A cada nova exibição monstruosa de Stephen Curry, se reacende a discussão de qual será o seu lugar na história do basquete. Estes dias a ESPN publicou um Top 100 dos jogadores de todos os tempos e colocou o armador do Golden State Warriors entre os 30 melhores. O engraçado é como Curry passou os primeiros anos da sua carreira parecendo uma mera decepção, que nunca ia se tornar realidade por causa de lesões, passou a ser um All Star decente e, de uma hora para a outra, entrou no debate dos melhores da história.

Não tenho idade, conhecimento e nem pretensão suficiente para dizer se ele é ou não merecedor da posição. Eu posso dizer que qualquer tentativa de ranquear jogadores em atividade e jogadores aposentados em uma mesma lista é precipitada. Enquanto os ex-atletas se beneficiam das conquistas e marcas gravadas na história, os jogadores de hoje têm a vantagem de terem suas atuações e feitos frescos na memória dos torcedores. Sempre será distorcido, para um lado ou para o outro.

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Ninguém sabe como parar Curry

No entanto, acho que já é possível dizer que Curry está encabeçando uma revolução no jogo. Ele já faz parte, sim, daquele rol de atletas que foram dominantes em suas épocas e influenciaram a maneira de jogar das gerações seguintes.

Parece que ele faz cesta de onde quiser, do modo que bem entender, a hora que for conveniente. Ele tem a agilidade para de desvencilhar de qualquer tipo de marcador e a frieza para acertar mais chutes de três do que qualquer jogador na história. Ninguém descobriu ainda como defender Curry.

Algo parecido com o que aconteceu com Shaquille Oneal nos seus primeiros anos de carreira. Shaq era um trator, mas tinha a mobilidade para tirar os marcadores de posição e cravar na cara deles. Não tinha pivô que pudesse parar o Diesel. O desempenho em quadra rendeu a ele o título de jogador mais dominante de todos os tempos – menos craque do que Michael Jordan, Magic Johnson e afins, mas o cara que mais sobrou no seu jeito de jogar naquele período.

Shaq foi tudo isso mesmo jogando na época de ouro dos pivôs, tendo que enfrentar alguns dos melhores da posição em todos os tempos, como David Robinson, Hakeem Olajowon e Patrick Ewing. Mais ou menos o mesmo que Curry, que vive a ‘Era dos Point Guards’ e enfrenta, possivelmente, a mais volumosa safra de armadores talentosos da história, como Chris Paul e Russell Westbrook.

Nos últimos dois anos, Curry meteu mais cestas de três do que Larry Bird fez em toda a sua carreira, por exemplo. Com isso, toda a lógica que existia na NBA no que diz respeito ao arremesso de longa distância está sendo reinventada. Até poucos anos atrás, o mid-range shot era o melhor indicador de sucesso de uma equipe. Hoje, um chute longo de dois é um arremesso ruim – e por isso Curry é o melhor arremessador da atualidade, chutando muito de fora e acertando uma alta porcentagem das suas tentativas.

O domínio de Curry levou ao front office da NBA repensar algumas regras do jogo.  Por causa de coisas como esta, os chefões da liga cogitam afastar ainda mais o arco que delimita os chutes de três pontos, por exemplo. Da mesma forma que os aros e tabelas tiveram que mudar de material por causa da violência das enterradas de Shaq. Ou como tiveram que inventar a regra do goaltending, quando George Mikan passou a dar tocos com a bola da descendente na década de 40 (até então, achavam que era humanamente impossível alguém conseguir alcançar a bola na altura do aro).

Lógico que só grandes jogadores são capazes deste tipo de feito. Difícil dizer se um top 10, 30 ou 50. Mas o jogo está mudando e Curry é o líder da revolução.

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