Uma das principais críticas a Lebron é que ele tem essa mania de querer se juntar a outros grandes jogadores e montar supertimes. Foi assim quando foi para Miami e mais ou menos deste jeito na sua volta ao Cleveland. Ainda tem esse papo de um dia jogar com Carmelo, Chris Paul e Wade.

Estes dias escrevi que não era o melhor momento para Lebron dizer isso, mas não acho que seja um absurdo ele ter este tipo de vontade. Se é a vontade dos caras, eles que se reúnam mesmo e os outros que tentem vencê-los.

Existe uma sensação bem recorrente ao ver este tipo de movimento, que virou num clichê batido: que os craques de antigamente queriam superar os melhores times ao invés de se juntar a eles, diferente dos jogadores de hoje que não teriam todo esse sangue nos olhos.

Sempre que leio e escuto este tipo de coisa eu fico com um pé atrás. Nunca tive essa convicção. Neste caso, então, mais uma vez me parece mais uma cornetagem misturada com falta de conhecimento da história da liga.

Eu parto de um princípio básico: a natureza humana não mudou em 50 anos de jogo. Assim como temos caras que têm como prioridade jogar eternamente em uma franquia, temos outros que tentar ganhar a qualquer custo. Há também aqueles que só querem se divertir, aqueles que querem ganhar dinheiro. Enfim, acho muito leviano resumir uma característica tão própria de cada um a uma tendência de um tempo.

Bom, a tese já está levantada. Vamos aos exemplos. Vou me prender a excelentes jogadores, de várias vezes all stars a hall of famers, ok? Em todos os tempos, sem exceção, temos grandes jogadores que fizeram carreira em uma única equipe e nunca se deixaram seduzir por este tipo de reunião de grandes jogadores. Basicamente, acho que há um padrão aqui, que é o camarada ter a sorte de cair num time bom – quase que uma reunião espontânea de craques. Neste grupo temos desde Bill Russell (com Bob Cousy), do Celtics dos anos 60, até Magic Johnson (com Mychael Thompson, Kareem Abdul Jabbar, James Worhty), Larry Bird (com Kevin McHale e Robert Parish) e Jordan (com Pippen) nos times dos anos 80 e 90.

São caras que ganharam uma porrada de títulos e de tinham bons times ao seu redor, com jogadores excelentes que entraram pra história do jogo. Um fenômeno idêntico aos atuais Tim Duncan no Spurs, Kobe Bryant no Lakers e, forçando a barra, Stephen Curry no Golden State. Times dominantes, com jogadores que nunca foram à caça de outras estrelas frustradas do seu tempo.

E aqueles que não deram sorte de cair numa franquia poderosa ou num elenco abençoado? Wilt Chamberlain se juntou aos hall of famers Elgin Baylor e Jerry West no Lakers no auge da sua carreira. O Detroit Pistons dos ‘bad boys’ não conseguia vencer o Boston Celtics do final dos anos 80 e apelou para Mark Aguirre e Adrian Dantley (dois dos maiores pontuadores da época, que não deixam nada a desejar para Carmelo Anthony, Chris Bosh e Kevin Love hoje em dia). O Sixers do começo daquela década era uma máquina montada na base da panelinha: Dr. J, Moses Malone, Mo Cheeks e Andre Toney. O mesmo fizeram Charles Barkley e Scott Pippen ao assinarem com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon no final dos anos 90.

trio

Charles Barkley, Hakeem Olajuwon e Scottie Pippen é um trio mais apelão do que qualquer patota do Lebron James.

Lógico que tem aqueles gênios que preferem ficar nas suas franquias na esperança de um dia bater os grandes times. Patrick Ewing no Knicks tentou e não conseguiu. Dirk Nowitzki no Mavs tanto fez que saiu com um anel de campeão.

Enfim, não se trata de uma característica deste ou daquele tempo. É mais uma combinação de sorte, vontade de vencer, estrutura de franquia e personalidade de cada um. A história se repete. Existem exemplos em todas as épocas. O que não é legal é esquecer o passado e viver menosprezando o que rola hoje.

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