Month: January 2016 (Page 2 of 2)

O pior time possível para as olimpíadas

Ontem saiu a lista de 30 jogadores pré-selecionados para representar os EUA nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Há um sentimento quase unânime ao ver o anúncio de que muita gente boa de bola vai ficar de fora e que era possível fazer umas duas seleções fortíssimas com aquele ~material humano. Me propus a um exercício mais difícil e de pior gosto: escolher o PIOR TIME POSSÍVEL entre os 30 selecionados e ver se dali sai um time ruim.

Antes de qualquer coisa eu estabeleci para mim mesmo que a escalação deveria obedecer um esquema de ‘starting five’ com as posições definidas: point guard, shooting guard, small forward, power forward e center. Caso contrário, seria simples escolher um pivô qualquer como armador ou um nanico para jogar lá dentro do garrafão (ou variações do tema, como cinco pivôs e etc).

Também defini um critério geral para as escolhas evitando jogadores do mesmo time. A ideia é ter a PIOR QUÍMICA imaginável.

Eis, então, as minhas escolhas:

Mike Conley (PG): É claramente a pior opção, individualmente. A NBA vive uma Era dos Armadores, com um punhado de excelentes jogadores que serão lembrados para sempre. As outras opções (Curry, Paul, Wall, Irving e Westbrook) são consideravelmente melhores do que Conley.

DeMar DeRozan (SG): Ele tem melhorado bastante, mas ainda é muito inconstante. Tem jogos excelentes alternadas com partidas deprimentes. Ele tem um péssimo aproveitamento dos chutes de três (na carreira é de 27%), o que é bem ruim para um shooting guard. Seu jogo de contato e infiltração encontra um pouco de dificuldade no estilo de jogo das olimpíadas, com regras diferentes da NBA.

Rudy Gay (SF): Aqui, em partes, eu renunciei daquele critério sobre jogadores que atuam no mesmo time. Gay já jogou no Memphis com Conley e no Toronto com Derozan. No entanto, fiz esta escolha de propósito: Rudy Gay foi TERRÍVEL na sua passagem pelo time canadense. Nem tanto nas stats individuais, mas o Raptors foi um time medonho quando teve Derozan como SG e Gay como SF da equipe, perdendo tudo que podia. Além disso, Rudy Gay não é um jogador ruim, mas uma opção bem mais fraca do que Carmelo Anthony, Paul George ou Kawhi Leonard, seus rivais diretos pela vaga.

Kenneth Faried (PF): Não tive qualquer dúvida nesta escolha. É um dos jogadores mais fracos entre os 30 selecionados. No ‘Basquete FIBA’ já teve algum sucesso defendendo a seleção americana, mas jogando de pivô. De propósito coloquei ele aqui na sua posição original, formando um time com menos mobilidade. A cada ano que passa, Faried também mostra que não será aquele ótimo jogador que parecia que um dia ele iria se tornar. Nunca conseguiu se firmar como um jogador com médias superiores a 28 minutos por jogo – seu tempo em quadra vem caindo, aliás. Apesar de ser um baita reboteiro e dar tocos sensacionais, Faried é aquele cara prejudicial para a defesa. Ao invés de cobrir um chute ou marcar um jogador, ele sai correndo feito um louco atrás dos rebotes, desmontando a formação defensiva. No ataque é praticamente nulo.

DeAndre Jordan (C): Foi bem complicado. Cheguei a escrever o nome de Dwight Howard para completar o meu time, mas na última hora troquei pelo Jordan. A ideia é que DeAndre é pior da linha de lance-livre (42% de aproveitamento) e daria mais chance para os adversários apelaram para as faltas. Também duvido da capacidade de Jordan jogar bem sem um armador do calibre de Chris Paul ou sem um colega de garrafão que chame a atenção dos defensores, abrindo espaço para seu domínio de garrafão (como acontece ao lado de Blake Griffin no Clippers).

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DeRozan e Faried treinando pela seleção americana

É possível fazer um time ruim com aqueles 30 caras? Conley, DeRozan, Gay, Faried e Jordan não é um time titular fraco, mas me lembra bastante aquelas seleções americanas do começo dos anos 2000 que tomavam pau em todas as competições internacionais. Acredito que o time formaria um paredão bacana na defesa, mas ter DeRozan e Gay para comandar seu time no ataque não é uma grande vantagem.

Ainda assim, imagino que o escrete final de 12 jogadores escolhidos pelo Coach K deve contar com DeAndre Jordan na reserva e pode ter DeRozan também no banco. Os demais acho que serão preteridos.

E para você? Qual o pior time possível?

É exagero eleger Matthew Dellavedova como o jogador mais sujo da liga

O Los Angeles Times fez uma enquete com 24 jogadores e técnicos da liga perguntando quem eles achavam que era o atleta mais sujo da liga. Com 13 votos, o armador reserva do Cleveland Cavaliers Matthew Dellavedova ficou com o título. A amostra é pequena e todos falaram anonimamente – alguns votaram em mais de um jogador -, mas o resultado da pesquisa ganhou uma boa notoriedade nos sites que cobrem NBA. Na mesma pesquisa, algumas pessoas consultadas defenderam que Delly na verdade é um cara que joga duro, mas não chega a ser desleal.

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Mau caráter ou esforçado além da conta?

Bom, vamos por partes. Dellavedova era um nada até os playoffs do ano passado. Assumiu alguma importância no time no time reserva por ser melhor defensor que o titular da posição e, posteriormente, passou a iniciar as partidas quando Kyrie Irving se lesionou, já na série contra o Golden State Warriors. Delly joga pesado e isso é um fato. Nos playoffs, então, as coisas ficam mais ríspidas ainda. Ok, acho que isso é incontestável, mas uma série de caras jogam duro e não são considerados desleais, certo?

O que pesa contra ele é que esteve envolvido nas lesões de Kyle Korver e Al Horford. Machucar um jogador, tirá-lo de ação justamente na reta final: isso é que ninguém perdoa em Dellavedova. Mas, por outro lado, é preciso analisar os lances para tirar uma conclusão mais objetiva dos fatos.

As duas jogadas foram disputas de bola. No lance com Korver, que fez com que ele ficasse de fora do restante dos playoffs, Matthew rola por cima do pé do adversário. Impossível julgar a intenção do jogador, mas me parece bem claro que não foi de propósito – na pior das hipóteses, ele não se esforçou para evitar o choque.

Já com o pivô do Hawks, já é possível dizer que rolou uma malandragem da parte do Dellavedova, se jogando de costas no joelho de Horford. Pode ser que ele tenha caido propositalmente ou não. Não dá para saber.

Dito isso, eu pondero aqui se ele é MESMO o cara mais sujo da liga. Se a opinião de 13 caras e duas jogadas, sendo uma delas bem questionável, é suficiente pra Dellavedova carregar este rótulo. Em tempo, eu acho ele um jogador medíocre, não tenho qualquer motivo para defendê-lo e nem vou com a cara dele, mas me parece exagero dizer que foi eleito o jogador mais sujo da NBA.

Sei lá, se fossem várias jogadas, se ele fosse aquele cara que distribui uma porrada de cotoveladas, se ele estivesse envolvido em uma série de tretas em jogos inexpressivos e etc, acho que o rótulo seria mais justo, mas não é o caso – pelo menos por enquanto.

Basta ver o que os jogadores mais sem caráter da história faziam, como Bill Lambier, Rick Mahorn, Karl Malone. Era porrada o tempo inteiro. Dellavedova é um moleque de fraldas perto deles.

Talvez, caiba aos outros jogadores da liga aprenderem um pouco com o armador australiano. Jogar duro faz bem para seu time – e às vezes mal para o adversário -, mas não é nenhum crime.

O protagonista dos coadjuvantes

Amanhã o Detroit Pistons vai aposentar a camisa de um dos jogadores mais importantes da sua história, o pivô-rocha-bruta-defensiva Ben Wallace. Big Ben é um dos exemplos mais bem sucedidos do jogador coadjuvante da liga, que é quem realmente faz a NBA acontecer – enquanto uns vinte caras colhem os louros do superestrelato.

Como boa parte dos jogadores medianos, Wallace não foi selecionado no draft. A grande diferença é que ele foi o melhor desta ‘classe’. Entre todos estes, Ben Wallace é o líder em número total de jogos, rebotes e tocos.

Wallace começou lentamente, disputando os minutos finais das partidas já decididas para mostrar serviço. Seu primeiro contrato na NBA previa 240 mil dólares anuais – módicos 20 mil mensais comparados aos milhões dos seus colegas de profissão – e na sua temporada de calouro teve média de apenas cinco minutos por jogo.

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Big Ben para Shaq: ‘vaza de cócoras’

Lá pelo seu terceiro e quarto ano na liga, na virada dos anos 2000, Big Ben começou a ser notado como um cara durão. Aquele tipo que nunca deu um sorriso na vida e que tenta brutalmente apavorar os jogadores adversários. Brigava por todas as bolas e fazia o trabalho sujo no garrafão.

Foi aí que Ben assinou com o Detroit. O Pistons não podia ser mais perfeito para ele: um bruta-montes underdog em um time com elencos históricos de ‘hard workers’. Naquele momento a carreira de Wallace deslanchou. Mesmo baixo para posição (2,06m), conseguia uma porrada de rebotes e metia uma média alta de tocos. Se tornou a âncora defensiva de um time eclético e eficiente.

Foi nessa época que eu comecei a acompanhar mais de perto o basquete. A primeira coisa que eu fazia todos os dias era sintonizar na ESPN e ver o Sportcenter latino. Enquanto não passavam as jogadas da noite anterior, rodava aquela barra no canto da tela com os resultados de todos os esportes e os principais destaques individuais. Eu me impressionava demais com aquele Ben Wallace metendo, noite após noite, statlines bizarras do tipo 0 pontos-20 rebotes – 4 tocos ou 2 pontos – 25 rebotes e coisas do gênero.

Mas essa foi a tônica da sua carreira: brigar pra caralho e jogar para o time. Não era um cara com grandes qualidades técnicas ofensivas, mas conseguia fazer a diferença de alguma forma. Foi quatro vezes eleito o Defensive Player of the Year, emplacou outras quatro presenças no All Star Game e, principal, foi campeão uma vez.

Amanhã sua camisa será eternizada em Detroit. Nada mal para um coadjuvante.

Não é preciso se preocupar com as propagandas nas camisas

Quando assumiu o comando da NBA, Adam Silver esquentou o debate sobre a inclusão de marcas nas camisetas de basquete. Silver foi um dos principais negociadores do último lockout da liga – greve dos donos dos times enquanto era debatido o novo acordo coletivo e distribuição dos lucros entre times e jogadores – e uma das suas missões era aquele papo de fazer o bolo crescer para distribuir uma maior fatia para todos os envolvidos.

O acordo negociado por Silver já prevê a possibilidade das camisetas de times estamparem marcar e vira e mexe o executivo declara que é uma realidade inevitável. As camisas são vendidas no mundo inteiro e angariar empresas anunciantes para os 30 times seria uma forma formidável de ampliar a receita e ter mais grana para donos de times e jogadores.

A massa torcedora é bastante resistente. Existe o receio de que os acordos seduzam os executivos da liga e, em algum tempo, os uniformes virem verdadeiros outdoors, como acontece em alguns clubes de futebol ou até mesmo do basquete europeu.

Eu não vejo motivo para tanto alarde ou receio. Primeiro, a liga, de um modo geral, é absolutamente consciente do peso da sua imagem e o marketing é uma instituição que guia praticamente todas as ações do esporte nos EUA. Os caras sabem do peso que uma camisa do Chicago Bulls tem no mundo inteiro, por exemplo. Recheá-la de anúncios está fora de cogitação.

Outro ponto é o seguinte: quando estes anúncios finalmente forem colocados nas camisas dos times, eles serão bastante discretos. Até hoje nem a marca da Adidas, fabricante oficial dos uniformes, é estampada nas camisas de jogo, na tentativa de manter as jerseys imaculadas.

O que se fala é que serão ‘patches’, parecido com os que foram já testados nos jogos promocionais e All Star Game, algo como um selo discreto próximo à manga ou nas costas. Nada muito trágico, não é mesmo?

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Patch em camisa do All Star Game: discreto

Além disso, a ‘realidade inevitável’ das palavras de Silver não parece que vá acontecer em um futuro muito próximo. No final do ano passado, em entrevista a Zach Lowe, Adam Silver disse que a liga ainda não sabe como liberar as propagandas sem ameaçar o equilíbrio entre as franquias.

O sistema de draft, divisão dos lucros, teto de salários e alocação das equipes é guiado, principalmente, pela tentativa de manter uma liga equilibrada entre os 30 times. Simplesmente liberar a negociação dos times com as marcas faria com que esta paridade fosse ameaçada – o quanto vale um anúncio na camisa do Los Angeles Lakers e quanto vale no uniforme do Minnesota Timberwolves?

Na entrevista, Silver é taxativo: não há possibilidade dos uniformes estamparem marcas enquanto um sistema de divisão equilibrado não for encontrado.

Diante de tantas questões, acho muito difícil que os anúncios estraguem as camisetas. Não há motivo para pânico.

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Terror dos torcedores de basquete

Byron Scott está sabotando o plano do Lakers

A intenção do Los Angeles Lakers é ser o pior possível. Da mesma forma que o Philadelphia 76ers, a ideia da direção do time é fazer com que a equipe termine com uma campanha horrorosa, de preferência a pior da liga, para ter mais chances de pegar a primeira escolha do draft de junho deste ano.

Neste plano, a manutenção do técnico Byron Scott até que faz sentido: se você quer sabotar o seu próprio time, faz sentido deixar um técnico fraco dirigindo a equipe. Scott dirigiu a equipe vencedora do New Jersey Nets e em algum momento até parecia ser um bom head coach, mas seus trabalhos futuros mostraram que ele não era lá essas coisas, seja no New Orleans Hornets ou no Cleveland Cavaliers.

Logo que assumiu o Lakers, mostrou que era um cara teimoso e que não estava atento a o que acontecia no mundo do basquete. Disse que condenava a tendência de crescimento dos chutes de três, por exemplo – que todos os times vencedores adotaram -, entre outras coisas.

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Byron Scott não está ajudando Julius Randle a virar um grande jogador

Acontece que Scott não está fazendo a única coisa boa que se esperava dele: desenvolver jovens jogadores que serão o futuro da franquia. Cortou tempo de jogo de D’Angelo Russell e Julius Randle. Espinafrou os dois para a imprensa diversas vezes. Disse à imprensa que um tem que crescer muito como jogador, que o outro não está pronto para colaborar. Lavou a roupa suja em público expondo aqueles que deveriam ser blindados.

Aparentemente, olhando de fora, ele até teve algum sucesso ao trabalhar com Chris Paul e Kyrie Irving. Ou não teve e os jogadores, por serem completamente fora de série, sobreviveram apesar dele. O mesmo podemos nos questionar sobre os jovens do Lakers: será que eles não são tudo aquilo? Algum dia virarão estrelas? Scott está expondo demais ou simplesmente é uma maneira curiosa de desenvolver seus atletas? É difícil saber.

O que é visível é que ele não tem o grupo na mão e os jovens não estão completamente a vontade com ele na beira da quadra. O ex jogador Stephen Jackson, um maloqueiro e trash talker de primeira, deu uma entrevista na semana passada colocando mais lenha na fogueira. Disse que Scott é o pior cara possível para trabalhar com jovens.

Scott foi seu técnico quando calouro no Nets. Jackson teve uma temporada bacana de início, o que rendeu a ele a ida ao jogo do All Star Weekend de calouros contra ‘segundo-anistas’. Depois disso, Scott colocou Jax na geladeira e o jogador nunca soube o motivo. Nos primeiros meses do ano, a média do jogador era superior a 10 pontos por jogo e tinha sido titular em boa parte dos jogos. Depois do jogo, a média caiu para menos do que 7 pontos por jogo e virou reserva do time.

Na entrevista destes dias, Jackson disse que Scott é o pior cara para conversar com os calouros e que Randle e Russell não devem dar ouvidos a ele. Talvez seja o melhor por enquanto. Se o Lakers quer ganhar nos próximos anos, não é uma boa manter Lord Byron no comando do time. Eles que ouçam seu sucessos. E ele que tenha mais tato para desenvolver o jogo dos seus jogadores.

Os torcedores canadenses são os mais insanos da liga

Estes dias estava ouvindo um podcast brasileiro sobre basquete e um dos caras contou que tinha ido ao jogo do Raptors contra o Lakers em Toronto e que a torcida tinha muito mais gente torcendo por Kobe do que pelo time da casa. Todos no programa riram e fizeram chacota da torcida de Toronto, falando que ela era fraca mesmo.

Na hora eu fiquei com a pulga atrás da orelha. A primeira coisa que me veio à mente foram as imagens do Raptors nos últimos playoffs jogando em casa, com uma multidão de torcedores que ficaram do lado de fora da arena sem ingresso, mas torcendo pela equipe por um telão – algo bastante incomum entre os torcedores de qualquer outro time da NBA. A minha lembrança era de que, pelo menos nos últimos dois anos, tinha rolado algo do tipo ‘do lado de lá do muro’.

Depois me lembrei da mobilização nas redes sociais para que Kyle Lowry fosse selecionado como titular na seleção do Leste no All Star Game do ano passado. Lowry vinha fazendo uma temporada impecável e merecia ser um dos escolhidos, mas todos sabem que a votação do ASG leva muito mais em conta a popularidade do jogador como uma estrela do esporte do que sua performance ao longo do ano. É preciso ponderar que, na reta final, Lowry teve uma ajuda dos ~beliebers, que atenderam a um chamado do torcedor do time Justin Bieber para votar no jogador nos últimos dias de votação – e esse pessoal, possivelmente, não acompanha o Raptors. Mesmo assim, a fiel torcida foi quem deixou o jogador no páreo ao longo de toda a votação.

Os torcedores ilustres do time, inclusive, dão uma boa medida de como o pessoal por lá é fanático. O principal deles é Drake. O segundo mais assíduo é o próprio Justin Bieber. Os dois juntos tem APENAS cinco músicas entre as dez mais tocadas da Billboard #pokopika. Os caras do Starters, programa da NBA TV, também são vidrados pelo Raptors, numa proporção muito maior do que qualquer outro jornalista do mainstream da NBA.

No entanto, ontem, ao ver a segunda parcial do All Star Game de 2016, que vai ser lá em Toronto mesmo, eu tive a convicção de que a torcida canadense não é ‘pão com bosta’ – e que a rapaziada do tal podcast foi muito injusta ou desinformada. Pela votação popular, o Toronto, junto com Golden State Warriors e Chicago Bulls, é o time que mais tem jogadores entre os 15 alas e pivôs e 10 armadores mais votados até o momento. São quatro: Kyle Lowry, DeMar DeRozan, DeMarre Carroll e Jonas Valanciunas. Os outros dois times são ‘apenas’ o líder incontestável da NBA neste ano e o time de basquete mais popular da terra. Nada mal para o Raps.

Os quatro jogadores escolhidos também dão uma boa medida de que os votos são para a ‘legenda’ e não para o candidato: nenhum deles é uma personalidade interessantíssima, um estrangeiro ultrapopular ou é um superstar. São meros jogadores (um excelente, um muito bom, um bom e outro meia boca) que, possivelmente, não seriam tão votados se estivessem defendendo outras equipes.

Acima de tudo, a torcida do Raptors tem bons exemplos de sacanagem contra os rivais ou ex-jogadores – o que é fundamental para uma hinchada de respeito. Vince Carter, ex-ídolo do time, nunca foi perdoado por deixar a franquia e sempre que volta a Toronto por algum outro time tem que lidar com uma hostilidade quase que ímpar na NBA.

O mesmo tratamento recebe Paul Pierce, que certa vez trollou o Raptors numa partida de playoffs. Num jogo da pós-temporada, Pierce jogou sua faixinha para a galera, como faz em todos os jogos, mas o torcedor rabugento preferiu devolver o acessório ferozmente jogando contra a quadra ao invés de guardar como uma relíquia ou vender no eBay.

Até mesmo atletas que nunca fizeram nada contra o time de Toronto provam da ira dos seus fãs. KG é hostilizado sempre que pisa no Air Canada Centre. Bater um lance-livre lá é mais infernal do que qualquer outro lugar para Dwight Howard e por aí vai.

Por fim, acho que julgar que a torcida de Toronto é desinteressada e pouco fanática por um jogo completamente atípico, como a despedida de Bryant, é mais leviano ainda. Os caras são, possivelmente, da classe mais fanática e cretina possível. Como uma boa torcida tem que ser.

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“ooOooOoOO VC SUCKS”

Comissão técnica se atrapalha e deixa McCollum ‘inativo’ por engano

É possivelmente a situação mais estranha da temporada até o momento. Parecia que estava tudo certo para o Portland Trail Blazers enfrentar o Los Angeles Clippers. O time ia contar com a volta do seu armador titular, Damian Lillard, e, ao seu lado, jogaria o candidato a Most Improved Player da temporada CJ McCollum, que estava totalmente saudável e comendo a bola nos últimos jogos.

McCollum aqueceu normalmente com o time, deu seus chutes no warm up e tal, mas na hora do jogo não podia entrar em quadra. O motivo: na seleção pré-jogo, o staff do Blazer escolheu o jogador Luis Montero por engano no lugar do CJ McCollum.

Os repórteres que cobrem o time de Oregon explicaram no twitter como acontece na prática: Geoff Clark, um dos treinadores do time, circula todos os jogadores do elenco que estarão aptos para o jogo e deixa em branco aqueles que não serão relacionados para a partida. O técnico Stotts assina e encaminha para a mesa, que valida a escalação para a partida. Na hora de fazer a escolha, o nome errado foi circulado e McCollum foi listado oficialmente como inapto para jogar.

O erro foi percebido alguns minutos antes do jogo, mas não era mais possível fazer qualquer alteração. Houve uma dúvida se o Portland poderia escalá-lo mesmo assim, levando apenas uma falta técnica como punição, mas os oficiais da NBA esclareceram que se McCollum entrasse em quadra, a regra mandaria que ele fosse expulso da partida. A escolha deve ser feita 60 minutos antes do jogo e não pode ser alterada.

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Como eu me sinto quando: descubro que não vou jogar por erro do assistente técnico

O erro foi tão explícito que ao início da partida, McCollum estava listado como inativo, mas vestido com o uniforme e agasalho do time no banco de reservas, enquanto Montero, que estava oficialmente selecionado, vestia terno e gravata. Alguns minutos depois os dois foram ao vestiário trocar de roupa.

O Clippers, rival do Blazer ontem, foi a última equipe a cometer este erro. Na oportunidade, há dois anos, deixou por engano o reserva Danny Granger fora da partida contra o Pelicans.

 

“That man was naked”: a constrangedora reunião de Lebron e seu técnico

Aconteceu no pós jogo de segunda, quando o Cleveland Cavaliers bateu o Toronto Raptors por 122 a 100. Depois do jogo, todos foram para o vestiário, naturalmente. Os jogadores tomaram banho, deram as entrevistas e tal, tudo normal.Quando Lebron James estava deixando o vestiário, foi chamado pelo técnico do time, David Blatt, para uma conversa na sua sala dentro do locker room. Qual a surpresa de Lebron? Blatt o esperava vestindo apenas uma toalha!

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A intimidade é uma merda

A coisa mais comum nos vestiários de qualquer esporte é que os jogadores andem pelados por lá. O que causou estranheza em Lebron é que seu técnico ‘aderiu’ à prática e, pior, escolheu justamente este momento para ter uma conversa com o jogador.

Segundo o site Ohio.com, que divulgou e reproduziu toda a cena, Lebron até chegou a questionar Blatt e dizer que não conseguiria ter uma reunião pós-jogo com o técnico vestido (ou não-vestido) daquela maneira. Mesmo constrangido, Lebron trocou uma meia dúzia de palavras com o chefe. Saiu o vestiário reclamando para seu colega Tristan Thompson com uma frase que tem tudo para se tornar imortal: “THAT MAN WAS NAKED!”

 

Os caras andam uma quadra inteira

Está gritante. Toda semana tem umas duas ou três jogadas absurdas em que o jogador caminha quase metade da quadra sem bater bola e os juízes não marcam nada. Rolou estes dias com o Carmelo Anthony, com o Dion Waiters, com o Dwyane Wade, com todo mundo. Ontem aconteceu com o Jae Crowder, do Boston Celtics.

Depois que o jogador segura a bola em direção à cesta, quantos passos ele deu? A cena é rápida, mas dá para contar pelo menos cinco. A regra da NBA, ainda que levemente mais branda que a regra do basquete universitário e mundial, permite que o jogador dê dois passos depois de completar o drible e antes de passar a bola ou arremessá-la. A regra é assim porque é quase que um movimento instintivo natural do corpo ao completar um movimento. Todo mundo que já fez uma aula de educação física sabe disso. E qualquer pessoa que vê o lance do Crowder percebe que ele andou com a bola.

Por conta das vistas grossas feitas pelos árbitros, os jogadores estão andando caminhando direto com a bola nas mãos. Em alguns casos dão até mais passos do que Crowder. Carmelo, por exemplo, caminhou meia quadra com a bola:

https://www.youtube.com/watch?v=OsZSuNyQioI

Mas ainda menos do que DJ Augustin neste lance, em que caminhou uma volta e meia na terra:

Particularmente, eu vejo dois problemas nisso: primeiro que se desrespeita uma regra do jogo que é bem objetiva. Porra, é só contar o número de passos que o cara dá. Se são três, ok, até pode surgir uma dúvida, mas quando são sete, NOVE, DEZ, já é muita coisa.

Com isso, temos o segundo grande problema: você dá uma vantagem absurda para o jogador de ataque. É infinitamente mais difícil roubar a bola ou atrapalhar um jogador que está segurando a bola junto ao corpo do que fazer o mesmo quando o adversário está batendo bola. É óbvio.

Não sei o motivo desta permissividade, mas a impressão é que estas ‘bad calls’ estão cada vez mais frequentes no jogo. Péssimo.

Para o bem do jogo, Joey Crawford vai se aposentar em breve

A melhor notícia desta semana entre o Natal e o Ano Novo, em que quase nada acontece, foi o anúncio de que o veterano árbitro Joey Crawford vai se aposentar ao final da temporada.

Geralmente eu não tenho nada contra os árbitros e entendo que, enquanto seres humanos forem responsáveis pela tomada de decisão quanto a faltas, laterais, posses de bola e etc, alguns erros acontecerão. É normal e, em certa medida, até o momento, é do jogo. O que eu não suporto é o estrelismo de uma figura que deveria ser a mais discreta do jogo.

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vai tarde

Crawford é o típico cara que quer virar notícia, aparecer mais que os jogadores. É o cara que interrompe uma partida de playoff em momento crucial para dar uma bronca no cara que fica na mesa operando o placar. É aquele mala ultra disciplinador que dá uma falta técnica por alguém rir no banco de reservas. Enfim, são centenas de ‘melhores/piores momento’ dele com suas péssimas decisões em quadra (veja no final do post)…

Eu discordo inclusive daqueles que ponderam que, apesar dos pesares, Crawford é um bom árbitro por não se deixar influenciar pela torcida no ginásio. Em alguns momentos, para manter esta fama, ele parece que força a barra contra o time da casa – e faz isso da pior maneira possível.

Lembro de um jogo de playoffs de 2004, quando o Timberwolves recebia o Lakers no Target Center. Não lembro se era no terceiro ou quarto período, mas em algum momento da segunda metade do jogo Shaquille O’Neal foi girar e cometeu uma falta ofensiva. Crawford apitou corretamente e marcou a infração. Acontece que, ao se dar conta que esta seria a sexta falta pessoal de Shaq – o que o eliminaria da partida -, Crawford voltou atrás e DESMARCOU a falta, fingindo que nada tinha acontecido.

E como um bom mala, obviamente que ele é campeão em expulsar jogadores que contestam suas decisões. Não que os caras tenham que ficar argumentando com o árbitro, mas em determinados momentos da partida isso acontece, especialmente quando o juiz erra. Cabe ao cara ter jogo de cintura e critério.

A NBA não precisa de Crawford e, finalmente, ele largou o osso. Para comemorar, que tal um compilado das suas anotações mais medíocres? Segue:

Joey faz falta em Damon Jones na última jogada em um jogo de playoff
https://www.youtube.com/watch?v=orfFE6dTwPk

Quase expulsa aquele estagiário que limpa a quadra sem uma razão aparente

Expulsa Duncan por rir no banco de reservas:

Se exalta ‘um pouco’ ao assinalar uma falta

Tenta bloquear o arremesso de Mirotic da linha de lance-livre

Para um jogo de playoff pra dar uma bronca no cara que opera o placar

Feliz 2016!

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