Eu vou falar sobre basquete, mas é uma crítica que pode ser transferida para qualquer tipo de ~cobertura jornalística. A rapaziada que trabalha com futurologia nas análises da NBA é muito preguiçosa e sem imaginação. É algo que me incomoda há muito tempo, mas que me chamou a atenção ao longo deste feriado de carnaval quando começaram a pipocar os primeiros nomes cotados para assumir o comando técnico do Knicks.

Logo após a demissão de Derek Fisher, os primeiros insiders já noticiavam que os favoritos para assumir a vaga eram Luke Walton, assistente técnico do Warriors, e Brian Shaw, ex técnico do Denver Nuggets. A justificativa seria a boa relação com o presidente do Knicks, Phil Jackson. Ambos foram treinados pelo Zen Master no Lakers, assim como Fisher. Posso queimar a língua e um deles pode, realmente, ser anunciado nos próximos dias, mas ao longo dos anos eu já vi tanto palpite como este que eu só posso acreditar que é chute de comentarista preguiçoso.

SHAW

Especulação mais óbvia possível

Os nomes surgem de uma associação óbvia e os boatos aparecem sem qualquer informação adicional. No final das contas, só faz parte de uma ânsia pelo furo jornalístico – mas sem compromisso qualquer com a realidade.

Foram estes caras, por exemplo, que cravaram centenas de vezes durante a passagem de Lebron por Miami que Pat Riley demitiria Erik Spoelstra na semana seguinte e assumiria o comando técnico da equipe. Era o palpite mais óbvio: Riley era um ex técnico respeitado, Lebron estaria insatisfeito com um novato liderando a comissão técnica e, assim, se criava o boato perfeito. Já se vão meia dúzia de anos e Spoe continua como Head Coach do Heat.

Este tipo de análise me irrita profundamente, também, na época do draft. Raramente uma comparação profunda surge nos sites que cobrem a escolha dos calouros. Geralmente, a aparência física do atleta e o histórico na universidade dominam os comentários. Alguns caras são incapazes de dissociar a cor da pele nas comparações, inclusive – as análises de Jalen Rose no draft ficaram famosas por isso, inclusive.

Kristaps Porzingis era comparado a Dirk Nowitzki pelo simples fato de ser europeu e ter mais de 2,10m – apesar do atleticismo do calouro e a fineza do arremesso do alemão não combinarem em nada.

Outra boa: Mario Hezonja só podia ser o novo Drazen Petrovic, afinal, ambos são europeus, né? Ou no máximo o jovem croata poderia ser comparado com o também branco Gordon Hayward.

Adam Morrison, ala da Universidade de Gonzaga, não tinha um corpo lá muito atlético e era branco. Muito natural, então, que ele fosse o próximo Larry Bird, não é mesmo? Aff…

adammorrison

Ala, branco, desengonçado: SÓ PODE SER O NOVO LARRY BIRD

No final das contas, parece ser muito difícil para esses caras assumirem que simplesmente não tem informação sobre como joga tal cara ou que não há ainda qualquer pista sobre quem vai assumir tal time. Um chute preguiçoso é bem mais fácil.

 

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