Uma vez, quando eu ainda estava na faculdade, uns colegas foram apresentar um trabalho. Naquele vai e vem de cada um fazer um slide na apresentação em grupo, um dos caras salvou o nome do arquivo como trabalhinhoescroto.ppt e o arquivo foi assim mesmo no DISQUETE. No meio da apresentação em sala a professora notou a barra superior do arquivo e, claro, ficou puta com o descaso. “Trabalhinho escroto é isso aí mesmo que vocês estão apresentando”, disse.

Até hoje eu achava que esta era a maior merda que poderia acontecer com alguém por conta de um PowerPoint cagado. De longe não é. Fazer uma apresentação nas coxas custou, a grosso modo, bilhões (!!!) de dólares para Nike. A história é a seguinte: em 2013, Stephen Curry ainda não era tudo isso que é hoje, era um excelente jogador em ascensão, mas como há algumas dúzias na NBA. Seu contrato com a Nike estava para terminar e ele e seu pai se reuniram com alguns executivos da empresa para discutir um novo acordo.

Steph era simpático à ideia de renovar o contrato, já que nos anos anteriores tinha servido de cobaia para a empresa desenvolver um tênis especial para proteger seus tornozelos castigados de lesões. Aparentemente tinha dado certo a experiência, já que Curry estava saudável há algum tempo. Além do mais, a empresa e a sua subsidiária Air Jordan mantém contrato com 3/4 dos jogadores da liga – se você é um jogador profissional, ou você está com a Nike ou está por fora.

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Tênis assinados por Curry são os mais vendidos no mundo

Chegando lá, começou a dar ruim. Primeiro que nenhum dos fodões da marca apareceram para a reunião – mostrando que Curry não era lá uma das grandes prioridades da empresa. O descaso ficou ainda mais evidente com o decorrer da apresentação. Num ‘pitch’ em que tentava convencer Curry de que a marca era a mais indicada para ele, um slide do PowerPoint mostrava o nome do jogador escrito errado: StephOn ao invés de StephEn. Dell e Steph já se entreolharam. Não que seja um erro crasso, mas não é assim que você vai convencer um cara a assinar com a sua marca, certo? O pai do jogador, que trouxe a história a público nesta semana, disse que não ficou tão chocado com o erro de grafia, já que muita gente pronunciava o nome do jogador de modo errado na época. “O que me incomodou foi que ele nem corrigiu o erro na hora”, disse Dell.

Nada está tão ruim que não possa ficar absolutamente constrangedor. Alguns slides para frente, a proposta aparece com o nome de ‘Kevin Durant’, que também negociava um novo contrato com a marca. Aí ficou claro: os caras reaproveitaram a apresentação que já tinha sido feita para Durant e só trocaram o nome dele pelo de Curry. Aliás, NEM ISSO FIZERAM DIREITO, já que em uma das vezes escreveram errado e na outra nem substituíram.

Depois disso, Steph e seu pai já estavam decididos a procurar outra empresa. Bom, a partir disso, a história é trágica para a Nike: Curry assinou com a Under Armour, se tornou o embaixador da marca no basquete e, com todo seu carisma e uma temporada alienígena, o tênis com a sua assinatura se tornou o mais vendido do mundo – só no ano passado foram 160 milhões de pares. O sucesso fez com que a empresa crescesse 95% em 2015, chegando a um valor de mercado que ultrapassa os 14 bilhões de dólares em poucos meses. Curry não é o único, mas o principal responsável por isso.

Tudo graças a um verdadeiro “trabalhinhoescroto.ppt”. Parabéns aos envolvidos.

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