Nos últimos 15 anos, nos acostumamos com um desequilíbrio abissal entre as conferências Leste e Oeste. Recentemente, vimos casos de que três vitórias de diferença eram suficientes para um time se classificar entre os quatro melhores do lado do pacífico ou para tira-lo dos playoffs. Uma insanidade.

Neste ano, a ferocidade da competição mudou de lado. A conferência Oeste ainda tem os três melhores times disparados da liga, mas boa parte das posições para os playoffs já estão bem definidas, com chances de uma disputa ferrenha até o final da temporada regular só para uns três times. Já no Leste, o CAOS se instalou.

Cinco vitórias separam o terceiro do oitavo colocado. Dois jogos separam o oitavo do décimo. A cada jogo, os classificados e a ordem dos finalistas muda. Os mandos de casa, idem. Nem mesmo a ponta da tabela está definida: Cleveland Cavaliers entregou alguns jogos fáceis e viu o time do Toronto Raptors crescer e ameaçar a primeira posição.

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Além de ter dez potenciais times com chances de pós-temporada, é impossível determinar quem seriam os favoritos nos confrontos de playoffs. Digamos que a temporada regular acabe hoje: é fácil cravar que Golden State, Spurs, Thunder e Clippers entram para passear na primeira fase do mata-mata, mas dá para dizer o mesmo nos confrontos entre Cavs e Bulls, Toronto e Indiana, Boston e Charlotte e Miami e Atlanta? Tudo pode acontecer.

Houve um ‘achatamento’ na qualidade dos times do Leste. Quem estava no topo, caiu ou não inspira tanta confiança. Cleveland não conseguiu evoluir muita coisa do time do ano passado e a diferença para os outros times diminuiu. Toronto Raptors embalou no final, mas joga cercado da desconfiança de que sempre afina nos playoffs. Hawks, que ano passado dominou boa parte da temporada, parece um time sem fôlego e que já deu o que tinha que dar.

Os demais evoluíram bem, mas ainda tem seus pontos fracos. Miami Heat conseguiu encaixar o time formado no ano passado e tem os melhores titulares dos restantes – mas sofre com a lesão de Bosh, seu melhor jogador. Boston Celtics montou uma equipe com nove titulares, mas todos sem experiência de playoffs. Pacers e Hornets oscilam entre o brilhantismo de seus principais jogadores e a morosidade dos seus coadjuvantes. Bulls ainda precisa se confirmar diante do decepcionante-mas-agora-embalado Wizards e do jovem e ainda em desenvolvimento Orlando Magic.

A briga ainda podia ser mais insana. Milwaukee Bucks tinha tudo para estar no bolo – exceto pelo fato que nunca conseguiu mostrar a que veio – e o New York Knicks por uma boa parte do campeonato lutou na parte de cima da tabela. Se neste ano não estão na briga, ano que vem podem deixar a conferência ainda mais imprevisível.

Acho isso sensacional. Apesar de a conferência não estar nivelada pelo melhor basquete do mundo (que ainda é jogado pelos melhores times do Oeste), a competitividade voltou. É impossível dizer quem enfrenta o Warriors (ou o Spurs, no caso de uma zebra) na final. Bom para a liga.

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