Month: March 2016 (Page 1 of 3)

Os tênis assinados de Kobe Bryant

A turnê de despedida de Kobe Bryant foi tomando corpo ao longo da temporada. Desde que anunciou que este seria seu último ano jogando na NBA, alguns rituais foram se consolidando. Geralmente, o time rival que recebe o time do Lakers em casa mostra um vídeo como forma de tributo ao jogador pela sua contribuição ao jogo (aliás, não sei se tem alguma coisa nova pra estas últimas edições da temporada…) e Kobe, vira e mexe, retribui um ou outro jogador adversário com um tênis assinado.

Kobe nunca foi um ‘nice guy’. É natural que os times prestem suas homenagens a uma das maiores lendas do jogo, mas a resposta de Bryant presenteando vários jogadores foi estranha. Não parecia ele. No livro Onze Anéis, de Phil Jackson, ele conta que Kobe nunca fez questão de ser amigo de ninguém no jogo. Em uma entrevista para a ESPN, o jogador esclarece que este não é um simples ato de generosidade e reconhecimento aos colegas: para MERECER um tênis de Kobe, é preciso PEDIR a ele.

É preciso ir até o rei e lamber seus pés, digamos assim. Segundo ele mesmo disse, para ganhar um par autografado é necessário ter ‘cojones’ para pedir.

Claro que reparando bem, Kobe tem seus preferidos. Lebron e Durant receberam tênis mais exclusivos do que Devin Booker, por exemplo, que ficou com um simples par branco. Tony Allen teve mais sorte: ganhou na dedicatória o reconhecimento de ter sido um dos defensores mais duros que Bryant enfrentou. Kobe também faz sua reverência, mas seria muito pedir para que ele admitisse isso.

Como virou febre entre jogadores dos times adversários, a estrela quase aposentada já leva de cinco a sete pares por jogo para distribuir aos rivais. Se todos tiverem a audácia de implorar por um tênis, todos levam.

Kobe sendo Kobe.

Bruxo de New Orleans se oferece para tirar a zica do Pelicans

Era só o que faltava. Depois de perder para o resto da temporada Alonzo Gee e Jrue Holiday e chegar a uma lista de sete jogadores afastados por lesão – entre eles Anthony Davis, Eric Gordon e Tyreke Evans -, o técnico do time, Alvin Gentry, reclamou que o time devia estar sofrendo algum tipo de maldição sinistra para perder tantos jogadores machucados. Um famoso esotérico da cidade concordou e se colocou à disposição para livrar o time da zica na temporada que vem.

Belfazaar Ashantison, intitulado como um “voodoo priest” com mais de 25 anos de experiência, sendo 14 deles em New Orleans, disse que o time estava com um azar sobrenatural e que um especialista no assunto ou coisa que o valha poderia ajudar a equipe a se livrar de todo este mal.

Claro que, depois dele, outros se pronunciaram. Uma outra espécie de mãe-de-santo (é assim que se fala?) conhecida na cidade disse que poderia colaborar. Cinnamon Black disse que poderia oferecer um ‘saco de gris-gris’ aos jogadores como forma de proteção.

Ela, inclusive, mostrou ter experiência no assunto. Até pouco tempo atrás, existia um papo de uma maldição no futebol americano. Todo jogador que estampava a capa do Madden, principal jogo de videogame do esporte, se lesionava seriamente na temporada seguinte. Quando a estrela do game foi o quarterback do time da cidade, Drew Brees, ela disse que fez uma macumba para acabar com o problema e salvar a temporada do jogador. De fato, ele não teve problemas com lesões naquele ano. Vai saber…

Seja lá o que for, o Pelicans realmente teve sérios problemas com seus jogadores, numa escala que extrapola qualquer limite razoável. Ao todo, contando com os jogadores que já não voltam a jogar nesta temporada, seus atletas, somados, ficaram de fora mais de 300 vezes neste ano – não sei se existe uma estatística destas, mas parece um recorde.

Por outro lado, não dá para dizer que era inesperado: TODOS os jogadores do quinteto titular têm um péssimo histórico de lesões. Mesmo sendo bem jovens, Anthony Davis e Jrue Holiday ficam de fora de pelo menos 20% dos jogos com machucados graves. Tyreke Evans só não teve problemas na sua primeira temporada. Omer Asik e Ryan Anderson vira e mexe estão fora dos jogos. E, para finalizar, Eric Gordon, que deve ser o cara mais quebrado da atualidade na NBA.

Haja banho de pipoca pra curar todo esse povo.

Todo calouro é burro

“Todo calouro é burro”. Se você teve a oportunidade de entrar em uma faculdade e a infelicidade de passar por um trote não-solidário, você já ouviu esta máxima. E D’Angelo Russell, armador calouro do Lakers, nos confirmou que a assertiva é correta.

O jogador fez a besteira de gravar inadvertidamente uma conversa com Nick Young no quarto da concentração. No papo, Young responde algumas dúvidas de Russell sobre como foi a última noite em que saiu em uma balada e Young detalha que pegou uma garota na festa.

https://www.youtube.com/watch?v=x6fVCs2mwI8

Young é noivo da cantora Iggy Azalea e o vídeo mostra Russell tentando tirar as informações do colega enquanto grava a conversa sem que ele perceba. Independente do juízo de valores do homem de bem sobre manter uma relação com fidelidade e etc, o calouro cometeu uma trairagem montra.

Agora, naturalmente, ele se tornou um pária no vestiário do Lakers. Não sei se por coincidência ou não, mas seu desempenho caiu vertiginosamente nas últimas partidas. De uma média acima dos 20 pontos por jogo pós All Star Game, o jogador caiu de produção e teve partidas com só 2 e 4 pontos. Segundo Marc Stein da ESPN, os colegas de time estão dando um gelo no jogador para ver se aprende.

Young é um cara totalmente dispensável no elenco do Lakers, faz merda pra caralho, está respondendo a uma acusação de assédio sexual a uma garota que passou do lado do carro dele em Los Angeles e etc, mas Russell tem muito o que aprender sobre camaradagem, companheirismo e vida em grupo. Tudo bem que ele é um moleque de 19 pra 20 anos e vai fazer muita besteira na vida, mas isso não vai ajudá-lo em nada.

Se as últimas semanas de temporada serviriam para que os calouros do Lakers, especialmente Russell, jogasse tudo que pode para se desenvolver ao máximo, parece que o próprio jogador conseguiu sabotar suas oportunidades. Burro mesmo.

Torcedor viajou 6 mil km para ver o Raptors perder

O Toronto Raptors estava embalado: 7 vitórias nos últimos 10 jogos e diminuindo cada vez mais a vantagem do Cleveland Cavaliers, que lidera a Conferência Leste. O time canadense também só tinha perdido 8 jogos em casa, o que lhe conferia a quarta melhor campanha com mando de quadra. Até que aparece um pé frio para estragar a festa.

Pois é, um camarada saiu do Japão, viajou mais de 6 mil quilômetros, disse que guardou dinheiro, economizou e o caralho a quatro APENAS para ver o time jogar naquela noite. E, óbvio que não podia ser diferente: o Raptors perdeu para o Oklahoma City Thunder.

Não que fosse uma partida fácil – e se o rapaz sabe RIR DE SI MESMO ele deve ter aproveitado o show proporcionado por Russell Westbrook -, mas acho que o Toronto dispensa a torcida dele nas próximas partidas.

Hawks quer retomar seu mojo

Ano passado eu passei a simpatizar muito com o Atlanta Hawks. A franquia teve uma campanha impecável com 60 vitórias na temporada regular, jogando um basquete coletivo de troca de passes rápidos, com todos os jogadores aptos para chutar de fora ou bater pra dentro. Uma versatilidade linda de se assistir. A equipe estava tão azeitada que em janeiro de 2015 a NBA elegeu o time titular inteiro do Hawks como melhor jogador do Leste naquele mês – pela primeira vez este tipo de prêmio individual foi celebrado a uma equipe toda. Ao final do ano, o técnico da equipe, Mike Budenholzer, foi eleito o melhor da liga.

O time foi bem, tal, mas nos playoffs não foi páreo para o Cleveland Cavaliers. Pior: chegou cambaleando depois de séries apertadas contra um limitadíssmo Brooklyn Nets e um inexperiente Washington Wizards. Na final da conferência, foi atropelado por um time do Cavs que estava fragilizado por lesões. Com uma temporada regular tão dominante e um repertório tão vasto, não se esperava que o Hawks fosse cair com tanta dificuldade.

Neste ano, o Atlanta Hawks não começou bem – nunca chegou a ficar fora da zona de playoffs, mas não conseguiu acompanhar o ritmo de Toronto Raptors e Cleveland Cavaliers, que tomaram a dianteira da conferência. Perto da trade deadline, em fevereiro, parecia que o time estava disposto a abrir mão do atual elenco e do campeonato para tentar montar um time para o futuro. Falou-se que Jeff Teague e Al Horford poderiam ser trocados, mas as moedas de troca ofertadas não eram boas o suficientes.

Uma coisa que eu alertei no começo do ano, era que o calendário do Atlanta era o mais carregado do início da temporada em relação aos seus principais concorrentes, o que lhe conferia alguma vantagem na reta final da temporada regular. Não sei se isso teve alguma influência ou se foi a manutenção dos jogadores que deu novo ânimo à equipe, mas o time finalmente voltou a jogar fino. Acho que as duas hipóteses são bem plausíveis, já que um calendário mais leve é fundamental para manter o time fresco para os playoffs e a melhora do time após o fechamento do período de trocas é evidente – são 14 vitórias e 3 derrotas e a melhor campanha da NBA nos últimos dez jogos.

timhardaway

Atlanta é o melhor time nos últimos 10 jogos, com grandes exibições de Tim Hardaway Jr

O time também finalmente conseguiu encaixar a rotação com a ausência de DeMarre Caroll, small forward do time que partiu para Toronto na última temporada. Em fevereiro e março, o time deu mais tempo para Tim Hardaway Jr no lugar de Kent Bazemore e o primeiro passou a jogar muito bem: em cinco minutos a mais de jogo, dobrou o número de pontos e passou a acertar mais 10% dos seus arremessos (com ele em quadra a equipe aumentou, em média, 4 pontos a cada cem posses). Dennis Schroder, armador reserva, também voltou a jogar bem, depois de uma primeira metade de temporada sonolenta.

Com tudo isso, acho que o Hawks chega nos playoffs como a segunda força do Leste, quase fazendo frente ao Raptors – e mais embalado que o Cleveland. Também conseguiu se descolar de Miami Heat e Boston Celtics, o que é importante numa eventual série com mando de quadra. Atlanta Hawks está redescobrindo a mágica que encantou muita gente no ano passado. Que venham os playoffs!

Lebron não inventou os supertimes – eles fazem parte da história

Uma das principais críticas a Lebron é que ele tem essa mania de querer se juntar a outros grandes jogadores e montar supertimes. Foi assim quando foi para Miami e mais ou menos deste jeito na sua volta ao Cleveland. Ainda tem esse papo de um dia jogar com Carmelo, Chris Paul e Wade.

Estes dias escrevi que não era o melhor momento para Lebron dizer isso, mas não acho que seja um absurdo ele ter este tipo de vontade. Se é a vontade dos caras, eles que se reúnam mesmo e os outros que tentem vencê-los.

Existe uma sensação bem recorrente ao ver este tipo de movimento, que virou num clichê batido: que os craques de antigamente queriam superar os melhores times ao invés de se juntar a eles, diferente dos jogadores de hoje que não teriam todo esse sangue nos olhos.

Sempre que leio e escuto este tipo de coisa eu fico com um pé atrás. Nunca tive essa convicção. Neste caso, então, mais uma vez me parece mais uma cornetagem misturada com falta de conhecimento da história da liga.

Eu parto de um princípio básico: a natureza humana não mudou em 50 anos de jogo. Assim como temos caras que têm como prioridade jogar eternamente em uma franquia, temos outros que tentar ganhar a qualquer custo. Há também aqueles que só querem se divertir, aqueles que querem ganhar dinheiro. Enfim, acho muito leviano resumir uma característica tão própria de cada um a uma tendência de um tempo.

Bom, a tese já está levantada. Vamos aos exemplos. Vou me prender a excelentes jogadores, de várias vezes all stars a hall of famers, ok? Em todos os tempos, sem exceção, temos grandes jogadores que fizeram carreira em uma única equipe e nunca se deixaram seduzir por este tipo de reunião de grandes jogadores. Basicamente, acho que há um padrão aqui, que é o camarada ter a sorte de cair num time bom – quase que uma reunião espontânea de craques. Neste grupo temos desde Bill Russell (com Bob Cousy), do Celtics dos anos 60, até Magic Johnson (com Mychael Thompson, Kareem Abdul Jabbar, James Worhty), Larry Bird (com Kevin McHale e Robert Parish) e Jordan (com Pippen) nos times dos anos 80 e 90.

São caras que ganharam uma porrada de títulos e de tinham bons times ao seu redor, com jogadores excelentes que entraram pra história do jogo. Um fenômeno idêntico aos atuais Tim Duncan no Spurs, Kobe Bryant no Lakers e, forçando a barra, Stephen Curry no Golden State. Times dominantes, com jogadores que nunca foram à caça de outras estrelas frustradas do seu tempo.

E aqueles que não deram sorte de cair numa franquia poderosa ou num elenco abençoado? Wilt Chamberlain se juntou aos hall of famers Elgin Baylor e Jerry West no Lakers no auge da sua carreira. O Detroit Pistons dos ‘bad boys’ não conseguia vencer o Boston Celtics do final dos anos 80 e apelou para Mark Aguirre e Adrian Dantley (dois dos maiores pontuadores da época, que não deixam nada a desejar para Carmelo Anthony, Chris Bosh e Kevin Love hoje em dia). O Sixers do começo daquela década era uma máquina montada na base da panelinha: Dr. J, Moses Malone, Mo Cheeks e Andre Toney. O mesmo fizeram Charles Barkley e Scott Pippen ao assinarem com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon no final dos anos 90.

trio

Charles Barkley, Hakeem Olajuwon e Scottie Pippen é um trio mais apelão do que qualquer patota do Lebron James.

Lógico que tem aqueles gênios que preferem ficar nas suas franquias na esperança de um dia bater os grandes times. Patrick Ewing no Knicks tentou e não conseguiu. Dirk Nowitzki no Mavs tanto fez que saiu com um anel de campeão.

Enfim, não se trata de uma característica deste ou daquele tempo. É mais uma combinação de sorte, vontade de vencer, estrutura de franquia e personalidade de cada um. A história se repete. Existem exemplos em todas as épocas. O que não é legal é esquecer o passado e viver menosprezando o que rola hoje.

Lebron quer jogar com Melo, Wade e CP3, mas é bom admitir isso agora?

Acho que Lebron está um pouco perturbado. Depois daquele monte de besteiras que disse sobre ‘playoff mode’, o jogador voltou a falar algo que não pega muito bem para ele. James disse que espera que em algum momento da sua carreira ele ainda possa jogar ao lado de Carmelo Anthony, Chris Paul e Dwyane Wade. Para reunir o quarteto, chamado de “The Brotherhood”, Lebron disse que toparia um corte sensível no seu salário.

Ainda que não veja qualquer problema nisso, acho que a declaração depõe contra Lebron. Boa parte dos torcedores já acham que ele foi covarde quando saiu de Cleveland e se juntou a Wade e Bosh no Miami. Uma segunda reunião de estrelas seria tudo que os haters adorariam para confirmar as suas teses de que James não tem capacidade de vencer qualquer coisa sozinho.

Além do mais, pega mal com a sua própria franquia. O Cleveland fez de tudo para trazer Lebron de volta e cercá-lo de talento (trocando um grande prospect como Wiggins por Kevin Love) e do nada Lebron dá indícios de que poderia se juntar aos seus amigos em qualquer outro lugar? Não algo legal de falar. Pior: o jogador assinou um contrato de um ano somente para poder assinar pelo novo salário máximo nesta offseason, mas acabou de dizer que toparia ganhar menos para jogar com os três. Não é muito simpático com seu empregador, que vai fazer de tudo para pagar o máximo que pode, tornar este tipo de ideia pública.

Sobre a viabilidade disso tudo: acho que pode rolar. Se os quatro quiserem, acho bem possível que aconteça um dia. É bem provável especialmente se Carmelo e CP3 não ganharem um título até aquele momento e se juntem meio que como uma última tentativa de terem um anel de campeão – mais ou menos o que Karl Malone e Gary Payton tentaram quando foram para o Lakers em 2003.

O único empecilho seria coincidir que os quatro ficassem sem contrato simultaneamente, o que a curto prazo seria difícil – o que confirma a hipótese disso acontecer nos últimos anos de carreira deles.

845_nr55fu

“Esse banana boat seria muito mais divertido com o Carmelo…”

Por outro lado, quanto mais isso demorar, menos dominante seria a formação, em tese – e mais chances de fracassarem como aconteceu com Malone e Payton.

Mas assim, também não posso ser tão crítico com este tipo de atitude. A reunião de jogadores em supertimes é uma realidade e cada vez mais isso vai acontecer. E, além disso, é legítimo que eles queiram se divertir entre amigos. Resta esperar para ver se rola.

Lei anti-gay pode tirar All Star Game de Charlotte em 2017

Boa, NBA. Logo após a aprovação de uma lei estadual batizada de anti-gay (que anula qualquer lei municipal de proteção dos direitos de gays, lésbicas e transgênero), a liga soltou um comunicado dizendo que desaprovava a nova regra da Carolina do Norte. O que preocupa a direção da NBA é que o próximo All Star Game, em fevereiro do ano que vem, está marcado para ser realizado em Charlotte, principal cidade do estado.

No documento, a liga afirma que tem como uma das suas prioridades proporcionar um ambiente inclusivo para toda e qualquer pessoa que queria acompanhar o jogo e que a decisão preocupa a organização do evento. A decisão estadual, que agora permite que um empregador possa demitir um funcionário por causa da sua orientação sexual, se sobrepõe a uma regra municipal de Charlotte que condenava qualquer atitude discriminatória baseada em critérios como “raça, cor, religião, sexo, estado civil, orientação sexual, identidade de gênero ou natureza”. A regra valeria especialmente para fevereiro do ano que vem, a fim de garantir a realização do jogo. Agora não vale mais.

Bom, você deve imaginar como é um lugar que precisa criar uma regra excepcional para garantir os direitos individuais das pessoas e, depois, os deputados aprovam uma lei discriminatória que anula qualquer lei municipal que iniba esse tipo de preconceito.

A nova lei estadual, aliás, foi aprovada baseada depois que boa parte dos habitantes da Carolina do Norte passaram a se preocupar que “homens passariam a usar os banheiros femininos e vice-versa”. Enfim, uma baboseira que, infelizmente, fez o estado voltar à idade da pedra.

GTY 510336788 S SPO BKO BKN CAN ON

Adam Silver sente que a nova lei pode ameaçar a festa do All Star Game em Charlotte

Ainda que, de início, a atitude da NBA possa ser considerada branda – divulgou um posicionamento repudiando a nova lei, mas não cancelou o jogo de imediato -, reforça as ações inclusivas da liga neste tema.

Depois que Jason Collins veio a público assumir a sua homossexualidade – primeiro jogador profissional de basquete, baseball ou futebol americano a fazer isso -, Adam Silver, presidente da NBA, parece que adotou esta defesa como uma bandeira. Tanto é que Rajon Rondo, armador do Kings, foi multado e suspenso quando xingou de “faggot” Bill Kennedy, o primeiro árbitro que assumiu ser gay na liga. Na oportunidade, Silver veio a público dizer que qualquer atitude neste sentido seria duramente combatida.

Acho que a retaliação seria válida e confirmaria de vez o vanguardismo da NBA diante das demais ligas profissionais dos EUA.

PowerPoint errado fez Curry trocar Nike por Under Armour

Uma vez, quando eu ainda estava na faculdade, uns colegas foram apresentar um trabalho. Naquele vai e vem de cada um fazer um slide na apresentação em grupo, um dos caras salvou o nome do arquivo como trabalhinhoescroto.ppt e o arquivo foi assim mesmo no DISQUETE. No meio da apresentação em sala a professora notou a barra superior do arquivo e, claro, ficou puta com o descaso. “Trabalhinho escroto é isso aí mesmo que vocês estão apresentando”, disse.

Até hoje eu achava que esta era a maior merda que poderia acontecer com alguém por conta de um PowerPoint cagado. De longe não é. Fazer uma apresentação nas coxas custou, a grosso modo, bilhões (!!!) de dólares para Nike. A história é a seguinte: em 2013, Stephen Curry ainda não era tudo isso que é hoje, era um excelente jogador em ascensão, mas como há algumas dúzias na NBA. Seu contrato com a Nike estava para terminar e ele e seu pai se reuniram com alguns executivos da empresa para discutir um novo acordo.

Steph era simpático à ideia de renovar o contrato, já que nos anos anteriores tinha servido de cobaia para a empresa desenvolver um tênis especial para proteger seus tornozelos castigados de lesões. Aparentemente tinha dado certo a experiência, já que Curry estava saudável há algum tempo. Além do mais, a empresa e a sua subsidiária Air Jordan mantém contrato com 3/4 dos jogadores da liga – se você é um jogador profissional, ou você está com a Nike ou está por fora.

635895792131897068-GTY-474896780

Tênis assinados por Curry são os mais vendidos no mundo

Chegando lá, começou a dar ruim. Primeiro que nenhum dos fodões da marca apareceram para a reunião – mostrando que Curry não era lá uma das grandes prioridades da empresa. O descaso ficou ainda mais evidente com o decorrer da apresentação. Num ‘pitch’ em que tentava convencer Curry de que a marca era a mais indicada para ele, um slide do PowerPoint mostrava o nome do jogador escrito errado: StephOn ao invés de StephEn. Dell e Steph já se entreolharam. Não que seja um erro crasso, mas não é assim que você vai convencer um cara a assinar com a sua marca, certo? O pai do jogador, que trouxe a história a público nesta semana, disse que não ficou tão chocado com o erro de grafia, já que muita gente pronunciava o nome do jogador de modo errado na época. “O que me incomodou foi que ele nem corrigiu o erro na hora”, disse Dell.

Nada está tão ruim que não possa ficar absolutamente constrangedor. Alguns slides para frente, a proposta aparece com o nome de ‘Kevin Durant’, que também negociava um novo contrato com a marca. Aí ficou claro: os caras reaproveitaram a apresentação que já tinha sido feita para Durant e só trocaram o nome dele pelo de Curry. Aliás, NEM ISSO FIZERAM DIREITO, já que em uma das vezes escreveram errado e na outra nem substituíram.

Depois disso, Steph e seu pai já estavam decididos a procurar outra empresa. Bom, a partir disso, a história é trágica para a Nike: Curry assinou com a Under Armour, se tornou o embaixador da marca no basquete e, com todo seu carisma e uma temporada alienígena, o tênis com a sua assinatura se tornou o mais vendido do mundo – só no ano passado foram 160 milhões de pares. O sucesso fez com que a empresa crescesse 95% em 2015, chegando a um valor de mercado que ultrapassa os 14 bilhões de dólares em poucos meses. Curry não é o único, mas o principal responsável por isso.

Tudo graças a um verdadeiro “trabalhinhoescroto.ppt”. Parabéns aos envolvidos.

Você precisa conhecer melhor Latrell Sprewell

Cara, eu entendo quando alguém diz que NBA é chata porque uma partida que tem 48 minutos de jogo demora na verdade quase 3 horas – sendo que, muitas vezes, só os últimos segundos realmente valem a pena. Ou quando justifica que não tem graça ver um campeonato com mais de 80 jogos e que perder um ou outro não faz diferença alguma. De verdade, são justificativas com fundamento. Mas, na boa, não tem como não amar essa porra toda quando você conhece personagens como Latrell Sprewell e suas histórias.

Spree é um ex-jogador, mas neste período de primárias nas eleições americanas seu nome voltou à tona por ser um dos poucos seres humanos com a pachorra (ou coragem) de apoiar publicamente o ‘excêntrico’ magnata republicano Donald Trump. A afinidade se justifica por ambos compartilharem hábitos capilares de gosto duvidoso, mas, independente disso, o apoio de Latrell a Trump chama a atenção já que a comunidade ligada ao basquete apoia maciçamente Barack Obama – e Trump é a antítese total do atual presidente. O jogador escreveu uma série de tuítes apoiando o republicado – mas infelizmente os apagou algum tempo depois.

Aliás, seu perfil no twitter é maravilhosamente deprimente, recomendo muito que sigam, pois se resume ao ex-jogador mandando mensagem para celebridades implorando por atenção. Melhor de tudo é que quase nunca ele é correspondido.

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698155539067330560

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698011777783767040

Esta é só mais uma mostra de como a sua vida pós-NBA tem sido complicada. Dias destes saiu a notícia de que Sprewell estava com dezenas de dívidas acumuladas, sem grana para quitá-las, e morando em uma casa simples alugada.

Aliás, se este desfecho parece estranho para nós – como um cara que ganhou mais de 100 milhões de dólares na carreira está numa situação destas? -, não chega a ser surpreendente para o próprio jogador (e aqui vai a primeira grande história dele): quando já estava nos últimos anos da sua carreira, o Minnesota Timberwolves ofereceu uma renovação por dois anos para Latrell. O contrato máximo que a negociação chegou foi a 14 milhões de dólares anuais. Revoltado, Spree recusou e justificou com uma das declarações mais lendárias do esporte: “Por que eu ajudaria o time a ganhar um título? Eles não estão fazendo nada por mim. Eu estou em uma situação de risco aqui, EU TENHO UMA FAMILIA PARA ALIMENTAR”. Sim, porque são necessários muito milhões a mais para alimentar uma meia dúzia de bocas, né? Bom, o tempo provou que ele realmente precisava de umas verdinhas a mais…

Mas existem pelo menos mais duas passagens do ala-armador que são dignas de nota. Uma delas já foi brevemente relatada aqui. Certo dia Latrell promoveu uma festinha no seu iate. A balada tava animada, tal, pá, champagne pra lá, campari pra cá (essa parte é mentira), tudo legal até que um convidado passou do ponto e vomitou no chão do barco, no meio da rapaziada. Puto da cara com o colega, Sprewell, que também já estava ‘alegre’, partiu para cima do cara. Mesmo mal, o fulano conseguiu desviar do golpe que o jogador desferiu. Pior para Sprewell, que acertou a parede e quebrou a mão. Além de ficar fora de alguns jogos do time por causa da lesão, o Knicks ainda aplicou uma multa ao jogador por conduta antidesportiva.

Latrell Sprewell #8

Latrell Sprewell: aquele famoso NICE GUY que de NICE não tem nada

Isso tudo já seria suficiente para você amar/odiar Latrell Sprewell, mas o seu currículo conta com uma outra treta ainda maior. Você deve pensar que bater em bêbado é fácil – mesmo que ele não tenha conseguido socar o cara exatamente -, e que isso não faz dele um maloqueiro de marca maior. Realmente, o que faz Spree ser uma lenda do mau caratismo foi ter tentado enforcar o técnico do seu time.

Num certo dia, rolando treino do Golden State Warriors, o técnico PJ Carlesimo chamou a sua atenção quando errou um passe na atividade que estava sendo passada. Sprewell não curtiu e começou a discutir com o ‘professor’. A parada foi ficando quente e Carlesimo se aproximou de Spree, que disse para ele ficar longe dele, caso contrário ia matá-lo. O técnico não levou a sério o alerta do jogador e se aproximou, até que Latrell voou direto no seu pescoço, literalmente, e estrangulou PJ por alguns segundos. A turma do ‘deixa disso’ entrou e ação e separou o jogador do técnico, que estava atordoado no chão.

Revoltado, Spree foi esfriar a cabeça no vestiário. Não deu certo. Uns 15 minutos depois voltou para o ginásio e, do nada, atacou o treinador novamente com um soco na cara! Claro que o jogador foi suspenso para o resto da temporada pelo incidente. Apesar de todos os repórteres  e jogadores confirmarem o episódio, o jogador nega que tenha cometido a segunda agressão – tranquilo, ele SÓ tentou asfixiar o técnico…

Bom, além de tudo isso, Sprewell também foi um bom jogador. Começou com tudo no Warriors e virou um dos shooting guards mais versáteis da liga. Depois do problema com o técnico, ele foi trocado para o New York Knicks, onde fez dupla com Allan Houston e não conseguiu repetir o sucesso que se esperava dele – apesar de em um dos anos ter conseguido chegar às finais . Ainda teve um lampejo no final de carreira no Timberwolvez, quando jogou com Kevin Garnett e Sam Cassell, chegando à final da Conferência Oeste, na melhor campanha da história da franquia.

Bom, acho que ficou bem claro porque vale a pena conhecer melhor Latrell Sprewell, né?

Page 1 of 3

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén