Month: February 2016 (Page 1 of 2)

Calendário do Warriors e o caminho do recorde

Dois assuntos dominam a temporada neste ano. O primeiro deles é como Stephen Curry é um ser sobrenatural com poderes especiais capazes de dizimar qualquer adversário. O segundo é se este time do Golden State Warriors vai conseguir bater o recorde do Chicago Bulls de vitórias em uma única temporada.

Sobre a campanha do time, jogo após jogo as comparações para dizer se o Warriors está melhor do que o Bulls estava naquele estágio do campeonato e as projeções são feitas para se tentar premeditar qual será o destino do Golden State – recordista ou não.

Bom, analisando os números friamente podemos dizer que as chances de bater o recorde são imensas. O time está com 53 vitórias e 5 derrotas. Para igualar a marca do Chicago Bulls dos anos 90, precisaria perder outros 5 jogos entre os 24 restantes – ou seja, teria que ter uma queda no seu aproveitamento nos jogos. De modo bem simplista, se o Golden State repetir a performance que teve ao longo de todo o ano nas partidas que tem pela frente, o time ganharia 22 partidas e fecharia o ano com 75 vitórias, três a mais do que o recorde.

No entanto, é claro que esta seria uma análise muito simplista. Existem dois fatores determinantes, um positivo e outro negativo para o time, que devem ser levados em conta.

O primeiro, que favorece o time californiano, é que o Golden State é praticamente imbatível dentro de casa, sem perder um jogo na Oracle Arena há mais de um ano. E dos 24 jogos que restam, 17 são em casa e só 7 são fora – neste aspecto, é o calendário mais favorável da NBA. Grande vantagem.

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Único time que joga mais de 2/3 das partidas restantes em casa

O problema são estes 7 jogos: dois deles são contra o San Antonio Spurs, principal concorrente do Golden State ao título. O time ainda enfrenta os cascudos Dallas Mavericks, Utah Jazz e Memphis Grizzlies longe de seus domínios.

Levando tudo isso em conta e fazendo um exercício maravilhoso de futurologia, eu diria que o time do Warriors consegue, sim, bater o recorde do Bulls. Depende muito de como o time vai encarar os últimos jogos da temporada, se vai com força máxima até o fim ou se vai puxar o freio de mão para que seus jogadores tenham mais gás nas partidas de playoffs.

De qualquer forma, não vejo o time perdendo mais do que quatro jogos daqui para frente, o que seria suficiente para uma campanha de 73 vitórias. Chola mais hater.

Curry, Abdul-Rauf e os haters

Sábado Stephen Curry fez mais um dos seus milagres em quadra, quando meteu uma bola do meio da rua para sacramentar a vitória do Golden State Warriors sobre o Oklahoma City Thunder na prorrogação. O mais impressionante foi a calma do MVP no lance: caminhando tranquilamente como quem contava os passos para chutar a bola exatamente no estouro do cronômetro, mesmo que precisasse fazer uma arremesso a cinco passos de distância da linha de três pontos.

A ~comunidade do basquete se impressionou e diversos jogadores, técnicos, jornalistas e personalidades da bola laranja se pronunciaram para reverenciar o momento do jogador. Curry tem sido o jogador mais dominante da bola ao cesto desde Shaq – de uma forma em que uma liga toda, de 30 times, tem que reaprender a jogar para entender como pará-lo.

Lógico que com o sucesso e o domínio total do jogo, aparecem os HATERS – que são aqueles caras que não conseguem simplesmente curtir que a história está sendo escrita diante dos olhos e preferem tentar desmerecer os feitos dos grandes atletas e times do momento. Foi assim com Kobe, tem sido assim com Lebron e agora está acontecendo com Curry.

Bom, enquanto todo mundo pagava pau para Stephen Curry, apareceu o mais inusitado dos haters: Phil Jackson. O técnico mais vitorioso da história usou sua conta no twitter para fazer uma comparação esdrúxula. Zen Master falou o seguinte:

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Óbvio que a sua intenção ali foi provocar o jogador e induzir que na verdade Curry só passa por um bom momento. Abdul-Rauf foi um jogador bem mediano e na verdade sequer teve alguma sequência impressionante de jogos na liga. Foi um jogador com bom arremesso, de boa agilidade e imprevisível para criar seus chutes, mas a comparação com Curry para aí – já forçando bastante para enxergar alguma semelhança.

Talvez a memória de Phil Jackson seja diferente pois certa vez Abdul-Rauf liderou o Nuggets para vencer do Bulls que o técnico comandava. O jogador teve uma atuação realmente impecável, com chutes inacreditáveis como Curry tem feito, e forçou uma das 10 derrotas que o time de Chicago registrou naquela temporada de 95-96. Mas só.

Enfim, ser corneta só faz alguém se passar por louco e perder qualquer discussão que entrar. Como alguém vai conseguir minimizar o que Curry tem feito neste ano? É simplesmente impossível.

O seu lugar na história só será definido quando ele completar a carreira – da mesma forma que é estúpido compará-lo com Abdul-Rauf, é prematuro compará-lo com Jordan -, mas vale mais a pena curtir o momento do que procurar argumentos para menosprezá-lo.

São 23 milhões em jogo para Anthony Davis

Anthony Davis precisa desesperadamente ser eleito para o primeiro, segundo ou terceiro All-NBA Team ao final da temporada sob risco de perder 23 milhões de dólares acordados em contrato para os próximos anos.

O lance é o seguinte: a principio jogadores jovens tem um limite salarial mais rígido que os jogadores com sete anos ou mais de liga profissional. Os jogadores mais velho, digamos assim, podem ocupar até 30% do total da folha salarial, enquanto os rendimentos dos mais novos podem chegar a um limite de 25% do total de salários do time. Esta regra só pode ser quebrada com uma cláusula chamada de ‘Derrick Rose Rule’, que determina que os jogadores com menos tempo de liga podem extrapolar o limite salarial caso sejam eleitos MVP uma vez, ser chamado para o All Star Game como titular duas vezes ou escolhido para a seleção da temporada (primeiro, segundo ou terceiro All NBA Team) duas vezes durante seu contrato de calouro.

Quando assinou a extensão do contrato valendo de 2016 até 2021, parecia óbvio que Anthony Davis preencheria um dos requisitos – especialmente porque na temporada passada já tinha sido chamado como titular para o Jogo das Estrelas e porque foi o pivô da seleção da temporada. Restava, apenas, que ele repetisse um dos feitos ou fosse eleito o MVP desta temporada.

O campeonato começou e as coisas começaram a desandar. O Pelicans teve um início de ano sofrível, vários jogadores se lesionaram e o desempenho de Davis não teve a evolução esperada. Com a temporada espetacular de Curry, não existe qualquer chance de AD ser eleito o melhor jogador do ano. No All Star Game, Kevin Durant, Kobe Bryant e Kawhi Leonard foram os escolhidos para o frontcourt do Oeste. Agora, resta a Anthony Davis entrar em uma das três seleções da temporada.

A princípio não é uma tarefa muito difícil, apesar de existir a chance dele ser preterido. Os jornalistas escolhem os 15 melhores jogadores ao final do ano, sendo que são seis alas e três pivôs, que são as posições que Davis pode ser selecionado.

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Que pepino: contrato de Davis pode cair de 145 para 122 milhões de dólares em cinco anos

Entre os alas, a disputa é mais difícil. Lebron James, Kawhi Leonard, Kevin Durant e Draymmond Green estão garantidos. As últimas duas vagas serão disputadas por ele e Paul Millsap, Lamarcus Aldridge e Chris Bosh.

Entre os pivôs, Davis tem mais chances, já que a concorrência é menor. DeMarcus Cousins e Andre Drummond possivelmente ficam duas das vagas. Davis deve ficar com a terceira, a menos que uma surpresa como a escolha de Hassan Whiteside ou Deandre Jordan surpreenda a todos.

A atuação monstruosa de 59 pontos e 20 rebotes na semana passada deve ajudar AD – é o recorde de pontos na temporada até então -, já que performances boas ao final da temporada sempre são determinantes para que um jogador seja agraciado com uma das premiações.

Ok, se der alguma zebra e ele não for chamado, não vai ser tão problemático. Ele terá garantido a bagatela de 122 milhões de dólares em cinco anos. No entanto, se conseguir, vai ter assinado o contrato mais caro de todos os tempos da liga até o momento, de 145 milhões – além de muita grana, é um título e tanto!

Deu ruim pro Raulzinho

O período de trocas no meio da temporada foi morno, sem grandes nomes envolvidos. Apesar disso, ele foi determinante para o futuro de boa parte dos brasileiros na liga. O Washington Wizards foi ao marcado atrás de um jogador da mesma posição de Nene, Anderson Varejão assinou com o Golden State Warriors (como você leu aqui) e o Utah Jazz assinou com um armador para a posição de Raulzinho.

Nas duas primeiras situações, os brasileiros não foram propriamente preteridos: Anderson saiu do seu antigo time por causa de seu contrato e acabou assinando com um time melhor e ninguém pode depender muito da saúde de Nene se quer sonhar com uma temporada longa na NBA.

O mais complicado é o caso de Raulzinho. O brasileiro era o único jogador daqui que era titular da sua equipe e agora perdeu este posto com a chegada de Shelvin Mack. Deu ruim pra ele. Mack não é nenhum craque mas já fez os minutos de Neto despencarem. Nos últimos jogos antes da chegada de Shelvin, o brasileiro estava jogando mais de 25 minutos por partida. Nos dois jogos já com o novo colega, Raulzinho não passou de 10 minutos em quadra.

É preciso fazer uma ponderação logo de cara. Apesar de ter sido selecionado para o jogo dos calouros no All Star Weekend e ser o armador que começava as partidas, o futuro dele sempre foi muito incerto. Quem jogava maior parte do tempo na armação do time no decorrer da partida era o reserva Trey Burke. Já nos minutos finais do jogo, geralmente os mais decisivos, o ala Gordon Hayward era quem carregava a bola e chamava as jogadas. Raulzinho ganhou espaço com o passar da temporada mas ainda não estava no ponto, aos olhos da comissão técnica do Jazz.

Para completar o cenário, o titular natural da posição está machucado para esta temporada. O australiano Dante Exum é o cara da franquia na armação para os próximos anos. Raulzinho só tinha uma brecha para conseguir beliscar a posição e um contrato maior nos próximos anos: se destacar muito, ter uma temporada excelente a ponto do técnico do Utah decidir deslocar Exum para a posição de shooting guard. Raul vem tendo um ano bom, mas não o suficiente para isso.

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Tempo de quadra de Neto caiu de 25 para 9 minutos por jogo

Com a chegada do último terço da temporada e o Utah Jazz tendo chances reais de playoffs, o time foi atrás de um armador mais cascudo. Segundo os insiders, o time tentou Jeff Teague, do Atlanta Hawks, e Ty Lawson, do Houston Rockets. Os dois jogadores estariam à disposição do mercado, mas o Jazz não tinha uma moeda de troca que despertasse interesse das franquias – que queriam um jogador de impacto imediato e não escolhas futuras de draft.

Em último caso, sobrou correr atrás de Shelvin Mack: um eterno reserva, sem qualquer destaque, mas que tem características físicas parecidas com as de Exum (alto para a posição), que podem servir para montar um esquema eficiente para o futuro. Mais importante de tudo isso, Mack tem mais partidas de playoffs do que todos os outros jogadores do Jazz somados. Para finalizar, o novo armador do time já jogou na universidade com Gordon Hayward, o que pesa para azeitar o entrosamento do time.

Mack chegou e já assumiu o posto de Raulzinho, liderando o time na derrota disputada para o Portland e na vitória sobre o Houston.

Mais complicado ainda, é que o  brasileiro tem contrato até 2018. Não é nem o caso dele usar o ‘garbage time’ para inflar suas estatísticas e beliscar um contrato melhor em outro time, com mais espaço para seu jogo.

Por enquanto, o cenário não é nada animador.

 

Curry e o ‘videogame mode’

Quem cresceu jogando os jogos de videogame de basquete entende perfeitamente quando um comentarista descreve a atuação de um jogador como ‘videogame mode’: é quando um cara tem um jogo insano, com uma sequência irreal de arremessos e que ninguém consegue pará-lo. São desempenhos que lembram quando a gente jogava um NBA Live na virada dos anos 90 para os 2000 e apelava acertando 20 bolas de três em um jogo de 15 minutos.

Bom, os jogos mudaram: de uns tempos para cá, os desenvolvedores dos games aperfeiçoaram a coisa toda e aproximaram as partidas virtuais da realidade. Não basta você treinar algumas semanas o tempo exato que precisa apertar o botão de arremesso e entender que o jogo vai se movimentar sempre da mesma forma para te defender. Mesmo os melhores jogadores dentro do videogame vão errar eventualmente, como acontece na vida real.

No entanto, estes caras não esperavam que Stephen Curry um dia jogaria tantas vezes em ‘videogame mode’ nos jogos de verdade, com pessoas de carne e osso e tablado de madeira. Curry está, na vida real, metendo várias daquelas bolas do meio da quadra, desequilibrado ou com 20 segundos de posse de bola ainda a correr no cronômetro que só era possível reproduzir com algum jogador apelão nos videogames.

Ontem saiu uma matéria da Forbes Asia com desenvolvedores de jogos de basquete explicando o dilema que foi criado para as próximas edições dos games. Ao longo dos últimos dez anos foram criadas formulas para que o arremesso de três do videogame fosse ‘humanizado’ – atribuindo fatores como cansaço ao abusar dos chutes, lugares da quadra em que a dificuldade se multiplica e condições imponderáveis -, mas agora chega um Steph Curry qualquer e se torna muito bom para ser reproduzido nos jogos virtuais.

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Único jogador da história que é mais apelão na vida real do que no videogame

“Para ser honesto, nós estamos ainda pensando em maneiras de traduzir seu jogo dentro da mecânica do game” admitiu Mike Wang, diretor de desenvolvimento do NBA2K, para a revista.”Ele é um ‘rule breaker’ quando arremessa. Ele se tornou um problema para o mundo dos videogames, especialmente em um momento em que estamos doutrinar os jogadores virtuais de que alguns arremessos são mais eficientes do que outros”, completou.

Na matéria, Wang confessa que o combate ao ‘3-point cheese’ (maneira como a apelação nos chutes de fora nos games é conhecida) é o maior alvo dos programadores dos jogos. A franquia do NBA2K justamente passou a dominar os jogos de basquete nos consoles por ser muito mais realista do que as anteriores, como NBA Jam e NBA Live.

Enquanto não decidem como corrigir isso, Steph vai continuar sendo o único cara que consegue ser mais irreal em quadra do que nos games. “Ainda estamos vendo uma maneira de fazer com que Steph seja Steph nas próximas versões”, completou Wang.

Técnico do Knicks e o botão de ‘like’ nos sites pornôs

Neste final de semana os seguidores do técnico interino do New York Knicks, Kurt Rambis, notaram uma ‘atividade curiosa’ na sua conta do Twitter. Veja:

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NÃO QUE EU ACESSE ESTE TIPO DE SITE E SAIBA COMO ISSO FUNCIONA, mas Rambis deu aquele ingênuo ‘like’ em um vídeo pornô enquanto estava logado em sua conta e acabou compartilhando o link em seu perfil. Ou apertou no botão acidentalmente em um momento de ’empolgação’. Sei lá, mas pegou mal.

Para deixar a situação ainda mais constrangedora, o Knicks publicou um comunicado no jornal New York Post (só ideias boas) alegando que a publicação era fruto de uma invasão hacker:

“O Knicks nega qualquer envolvimento de Rambis com este tipo de publicação e está em contato com o Twitter para investigar e retificar a situação. Como prova de ser uma atividade hacker ou de spam, o Knicks também verificou que a conta de Rambis curtiu um tweet de um perfil de um site de uma financeira oferecendo empréstimo de dinheiro”.

Bom, é ÓBVIO que não foi uma atividade hacker, né? Se alguém fosse invadir este tipo de conta certamente não teria como únicas ações fazer uma publicação destas e curtir um tweet oferecendo dinheiro emprestado. Parece muito mais plausível que Rambis seja mais um daqueles tiozões que não têm muita familiaridade com as ~novas tecnologias. Afinal, já cansamos de ver as histórias como esta: aquele colega de departamento da velha guarda que curte uma postagem do Boston Medical Group no facebook sem saber que todos seus amigos na rede social veriam. Pois então, a situação é a mesma.

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Para piorar as coisas, mesmo após a justificativa no jornal, a conta de Rambis continuava seguindo uma série de perfis ‘suspeitos’ de sites de sacanagem – ele apagou a postagem que deu corda para todo o problema, mas nem se deu ao trabalho de fazer um pente fino na sua conta e deixar de seguir as contas de putaria. Que beleza!

Torcedor encontra Delonte West descalço e maltrapilho

O cara vai matar aquela larica noturna pós-balada em um num fast food e no estacionamento encontra um cara acabado, fedorento, descalço e todo acabado. Bom, a situação não é muito rara – aliás, no mundo cão da madrugada é bem comum… Acontece que você para, repara e reconhece que na verdade aquela pessoa em ‘ótimas condições’ é na verdade um ex-jogador da NBA. Sim, foi desta forma que um torcedor qualquer reconheceu o armador Delonte West, nos arredores de uma Jack in the Box, rede de fast food, em Houston.

Incrédulo em ver o ex-atleta de 32 anos e que recebeu mais de 16 milhões de dólares em salários ao longo dos oito anos que jogou como profissional, o torcedor foi até West e pediu para tirar uma foto:

-Você é Delonte West?

-Sim, eu era Delonte West, mas não estou mais naquela vida…

O torcedor pediu para tirar uma foto do jogador, que comprova que estava completamente desorientado e alterado – cara, postou no instagram e a parada viralizou. Algumas horas depois, ele apagou a postagem.

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Tá bem o Delonte West

Bom, não é raro saber de jogadores que algum dia foram multimilionários e que agora acumulam dívidas absurdas. Allen Iverson é um dos que sugou tudo que podia do estrelato e agora vive implorando por um trocado em jogos amistosos. Steve Francis idem. O que é incomum é ver o cara nestas condições miseráveis, perdido por aí – geralmente estes jogadores sustentam a vida de ostentação até quando não podem mais.

Por outro lado, se tinha alguém que poderia terminar assim, este cara era Delonte West. Mesmo quando estava ok, o jogador já tinha um visual maloqueiraço e impunha a fama de jogador-podrão dentro de quadra.

Seu auge foi no Cleveland entre 2007 e 2010, quando foi titular da melhor campanha da NBA em uma temporada, ao lado de Lebron James. No entanto, justamente nesta época West protagonizou uma das histórias mais bizarras – possivelmente a mais suja até ser encontrado no estacionamento nesta semana: Delonte e Lebron teriam se desentendido porque West estaria em ‘um relacionamento sério’ com a mãe do melhor jogador da franquia. Pesado…

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West era um irmão em quadra. E padrasto fora dela.

Outra passagem famosa do jogador foi a prisão que sofreu quando andava em uma moto acima do limite de velocidade. Quando foi parado pelos policiais, Delonte estaria portando duas armas carregadas.

Alguns anos mais tarde, já quando sua carreira na liga estava perto do fim, veio a público a notícia que West sofria de distúrbio bipolar, o que justificaria uma série de problemas extra quadra que vinha acumulando. Para piorar as coisas, em uma das poucas entrevistas que o jogador deu amistosamente na época, ele não admitia que a doença poderia lhe causar algum problema ou que mereceria tratamento.

Bom, como resultado de tudo isso, West virou esse cara ali. Pior: o antigo agente do jogador foi procurado pelos canais sensacionalistas dos EUA para comentar o caso desta semana. Ninguém sequer saber o paradeiro do jogador. Triste.

Varejão saiu no lucro

No domingo saiu a notícia de que Anderson Verajão tinha assinado com o atual campeão e líder disparado da NBA, Golden State Warriors. A resolução foi a melhor possível quando tudo parecia trágico para o pivô brasileiro, que tinha sido trocado da franquia pela qual jogou por 12 anos, o Cleveland Cavaliers, e dispensado pelo novo time, o Portland Trial Blazers. No entanto, 72 horas depois da dispensa – período limite para assinar com novas equipes -, Varejão foi anunciado como reforço do time californiano.

Bom, primeiro acho que é legal entender porque Anderson foi dispensado duas vezes na mesma semana e, logo depois, despertou interesse do melhor time da liga. Logo de cara parece estranho que ele seja considerado útil para o Warriors e inútil para Cavs e Blazers, não é? Pois é, na verdade existem alguns fatores que justificam estas mudanças.

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Varejão não estava sendo aproveitado em Cleveland, mas pode ter alguma utilidade no Warriors

Primeiramente, a troca de Varejão na quinta-feira foi, principalmente, uma negociação de contratos e não de jogadores. O Cleveland é o time que mais extrapola o limite salarial da NBA, pagando uma multa bem alta por isso. Varejão era um dos salários mais altos do time – 9,7 milhões anuais, atrás somente de Tristan Thompson e da trinca Lebron-Love-Irving – e o Cavs queria encontrar uma maneira de desafogar a folha de pagamento. Despachou o jogador então para o Portland, que estava abaixo do limite e poderia absorver o salário do pivô. O Blazers, no entanto, não estava interessado em Anderson, mas sim na escolha de primeiro round do draft de 2018 que veio junto com ele. Dispensando o atleta, o Blazers pode parcelar o pagamento do salário de Varejão em cinco anos, diluindo o impacto do seu contrato na folha de pagamento do time de Oregon.

Dispensado, Varejão poderia assinar com qualquer time – exceto o Cleveland, que o trocou – em uma condição tentadora: como já tem seu salário garantido pelo Blazers, os times podem oferecer a ele um salário mínimo da liga.

Aí chegamos ao atual valor de Anderson para um time da NBA. O jogo tem mudado e muitos times estão jogando de uma forma mais rápida e móvel, com pouco espaço para pivôs lentos e sem qualidade no chute de longa distância. Neste aspecto, Varejão perdeu muito terreno. Se antes cada time tinha três ou quatro pivôs pesados, hoje é um desperdício ter mais do que dois. No Cavs, Mozgov e Thompson assumiram esta posição por serem mais fortes defensivamente. O Portland, por sua vez, está em um processo de reformulação do elenco e não faria sentido manter um jogador de 30 anos que pouco ajudaria tecnicamente em quadra.

No Warriors, no entanto, Varejão vai ter algum espaço. Apesar de jogar no small ball, o time destina de 30 a 40 minutos por jogo a um pivô pesado, que atua mais como âncora defensiva. Bogut é o titular da posição, mas vira e mexe está machucado. Ezeli, reserva imediato, se lesionou e vai ficar fora o restante da temporada. Varejão vai revezar uns 15 minutos por jogo com Speights, outro pivô especialista no trabalho sujo. Se não vai fazer o time ganhar jogos, vai pelo menos jogar alguns minutos no último quarto, com a partida já decidida. Não que isso seja tão útil em um time que tem uma excelente porcentagem nos chutes, mas Varejão é, possivelmente, o melhor reboteiro puro do elenco agora.

Vejo também Anderson como parte de um esquema alternativo para enfrentar o Spurs em uma eventual final de conferência. O time texano tomou um pau do Golden State na temporada regular, é verdade, mas Greg Popovich, técnico do San Antonio, é capaz de conseguir virar o jogo numa série de playoffs. Neste cenário, é importante que o Warriors tenha gente para brigar no garrafão com Duncan, Aldridge e West.

O resultado disso tudo é que, mesmo que chegue apenas para esquentar o banco e animar o vestiário, Varejão saiu no lucro. Afinal, melhor ficar na beira da quadra do time campeão do que no adversário, não é mesmo?

Rotina pré-jogo de Kukoc tinha macarrão, frango, vinho e ‘trono’

Você se lembra de Toni Kukoc, certo? O europeu branquelo que fazia parte do time mais sinistro do Bulls na segunda metade da década de 90. Ele era conhecido como Croatian Sensation porque, apesar dos 2,10m de altura, ele tinha a mobilidade e visão de jogo de um point guard. Foi, inclusive, eleito o melhor reserva em um dos anos em que foi campeão com o Chicago.

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Kukoc dava ‘aquela aliviada’ antes dos jogos

Kukoc chegou na NBA com 25 anos, depois de algum tempo de sucesso como profissional na Europa e alguns hábitos adquiridos no período que jogou na liga italiana assustaram seus colegas de Bulls em um primeiro momento.Além de trazer o hábito de rodar a bola no perímetro com passes rápidos, muito comum no basquete europeu na época, Kukoc também mostrou seu cartão de visitas com manias assustadoras antes dos jogos. A história mais bacana foi contada uma vez pelo atual técnico do Golden State Warriors e colega de time do croata na época, Steve Kerr.

Certa vez, os jogadores estavam concentrados em um hotel para uma partida fora de casa. Cerca de quatro horas antes do jogo, Kerr estava no mesmo quarto que Kukoc e pensou em pedir um sanduíche. Ainda faltava um tempo razoável para o jogo e Kerr queria comer algo leve para não ter problemas durante a partida. Ao perguntar se Kukoc queria algo também, o croata disse que sim e pediu para o serviço de quarto o seguinte: um frango assado e um prato gigantesco de macarrão, acompanhados de salada e uma entrada qualquer. Kukoc pediu ainda uma garrafa de vinho e uma sobremesa para arrematar o banquete.

Kerr ficou boquiaberto e lembrou o colega que logo mais teriam uma partida. “Esta é a sua refeição pré-jogo? Como assim?”. Kukoc disse que sim. “Na Europa a gente sempre come assim antes dos jogos. Toma um vinho, depois um café… Quando terminamos, voltamos ao hotel, cagamos uma merda bem grande e vamos pro jogo”.

#TeamKukoc

Troca mas não muda

Às 18 horas daqui se encerra o prazo para que os times da NBA façam trocas entre si. Ano passado, o clima estava morno até a última hora do limite, quando praticamente um quarto dos armadores da liga trocaram de franquia.

Neste ano, por enquanto, a eterna promessa Tobias Harris foi para o Detroit Pistons e, em troca, Brandon Jennings e Ersan Ilyasova foram despachados para Orlando. Outro movimento com alguma relevância foi a ida de Courtney Lee para o Charlotte Hornets. Além disso, especula-se que Kevin Love, DeMarcus Cousins, Blake Griffin, Dwight Howard, Ryan Anderson, Al Horford, Jeff Teague, Pau Gasol e outros figurões podem mudar de time até o final da tarde.

Apesar de movimentar a liga, dificilmente uma troca a esta altura do campeonato muda os rumos da competição. Ao que tudo indica, seguindo o histórico da liga, mesmo que grandes nomes mudem de camisas, o impacto para esta temporada deve ser pequeno.

Na história ‘recente’ – últimos 25 anos – somente três vezes uma troca no meio da temporada realmente alterou os rumos do jogo significativamente. A primeira foi em 95, quando o então campeão Houston Rockets vinha tendo uma campanha abaixo do esperado, comendo poeira atrás de San Antonio Spurs, New York Knicks, Orlando Magic e Utah Jazz. O time texano então foi atrás de Clyde Drexler, estrela do Portland, para reforçar a equipe. Clyde de Glide chegou ao time e levantou a taça do bicampeonato em uma boa recuperação na fase final da temporada.

Precisamos de quase dez anos para ter alguma troca decisiva para o título, novamente. De volta o Portland Trail Blazer entregou sua estrela para um time ser campeão. Ou quase isso. Rasheed Wallace deixou o time de bad boys do começo dos anos 2000 dez dias antes do final do prazo de trocas, desembarcando em Atlanta – em troca, o time de Oregon recebeu  Shareef Abdur-Rahim e Theo Ratliff. Rasheed teve tempo de jogar uma partida apenas pelo Hawks e no dia do deadline foi trocado para o Detroit Pistons. Pistons, por sua vez, estava com a terceira melhor campanha do leste naquele momento.

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Procura-se: camisa de Rasheed Wallace no Atlanta Hawks

Com a aquisição do power forward, o time engatou uma sequência de 20 vitórias e 4 derrotas, para se classificar aos playoffs como maior ameaça ao superestelar Lakers. Confirmando a boa fase, foi campeão vencendo o time de Kobe, Shaq, Gary Payton e Karl Malone.

Por último, o Lakers em 2008 adquiriu o espanhol Pau Gasol junto ao Memphis Grizzlies no dia limite para trocas e fechou o ano com uma campanha de 22 vitórias e 8 derrotas desde a chegada do jogador. Foi finalista naquela temporada e campeão nos dois anos seguintes. Desbancando favoritos como Boston Celtics e Orlando Magic.

De resto, mesmo que tenham grandes nomes envolvidos, as trocas de meio de temporada têm impacto bastante relativo na competição. Podem mudar radicalmente os elencos, mas dificilmente mudam a tabela de classificação.

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