Conforme o tempo vai passando, é possível ter uma melhor noção dos acontecimentos. A coqueluche com o desempenho surpreendente do calouro letão Kristaps Porzingis é frequentemente comparada com a febre avassaladora que tomou Nova York quando o armador Jeremy Lin fez chover num time desacreditado do Knicks. A comparação é justa – e inevitável – até certo ponto.

Basicamente, o grande elo entre os dois momentos e os dois jogadores é que deram à franquia e aos torcedores uma esperança rara nas últimas décadas. No caso de Lin, o furacão foi mais avassalador no momento por alguns motivos: ele era um cara com um perfil totalmente improvável para o basquete em um time que, em tese, não tinha nenhuma esperança de vitória. Descendente do Taiwan, nerd estudante de Harvard e com uma série de dispensas no breve currículo, Lin foi promovido a titular em um time desfalcado por lesões e conseguiu meter uma sequência de jogos com médias altíssimas de pontos. Além disso, levou a equipe a uma sequência de vitórias inesperada.

A história é meio que única. Nunca existiu nada como isso antes, nunca existirá depois, especialmente porque ninguém esperava que aquilo tudo fosse durar muito tempo. A empolgação era gigante porque ninguém levava aquela sequência muito a sério.

No caso atual do calouro Porzingis o fenômeno é levemente mais tímido. Para começar, ele não têm um exército de milhões de asiáticos ao seu lado – que desde Yao Ming se mostraram os fãs mais fanáticos do esporte. Sua ascensão foi um pouco mais gradual, na medida do possível para um calouro.

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Idolatria por Porzingis é mais justa

Por outro lado, Porzingis já é, com todo o exagero do mundo, o principal motivo para que a torcida nova-iorquina tenha alguma esperança de ter um time vencedor em um futuro próximo.

O jogador é jovem e cheio de talento. A única desconfiança que ele despertava era se iria conseguir encaixar seu estilo de jogo na liga americana. O grande problema apontado pelos olheiros é que Kristaps tinha um jogo ‘muito europeu’ para a NBA. A avaliação precoce só mostra o quanto estes caras sempre estiveram errados. Não só por apontarem este risco, mas por avaliarem que o estilo do jogador era mais adequado ao basquete Fiba. Quem o vê jogar percebe que as comparações com Nowitzki são descabidas e que Porzingis é muito mais atlético que o perfil do alemão, mesmo quando jovem, e que seu estilo de jogo é tão físico quanto os mais americanos dos jogadores.

Desta forma, a empolgação atual pelo desempenho de Kristaps é muito mais sólida do que o sentimento da Linsanity, que durou um mês e foi embora da mesma forma que chegou.

Porzingis é o futuro de uma franquia acostumada com decepções. É a esperança de uma torcida ferida.