O período de trocas no meio da temporada foi morno, sem grandes nomes envolvidos. Apesar disso, ele foi determinante para o futuro de boa parte dos brasileiros na liga. O Washington Wizards foi ao marcado atrás de um jogador da mesma posição de Nene, Anderson Varejão assinou com o Golden State Warriors (como você leu aqui) e o Utah Jazz assinou com um armador para a posição de Raulzinho.

Nas duas primeiras situações, os brasileiros não foram propriamente preteridos: Anderson saiu do seu antigo time por causa de seu contrato e acabou assinando com um time melhor e ninguém pode depender muito da saúde de Nene se quer sonhar com uma temporada longa na NBA.

O mais complicado é o caso de Raulzinho. O brasileiro era o único jogador daqui que era titular da sua equipe e agora perdeu este posto com a chegada de Shelvin Mack. Deu ruim pra ele. Mack não é nenhum craque mas já fez os minutos de Neto despencarem. Nos últimos jogos antes da chegada de Shelvin, o brasileiro estava jogando mais de 25 minutos por partida. Nos dois jogos já com o novo colega, Raulzinho não passou de 10 minutos em quadra.

É preciso fazer uma ponderação logo de cara. Apesar de ter sido selecionado para o jogo dos calouros no All Star Weekend e ser o armador que começava as partidas, o futuro dele sempre foi muito incerto. Quem jogava maior parte do tempo na armação do time no decorrer da partida era o reserva Trey Burke. Já nos minutos finais do jogo, geralmente os mais decisivos, o ala Gordon Hayward era quem carregava a bola e chamava as jogadas. Raulzinho ganhou espaço com o passar da temporada mas ainda não estava no ponto, aos olhos da comissão técnica do Jazz.

Para completar o cenário, o titular natural da posição está machucado para esta temporada. O australiano Dante Exum é o cara da franquia na armação para os próximos anos. Raulzinho só tinha uma brecha para conseguir beliscar a posição e um contrato maior nos próximos anos: se destacar muito, ter uma temporada excelente a ponto do técnico do Utah decidir deslocar Exum para a posição de shooting guard. Raul vem tendo um ano bom, mas não o suficiente para isso.

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Tempo de quadra de Neto caiu de 25 para 9 minutos por jogo

Com a chegada do último terço da temporada e o Utah Jazz tendo chances reais de playoffs, o time foi atrás de um armador mais cascudo. Segundo os insiders, o time tentou Jeff Teague, do Atlanta Hawks, e Ty Lawson, do Houston Rockets. Os dois jogadores estariam à disposição do mercado, mas o Jazz não tinha uma moeda de troca que despertasse interesse das franquias – que queriam um jogador de impacto imediato e não escolhas futuras de draft.

Em último caso, sobrou correr atrás de Shelvin Mack: um eterno reserva, sem qualquer destaque, mas que tem características físicas parecidas com as de Exum (alto para a posição), que podem servir para montar um esquema eficiente para o futuro. Mais importante de tudo isso, Mack tem mais partidas de playoffs do que todos os outros jogadores do Jazz somados. Para finalizar, o novo armador do time já jogou na universidade com Gordon Hayward, o que pesa para azeitar o entrosamento do time.

Mack chegou e já assumiu o posto de Raulzinho, liderando o time na derrota disputada para o Portland e na vitória sobre o Houston.

Mais complicado ainda, é que o  brasileiro tem contrato até 2018. Não é nem o caso dele usar o ‘garbage time’ para inflar suas estatísticas e beliscar um contrato melhor em outro time, com mais espaço para seu jogo.

Por enquanto, o cenário não é nada animador.