No domingo saiu a notícia de que Anderson Verajão tinha assinado com o atual campeão e líder disparado da NBA, Golden State Warriors. A resolução foi a melhor possível quando tudo parecia trágico para o pivô brasileiro, que tinha sido trocado da franquia pela qual jogou por 12 anos, o Cleveland Cavaliers, e dispensado pelo novo time, o Portland Trial Blazers. No entanto, 72 horas depois da dispensa – período limite para assinar com novas equipes -, Varejão foi anunciado como reforço do time californiano.

Bom, primeiro acho que é legal entender porque Anderson foi dispensado duas vezes na mesma semana e, logo depois, despertou interesse do melhor time da liga. Logo de cara parece estranho que ele seja considerado útil para o Warriors e inútil para Cavs e Blazers, não é? Pois é, na verdade existem alguns fatores que justificam estas mudanças.

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Varejão não estava sendo aproveitado em Cleveland, mas pode ter alguma utilidade no Warriors

Primeiramente, a troca de Varejão na quinta-feira foi, principalmente, uma negociação de contratos e não de jogadores. O Cleveland é o time que mais extrapola o limite salarial da NBA, pagando uma multa bem alta por isso. Varejão era um dos salários mais altos do time – 9,7 milhões anuais, atrás somente de Tristan Thompson e da trinca Lebron-Love-Irving – e o Cavs queria encontrar uma maneira de desafogar a folha de pagamento. Despachou o jogador então para o Portland, que estava abaixo do limite e poderia absorver o salário do pivô. O Blazers, no entanto, não estava interessado em Anderson, mas sim na escolha de primeiro round do draft de 2018 que veio junto com ele. Dispensando o atleta, o Blazers pode parcelar o pagamento do salário de Varejão em cinco anos, diluindo o impacto do seu contrato na folha de pagamento do time de Oregon.

Dispensado, Varejão poderia assinar com qualquer time – exceto o Cleveland, que o trocou – em uma condição tentadora: como já tem seu salário garantido pelo Blazers, os times podem oferecer a ele um salário mínimo da liga.

Aí chegamos ao atual valor de Anderson para um time da NBA. O jogo tem mudado e muitos times estão jogando de uma forma mais rápida e móvel, com pouco espaço para pivôs lentos e sem qualidade no chute de longa distância. Neste aspecto, Varejão perdeu muito terreno. Se antes cada time tinha três ou quatro pivôs pesados, hoje é um desperdício ter mais do que dois. No Cavs, Mozgov e Thompson assumiram esta posição por serem mais fortes defensivamente. O Portland, por sua vez, está em um processo de reformulação do elenco e não faria sentido manter um jogador de 30 anos que pouco ajudaria tecnicamente em quadra.

No Warriors, no entanto, Varejão vai ter algum espaço. Apesar de jogar no small ball, o time destina de 30 a 40 minutos por jogo a um pivô pesado, que atua mais como âncora defensiva. Bogut é o titular da posição, mas vira e mexe está machucado. Ezeli, reserva imediato, se lesionou e vai ficar fora o restante da temporada. Varejão vai revezar uns 15 minutos por jogo com Speights, outro pivô especialista no trabalho sujo. Se não vai fazer o time ganhar jogos, vai pelo menos jogar alguns minutos no último quarto, com a partida já decidida. Não que isso seja tão útil em um time que tem uma excelente porcentagem nos chutes, mas Varejão é, possivelmente, o melhor reboteiro puro do elenco agora.

Vejo também Anderson como parte de um esquema alternativo para enfrentar o Spurs em uma eventual final de conferência. O time texano tomou um pau do Golden State na temporada regular, é verdade, mas Greg Popovich, técnico do San Antonio, é capaz de conseguir virar o jogo numa série de playoffs. Neste cenário, é importante que o Warriors tenha gente para brigar no garrafão com Duncan, Aldridge e West.

O resultado disso tudo é que, mesmo que chegue apenas para esquentar o banco e animar o vestiário, Varejão saiu no lucro. Afinal, melhor ficar na beira da quadra do time campeão do que no adversário, não é mesmo?