Ano passado eu passei a simpatizar muito com o Atlanta Hawks. A franquia teve uma campanha impecável com 60 vitórias na temporada regular, jogando um basquete coletivo de troca de passes rápidos, com todos os jogadores aptos para chutar de fora ou bater pra dentro. Uma versatilidade linda de se assistir. A equipe estava tão azeitada que em janeiro de 2015 a NBA elegeu o time titular inteiro do Hawks como melhor jogador do Leste naquele mês – pela primeira vez este tipo de prêmio individual foi celebrado a uma equipe toda. Ao final do ano, o técnico da equipe, Mike Budenholzer, foi eleito o melhor da liga.

O time foi bem, tal, mas nos playoffs não foi páreo para o Cleveland Cavaliers. Pior: chegou cambaleando depois de séries apertadas contra um limitadíssmo Brooklyn Nets e um inexperiente Washington Wizards. Na final da conferência, foi atropelado por um time do Cavs que estava fragilizado por lesões. Com uma temporada regular tão dominante e um repertório tão vasto, não se esperava que o Hawks fosse cair com tanta dificuldade.

Neste ano, o Atlanta Hawks não começou bem – nunca chegou a ficar fora da zona de playoffs, mas não conseguiu acompanhar o ritmo de Toronto Raptors e Cleveland Cavaliers, que tomaram a dianteira da conferência. Perto da trade deadline, em fevereiro, parecia que o time estava disposto a abrir mão do atual elenco e do campeonato para tentar montar um time para o futuro. Falou-se que Jeff Teague e Al Horford poderiam ser trocados, mas as moedas de troca ofertadas não eram boas o suficientes.

Uma coisa que eu alertei no começo do ano, era que o calendário do Atlanta era o mais carregado do início da temporada em relação aos seus principais concorrentes, o que lhe conferia alguma vantagem na reta final da temporada regular. Não sei se isso teve alguma influência ou se foi a manutenção dos jogadores que deu novo ânimo à equipe, mas o time finalmente voltou a jogar fino. Acho que as duas hipóteses são bem plausíveis, já que um calendário mais leve é fundamental para manter o time fresco para os playoffs e a melhora do time após o fechamento do período de trocas é evidente – são 14 vitórias e 3 derrotas e a melhor campanha da NBA nos últimos dez jogos.

timhardaway

Atlanta é o melhor time nos últimos 10 jogos, com grandes exibições de Tim Hardaway Jr

O time também finalmente conseguiu encaixar a rotação com a ausência de DeMarre Caroll, small forward do time que partiu para Toronto na última temporada. Em fevereiro e março, o time deu mais tempo para Tim Hardaway Jr no lugar de Kent Bazemore e o primeiro passou a jogar muito bem: em cinco minutos a mais de jogo, dobrou o número de pontos e passou a acertar mais 10% dos seus arremessos (com ele em quadra a equipe aumentou, em média, 4 pontos a cada cem posses). Dennis Schroder, armador reserva, também voltou a jogar bem, depois de uma primeira metade de temporada sonolenta.

Com tudo isso, acho que o Hawks chega nos playoffs como a segunda força do Leste, quase fazendo frente ao Raptors – e mais embalado que o Cleveland. Também conseguiu se descolar de Miami Heat e Boston Celtics, o que é importante numa eventual série com mando de quadra. Atlanta Hawks está redescobrindo a mágica que encantou muita gente no ano passado. Que venham os playoffs!

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