconteça.

E que quando for para rolar, obviamente Seattle seria uma das favoritos – nem faria sentido que não fosse, uma vez que a franquia é tradicional, a torcida local está órfã e os problemas com arena estão sendo solucionados. Mas com certeza não é algo para um futuro muito próximo não.

Mesmo assim, é legal contar como acontece este processo – ou, mais concretamente, como foi a última vez que a NBA aumentou o número de times.

Há 15 anos, Charlotte sofreu uma pancada na sua relação com a liga. A franquia, que tinha sido líder em presença de público no seu ginásio na virada dos anos 80 para 90, enfrentava uma crise de popularidade. Diante da situação, a NBA ordenou que uma nova arena fosse construída para o clube. A franquia recorreu à prefeitura, que recusou usar dinheiro o público para a obra. Sem o ginásio, a liga obrigou o time a mudar de cidade.

Isso aconteceu em maio de 2002, com mudança confirmada para a temporada seguinte. Mal o New Orleans Hornets tinha estreado o novo endereço, a NBA cedeu à pressão de que teria que devolver um time à cidade de Charlotte, uma Meca do basquete universitário e que já sentia falta de uma franquia profissional. Desta vez, com um novo escudo e uma nova direção, que assumiria o compromisso de erguer uma arena nova. Em dezembro, um grupo de empresários disposto a comprar uma vaga na liga e pagar por uma arena nova apareceu e a NBA confirmou que aumentaria o número de times de 29 para 30 dali dois anos, incorporando o Charlotte Bobcats.

Logo após a final do campeonato de 2004, a liga agendou o draft de expansão para que o Bobcats completasse seu elenco. Ele funciona da seguinte maneira: como seria muito desequilibrado fazer com que o time preenchesse seu plantel somente com free agents, a liga determinou que cada franquia poderia proteger 8 dos seus  jogadores. Todos os demais – ou seja, aqueles que não estivessem protegidos – poderiam ser escolhidos pelo time de Charlotte. A nova franquia, por sua vez, não poderia pegar mais de um jogador de cada time e teria que escolher pelo menos 14 caras.

Os times deixaram desprotegidos, geralmente, jogadores ruins mesmo ou aqueles cujos contratos era muito ruins. No draft de expansão, o Bobcats pegou de relevante Gerald Wallace, que era um reserva promissor do Sacramento Kings. No total, tirou 19 jogadores dos seus times e usou boa parte deles para trocar por picks de draft ou outros jogadores (Zaza Pachulia foi um deles, que virou uma escolha de segundo round).

No draft de calouros, o time tinha a quarta escolha garantida do draft (as três primeiras foram definidas na loteria normal premiando os times com pior campanha no ano anterior). Na noite da escolha, o time trocou para subir para a segunda posição e escolheu Emeka Okafor, que seria um dos principais jogadores da breve história da franquia.

Nos primeiros anos, a NBA também determinou que o limite salarial do time seria consideravelmente mais baixo que o dos demais times. Na primeira offseason, o Bobcats podia gastar apenas 66% do salary cap dos demais times. Na segunda offseason, seria 75%, até que na terceira temporada teria igualdade de condições com os demais. Isso foi feito para que a franquia não entrasse no período de assinaturas de contratos em vantagem perante os outros times com muito espaço na folha salarial para atrair os principais nomes do mercado, despejando uma grana absurda em uns dois nomes de peso – enquanto as demais franquias estavam sufocadas em suas folhas salariais.

Desta forma, o processo de renascimento da franquia se baseia, principalmente, em jogadores jovens ou free agents meia boca. No caso do Bobcats, o time demorou seis temporadas para conseguir ter uma campanha com mais vitórias do que derrotas.

Em uma eventual entrada do time de Seattle, o rito seria basicamente o mesmo. O que mudaria de lá para cá é a forma de ‘aceitação’ da nova franquia – na época foi mais uma decisão arbitrária da NBA aliada a um consenso de que a liga deveria crescer -, que depende da boa vontade dos atuais 30 donos entenderem que precisam aumentar a quantidade de equipes, mesmo que isso implique em dividir ainda mais o bolo da grana que entra atualmente.

Além disso, é de se esperar que o draft de expansão fosse mais parecido com o que aconteceu em 95, quando Toronto Raptors e Vancouver Grizzlies entraram na competição – aparentemente, a disposição atual da liga é aumentar para 32 times, quando isso acontecer.

Neste caso, há um sorteio para decidir quem tem a chance de escolher primeiro e depois os times podem pegar dois jogadores cada em sequência (por exemplo, primeiro Toronto escolheu um jogador, depois Vancouver dois, daí Toronto mais dois e etc). É de se imaginar que a quantidade de jogadores protegidos seja diferente, já que os elencos aumentaram de lá para cá.

Uma coisa que não faço ideia de como funcionaria é em relação aos jogadores que hoje estão em times da D-League – especialmente agora que a NBA planeja fortalecer o vínculo dos atletas da liga de desenvolvimento com contratos que prevem a ida e volta mais fácil entre as franquias principais e associadas.

Mas como a coisa ainda deve demorar algumas temporadas para acontecer, há muito tempo para se pensar nas adaptações deste formato. Só espero, de verdade, que quando isso acontecer, Seattle esteja de verdade na lista de cidades confirmadas para a expansão.

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Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

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O quanto Derrick Rose pode ajudar o Cleveland Cavaliers?

Como se o pedido de Kyrie Irving para ser trocado não fosse o bastante para animar o período mais morno da offseason, ontem foi anunciado que Derrick Rose se juntará ao Cleveland Cavaliers para a próxima temporada.

Sinceramente, acho que a animação com a contratação está um pouco exagerada – há muita gente comemorando bastante a assinatura do contrato. Eu entendo que a torcida do Cleveland esteja machucada com a situação de Kyrie e o histórico de Derrick Rose, um dia MVP da liga, desperte alguma esperança, mas não acho prudente imaginar que a contratação vai, de fato, mudar a franquia de patamar (leia-se aqui: chegar ao mesmo nível do Golden State Warriors). Para mim, esta é uma adição que serve muito mais para os objetivos de Rose – de se reabilitar como jogador, de se mostrar útil e, eventualmente, disputar alguma coisa importante – do que para o Cavs – que quer ser campeão e, agora, buscar uma reposição para Kyrie.

O fato do jogador ter assinado pelo mínimo de veterano dá uma boa dica sobre sua condição atual na liga. Geralmente, este tipo de contrato é oferecido a jogadores que já estão nos últimos anos das suas carreiras ou a atletas absolutamente desacreditados. Rose, aos 28 anos firmando este tipo de vínculo, deixa claro em qual dos grupos ele se encaixa.

Aqueles que se animam com a chegada de Derrick após sua melhor temporada dos últimos anos, com 18 pontos de média, devem ter se concentrado muito olhando as estatísticas do jogador e esqueceram de assistir suas partidas – na quadra, Rose tem se mostrado um jogador apático, completamente sem tesão de jogar basquete.

É preciso lembrar que em determinado momento da temporada passada, Rose abandonou o time em dia de jogo sem dar satisfações para ninguém e reapareceu sem dar grandes explicações, em um gesto absoluto de falta de comprometimento.

Por mais que pareça, esta não é uma crítica a ele necessariamente. Eu entendo sua condição depois de inúmeras lesões logo no início da carreira. Se machucar no auge é a pior maldição que qualquer atleta pode sofrer. A culpa dele nisso é nenhuma. A frustração é total. Fosse eu, já teria abandonado o barco há muito tempo. Mas para mim é nítido que, por algum motivo – insegurança, medo de se lesionar, falta de vontade -, Rose hoje é quase que um zumbi em quadra, jogando no piloto automático.

Acho que um cara nestas condições e neste preço é uma boa aposta para ser backup na armação de um time bom. Quando está em um bom dia, pode ganhar um jogo para o time. Quando não está bem, usa-se outras opções. Derrick chegando em um time bom, que não dependa da sua atuação, pode renovar suas ambições e até tirar o que tem de melhor em um cara tão calejado. Chegar a um time como este depois de passar tanta coisa pode ser oxigênio novo para Rose.

O que acho que não tem qualquer chance de dar certo é imaginar que Rose voltará a ser um cara seguro e que pode ocupar o lugar de Kyrie no time. Claramente não deu certo tentar reabilitá-lo como franchise player em Chicago ou em uma franquia em que tudo é amplificado para pior como o Knicks. Imagino que daria igualmente errado esperar protagonismo dele em Cleveland.

No começo da década, a discussão sobre quem era o melhor armador da NBA passava pelos nomes de Chris Paul, Rajon Rondo, Derrick Rose e Deron Williams. Na temporada passada, o Cavs apostou no último para ser uma mera opção no banco de reservas – e mesmo assim não deu certo. Não vejo motivos para Rose ocupar um espaço muito maior no elenco do que Deron ocupava.

É importante lembrar também que as características do jogo de Rose são bem peculiares. O jogador não é um distribuidor de bolas, não defende bem e não tem arremesso de três pontos – um fundamento muito explorado em Cleveland. Seu jogo depende muito da explosão física e do ataque à cesta – o que justifica em boa parte a sua queda de rendimento após as lesões.

Se o Cleveland Cavaliers e sua torcida tiverem consciência de que o papel a ser desempenhado por ele será limitado, o casamento pode dar certo. Se a expectativa for de algo a mais, a chance de decepção é consideravelmente grande.

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