Com altos e baixos, a presença brasileira na NBA não é mais notícia. Nene, Varejão, Splitter e Leandrinho já fizeram seus nomes na liga como bons coadjuvantes e hoje desfrutam de status parecidos nos seus times, como veteranos úteis. Os quatro, inclusive, muito provavelmente devem figurar nos playoffs ao final desta temporada – a menos que sejam trocados ao longo do ano: Cleveland e Golden State são francos favoritos nas suas conferências; Atlanta Hawks e Washington Wizards estão no top 4 do Leste.

A única novidade – e incógnita – é a presença do armador Marcelinho Huertas, que assinou contrato com o Los Angeles Lakers para a temporada. Depois de dez anos de uma carreira sólida na Europa, o jogador topou tentar o mundo cão da NBA. Em dois jogos de pré-temporada, Marcelinho (ou MarceliHNo, como dizem alguns sites de notícias dos EUA numa grafia a lá Winning Eleven) se saiu bem. Em 30 minutos em quadra, foram 12 pontos, 14 assistências e apenas dois desperdícios de bola.

Mais do que os números, que são bons, algumas jogadas do brasileiro já chamaram a atenção dos torcedores do Lakers:

https://www.youtube.com/watch?v=IX2qEyCq7Ko

Os lances mostram a visão de jogo acima da média do armador e um perfil ‘pass-first’ que é não é lá muito comum para estreantes na liga – que, acima de tudo, querem aparecer, garantir contratos e figurar nos highlights. Com o bom debute, já vi pipocar nas REDES SOCIAIS algumas comparações de Huertas com Steve Nash, armador duas vezes considerado o melhor jogador da liga e que se aposentou no Lakers no ano passado. Na boa, é uma heresia monstruosa comparar alguém que sequer entrou em quadra em jogo oficial da NBA com um dos melhores jogadores da sua geração.

Calma cara

Calma cara

A comparação é equivocada também porque Marcelinho não vai ter vida fácil no time californiano. Primeiro por falta de segurança contratual, já que tem assinado um vínculo de um ano, não garantido. Segundo porque o Lakers de hoje é uma desgraça: o time vem de uma temporada péssima, Kobe Bryant tem se mostrado um companheiro de time insuportável e a torcida é mal acostumada com campanhas fracas.

Por último, e mais importante, o time está muito carregado na armação. Além de Kobe dominar a bola enquanto está em quadra, a concorrência no time titular é imensa. Byron Scott, técnico da equipe, sempre teve uma predileção pelo desenvolvimento de jovens point guards e o elenco angelino é um prato cheio para isso, com o recém escolhido no draft D’Angelo Russell e um dos melhores calouros do ano passado Jordan Clarkson.

Contra Huertas também há o histórico de outros armadores que fizeram carreira na europa e tentaram a sorte na NBA nos últimos anos. Prigioni, Sérgio Rodriguez e Rúbio não repetiram o sucesso das quadras europeias em solo americano. Não quer dizer que o brasileiro terá o mesmo destino dos demais, mas é uma coninciência curiosa que pode dar algumas pistas sobre a dificuldade de adaptação ao jogo da NBA.

kkkkkkkkkkkkkkkkk... NAO!

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Em uma perspectiva mais realista, Marcelinho pode figurar como um reserva importante na equipe, sendo o fio de sobriedade na segunda rotação da equipe – que conta com muitos peladeiros (aka Nick Young aka marido da Iggy Azalea). Com sorte, pode assumir a titularidade quando os jovens armadores vacilarem.

De esperança para reverter o cenário um pouco adverso está a vontade do jogador, que reduziu em dez vezes seu salário para jogar na NBA, e um estilo que combina com o jogo na liga americana.

Mesmo assim, ainda muito longe de ser um Steve Nash.

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