Month: January 2016 (Page 1 of 2)

Ninguém entende Rondo

É a jogada final da partida. Um arremesso certo do adversário decreta a derrota do seu time. Em uma fração de segundos será necessário identificar a jogada do rival e montar a formação da defesa. A tendência do camarada, numa hora dessas, é ir pro tudo ou nada: agir no impulso, ir para cima e seja o que deus quiser. Só um cara com a frieza de um psicopata para parar, lembrar de todos os Xs e Os da prancheta do treinador e posicionar seu time corretamente, desarmando qualquer jogada do adversário. Rajon Rondo é um destes malucos.

Aconteceu exatamente isso na jogada final contra o Atlanta Hawks. O Sacramento Kings, time de Rajon Rondo, estava posicionado enquanto aguardava Sefolosha recolocar a bola em jogo. O Hawks estava três pontos atrás no placar e só tinha 1,9 segundos para empatar o jogo. Eis que o armador tem a sagacidade de olhar a formação adversária e, em poucos segundos, gritar para seus colegas se reposicionarem.

Ninguém entendeu direito o que ele dizia – a ponto de os próprios adversários ficarem parados esperando Rondo apontar para onde seus colegas tinham que ficar em quadra. O pessoal se mexeu e Cousins seguiu a indicação de Rondo de ir para a zona morta, matando a jogada do Atlanta, que estava desenhada para que Al Horford chutasse livre no exato local onde Rondo posicionou seu colega. No final das contas, o Hawks nem conseguiu arremessar. Estratégia pura.

Rondo é um insano. Não é ‘apenas’ um gênio das táticas – Rondo sabe como mexer com a cabeça dos outros. Na rodada seguinte, a frieza do armador novamente apareceu nos segundos finais do jogo. O Hornets tinha dois arremessos livres e estava um ponto atrás no placar. Kemba Walker chuta e empata o jogo. Quando se preparava para arremessar a segunda bola, Rondo começou seu jogo mental.

Apontando feito um louco para todos os lados, Rajon trocou todos seus companheiros de lugar. Foi para lá, para cá, tirou fulano, colocou beltrano em tal lugar. Uma confusão. Kemba se prepara para chutar a segunda bola e, claro, erra o arremesso. Rondo, com todo seu circo, conseguiu jogar um balde de gelo na cara do adversário.

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A jogada não é uma sacada tão original. Outro dia Markieff Morris tentou fazer o mesmo para atrapalhar o rival, mas fez uma cena tão descarada que levou uma falta técnica por atrasar o jogo. A diferença de Rondo é que fez o circo parecer tão natural que ninguém notou que era uma firula. Juízes e adversário realmente acharam que se tratava de uma substituição ou algo do gênero.

Por isso Rondo é um dos meus favoritos na liga – apesar de ter espinafrado o começo de temporada dele aqui no blog, quando o Sacramento ainda não tinha engrenado com o novo armador. Ele mesmo disse, quando ainda estava no Boston, que acha que o jogo é mais mental do que físico. Com certeza saber penetrar a mente adversária é um baita diferencial.

Quando estava no Boston, Rondo era o cara designado para marcar Lebron nos jogos contra o Miami Heat. Além de marcar pesado, Rajon fazia de tudo para tirar o rival do sério. Conseguia em boa parte das vezes.

Miami Heat v Boston Celtics

Rondo e sua marcação assustadora em Lebron James

A sua ‘estranheza intelectual’  fica clara mesmo fora do jogo. Em 2014 Rondo se lesionou por um bom tempo e certo dia tuitou uma mensagem quase que criptografada no seu perfil na rede social. Alguns outros malucos que pensam como ele desvendaram a mensagem: era o tempo, em segundos, que ele ficaria fora das quadras. Dito e feito. 29233380 segundos depois da sua lesão, Rondo voltou a jogar.

A sua grande virtude em quadra também foi seu maior problema, que gera alguma desconfiança quanto ao seu jogo até hoje. No Dallas, no ano passado, Rondo estava com a cabeça nas nuvens, cagando e andando para o time. Não jogou nada. Com isso, ainda existem dúvidas de até quando ele vai se manter motivado e jogando bem.

Com a cabeça trabalhando, no lugar, Rondo é único. Um craque.

Aquele lance não existe mais

É o retrato da humilhação. Iverson, cheio de si, depois de ter acertado o arremesso que dava uma folga no placar na final contra o Lakers, passa por cima do defensor combalido sentado no chão depois de uma sequência atordoante de dribles naquela que se transformou em uma das imagens mais marcantes do esporte nas últimas décadas.

Naquele momento, o mundo passou a conhecer Tyronn Lue da pior maneira possível. De bunda no chão, praticamente lambendo as pernas do rival enquanto era atropelado já no final da prorrogação. Na época, Lue era uma espécie de cosplay mal feito de Allen Iverson. Tão baixinho quanto, usando as mesmas tranças de raiz no cabelo, mas com uma diferença fundamental: Iverson dominava as ações ofensivas do seu time, enquanto Lue era o incumbido de tentar pará-lo a qualquer custo.

A batalha era cruel para os dois lados. Iverson foi um dos caras mais habilidosos do jogo. Sua rapidez e agilidade tornavam a missão de marcá-lo praticamente impossível. Por outro lado, Lue abusava das técnicas da catimba, com dedadas, cuspidas e provocações ao longo do jogo inteiro.

A disputa ficou marcada por alguns anos. Lue ganhou o título e Iverson ficou com a glória da imagem mais humilhante da série. Afinal, era melhor ser um zé ninguém no time campeão ou o herói solitário do time perdedor? E assim os dois se odiaram por um bom punhado de anos.

No entanto, um grande ponto de interrogação se formou na testa de muita gente que cobre e acompanha NBA quando Iverson publicou na sua conta do Twitter uma mensagem parabenizando Lue por assumir o comando do Cleveland Cavaliers – passou de assistente técnico para head coach com a demissão de David Blatt.

Num primeiro momento, pareceu apenas uma cordialidade banal. Teve até quem pensou que fosse uma fina ironia do Pequeno Notável. Nada disso. Sinceros parabéns ao rival que se tornou amigo. Lue, na sua coletiva de imprensa após a estreia como líder do Cavs, explicou que realmente odiou Iverson por quase uma década após o lance, mas que depois de um tempo os dois viram que tinham muito em comum e se tornaram amigos próximos.

O próprio modo como ele lida com esse tipo de coisa pesa a seu favor. Lue foi vaiado no primeiro jogo como técnico, pela forma como seu antecessor foi demitido. “Sou vaiado há quinze anos sempre que vou a Philadelphia. Isso não me incomoda”, diz. Na última vez que foi à cidade, inclusive, topou tirar uma foto com um torcedor do adversário que vestia uma camiseta ilustrando o humilhante lance das finais de 2000. Ainda saiu sorrindo na foto.

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De boa com a zoeira

Não vou entrar num apelo melodramático, mas a amizade construída entre os dois mostra um pouco da personalidade do novo técnico do time de Lebron James. Lue é um underdog nato. Não está ali para tirar o brilho das estrelas. Está ali para somar algo ao jogo de Lebron e cia. Como esteve ali para correr atrás de Iverson. Aparentemente, Tyronn Lue está confortável com isso.

 

Reservas do All Star Game – quem merece estar por lá

Na semana passada saiu a lista dos titulares para o All Star Game de Toronto escolhidos pela votação popular e, salvo alguma preferência individual, ninguém pode se dizer surpreendido com a lista. Caso você estivesse em coma ou vivendo numa bolha (únicas hipóteses plausíveis para alguém que lê este blog), foram eles: Stephen Curry, Russell Westbrook, Kobe Bryant, Kawhi Leonard e Kevin Durant no Oeste e Dwyane Wade, Kyle Lowry, Lebron James, Paul George e Carmelo Anthony no Leste. Isso já está definido e só muda caso alguém tenha alguma lesão – portanto, não há muito o que discutir.

Nos próximos dias, no entanto, serão anunciados os reservas do jogo e agora é a hora de eleger aqueles que foram preteridos pelo público mas que merecem figurar entre os 12 jogadores que defenderão a sua conferência no jogo comemorativo. Vale lembrar que a votação é feita pelos técnicos dos 30 times e deve conter dois jogadores entre point guard e shooting guard e outros três do frontcourt (alas e pivôs). Além disso, outros dois jogadores de qualquer posição podem ser selecionados, completando o banco.

Aqui vai a minha lista:

RESERVAS DO LESTE

G- John Wall: Poderia tranquilamente ser titular no lugar de Lowry ou Wade. É o líder do Wizards, tem a quarta melhor média de assistências por jogo na temporada, quinta melhor média de roubadas de bola… Além disso sabe fazer de tudo em quadra: enterra violentamente, dá assistências fantásticas e dribles desconcertantes. Além de merecer, é perfeito para um jogo festivo.

G- Jimmy Butler: Outro jogador que está garantido na lista. Faz a temporada da sua carreira até o momento e, melhor ainda, cresceu justamente nesta reta final com jogos com mais de 40 pontos, inclusive batendo o recorde da franquia, que era de Jordan, de maior número de pontos em uma metade do jogo.

F/C- Andre Drummond: Está em uma temporada destruidora. Melhor pivô do Leste sem sombras de dúvidas. Além disso, teve as melhores campanhas para o All Star, com os remixes de Obama cantando músicas do Drake ou Dre. Será chamado pelo técnicos com certeza.

F- Paul Millsap: Atleta completo que pode fazer de tudo em quadra. Tem feito a campanha mais regular possível e é o jogador que mais se salva daquele Hawks que surgiu como uma força no ano passado. Pode ser um dos bigmen reservas do time. Possivelmente será lembrado pelos head coaches.

FC- Chris Bosh: Desde que chegou a Miami, Bosh se acostumou a ser um cara mais low profile.  Paralelamente, refinou seu jogo de um modo quase que único e é um dos poucos pivôs que sobreviveu ao smallball (aliás, é um dos caras que motivou essa mudança do jogo, quando passou a espaçar o garrafão para Lebron e chutar de fora). Discretamente faz uma das melhores temporadas da carreira. Deve ser chamado.

GF- DeMar DeRozan: Assim como Butler e Drummond, está na melhor fase da sua carreira, com claros sinais de evolução. É imparável na infiltração, além de ser uma máquina de highlights – perfeito para o ASG.

G- Isaiah Thomas: Sinceramente é o único dos meus favoritos que eu acho que corre algum risco de não ser chamado. Por outro lado, ele parece perfeito para esse tipo de jogo: extremamente habilidoso com a bola das mãos e rápido o suficiente para deixar qualquer jogador para trás. Thomas pode ser o jogador mais baixo de todos os tempos a ser escolhido para o jogo, com 1,75m – uma atração para esse tipo de evento. Além disso, tem jogado muito, com uma campanha bastante regular.

Ficam de fora: Acho que o principal concorrente de Thomas é Kyrie Irving, armador do Cleveland Cavaliers. Com um dos melhores ballhandings da liga, Irving tem o ~star power necessário para figurar no ASG. O que pesa contra ele é ter passado mais da metade da temporada machucado. Outros jogadores que podem pintar são Kemba Walker e Nicolas Batum, do Charlotte Hornets e o eterno Pau Gasol, pivô do Chicago Bulls.

RESERVAS DO OESTE

G- Chris Paul: Os técnicos adoram ele, além de ser um dos melhores armadores desta geração. Não existe a menor possibilidade dele ficar de fora. Só não é titular por excesso de concorrência.

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Sem chance de Chris Paul ficar de fora da lista

G- James Harden: Outro potencial titular que sofre com o excesso de concorrência na sua conferência. Harden é do tipo do cara que pode entrar e dominar a partida. Possivelmente o melhor jogador em sua posição no ataque. Impossível não ser chamado.

F- Draymond Green: Seria o titular no lugar de Kobe, se ele não tivesse sido colocado como um F na disputa por uma vaga no time titular. Faz uma temporada digna de disputa para título de MVP – caso Stephen Curry não tivesse sido abduzido e substituído por um alienígena que está mudando o modo de jogar basquete.

C- DeMarcus Cousins: Melhor pivô da liga. Conseguiu evoluir ainda mais individualmente e meteu o recorde de pontos da temporada nesta semana, com 56 pontos. Além do mais, pela primeira vez seu time briga pros playoffs. Tem que estar na lista.

FC- Anthony Davis: Você o quanto um cara é foda quando sua temporada é decepcionante mesmo fazendo 22 pontos, 10 rebotes e 2 tocos por jogo. Davis deveria estar brigando para ser o MVP, mas seu time não se acertou e ele deve ser só mais um all star.

G- Damian Lillard: Está naquela temporada em que seu time não tem como disputar qualquer coisa e só resta a ele fazer um campeonato impecável individualmente. Exceto por alguns jogos perdidos por lesão, Lillard está conseguindo entregar o que era esperado dele. Além disso, é ágil e explosivo o suficiente para se destacar no jogo amistoso.

F- Lamarcus Aldridge: Junto com Lillard, é o nome mais discutível da lista. De verdade, eu gostaria de ver Blake Griffin na lista, mas o jogador, que já estava com uma lesão na coxa, se envolveu numa treta e quebrou a mão socando um funcionário do Clippers. Na sua ausência, fui de Lamarcus. Além de representar o Spurs entre os selecionados, é um ala-pivô extremamente produtivo e eficiente. Mesmo em um ano mais discreto, vem fazendo um campeonato sólido.

Ficam de fora: Klay Thompson pode surgir no lugar de Lillard. Já no lugar de Aldridge, acho que Nowitzki pode ser escolhido pelos técnicos. Não acharia ruim se rolasse uma zebra e Rajon Rondo aparecesse na lista.

Todo mundo faz merda: a mão quebrada de Blake Griffin

Antes de mais nada, não estou aqui fazendo defesa de ninguém. O texto abaixo é uma ponderação apenas. Melhor: uma lembrança de que ano vai, ano vem, este tipo de coisa vai continuar acontecendo e o maior prejudicado é o próprio cabaço que comete o erro.

Saiu hoje a notícia: Blake Griffin, que já estava há um bom tempo deixado de lado por uma lesão na coxa, ficará mais uma semanas de molho por causa de uma mão quebrada. Num primeiro momento, a notícia saiu sem mais detalhes, o que já fez com que todo mundo suspeitasse que alguma merda tinha acontecido. Dito e feito. Horas mais tarde saiu a confirmação que Blake fraturou a mão ao dar um soco num funcionário do Clippers em uma treta que aconteceu em um restaurante em Toronto.

Segundo uma série de insiders do time, Griffin quebrou a mão ao socar ‘multiplas vezes’ o funcionário, que trabalha com a logística dos equipamentos do time. Com a lesão, Blake deve ficar de quatro a seis semanas sem jogar.

Esta, claro, não é uma lesão qualquer. Foi fruto de uma imprudência gigantesca e de uma falta de profissionalismo absurda. No entanto, acredite, este tipo de caso é muito comum.

Só para ficar em casos recentes de mãos quebradas, que já é um critério bem específico, temos o caso de Carlos Boozer que, dias antes de começar a temporada, estava bem de boa em casa e ouviu a campainha tocando. Era madrugada ainda, disse ele, por volta das 5h da manhã. Ao levantar no escuro, Boozer tropeçou na sua mala que estava no caminho, no chão do quarto, e caiu sobre a mão. Ridículo.

O pior deste tipo de lesão é que ninguém nunca vai acreditar na história e sempre vai ficar parecendo que o jogador agiu da maneira mais imbecil possível. Outro caso foi o de Rajon Rondo, que disse que caiu no chuveiro e também fraturou a mão, em 2014. Na coletiva, o principal boato era de que ele tinha ido a um parque de camas elásticas e, numa das acrobacias, caiu e machucou a mão. Ele negou e insistiu que foi fruto de um escorregão dentro do box – o que abriu margem para piadas sobre uma lesão causada após uma sessão de BANHETA. Seja lá o que aconteceu, foi algo estúpido.

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Brincando na cama elástica ou ‘sozinho no chuveiro’: lesão estúpida de Rondo

Voltando um pouco mais no tempo, uma vez o ala Latrell Spreewell também quebrou sua mão numa pancadaria. Ele estava dando uma festa no seu iate e um dos convidados se empolgou, bebeu demais e gorfou no piso de carvalho envelhecido ao invés de vomitar no mar aberto. Enfurecido com a falta de classe do amigo bêbado, Spreewell partiu pra cima do cara. O que ele não esperava é que o camarada ainda tivesse algum reflexo – o suficiente para desviar do golpe de Latrell, que socou a parede do barco e quebrou a mão. A festinha no iate milionário rendeu ao jogador alguns jogos lesionado e uma multa de 250 mil dólares aplicada pelo Knicks.

Deixando de lado as mãos quebras e falando sobre as maiores imprudências da história, podemos lembrar a primeira das inúmeras lesões de Derrick Rose. Quando ainda era calouro, o jogador perdeu alguns jogos em função de um corte no braço. A história: Rose estava de boa comendo uma maçã em sua cama. Ao invés de morder a dita cuja, ele cortava alguns pedaços e comia lentamente as fatias da fruta. Tava tão de boa que cochilou, virou de lado e ROLOU NA CAMA SOBRE A FACA. O resultado foi um corte e dez pontos no braço. Gênio.

Charles Barkley teve uma lendária também. DIZ ELE que estava em um show do Eric Clapton e, em determinado momento, não se sabe como e nem porque, passou uma loção para o corpo nos seus próprios olhos (???). Imediatamente o creme passou a arder e queimar parte da córnea do atleta, que ficou um bom tempo de fora das quadras se recuperando.

Enfim, as histórias são infinitas e Blake é só mais um protagonista desta SÉRIE DE TRAPALHADAS. No final das contas, nem vale a pena o massacre público. O próprio já está pagando por isso com um bom tempo afastado das quadras e uma eternidade de piadas ao seu respeito.

Nem Kawhi consegue parar Curry

Ontem se foi a última fagulha de esperança de que é possível parar Stephen Curry. Nem mesmo o San Antonio Spurs, time que este ano entra para a história como uma das melhores defesas de todos os tempos, conseguiu uma solução. Até mesmo Kawhi Leonard, principal arma defensiva do time, pareceu perdido ao tentar parar o atual MVP da temporada.

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“Alguém segura o Curry, alguém amarra o Curry. O boneco assassino tá querendo te matar”

Spurs começou com Parker marcando Curry, mas naturalmente Steph conseguiu superá-lo com uma certa facilidade. Depois, Popovich tentou seus armadores reservas, que poderiam se dedicar única e exclusivamente à defesa para tentar ao menos atrapalhar o point guard rival. Nenhum sucesso.

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Então, com o jogo já praticamente definido, foi a vez de tentar parar o melhor jogador da atualidade com o melhor marcador da liga. Em tese, era para funcionar: Kawhi é dez centímetros maior do que Curry, tem uma envergadura absurda de 2,22 m e, mesmo assim, é extremamente ágil, inteligente e atento.

O matchup não mudaria a partida, mas ao menos mandaria um recado para o Warriors de que o Spurs tem uma arma para parar seu armador. No entanto, o ala falhou miseravelmente na sua tentativa. A única coisa que conseguiu foi protagonizar uma porrada de gifs virais dele girando para um lado e Curry cortando para o outro com uma facilidade impressionante.

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No final das contas, Spurs não estava com sua força total. Tim Duncan, peça chave na defesa do time, especialmente no pick’n’roll, ficou de fora da partida por lesão. Sabe-se que ele até poderia jogar, mas Popovich, técnico do Spurs, preferiu esconder o jogo. Mesmo assim, acho que é muita ingenuidade imaginar que o Spurs não tentou segurar Curry a qualquer custo e simplesmente não foi capaz.

Popovich é um gênio da bola e se tem alguém que pode montar um esquema para segurar o ímpeto de Curry, é ele mesmo. Outra, Kawhi também é o jogador mais capaz de marcar qualquer cara na liga inteira. Juntos, os dois tem condições de criar uma forma de bater Curry e Warriors. Por enquanto, no entanto, nenhum dos dois sabe o que fazer.

 

Spurs x Warriors, finalmente!

Finalmente Spurs x Warriors vão se enfrentar! Pela primeira vez na temporada, quase 90 dias depois do início do campeonato, San Antonio Spurs e Golden State Warriors vão jogar entre si, . A partida coloca frente a frente as duas equipes que estão sobrando na disputa deste ano.

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Curry e Kawhi lideram seus times a desempenhos históricos

Golden State Warriors entra em quadra com a sensacional campanha de 40 vitórias e 4 derrotas, num ritmo para ultrapassar (ou pelo menos chegar muito perto) a campanha histórica de 72 vitórias do Chicago Bulls de 1996. Este time do Warriors também detém o recorde de melhor início de todos os tempos, com 24 vitórias seguidas sem qualquer derrota. O time recebe o Spurs em sua casa, onde não perde há 34 jogos.

O ataque do time de San Francisco Bay está reinventando a NBA. É a primeira esquipe a ter média acima de 114 pontos por jogo desde o início da década de 90, quando o ritmo dos jogos era muito mais insano do que o atual. É o time com maior número de cestas de três por jogo em todos os tempos, com 12,4 em média, e com maior número de assistência por jogo em 23 anos, com 29 de média.

Do outro lado da quadra, literalmente, o San Antonio Spurs imprime um dos melhores desempenhos defensivos de todos os tempos. É o time com a maior margem de pontos média em toda a história da liga, com 14,1 pontos por jogo de saldo – o segundo melhor time e o Lakers de 72, time que venceu o maior número de partidas consecutivas em toda a história da NBA, com 12,28 de saldo médio, para se ter uma ideia. A equipe registra o melhor Defensive Rating (média de pontos sofridos a cada 100 posses de bola) dos últimos dez anos, com 95,5.

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Individualmente, a disputa também tem caras que estão mudando o jogo. Stephen Curry já é o MVP da temporada mesmo com metade dos jogos disputados, com números estupendos de total de cestas de três, aproveitamento dos chutes e pontos. O jogo ainda terá dois daqueles que concorreriam para serem eleitos como melhores jogadores da temporada caso Curry não estivesse jogando, com Draymond Green do lado do Warriors e Kawhi Leonard do lado do Spurs – os dois, inclusive, foram primeiro e segundo na disputa de melhor defensor da NBA no ano passado.

Enfim, hoje é o primeiro capítulo da grande disputa do ano. A Sportv transmite o jogo a partir da 1h30 da madrugada.

30v e 11d – Blatt tem a melhor campanha de um técnico demitido

A notícia mais bombástica da temporada foi dada ontem, quando o front office do Cleveland Cavaliers anunciou a demissão do técnico David Blatt, atual campeão da conferência Leste. Nesta temporada, Blatt liderava o Cavs à melhor campanha da conferência e terceira melhor de toda NBA, com 30 vitórias e 11 derrotas – o que faz dele o técnico demitido no meio de temporada com melhor campanha em todos tempos.

Assim, é bem raro que um técnico saia da equipe quando seu time está vencendo a grande maioria dos seus jogos, mas também não é a primeira vez. Os casos mais recentes foram Don Nelson no Dallas de 04/05, com 42v-22d, e Danny Ainge no Phoenix de 99/00, com 13v-7d.

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30v-11d: melhor campanha de um técnico demitido

A diferença central, e que torna o caso de Blatt único na história, é que geralmente estes técnicos tiveram um desempenho abaixo do esperado, mesmo com campanhas relativamente boas. Já o Cavs deste ano está a caminho de uma campanha próxima das 60 vitórias, algo que só os ótimos times da história conseguem.

O que se diz é que Blatt perdeu o vestiário. Não dá pra saber sendo apenas um espectador. As notícias que iam e vinham é que Lebron não se dava com ele, mas sempre era desmentida por uma nova história de que James e Blatt estavam se entendendo melhor a cada dia. Os insiders do Cavs garantem que Lebron não chegou a pedir a demissão do treinador, mesmo com as desavenças.

Seja isso ou não, Blatt vai poder ostentar um histórico de uma temporada completa com título de conferência e 67% de aproveitamento. Um bom currículo para procurar um novo emprego.

O povo contra o jogo

Ontem saiu a relação de jogadores que vão começar o All Star Game de Toronto, no mês que vem. Dwyane Wade, Kyle Lowry, Paul George, Lebron James e Carmelo Anthony serão os titulares do Leste e Russell Westbrook, Stephen Curry, Kevin Durant, Kawhi Leonard e Kobe Bryant serão os titulares do Oeste.

Até aí nada de bizarro. Claro que seria mais justo colocar Draymond Green no lugar de Kobe Bryant e tirar Carmelo Anthony da lista para dar lugar a Andre Drummond ou Paul Millsap, por exemplo, mas enquanto os titulares do ASG forem escolhidos pelo público o principal critério não será técnico, mas sim de popularidade. É o que garante, há anos, Kobe e Wade entre os favoritos para suas posições independente dos seus desempenhos. É o que faz, também, com que frequentemente jogadores lesionados tenham uma porrada de votos sem ter entrado em quadra.

Pior do que isso, com a ‘globalização’ do esporte e a presença cada vez maior de estrangeiros na liga, nações inteiras são convocadas a votar em seus representantes, distorcendo completamente o propósito do jogo. Um exército de trilhões de chineses colocou Yao Ming por oito anos seguidos como o pivô titular do Oeste – em alguns anos merecia e outros não.

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Campanha por Zaza Pachulia em uma PERFORMANCE no “Georga’s Got Talent!”

É o que fez Jeremy Lin, descendente de taiwaneses e amado pelos asiáticos, ficar a frente de Isaiah Thomas neste ano, por exemplo, mesmo com o armador do Boston Celtics fazendo uma campanha digna de titular do jogo das estrelas. É o que colocou o polonês Marcin Gortat e o lituano Jonas Valanciunas mais bem colocados do que Paul Millsap.

Mas pior de todos, é o que quase colocou o georgiano Zaza Pachulia, pivô do Dallas Mavericks, no lugar de Kawhi Leonard como titular do Oeste. Zaza ficou ainda na frente de Draymond Green, Blake Griffin, Tim Duncan e Anthony Davis, por exemplo.

Teve campanha em programa de tevê, teve site especial “Vote for Zaza”, teve hashtag especial… teve até uma música feita pelo cantor haitiano Wyclef Jean pedindo votos pelo estrangeiro.

Tudo bem, é legal que as pessoas se engajem e que os países tentem mostrar o quanto são fãs do jogo, mas é um desserviço com o ~espetáculo que um cara como Pachulia seja titular, que um Jeremy Lin bata na trave e etc.

Enquanto a eleição do ASG for assim, o jogo corre este risco.

 

Porzingis já vende mais camisas do que Durant, Westbrook e Harden

A COQUELUCHE PORZINGIS NÃO PARA! A prova definitiva de que o letão é o novo queridinho do basquete americano é a lista de camisas mais vendidas. Kristaps figura atrás, apenas, de Stephen Curry, Lebron James e Kobe Bryant. A camisa 6 do New York Knicks é, simplesmente, a quarta camisa mais vendida hoje em todo o mundo.

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#6 Knicks: a quarta mais vendida

Curry é o atual MVP, o futuro MVP desta temporada e simplesmente o mundo inteiro o ama. Lebron James é o principal jogador de basquete dos últimos dez anos e Kobe Bryant se despede da liga como o cara mais popular do time mais popular da terra. Na prática, é quase impossível passar estes três, o que torna o feito de Porzingis ainda mais impressionante: dentre os mortais, ele é o que mais vende camisa.

Segue a lista:

1     Stephen Curry     Golden State Warriors
2     LeBron James     Cleveland Cavaliers
3     Kobe Bryant     Los Angeles Lakers
4     Kristaps Porzingis     New York Knicks
5     Kevin Durant     Oklahoma City Thunder
6     Derrick Rose     Chicago Bulls
7     Russell Westbrook     Oklahoma City Thunder
8     Kyrie Irving     Cleveland Cavaliers
9     James Harden     Houston Rockets
10     Jimmy Butler     Chicago Bulls
11     Klay Thompson     Golden State Warriors
12     Paul George     Indiana Pacers
13     Anthony Davis     New Orleans Pelicans
14     Chris Paul     Los Angeles Clippers
15     Carmelo Anthony     New York Knicks

Detalhe que, é sempre bom lembrar, no dia em que foi draftado, uma bando de torcedores do Knicks chorou, esperneou e vaiou a escolha do calouro europeu. Hoje, simplesmente, todos os adoram.

Estes dias até fizeram um vídeo brincando com isso. Mostra, numa historinha hipotética, que todos aqueles que reclamaram da escolha do jogador foram vítimas de algum tipo de maldição e só vão conseguir sair dela se, finalmente, se renderem ao talento do rapaz – e obviamente a maioria engole o orgulho e reconhece que ele é um excelente jogador.

A obsessão por poupar jogadores vale a pena?

Na rodada de 25 de março de 2012, o San Antonio Spurs recebeu o time do Philadelphia 76ers para mais uma partida de temporada regular. O torneio daquele ano tinha começado com dois meses de atraso em função do lockout (greve dos donos de times) e os calendários dos times foram espremidos para quatro meses de competição. Era apenas a décima rodada da temporada, mas o principal jogador do Spurs, Tim Duncan, foi poupado para a partida.

A justificativa estampada no box score oficial da NBA mostrou “DNP – Rest” (Não jogou – descansando). Nos box scores de outros sites, a justificativa foi ainda melhor “DNP – Old” (Não jogou – velho). Geralmente esta explicação no quadro de estatísticas dos jogos vem acompanhada de uma descrição da lesão que tirou o camarada da partida ou com um impessoal “coach decision”, que quer dizer que o cara não entrou simplesmente porque não está na rotação. Quase nunca vem com uma justificativa tão sincera e curiosa. Naquela noite foi assim. Obra do técnico do Spurs, Gregg Poppovich, que queria deixar claro que, mesmo ainda sendo início de temporada, queria poupar seu jogador veterano da maratona que jogos que teria a seguir.

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Did not dressed – OLD

Pop é um obcecado por poupar seus jogadores. Seus principais titulares deixam de jogar pelo menos dez jogos por temporada somente na tentativa de estarem mais inteiros para os playoffs.

Neste ano, o Golden State Warriors, atual campeão e time de melhor campanha, vem seguindo a mesma fórmula – inclusive registrou suas poucas derrotas justamente quando colocou no banco os titulares Klay Thompson, Stephen Curry e Draymond Green. Com isso, o tema voltou ao debate. Será que isso vale a pena? Será que não é exagero? Vira e mexe alguém levanta a tese de que esta obsessão foi longe demais e que nos anos 80 e 90 os grandes astros aguentavam jogar todas as partidas. Eu acho que a precaução vale a pena.

Antes de qualquer coisa é um cuidado válido e alguns times podem se dar ao luxo disso. O calendário da NBA é insano, com 82 jogos distribuídos de novembro a abril. Várias partidas em dias seguidos e são raros os casos em que os times tem três ou mais dias de descanso. Sem contar que o EUA é um país gigante e os caras também se desgastam com as viagens ‘coast to coast’. O San Antonio Spurs e o Golden State Warriors julgam que vale mais a pena arriscar uma meia dúzia de jogos para ter seus jogadores mais inteiros na reta final do campeonato. O risco é deles – já que podem perder um mando de campo na fase final por causa disso -, mas é calculado.

Outra: saúde é fundamental na pós-temporada. Foi nessa linha que o Spurs se tornou a franquia mais vencedora dos anos 2000. Foi com um time inteiro que o Warriors bateu todo mundo ano passado.

Também não é mito que hoje os jogadores se lesionam mais do que no passado. O quadro abaixo mostra que o dobro de atletas perde uma quantidade razoável de partidas do que acontecia no passado. Colocá-los no banco para ter um descanso parece fundamental para minimizar as chances de uma lesão.

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O gráfico mostra o número de jogadores que perderam pelo menos 20 jogos por lesão e tinham média de mais de 20 minutos por jogo.

Por último, acho que a memória nos trai quando pensamos que antes os grandes jogadores eram de ferro e sobreviviam à maratona de jogos. Charles Barkley só aguentou entrar em quadra em todos os jogos na sua primeira temporada, Kevin McHale jogava dois terços da temporada e David Robinson ficou de fora uma temporada inteira. Sem contar aqueles que se aposentaram precocemente, como Isiah Thomas e Penny Hardaway. As lesões estão diretamente relacionadas à quantidade de jogos. Poucos passam incólumes a isso.

Deixar os caras no banco sem motivo aparente pode ser ruim para os fãs e para as transmissões, mas os resultados e os riscos justificam a prática.

 

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