É muito comum ouvir das pessoas que passam um período nos EUA e vão a uma partida de basquete que o programa é mais do que um jogo, é na verdade um espetáculo. De fato, a família toda vai ao ginásio e pode se entreter com as inúmeras atrações, dancinhas e piruetas dos intervalos, mesmo que nem curta o esporte. Mesmo assim, PARA A SORTE DOS TORCEDORES CRETINOS, o jogo de basquete está longe de ser exclusivamente aquele programa da ‘família de bem’.

Ontem tivemos uma amostra da hostilidade ~deliciosa que muitas vezes pensamos ser uma particularidade dos esportes daqui do terceiro mundo. Era final do terceiro quarto e o Indiana Pacers perdia por quase dez pontos para o Memphis Grizzlies quando o ala Matt Barnes, um tremendo mal carater do esporte, foi bater os lances-livres. Ao receber a bola do árbitro, a galera não perdoou: o canto “Derek Fisher! Derek Fisher!” ecoou no ginásio. O grito é uma versão menos elaborada da famosa “ô Júlio César, como é que é? O Ronaldinho já comeu sua mulher” e faz referência a história de que a mulher do jogador teve um caso com Fisher, ex colega de Barnes no Lakers e atual técnico do Knicks. O que pega ainda mais nessa história é que circula um papo que há algumas semanas Barnes dirigiu por 100km para encontrar Fisher e sair na mão com o ex-jogador quando soube que ele estava saindo com a sua ex-mulher.

À distância e na frieza da transmissão da tevê não parece, mas os torcedores de basquete pegam realmente pesado. O próprio Fisher já sofreu com manifestações mais cretinas do que esta. Há quase dez anos, o armador jogou por uma temporada pelo Utah Jazz. Ao longo do ano, a filha de 11 meses de Derek foi diagnosticada com uma rara doença no olho. Fisher ainda segurou as pontas e continuou jogando mesmo com ela fazendo tratamento em Los Angeles. Nas finais, no entanto, ele não aguentou e se mudou para a California para acompanhar a evolução da menina. Na oportunidade parecia que a torcida do Jazz tinha entendido a decisão dele e Fisher até foi ovacionado quando apareceu no ginásio para acompanhar um jogo do time na rodada seguinte dos playoffs. No ano seguinte, porém, Fisher assinou com o Lakers para poder ficar ao lado da filha ao longo do ano e quando foi a Utah jogar contra o ex-time, foi hostilizado por alguns torcedores. Uns caras até protestaram tapando um dos olhos com a mão, em alusão a doença da menina. Pesado.

Aparentemente o pessoal pegou meio pesado

Aparentemente o pessoal pegou meio pesado

A torcida do Sixers é outra que ‘não sabe brincar’. Além de encher o saco dos seus próprios jogadores num grau que supera o limite do que é suportável, os torcedores de Philadelphia reagem, digamos, sem muita classe quando um atleta do time rival se machuca seriamente. Nos playoffs de 2012, a galera foi ao delírio quando Noah, do Chicago Bulls, caiu no chão com o tornozelo arrebentado.

Por último, para lembrar como o ambiente dos jogos pode ser animado, as vezes até rola um quebra pau nas arquibancadas. A mais sem-noção aconteceu num jogo entre Detroit e Indiana, quando os juízes marcaram uma falta técnica contra Ron Artest e o jogador protestou se deitando na mesa que fica ao lado da quadra. Um torcedor mais alterado resolveu tacar um copo na cara de Artest, que, revoltado, saiu à caça do engraçadão pelas cadeiras do ginásio. O resultado foi uma pancadaria generalizada entre os dois times e torcedores.

http://https://www.youtube.com/watch?v=RO-8Tz5QGFw

SÓ GENTE DE BEM!

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