Hoje a noite, Derrick Rose entra em quadra na abertura da temporada regular da NBA com uma máscara para proteger seu rosto. Há algumas semanas, ele fraturou o osso da face que fica ao redor do olho durante as preparações do Chicago Bulls para o campeonato. Ele começa jogando hoje, mesmo sem estar 100% recuperado – e admitindo que está com a vista um pouco embaçada.

Rose completamente desconfortável com a máscara protetora

Rose completamente desconfortável com a máscara protetora

A atitude parece uma forma de Rose tentar ganhar moral com seus colegas, imprensa e, principalmente, os torcedores do Bulls. O jogador, que sofre há pelo menos cinco anos com graves lesões nos joelhos, é um dos mais cobrados da NBA por uma suposta falta de esforço pelo time.

O auge da revolta dos fãs aconteceu ano passado, quando Rose deixou de entrar em quadra em uma noite alegando que queria se preservar para o futuro. “Muitas pessoas não entendem quando eu não entro em quadra, mas eu estou pensando no longo prazo. Eu estou planejando para depois da minha carreira… Eu não quero estar todo dolorido na formatura do meu filho, nas reuniões que eu tiver para ir”, disse.

Um ano sentado e muita gente enchendo o saco

Um ano sentado e muita gente enchendo o saco

A justificativa causou muita polêmica no meio. Segundo LEAGUE SOURCES~~, o colega de time Jimmy Butler não respeita mais a ética de trabalho de Rose. O comentarista e ex jogador Charles Barkley não poupou críticas também: “Há prós e contras em fazer o que nós escolhemos. Derrick Rose ganha 20 milhões de dólares ao ano para isso. [Dizer isso] é desrespeitoso com empregadas domésticas, militares...”.

Pior, a declaração fez evaporar qualquer resquício de paciência que o torcedor do Bulls ainda tinha com Rose. O ódio, basicamente, é uma revolta com o craque que Rose poderia ser e não foi. Em 2010/2011, o armador foi eleito o MVP mais novo da história da liga e levou o Chicago Bulls à melhor campanha da temporada regular – algo que não acontecia desde a Era Jordan. No ano seguinte, teve uma gravíssima lesão no joelho esquerdo, que o tirou de ação pelo resto da temporada. Com a cirurgia feita, os médicos disseram que Rose poderia voltar às atividades em dez meses. Rose preferiu ficar o ano todo fora. Clinicamente recuperado, o jogador disse que não estava pronto para voltar a jogar.

A primeira lesão mais séria

De volta no ano seguinte, claramente sem confiança, Rose só conseguiu jogar dez jogos. Numa partida contra o Portland, lesionou o outro joelho e perdeu o restante da temporada. Nos dois anos seguintes, Rose jogou 46 e 51 partidas, respectivamente. Nunca mais naquele nível do período pré-lesão e sempre alternando uma sequência de jogos com partidas off.

Ao entrar em quadra com uma máscara hoje, claramente desconfortável, Rose parece querer reverter um código do esporte que quebrou das outras vezes, em que é melhor ser um herói morto do que um covarde vivo.

Há uns dez anos, eu vi uma declaração do ala alemão Dirk Nowitzki que sugeria um dilema parecido com o de Rose. “Ser atleta profissional é nunca mais descer uma escada sem sentir dor”, disse. Apesar de ser uma lógica estúpida, alimentada por boa parte das pessoas que acompanham esporte e que com certeza não vale a pena para ninguém, Rose hoje parece não querer entrar na história como covarde.

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