Eu preciso admitir. Eu não aprendi a gostar de basquete “assistindo NBA na Band”, que é o que 90% dos caras da minha geração dizem. Eu comecei a gostar de basquete jogando NBA Jam.

Acho difícil que alguém DE BEM não conheça o jogo, mas caso você tenha caído de paraquedas aqui (esses dias uma pessoa acessou o blog colocando no google ‘boa foda’, então pode ser que você esteja aqui sem ter qualquer interesse em basquete), saiba que o NBA Jam está para o videogame como o Space Jam está para o cinema no quesito popularização do esporte. Todo mundo que tinha um Super Nintendo ou um Mega Drive fritou jogando por tardes a fio.

os dois melhores jogadores de Los Angeles

os dois melhores jogadores de Los Angeles

Bem na época em que o basquete se tornou um produto básico de exportação da cultura pop americana, o jogo se popularizou nos fliperamas e videogames. Você escolhia um time, que era representado por uma dupla de jogadores. O bacana do jogo é que ele não tinha qualquer compromisso com a realidade. Os jogadores saltavam metros para enterrar, quando você acertava vários arremessos seguidos, a redinha pegava fogo e não existiam faltas. O narrador, completamente pirado, incendiava ainda mais a pelada.

Além de divertidíssimo, o jogo era alimentado por uma série de lendas. Para começar, a dupla do Chicago Bulls não contava com Michael Jordan e o boato era que ele na verdade estava escondido no game. Migué. Na real ele não liberou sua imagem para ser usada no jogo. Outras coisas eram reais: dava pra usar uns cheats e transformar os jogadores em dinossauros ou colocar o então presidente Bill Clinton no lugar de um dos jogadores da dupla.

Na versão seguinte, de 95, outros personagens secretos foram colocados: ninjas do street fighter, Will Smith, Hilary Clinton e Príncipe Charles. Confesso que eu só descobri estas maravilhas muitos anos depois – não tinha as manhas na época…

Para confirmar que o jogo era repleto de segredos, o desgraçado do designer-chefe do jogo veio a público neste mês falar sobre quatro segredos do jogo que nunca tinham sido revelados. PREPARE-SE:

Versão com Michael Jordan
Apesar de não estar na versão original do jogo, em alguns fliperamas Michael Jordan estava disponível para os ~gamers. Gary Payton, que também não figurava no jogo original, também estava em algumas versões. A inclusão de ambos atendia um pedido pessoal dos jogadores para que estivessem em uma edição especial do game.

Bad Boys em modo TURBO
O jogo foi feito para favoreces os Bad Boys do Detroit Pistons. O time já estava em queda de rendimento na NBA, sucumbindo à dinastia do Chicago Bulls, mas os programadores fizeram um código que fazia o Pistons melhorar e o Bulls piorar quando os dois times se enfrentavam.

Shaq tinha DOIS FLIPERAMAS com o jogo
Shaquille O’neal só estava na versão do fliperama, de 93. Por motivos de contrato, ele não constava mais na dupla do Orlando Magic na versão de console de 94. Por isso, o jogador comprou dois fliperamas para poder jogar com ele mesmo. Um ficava na sua casa e outro, pasmem, ele levava a todas as viagens do time.

Fantasma de Petrovic
O jogo do fliperama foi feito antes da morte de Drazen Petrovic e lançado logo após a tragédia. Por causa de um bug, mesmo quando não tinha ninguém jogando, o arcade, vira e mexe, emitia o som do narrador gritando “PETROVIC! PETROVIC!”. Óbvio que muita gente se borrou ao estar jogando algum outro jogo e ouvir o fliperama vizinho gritando, do nada, o nome do jogador morto.