Cara, eu entendo quando alguém diz que NBA é chata porque uma partida que tem 48 minutos de jogo demora na verdade quase 3 horas – sendo que, muitas vezes, só os últimos segundos realmente valem a pena. Ou quando justifica que não tem graça ver um campeonato com mais de 80 jogos e que perder um ou outro não faz diferença alguma. De verdade, são justificativas com fundamento. Mas, na boa, não tem como não amar essa porra toda quando você conhece personagens como Latrell Sprewell e suas histórias.

Spree é um ex-jogador, mas neste período de primárias nas eleições americanas seu nome voltou à tona por ser um dos poucos seres humanos com a pachorra (ou coragem) de apoiar publicamente o ‘excêntrico’ magnata republicano Donald Trump. A afinidade se justifica por ambos compartilharem hábitos capilares de gosto duvidoso, mas, independente disso, o apoio de Latrell a Trump chama a atenção já que a comunidade ligada ao basquete apoia maciçamente Barack Obama – e Trump é a antítese total do atual presidente. O jogador escreveu uma série de tuítes apoiando o republicado – mas infelizmente os apagou algum tempo depois.

Aliás, seu perfil no twitter é maravilhosamente deprimente, recomendo muito que sigam, pois se resume ao ex-jogador mandando mensagem para celebridades implorando por atenção. Melhor de tudo é que quase nunca ele é correspondido.

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698155539067330560

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698011777783767040

Esta é só mais uma mostra de como a sua vida pós-NBA tem sido complicada. Dias destes saiu a notícia de que Sprewell estava com dezenas de dívidas acumuladas, sem grana para quitá-las, e morando em uma casa simples alugada.

Aliás, se este desfecho parece estranho para nós – como um cara que ganhou mais de 100 milhões de dólares na carreira está numa situação destas? -, não chega a ser surpreendente para o próprio jogador (e aqui vai a primeira grande história dele): quando já estava nos últimos anos da sua carreira, o Minnesota Timberwolves ofereceu uma renovação por dois anos para Latrell. O contrato máximo que a negociação chegou foi a 14 milhões de dólares anuais. Revoltado, Spree recusou e justificou com uma das declarações mais lendárias do esporte: “Por que eu ajudaria o time a ganhar um título? Eles não estão fazendo nada por mim. Eu estou em uma situação de risco aqui, EU TENHO UMA FAMILIA PARA ALIMENTAR”. Sim, porque são necessários muito milhões a mais para alimentar uma meia dúzia de bocas, né? Bom, o tempo provou que ele realmente precisava de umas verdinhas a mais…

Mas existem pelo menos mais duas passagens do ala-armador que são dignas de nota. Uma delas já foi brevemente relatada aqui. Certo dia Latrell promoveu uma festinha no seu iate. A balada tava animada, tal, pá, champagne pra lá, campari pra cá (essa parte é mentira), tudo legal até que um convidado passou do ponto e vomitou no chão do barco, no meio da rapaziada. Puto da cara com o colega, Sprewell, que também já estava ‘alegre’, partiu para cima do cara. Mesmo mal, o fulano conseguiu desviar do golpe que o jogador desferiu. Pior para Sprewell, que acertou a parede e quebrou a mão. Além de ficar fora de alguns jogos do time por causa da lesão, o Knicks ainda aplicou uma multa ao jogador por conduta antidesportiva.

Latrell Sprewell #8

Latrell Sprewell: aquele famoso NICE GUY que de NICE não tem nada

Isso tudo já seria suficiente para você amar/odiar Latrell Sprewell, mas o seu currículo conta com uma outra treta ainda maior. Você deve pensar que bater em bêbado é fácil – mesmo que ele não tenha conseguido socar o cara exatamente -, e que isso não faz dele um maloqueiro de marca maior. Realmente, o que faz Spree ser uma lenda do mau caratismo foi ter tentado enforcar o técnico do seu time.

Num certo dia, rolando treino do Golden State Warriors, o técnico PJ Carlesimo chamou a sua atenção quando errou um passe na atividade que estava sendo passada. Sprewell não curtiu e começou a discutir com o ‘professor’. A parada foi ficando quente e Carlesimo se aproximou de Spree, que disse para ele ficar longe dele, caso contrário ia matá-lo. O técnico não levou a sério o alerta do jogador e se aproximou, até que Latrell voou direto no seu pescoço, literalmente, e estrangulou PJ por alguns segundos. A turma do ‘deixa disso’ entrou e ação e separou o jogador do técnico, que estava atordoado no chão.

Revoltado, Spree foi esfriar a cabeça no vestiário. Não deu certo. Uns 15 minutos depois voltou para o ginásio e, do nada, atacou o treinador novamente com um soco na cara! Claro que o jogador foi suspenso para o resto da temporada pelo incidente. Apesar de todos os repórteres  e jogadores confirmarem o episódio, o jogador nega que tenha cometido a segunda agressão – tranquilo, ele SÓ tentou asfixiar o técnico…

Bom, além de tudo isso, Sprewell também foi um bom jogador. Começou com tudo no Warriors e virou um dos shooting guards mais versáteis da liga. Depois do problema com o técnico, ele foi trocado para o New York Knicks, onde fez dupla com Allan Houston e não conseguiu repetir o sucesso que se esperava dele – apesar de em um dos anos ter conseguido chegar às finais . Ainda teve um lampejo no final de carreira no Timberwolvez, quando jogou com Kevin Garnett e Sam Cassell, chegando à final da Conferência Oeste, na melhor campanha da história da franquia.

Bom, acho que ficou bem claro porque vale a pena conhecer melhor Latrell Sprewell, né?

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