Você vê o Golden State Warriors jogar, ganhar 20 e tantos jogos seguidos, humilhar todos os adversários, bater uma série história de melhor início de todos os tempos. O campeonato parece, às vezes, que está decidido com menos da metade da temporada percorrida. Mas o San Antonio Spurs está logo ali, apenas três jogos atrás do líder para te lembrar que o título ainda não tem dono.

O Golden State é campeão com uma escalação baixa, sem pivô ‘de ofício’ e volta da offseason jogando um basquete freneticamente rápido, na definição máxima de small ball. Todos os times copiam, na tentativa de competir com o líder. Por outro lado, o Spurs se mantém invicto em casa (e com 83% do aproveitamento total das partidas) com Lamarcus Aldridge e Tim Duncan, ambos com 2,11m, jogando juntos  boa parte dos minutos e fechando o garrafão da equipe.

O Warriors impressiona a todos com um saldo médio de pontos por partida de 13,4, apostando num ataque poderoso e numa defesa extremamente atlética. O velho Spurs consegue um saldo praticamente idêntico de 13,2 pontos por jogo, mas com Tim Duncan como um dos melhores defensores do time (melhor defensive rating do time), mesmo com 40 anos e mal conseguindo pular para sair do chão.

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Duncan e Leonard têm as melhores médias de DRating da liga

Esta é uma máxima que se repete ano após ano. Podia ser a dinastia do Lakers no final dos anos 90 e começo dos 2000, o Miami Heat de 2010/2014 ou o Golden State de agora: invariávelmente o Spurs vai, no seu ritmo, com o seu jogo, ser um dos times mais fortes do campeonato. Sempre.

Neste ano, o contraponto é ainda mais evidente. Enquanto o Warriors imprime um estilo de jogo que todos os times tentam se ajustar, a equipe de San Antonio mostra que ainda é possível jogar basquete de outra maneira.

O time segurou o ritmo do jogo, ao contrário da tendência de promover uma correria no ataque, e tem trabalhado a bola ainda mais do que o usual. É o quinto time com ritmo mais lento da liga.

Enquanto todos os outros times concentraram seus esforços em montar um ataque mais eficiente, com o máximo de bons chutadores de fora do arco, o Spurs conseguiu se fechar ainda mais na defesa. O time é, de longe, o que menos sofre pontos, com média de 89 pontos sofridos por jogo.

Isso não é apenas por conta do ritmo mais lento do jogo: no defensive rating, que é a média de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, a equipe tem o menor índice, de 94,7. São 5,6 pontos a menos que o segundo colocado, o Chicago Bulls – para se ter uma ideia do tamanho desta diferença, o Chicago está a 5,6 pontos do Minnesota Timberwolves, que é a 19ª defesa da liga.

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Spurs isolado: quanto mais à esquerda, melhor a defesa do time

Enquanto o Memphis Grizzlies colocou seu ala-pivô Zach Randolph no banco para tentar se adequar ao small ball, o Spurs foi atrás de Lamarcus Aldridge para colocá-lo ao lado de Tim Duncan dentro do garrafão. O quinteto titular, com os dois em quadra, é o que mais minutos jogou junto na liga e o que conseguiu o melhor saldo de pontos também.

Claro que hoje o Golden State Warriors é o franco favorito para o título, mas a lição disso tudo é que o basquete não mudou em tal maneira que seja impossível jogar diferente do que joga o Warriors. Cada time deve jogar com o melhor que tem, usando a habilidade máxima do seu plantel, e não tentando imitar o líder. O Spurs faz isso com perfeição e será páreo duro num eventual confronto de playoffs.