Month: February 2016 (Page 2 of 2)

12 passes para a história

A média de assistências de Rajon Rondo, armador do Sacramento Kings, está batendo a casa de 12 por jogo. Com isso, ele atinge a melhor marca desde 1994, quando a lenda John Stockton fechou o ano com 12,3 passes para cesta por jogo. Desde a década de 90, só os dois e Magic Johnson conseguiram atingir uma média tão alta.

Rondo sempre foi alvo de algumas críticas. A principal é que seu jogo, apesar do grande número de assistências, teria como objetivo principal as estatísticas pessoais em detrimento das melhores jogadas. Um dos truques do jogador seria soltar os passes para os colegas com poucos segundos de posse de bola, a fim de obrigar o jogador a arremessar logo que recebia o passe – contabilizando uma assistência para Rondo.

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Temporada épica de Rondo: 12 assistências por jogo

Este tipo de arremesso historicamente tem uma porcentagem de acerto menor do que os chutes feitos no meio do tempo de posse de bola. A justificativa é que um arremesso feito no estouro do cronômetro é um chute circunstancial, por assim dizer, feito por causa da necessidade de se livrar da bola e não por ser a melhor oportunidade de pontuar.

Nunca consegui um dado que comprovasse que Rajon realmente faz isso e, especialmente neste ano, não parece ser o caso. Ele também é o cara que mais passa a bola, mesmo sem ser assistência, para seus companheiros (75,2 passes por jogo). Seu time tem o quarto melhor aproveitamento total de chutes, apenas atrás dos sobrenaturais Golden State Warriors, San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder.

Ele também é o jogador que mais dá passes para arremessos-livres (1,4 por jogo) e o sexto jogador que mais dá assistências para assistências (1,6 por jogo) – índices que comprovam que seu jogo de passes rápidos é eficiente e nem sempre aparecem nas estatísticas comuns.

Algumas semanas atrás, o Sacramento estava bem próximo da oitava vaga dos playoffs do Oeste. Se não fosse um começo tenebroso, em que o time começou com 1 vitória e 7 derrotas – com Rondo ainda jogando no modo-Dallas Mavericks e Cousins loqueando no vestiário -, o time estaria com boas chances de brigas por uma vaga. Esta sim é a melhor credencial do armador, já que há quase dez anos a franquia não tinha uma campanha tão boa.

Eu adoraria ver Cousins e Rondo jogando por mais tempo juntos. Infelizmente o contrato de Rajon termina no final da temporada e o nome de Cousins sempre é ventilado nos boatos de troca. Acho que a dupla ainda daria um bom caldo, especialmente se fosse assistida por mais um ou dois coadjuvantes de qualidade.

O jogo mais importante de Toronto

A NBA é uma das mais importantes referências dos Estados Unidos diante do mundo. Depois do boom do esporte na virada dos anos 80 para os 90, o basquete acrobático americano se tornou um símbolo tão marcante quanto, sei lá, a Estátua da Liberdade, o monte Rushmore, a ÁGUIA… Apesar disso, Toronto e o Canadá – onde foi realizado, no último final de semana, o primeiro All Star Game da história fora dos EUA – são vitais para a existência do basquete e da NBA.

Bom, que o basquete foi criado por um canadense muita gente já sabe. James Naismith era professor de educação física e tinha que dar aula para seus alunos mesmo quando o inverno era rigoroso e cobria os campos do colégio de neve. Sem uma quadra de hóquei ou algo parecido, ele improvisou dois cestos de pêssegos dentro de um salão e inventou, em 1891, aquilo que viraria o basquete dali alguns anos. Apesar de canadense, Naismith trabalhava em Massachusetts, no noroeste americano, e logo o esporte passou a ser amplamente praticado nos grandes centros do Estados Unidos, principalmente nos estados do leste.

O que poucas pessoas sabem é que a própria NBA, este símbolo tão americano, começou no Canadá, justamente em Toronto. O basquete americano já estava relativamente popular nas universidades e existiam uma série de ligas profissionais regionais. Então executivos do esporte de onze cidades americanas decidiram unificar esforços e criar uma liga nacional. O grosso do público estava em Boston, Nova York, Washington e Philadelphia, mas existiam vários praticantes nas regiões periféricas também, como Toronto, do outro lado da fronteira.

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Hoje é dia de BASKETBALL!

As arenas eram públicas e tinham que respeitar o calendário de eventos das cidades e de outros esportes – mais ou menos como acontece até hoje -, então ficou decidido que a liga teria início para dali cinco meses, com o primeiro jogo sendo realizado entre o New York Knicks e o Toronto Huskies, na casa do time canadense. O Madison Square Garden estava com a agenda lotada de jogos de hóquei e de basquete universitário para o período, obrigando o time americano a estrear fora de casa.

O jogo foi realizado então no ginásio do Meaple Leafs, time de hóquei da cidade canadense. A partida é cercada por uma série de curiosidades bacanas. Por exemplo a promoção do confronto anunciava que se algum torcedor fosse mais alto do que o maior jogador em quadra (6’8 ou 2,03m), ele não precisaria pagar entrada.

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“Here comes de Huskies (jet propelled)” AHN?

Outra coisa é que muito se fala sobre o nome que a liga tinha na época. Oficialmente os livros registram que ela era chamada de Basketball Association of America (BAA), mas havia na época cartazes se referindo a ela como Big-League – NBA mesmo só apareceu com esse nome alguns anos depois.

O jogo rolou e pouco mais de 7 mil pessoas testemunharam a vitória do Knicks por 68-66. O time de Toronto, apesar de receber o lendário primeiro jogo, não aguentou o tranco das viagens para os EUA e acabou sendo o saco de pancadas da competição. Sem muito interesse do público canadense, não durou nem a segunda temporada e fechou as portas no ano seguinte.

Em todo caso, Toronto é muito mais importante para a NBA do que muita gente imagina.

Chris Paul dá bengala e adesivo de dentadura para Kobe Bryant curtir aposentadoria

Na noite de sábado para domingo do All Star Weekend, Chris Paul, Carmelo Anthony e Dwyane Wade organizaram um jantar fechado em homenagem a Kobe Bryant, que se aposentará ao final da temporada. O encontro foi mais uma reverência ao armador do Lakers, que está fazendo desta temporada a sua turnê de despedida pelos EUA.

Neste final de semana, foi a vez de Kobe se despedir do All Star Game, evento que ele dominou e registrou todos os recordes possíveis nos últimos 20 anos. A ideia do “Gentleman’s Supper Club” – confraria criada pelo trio CP3, Melo e Wade no ano passado – era socializar com o veterano, que é conhecido pelo seu perfil mais introspectivo e pouco sociável.

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Muy amigos: Kobe curte jantar com Wade, CP3 e Melo.

Os jogadores deram a Kobe uma garrafa gigante de um vinho italiano de 96, em referência ao ano em que Bryant entrou na liga. Um conjunto de robe e outras roupas para curtir as férias prolongadas também foram entregues ao jogador.

Mas, claro, que os craques também aproveitaram para trollar Kobe. Wade entregou uma assinatura de um ano de Netflix, já que o aposentado terá bastante tempo livre a partir de junho.

Chris Paul foi além: deu uma caixa de uma versão local de COREGA, óculos para vista cansada, bengala e meias de compressão para melhorar a circulação. Todos recomendados para a turma ‘mais experiente’.

Mesmo sendo um evento fechado, os jogadores abriram o jogo no final do jogo de domingo e contaram sobre o encontro – e claro, sobre as sacanagens. Kobe, aparentemente, levou na boa.

Restam mais 27 jogos. Depois disso, Kobe já tem o necessário para curtir a aposentadoria.

 

Muggsy Bogues sugere nova geração para estrelar Space Jam 2

Bom, um alerta antes de qualquer coisa: apesar de todos os boatos que surgem ano após ano, não existe nenhuma gravação em curso e nada certo. Em todo caso, Muggsy Bogues, o baixinho do Space Jam original, fez um apelo durante os eventos do All Star Game deste último final de semana. Segundo ele, a Warner tinha que fazer um novo filme, desta vez estrelando Lebron James no papel de herói.

Além do palpite óbvio, Bogues selecionou seus outros quatro jogadores que poderiam participar da partida intergalática – da mesma forma que Shawn Bradley, Patrick Ewing, Larry Johnson e o próprio Bogues fizeram no filme da década de 90, em que alienígenas roubavam seus talentos e desafiavam os terráqueos numa partida de basquete.

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Rapaziada trabalhando forte no photoshop

Segundo ele, Anthony Davis, do New Orleans Pelicans, e Andre Drummond, do Detroit Pistons, seriam os dois pivôs gigantes do time. Nenhum dos dois é tão alto quanto Bradley, que tem 2,29m, mas são estrelas carismáticas e importantes na liga quase tanto quanto foi Patrick Ewing.

No lugar de Larry ‘Grandmamma’ Johnson, Bogues escolheu Draymmond Green. Em alta dentro e foras das quadras, o jogador também seria ideal para cumprir o papel de nice guy no filme.

Por último, Bogues escolheu Isaiah Thomas para interpretar o personagem de jogador-anão. Bogues foi o mais baixo jogador a disputar um jogo de NBA em todos os tempos, com 1,60m. Na falta de alguém tão baixinho quanto ele, a escolha mais natural é mesmo Thomas, que tem 15 centímetros a mais e figura na lista de melhores armadores da liga altualmente.

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Larry Johnson, Patrick Ewing, Shan Bradley e Muggsy Bogues com Jordan e Barkley.

Apesar do bom elenco e do filme ter feito um sucesso estrondoso há 20 anos, não existe qualquer plano para que uma continuação seja gravada. Há alguns anos milhares de notícias sempre bombardeiam o noticiário do esporte na offseason – quando ninguém tem nada para dizer -, mas tanto Lebron quanto Warner sempre fazem questão de desmentir.

Como era de se esperar, show de Sting no All Star Game foi um saco

Sting foi a atração escolhida para apresentação no intervalo do All Star Game. Ninguém entendeu o motivo. Quando ainda se especulava qual seria o artista que se apresentaria em Toronto, parecia óbvio que a escolha ficaria entre Drake ou Justin Bieber, dois dos artistas mais populares da atualidade. The Weeknd e Arcade Fire também são de lá e não seriam escolhas ruins. Sei lá, podia ser também qualquer artista com algum histórico com o basquete ou com um público minimamente parecido com o perfil das pessoas que curtem NBA. Enfim, não foi e escolheram Sting.

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Como era de se esperar, o show foi como um balde de água fria na animação de quem acompanhava o jogo. No ginásio mesmo, ele foi recebido com poucas palmas e ninguém se empolgou muito. Na tevê, o pessoal deve ter usado aqueles minutos para pegar uma cerveja ou ir ao banheiro – meu caso, por exemplo.

Os jornalistas que acompanhavam o jogo e a apresentação ao vivo descreveram o clima de velório. Também como era esperado, só os mais tiozões curtiram os hits do ex-integrante do The Police.

Tudo bem que os artistas tem problemas de agenda e etc, mas Drake esteve na baira da quadra o final de semana inteiro. Na introdução dos jogador, ele esteve lá para abraçar todos eles. Os caras amam ele e suas músicas. Ninguém ali queria o Sting!

O show pelo menos rendeu um dos melhores/piores momentos da NBA: Carmelo Anthony foi escolhido para chamar  o artista ao palco. Melo reproduziu o texto como se estivesse lendo uma mensagem do Estado Islâmico. Boatos dão conta que ele perdeu alguma aposta no vestiário e, por isso, teve que ser o responsável por introduzir Sting.

Maravilhoso.

5 motivos para assistir o All Star Weekend

A partir de amanhã começam os eventos festivos do All Star Weekend da NBA. Além do famoso Jogo das Estrelas, o final de semana conta com o jogo dos calouros, das celebridades, os campeonatos de enterradas e três pontos e o desafio de habilidades dos jogadores.

Eu confesso para você que a cada ano que passa, eu acho mais chato assistir a todos os eventos ao vivo. Ultimamente um bom compacto do final de semana é mais do que suficiente para assistir às principais atrações. Neste ano, no entanto, algumas mudanças e atrações fazem do jogo um pouco mais especial e interessante. Vamos a elas:

Safra de calouros – O primeiro evento do All Star Weekend é o jogo dos calouros e jogadores no segundo ano de NBA, que acontece na sexta-feira. Geralmente é um porre. Neste ano, porém, a situação que se desenha é um pouco diferente. Teremos em quadra uma safra talentosíssima de calouros, com destaques para Jahlil Okafor, Karl Antony Towns e Kristaps Porzingis. Ainda temos a certeza de muitos lances plásticos com a presença do atual campeão de enterradas Zach LaVine e Andrew Wiggins. Raulzinho, calouro brasileiro do Jazz, também fará parte do amistoso.

Big man no desafio de habilidades – Sábado é o dia mais divertido do evento, com algumas disputas interessantes. A primeira delas é o desafio de habilidades. Basicamente é um circuito montado na quadra pelo qual os jogadores devem percorrer no menor tempo possível. Eles devem bater bola, acertar passes em alvos e driblar cones. Este, assim como o jogo dos calouros, é quase sempre uma merda de assistir, por que há uma série de jogadores que deveriam ser extremamente habilidosos que sofrem para acertar uma bola de basquete dentro de um pneu. Neste ano, a competição promete ser mais animada com a presença de pivôs na disputa – até hoje, o desafio só era disputado por armadores. DeMarcus Cousins, com seus 120 quilos distribuídos por 2,11m, por exemplo, vai disputar a corrida contra caras tipo Isaiah Thomas, que tem apenas 1,75m. Vai ser, no mínimo, engraçado.

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Cousins e Thomas vão se enfrentar no desafio de habilidades

Curry no campeonato de três pontos – Curry tem sido o jogador mais dominante da liga nos chutes de longe durante os jogos, mas neste final de semana vai ser a sua vez de defender o título no campeonato de arremessos de três. Ano passado, ele e Klay Thompson dominaram a disputa, que foi vencida por Steph – com direito a recorde de cestas feitas na disputa.

Enterradas de LaVine – O campeonato de enterradas estava muito manjado, com acrobacias repetitivas e sem imaginação. A impressão que dava é que os jogadores do passado já tinham inventado tudo que era possível na hora de cravar a bola na cesta. Até que ano passado o então calouro do Timberwolves Zach LaVine conseguiu dar um novo gás na disputa, sendo tão inovador quando Vince Carter foi na virada dos anos 2000. Vale a pena conferir se ele consegue repetir o feito neste ano.

Despedida de Kobe – No domingo acontece o Jogo das Estrelas de fato. A grande atração será a despedida de Kobe Bryant. O ala-armador do Lakers é o jogador com o maior número de partidas disputadas (18), de jogos como titular (16), de MVPs do jogo (4), pontos (280), arremessos convertidos (115) e roubadas de bola (27). Neste domingo, ele ainda tem a chance de ampliar a liderança nestas stats e beliscas mais alguns recordes. Vale a pena conferir APESAR do show do Sting no intervalo do jogo.

 

Análises preguiçosas

Eu vou falar sobre basquete, mas é uma crítica que pode ser transferida para qualquer tipo de ~cobertura jornalística. A rapaziada que trabalha com futurologia nas análises da NBA é muito preguiçosa e sem imaginação. É algo que me incomoda há muito tempo, mas que me chamou a atenção ao longo deste feriado de carnaval quando começaram a pipocar os primeiros nomes cotados para assumir o comando técnico do Knicks.

Logo após a demissão de Derek Fisher, os primeiros insiders já noticiavam que os favoritos para assumir a vaga eram Luke Walton, assistente técnico do Warriors, e Brian Shaw, ex técnico do Denver Nuggets. A justificativa seria a boa relação com o presidente do Knicks, Phil Jackson. Ambos foram treinados pelo Zen Master no Lakers, assim como Fisher. Posso queimar a língua e um deles pode, realmente, ser anunciado nos próximos dias, mas ao longo dos anos eu já vi tanto palpite como este que eu só posso acreditar que é chute de comentarista preguiçoso.

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Especulação mais óbvia possível

Os nomes surgem de uma associação óbvia e os boatos aparecem sem qualquer informação adicional. No final das contas, só faz parte de uma ânsia pelo furo jornalístico – mas sem compromisso qualquer com a realidade.

Foram estes caras, por exemplo, que cravaram centenas de vezes durante a passagem de Lebron por Miami que Pat Riley demitiria Erik Spoelstra na semana seguinte e assumiria o comando técnico da equipe. Era o palpite mais óbvio: Riley era um ex técnico respeitado, Lebron estaria insatisfeito com um novato liderando a comissão técnica e, assim, se criava o boato perfeito. Já se vão meia dúzia de anos e Spoe continua como Head Coach do Heat.

Este tipo de análise me irrita profundamente, também, na época do draft. Raramente uma comparação profunda surge nos sites que cobrem a escolha dos calouros. Geralmente, a aparência física do atleta e o histórico na universidade dominam os comentários. Alguns caras são incapazes de dissociar a cor da pele nas comparações, inclusive – as análises de Jalen Rose no draft ficaram famosas por isso, inclusive.

Kristaps Porzingis era comparado a Dirk Nowitzki pelo simples fato de ser europeu e ter mais de 2,10m – apesar do atleticismo do calouro e a fineza do arremesso do alemão não combinarem em nada.

Outra boa: Mario Hezonja só podia ser o novo Drazen Petrovic, afinal, ambos são europeus, né? Ou no máximo o jovem croata poderia ser comparado com o também branco Gordon Hayward.

Adam Morrison, ala da Universidade de Gonzaga, não tinha um corpo lá muito atlético e era branco. Muito natural, então, que ele fosse o próximo Larry Bird, não é mesmo? Aff…

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Ala, branco, desengonçado: SÓ PODE SER O NOVO LARRY BIRD

No final das contas, parece ser muito difícil para esses caras assumirem que simplesmente não tem informação sobre como joga tal cara ou que não há ainda qualquer pista sobre quem vai assumir tal time. Um chute preguiçoso é bem mais fácil.

 

Revolucionário Curry

A cada nova exibição monstruosa de Stephen Curry, se reacende a discussão de qual será o seu lugar na história do basquete. Estes dias a ESPN publicou um Top 100 dos jogadores de todos os tempos e colocou o armador do Golden State Warriors entre os 30 melhores. O engraçado é como Curry passou os primeiros anos da sua carreira parecendo uma mera decepção, que nunca ia se tornar realidade por causa de lesões, passou a ser um All Star decente e, de uma hora para a outra, entrou no debate dos melhores da história.

Não tenho idade, conhecimento e nem pretensão suficiente para dizer se ele é ou não merecedor da posição. Eu posso dizer que qualquer tentativa de ranquear jogadores em atividade e jogadores aposentados em uma mesma lista é precipitada. Enquanto os ex-atletas se beneficiam das conquistas e marcas gravadas na história, os jogadores de hoje têm a vantagem de terem suas atuações e feitos frescos na memória dos torcedores. Sempre será distorcido, para um lado ou para o outro.

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Ninguém sabe como parar Curry

No entanto, acho que já é possível dizer que Curry está encabeçando uma revolução no jogo. Ele já faz parte, sim, daquele rol de atletas que foram dominantes em suas épocas e influenciaram a maneira de jogar das gerações seguintes.

Parece que ele faz cesta de onde quiser, do modo que bem entender, a hora que for conveniente. Ele tem a agilidade para de desvencilhar de qualquer tipo de marcador e a frieza para acertar mais chutes de três do que qualquer jogador na história. Ninguém descobriu ainda como defender Curry.

Algo parecido com o que aconteceu com Shaquille Oneal nos seus primeiros anos de carreira. Shaq era um trator, mas tinha a mobilidade para tirar os marcadores de posição e cravar na cara deles. Não tinha pivô que pudesse parar o Diesel. O desempenho em quadra rendeu a ele o título de jogador mais dominante de todos os tempos – menos craque do que Michael Jordan, Magic Johnson e afins, mas o cara que mais sobrou no seu jeito de jogar naquele período.

Shaq foi tudo isso mesmo jogando na época de ouro dos pivôs, tendo que enfrentar alguns dos melhores da posição em todos os tempos, como David Robinson, Hakeem Olajowon e Patrick Ewing. Mais ou menos o mesmo que Curry, que vive a ‘Era dos Point Guards’ e enfrenta, possivelmente, a mais volumosa safra de armadores talentosos da história, como Chris Paul e Russell Westbrook.

Nos últimos dois anos, Curry meteu mais cestas de três do que Larry Bird fez em toda a sua carreira, por exemplo. Com isso, toda a lógica que existia na NBA no que diz respeito ao arremesso de longa distância está sendo reinventada. Até poucos anos atrás, o mid-range shot era o melhor indicador de sucesso de uma equipe. Hoje, um chute longo de dois é um arremesso ruim – e por isso Curry é o melhor arremessador da atualidade, chutando muito de fora e acertando uma alta porcentagem das suas tentativas.

O domínio de Curry levou ao front office da NBA repensar algumas regras do jogo.  Por causa de coisas como esta, os chefões da liga cogitam afastar ainda mais o arco que delimita os chutes de três pontos, por exemplo. Da mesma forma que os aros e tabelas tiveram que mudar de material por causa da violência das enterradas de Shaq. Ou como tiveram que inventar a regra do goaltending, quando George Mikan passou a dar tocos com a bola da descendente na década de 40 (até então, achavam que era humanamente impossível alguém conseguir alcançar a bola na altura do aro).

Lógico que só grandes jogadores são capazes deste tipo de feito. Difícil dizer se um top 10, 30 ou 50. Mas o jogo está mudando e Curry é o líder da revolução.

Maldito ‘reportedly’

Começou a pior época do ano para quem acompanha NBA. Com a proximidade da data limite para trocas, uma porrada de não-informações inundam o noticiário do esporte. A boataria começa agora e dura até o final da intertemporada, lá por setembro.

A cada temporada, a expressão ou palavra-mágica muda. Neste ano, todas as ~notícias vem acompanhadas de um ‘reportedly’ – que é o recurso que o cara que escreveu o texto tem para tentar dar credibilidade a um mero boato. É aquela mesma CREDIBILIDADE que a gente vê em matérias respaldadas por um tal de “segundo fontes” ou que CRAVAM informações do tipo “Fulano PODE ir para tal time”. Parece uma licença para escrever qualquer barbaridade que venha à mente.

A intenção aqui não é recriar qualquer discussão de 1º ano de faculdade de jornalismo, mas expor estes caras que fazem este tipo de coisa ao ridículo. O principal boato da semana é que ‘Durant PODE assinar com o Warrios CASO deixe o Thunder, SEGUNDO FONTES’. Dai você abre o link e encontra a seguinte frase: “If Durant leaves the Thunder, the Warriors are the significant frontrunners to sign him, league sources told The Vertical”. O que isso quer dizer? Nada.

Especialmente porque as league sources já cravaram Durant em meia dúzia de outros times. Aliás, um dia antes KD reportedly poderia assinar com o Lakers (e de quebra levaria Russell Westbrook consigo).

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Vai ter photoshop, sim!

Outro que PODE mudar de time em breve é Dwight Howard. Até a trade deadline ele PODE ir para Boston, New Orleans e Miami. Ah, ele PODE ficar em Houston também, claro. O que ele vai fazer efetivamente, no entanto, é um mistério.

A boataria atingiu um outro nível de especulação desde a existência das chamadas ‘trade machines’, que são ferramentas dos sites de esportes que te deixam simular uma troca e te indicam se ela é possível por conta dos limites salariais das equipes e tempo de contrato de cada jogador.

O regozijo dos insiders acontece quando dois jogadores estão insatisfeitos nos seus times. Parece que eles botam as trade machines para buscar toda e qualquer troca possível e, assim, definir qual é o match perfeito. É o Tinder deles. É o que acontece no caso, por exemplo, da POSSÍVEL troca entre Phoenix e Houston, que trocaria seus atletas insatisfeitos (Markieff Morris do Suns e Howard do Rockets) e tudo ficaria resolvido.

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“This trade is Successful”: agora avisa os GMs, jogadores, técnicos…

Enfim, este tipo de boato já colocou Lebron no Knicks, Wade no Bulls, Carmelo no Nets, Love no Lakers e etc. O que a gente não pode é acreditar em tudo isso. Este tipo de coisa não é notícia. Tudo PODE, mas as fontes as vezes mentem.

Hornacek pagou o pato

O técnico do Pheonix Suns, Jeff Hornacek, acabou de ser demitido. Depois de uma queda vertiginosa de produção do seu time, que registra 19 derrotas nos últimos 21 jogos, a direção do time do Arizona resolveu encerrar precocemente o contrato do ex-jogador. Ainda nesta temporada, o front office do Suns já tinha dado uma sacudida na comissão técnica, demitindo alguns assistentes técnicos. A manutenção de Hornacek naquele momento parecia um voto de confiança no trabalho do jogador, mas que foi quebrado com a derrota de ontem para o Dallas Mavericks.

A campanha do Suns realmente está medonha nesta temporada, justamente quando o time alegava, antes do início do campeonato, que brigaria por uma vaga nos playoffs. Se a gente olhar somente por esta perspectiva, realmente seria plausível questionar o trabalho do treinador. Mesmo assim, achei a demissão uma baita de uma sacanagem e absolutamente injusta.

Para entender melhor, é preciso voltar um pouco no tempo, para a temporada 2013-2014. O clube vinha de uma temporada bem ruim, com 25 vitórias e 57 derrotas no ano anterior e planejava uma reconstrução no elenco. Tinha trocado Marcin Gortat por escolhas do draft e acabado de adquirir Eric Bledsoe, na época uma espécie de prospect ainda. Ninguém esperava nada do time além das últimas posições e uma boa posição no draft. Todas as projeções da época apontavam para isso. Jeff Hornacek foi contratado para comandar esse rebuild. Ele que era assistente técnico teria sua primeira oportunidade como head coach em uma franquia.

Até que o campeonato começa e o Phoenix abre o mês com 5 vitórias e apenas 2 derrotas. Aquela que era pra ser a segunda pior equipe da NBA consegue encaixar uma dupla de armadores jogando muito e um frontcourt rápido. Hornacek surpreende a todos com um ataque poderoso, top 10 da liga, e, no final das contas, o Suns fica a uma vitória da classificação para os playoffs, com a excelente campanha de 48 vitórias e 34 derrotas – mesmo win-loss record do Chicago Bulls, por exemplo, que ficou em terceiro na Conferência Leste.

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Na temporada seguinte o front office do Suns faz algumas escolhas questionáveis, ao contratar o armador Isaiah Thomas e carregas o back court da equipe. Mesmo assim, de uma hora para outra, o Phoenix Suns, sem grandes mudanças no seu elenco, era eleito como uma equipe que poderia brigar por uma vaga nos playoffs.

Neste momento, Hornacek começou a pagar pelo próprio sucesso. Ao transformar um time que não brigaria por nada em um concorrente real aos playoffs, o técnico botou um alvo nas suas costas. O time não conseguiu êxito na temporada passada e fechou o ano com 39 vitórias – e a décima colocação no Oeste.

Na atual temporada, Hornacek ainda teve o azar de ter seu principal jogador, Eric Bledsoe, afastado das quadras com uma lesão grave. Desde então, o time desandou a perder.

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Claro, que o técnico teve seus maus momentos – não soube lidar com a revolta de Markieff Morris no vestiário, não conseguiu encaixar Tyson Chandler no time e etc-, mas não parece óbvio que a direção do Suns não fez a sua parte para transformar o time em um concorrente aos playoffs? Vale ressaltar que quando Hornacek assumiu, o time estava com uma folha salarial inchada e gastava mais de 20 milhões de dólares com os salários de Emeka Okafor e Caron Butler – um nem jogava e o outro só atrapalhava em quadra. Mesmo assim, Hornacek teve a capacidade de levar o time à uma disputa pela última vaga da pós-temporada.

E ai, a culpa é de quem?

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