Month: March 2016 (Page 2 of 3)

Lebron em ‘playoff mode’: que papo chato…

Eu idolatro o Lebron como jogador. Acho que ele é daqueles casos raros que consegue aliar uma carreira de mais de uma década sendo um dos melhores jogadores em atividade. Um feito comparável só com outra meia dúzia de lendas que passaram pelo esporte. Tem ainda a seu favor ter começado como profissional muito cedo e ter a chance de dizimar quase todos os recordes possíveis, elevando ainda mais a sua passagem pela NBA.

Isto registrado, também preciso dizer: Lebron deve ser um cara chato pra caralho. Tenho uma tese que ele se tornou um mala depois de tanta paulada na cabeça. Ele passou um punhado de anos sendo odiado por uma boa parte das pessoas, depois fez todo aquele circo para anunciar que mudaria de time e etc, mas para tentar passar a imagem de bom moço, acaba exagerando com algumas coisas. O nível máximo de chatice começou com aquela história de usar calções curtos para ser um bom exemplo para a molecada (oi?), passando pela forçação de barra para demitir o técnico e as críticas aos colegas de time.

Agora, o lance chega a novos patamares com esta história de ‘playoff mode’. Explico: nesta semana alguém muito ocupado notou que Lebron deixou de seguir o perfil do Cleveland Cavaliers no Twitter. É o que ele mesmo chama de Zero Dark 23 e que já tinha feito ano passado – para não se distrair com qualquer outra coisa que não seja o mata-mata, o jogador larga mão de todas as redes sociais. Não sei o que é pior: ficar dando indireta em redes sociais (como quando postava fotos sem Kevin Love para sugerir que o ala não estava na mesma sintonia dos demais colegas) ou parar de postar ser o símbolo máximo de concentração no jogo.

Aliás, para alimentar ainda mais o drama, na primeira vez que Lebron foi perguntado sobre o motivo pelo qual tinha deixado de seguir seu time no twitter, o jogador não respondeu e disse apenas “next question”.

De verdade: zZZZzzZZZzzZZzZZzZ…

A imprensa é desgraçada, os fãs são igualmente carniceiros e esse tipo de coisa acaba virando notícia, do mesmo modo que a mudança de rotina antes dos jogos virou, também fruto do ‘playoff mode’ acionado por Lebron. Geralmente o jogador ouvia música tão alto no fone de ouvido quando estava no vestiário antes dos jogos, que a trilha sonora acabava ecoando por todo o local. A playlist de Lebron já era a que embalava a rapaziada no pré-jogo. Agora, não. A partir desta semana até o final do campeonato, Lebron James vai se concentrar em silêncio para os jogos.

ZzzZzzzZzZz (2x)

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Sem música antes dos jogos para se concentrar para o mata-mata

Na boa, para mim não passa de frescura. Tudo bem, talvez na cabeça dele isso seja essencial para realmente elevar a performance nos playoffs, mas pra mim só mostra como ele é chato e dependente de uma série de ritos mais chatos ainda. Preguiça.

Quase MVP

Este era para ser o ano de Anthony Davis. Antes da bola subir no começo da temporada, todas as previsões cravavam que Davis, que já tinha ido bem no ano anterior, teria sua breakout season. O jogador já tinha se mostrado dominante na defesa e agora reunia um arsenal ofensivo de chutes de média e longa distância que o tornariam imparável. De quebra, o Pelicans tinha contratado o assistente técnico do Golden State Warriors, Alvin Gentry, e o time tinha tudo para rodar liso.

Não foi o que aconteceu. Apesar de estar com números excelentes, parece que o ano passou e Davis nem apareceu para jogar. Além de não ter dado o passo à frente que se esperava, o seu time não deslanchou, Davis não teve grandes lances lendários e a temporada passou quase desapercebida pelo Brow. Aliás, Davis teve um único lampejo, já quando seu time não disputava mais nada, logo depois do All Star Game, quando meteu 59 pontos e 20 rebotes em uma partida. Uma faísca perto de todo o incêndio que se esperava dele.

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Davis nunca jogou mais de 69 jogos em uma temporada

É bom pontuar que as previsões de início de temporada se mostraram absolutamente erradas. Voltando ao clima da época: Curry era o atual MVP da liga, mas em uma eleição bastante dividida, tanto é que James Harden foi eleito extraoficialmente pelos companheiros de profissão o melhor jogador do campeonato. Ninguém imaginava que Curry dominaria tanto, que Houston fosse ter tantos problemas, que Portland fosse continuar bem, que Toronto fosse terminar quase tão bem quanto o Cleveland e por aí vai. A decepção pela temporada de Davis foi tão surpreendente quanto uma série de outras coisas.

Mesmo assim, surpreendente ou não, o ano abaixo das expectativas de Anthony Davis parece desenhar alguns rótulos que podem marcar para sempre sua carreira. O jogador anunciou nesta semana que não vai jogar os últimos jogos do seu time para tratar de uma lesão no joelho esquerdo. A cirurgia vai tirar o jogador de ação dos jogos olímpicos, inclusive. Com isso, o jogador vai perder um total de 21 jogos por lesão neste ano – mantendo uma média de participação em menos de 80% dos jogos do seu time nas suas quatro temporadas como profissional.

Os jogadores recusam esta alcunha, até questionam que isso exista de fato, mas vai ser difícil Anthony Davis convencer a todos que não é um ‘injury prone’. Serão necessárias algumas boas temporadas completas e confiáveis para que torcedores e imprensa esqueçam que um dia ele já foi de vidro. Stephen Curry já carregou esta cruz e, num lance raro de sorte, conseguiu se desvencilhar dela. Geralmente a história, infelizmente, se repete por vários anos.

Davis é muito novo e tem uma carreira inteira pela frente. Talvez tenha cometido o pecado de assinar um contrato muito longo com uma equipe que não parece ter um futuro muito brilhante e vencer tornaria as coisas mais fáceis – Andrew Bogut foi o maior chinelinho da liga até chegar no Warriors e começar a ganhar tudo. Hoje ninguém fala mais nisso.

Ao mesmo tempo, da mesma forma que era óbvio há seis meses que Davis se tornaria o maior concorrente a MVP neste ano – e não foi nada próximo disso -, hoje temos a sensação de que ele pode ser um talento desperdiçado pela saúde. Tomara que estejamos errados mais uma vez.

Perguntas sem respostas

Aqui vai uma lição para a vida, que extrapola as funções básicas deste blog em comentar basquete: não confie em alguém que tem respostas para tudo. Se o camarada surge com uma tese qualquer para questionamentos que você jamais pensou haver solução, desconfie dele.

Voltando agora para a NBA, eu acho que isso fica muito evidente quando as pessoas comentam resultado, seja de uma partida, de uma temporada, de uma troca de jogadores… Isso me ocorreu depois do jogo entre San Antonio Spurs e Golden State Warriors na noite de sábado.

Eu até demorei um tempo para escrever aqui sobre isso para ver se eu entendia melhor o que aconteceu na partida. E apesar de um monte de gente justificar um monte de coisas, eu não me convenci. O San Antonio venceu o jogo com uma defensa inteligente ou o GSW perdeu a partida por causa de uma noite desastrosa nos arremessos de fora? O time texano conseguiu anular Curry ou ele que errou tudo que tentou? É fácil arriscar qualquer palpite, mas é difícil sair com uma resposta definitiva. Para mim, que vê uma resposta óbvia aqui é cretino demais para refletir.

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Um dia ruim para Curry ou um trabalho impecável da defesa do Spurs? Não sei.

Para tentar responder algumas coisas, é melhor esperar o filtro do tempo. Geralmente fica mais fácil tentar entender alguns fenômenos com maior distanciamento e uma amostra mais fiel das consequências. O que explica o Portland Trail Blazer ter se livrado de uma meia dúzia de jogadores, ter se preparado para reformular o elenco e, no final das contas, estar quase garantido nos playoffs?

Por outro lado, quem consegue cravar o motivo de alguns motivos que pareciam estar maduros para entrar no grupo do mata-mata, como Washington Wizards e New Orleans Pelicans, simplesmente não conseguiram deslanchar? As teses são inúmeras, mas há alguma garantia? Nada é tão claro.

Não é possível relativizar qualquer coisa, mas algumas perguntas simplesmente não têm respostas. Admitir isso já é o primeiro passo para tentar com o tempo entender. Ou simplesmente desistir de encontrar um motivo.

A improvável receita das 72 vitórias

Existem duas grandes histórias nesta temporada. Uma delas trata do desempenho individual de Stephen Curry, seus recordes e, especialmente, seus arremessos. A outra é a perseguição do recorde de vitórias em uma temporada regular comandada pelo Golden State Warriors. Desde que abriu a temporada com 24 vitórias seguidas, a equipe colocou como meta superar a marca de 72 vitórias e 10 derrotas estabelecida pelo Chicago Bulls de 1995-96.

Nos últimos 20 anos, sempre pareceu que esta marca não seria ameaçada. Primeiro porque as grandes dinastias (Lakers, Spurs e Heat) que surgiram neste meio tempo nunca foram tão dominantes quanto o Bulls dos anos 90. Segundo porque hoje existe um planejamento de equipe e uma obsessão por descansar jogadores quando as coisas já estão resolvidas que impedem que o time jogue seu máximo a todo momento da temporada regular. Tanto é que o máximo que uma equipe conseguiu depois deste feito do Bulls foi vencer 67 partidas em uma temporada.

Uma das poucas vezes em que foi ventilada a possibilidade do recorde ser batido foi na temporada 2009-10, quando o Boston Celtics abriu 6 vitórias na abertura da temporada. O falastrão Rasheed Wallace disse que a meta da equipe era equiparar o recorde do Bulls. Steve Kerr, que foi armador daquele time do Chicago e hoje é treinador do Warriors, na época era comentarista de tevê. Ele foi enfático em dizer que a marca jamais seria superada.

Kerr tinha a seu favor o fato  de Rasheed Wallace ter dito isso muito no começo da temporada (o Celtics fechou aquele ano muito distante da marca, com 50 vitórias), é verdade, mas ele justificou seu palpite dizendo que nenhuma equipe tinha a motivação que o Chicago tinha na época.

A história é conhecida, mas Kerr refrescou a memória de todos: Jordan tinha acabado de voltar de um período sabático de uma temporada e meia jogando baseball. MJ voltou no final da temporada anterior, mas não conseguiu dar o título ao Bulls. Transtornado e querendo provar que ainda era o melhor do mundo, Jordan fez de tudo para que seu time tivesse uma temporada impecável. Deu sorte que tudo deu certo e fechou o campeonato com o recorde.

Quase que profeticamente, Kerr disse que a marca é tão difícil de ser alcançada porque é preciso conciliar o foco no objetivo, uma temporada quase sem lesões e uma dose cavalar de sorte para vencer jogos em que nem tudo sai conforme o esperado. Apesar de improvável, isso tem acontecido com o Warriors da mesma forma que aconteceu com o Bulls.

Mais do que isso, na época que era comentarista Kerr disse que a campanha de 72 vitórias depende de uma concentração brutal, que nunca vale a pena. Segundo ele, é muito provável que um time tão obstinado em bater o recorde chegue arrebentado nas finais e perca para algum rival nos playoffs. No final das contas, valeria a pena?

Pode ser que ele só estivesse incrédulo que AQUELE Celtics não seria capaz de bater a marca e justificou assim. Mas mesmo que não seja uma convicção do hoje técnico do Warriors, são teses que fazem sentido.

Eu torço para que a história seja escrita diante dos meus olhos, então acharia muito bacana que o GSW conseguisse quebrar o recorde, mas eu não duvido que isso possa ser prejudicial na hora do mata-mata. Uma semana de folga para os principais jogadores antes dos playoffs é sempre recomendável quando a vaga já está garantida.

Resta saber se de fato o time vai ter alguma variação de rendimento e se, caso caia de produção, se a diferença técnica para os outros times não é grande o suficiente para suportar isso. Mas o Kerr de ontem pode explicar o futuro do Warriors e do Kerr de hoje.

“Don’t fucking air ball it”

Eu e meus amigos jogamos basquete semanalmente. Não sou dos melhores, mas vez ou outra tenho atuações bem dominantes no garrafão e com um punhado de arremessos certeiros de fora. Não chega a ser raro que isso aconteça.

Acontece que este mesmo pessoal montou um time para jogar umas competições amadoras aqui da região. Eu sou um reserva, mas um dos que mais joga (por ser o único pivô, por estar em todos os jogos, por exercer alguma liderança). Apesar de nos nossos jogos eu às vezes comer os adversários com farofa, chutar quantas bolas quiser e etc, quando eu caio numa linha de lance-livre num jogo de campeonato, eu só penso: “ACERTE PELO MENOS O ARO”. Nem sempre eu acerto.

Ontem eu ouvi um podcast do início do mês do ala-armador do Los Angeles Clippers JJ Redick. É muito bom, recomendo a todos. Ele recebe jogadores e conversa sobre o jogo de uma maneira bem franca com os caras.

Nesta edição ele recebeu seu colega de time DeAndre Jordan. O primeiro assunto que os dois trataram foi a dificuldade que Jordan têm em meter os lances-livres. DeAndre tem 2,10m, treina essa porra desse jogo há 20 anos, joga profissionalmente há oito e mesmo assim confessou que todas as vezes que vai para a linha de lance-livre só tem um pensamento: “DON’T FUCKING AIR BALL IT”. Exatamente o que eu sinto!

O pivô é um dos piores chutadores da “linha de caridade”. Mete cerca de 40% dos arremessos dali, enquanto a média da liga é de mais de 75% de aproveitamento. É recorrente, quando a gente assiste a um jogo e vê um cara destes errar se perguntar como que um camarada que só faz isso da vida consegue ter um desempenho tão medonho neste tipo de lance – especialmente porque faz coisas muito mais difíceis em quadra.

NBA: Playoffs-Houston Rockets at Los Angeles Clippers

É mais difícil do que parece

Redick e Jordan admitiram no programa que não é uma questão que se resume a treino e técnica, mas que o lance-livre é um exercício de como lidar com a pressão. Em todo o jogo de basquete, este é o único momento em que a a partida rola com o cronômetro parado. É o único instante em que ninguém se preocupa com marcação, com movimentação fora da bola ou algo do gênero. Todos os olhos do ginásio estão voltados para você.

No meio do esporte, mais do que no resto da vida, existe a figura do AFINÃO. Não se tolera que um cara possa fraquejar. Se ele treme na base é porque ele não pode estar no jogo. Mas não é bem assim. O próprio JJ Redick, que é um cara especialista em arremessos de tudo quanto é lugar da quadra, admitiu que é muito mais difícil lidar com a tensão de chutar um lance-livre decisivo do que em receber uma bola com o jogo rolando e chutar no calor do momento. É a diferença de fazer algo intuitivamente que você pode errar com chutar uma bola em um momento que você para para pensar e que não tem desculpa para falhar.

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Hoje se discute muito a técnica do Hack-a-Alguém, que é fazer várias faltas, mesmo fora da bola, em um jogador com baixo aproveitamento de arremessos de três pontos. Começou lá com o Shaquille Oneal e hoje está sendo amplamente usada contra DeAndre Jordan, Andre Drummond, Dwight Howard e cia. Uma corrente diz que é preciso combater a prática, pois deixa o jogo muito monótono, parando a cada dez segundos para que sejam chutados dezenas de lances-livres. Outros defendem que faz parte do jogo e que estes caras que tratem de treinar arremesso se não querem ser alvos deste tipo de apelação.

É complicado. Eu não tenho opinião formada. Já fui daqueles que achava que era um problema do jogador (“como pode o cara ganhar milhões e não conseguir meter uma bola dali?”), mas a frase de Jordan me sensibilizou. Talvez não tenha o que mude na cabeça dele. E talvez não exista quem não trema na base.

Não sei.

Pelo menos não vou me sentir tão mal quando só pensar em acertar o aro.

Ego de Phil Jackson não vai salvar o Knicks

Baixou o espírito messiânico em Phil Jackson, presidente do New York Knicks. O ex técnico, que alega não ter mais saúde para desempenhar a função que lhe rendeu onze títulos da NBA, se colocou à disposição para comandar a equipe de nova-iorquina nos jogos em Manhattan, enquanto o atual técnico do time, Kurt Rambis, seria o responsável pelas orientações ao time nos jogos fora de casa.

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Jackson e seu ego querem comandar o Knicks nos jogos em casa

O revezamento seria algo inédito. Para falar bem a verdade, nem sei se isso seria permitido, visto que o Golden State Warriors jogou os primeiros quarenta jogos da temporada com Luke Walton, treinador interino, e a NBA não reconhece no seu currículo os recorde de vitórias seguidas do time. Segundo o regulamento da liga, elas foram contabilizadas ao técnico oficial do time, Steve Kerr, que só reassumiu o time na segunda metade da temporada. Sendo assim, como ficaria neste caso? Quem seria o técnico oficial e quem seria o tapa-buraco? Acho difícil a liga ‘aceitar’ que um time teria dois treinadores.

O pior emprego do mundo deve ser um técnico submetido a Jackson. Ele impõe que seu comandado use a tática dos triângulos, que quase ninguém entende e ninguém tem certeza se funciona – deu certo sempre que teve Jordan e Kobe no elenco, o que não é lá muito difícil.

Levando em conta o currículo de Jackson e sua sede por centralizar as decisões do time, eu imagino que Rambis, técnico que comandaria o time fora de casa, não teria qualquer moral para cobrar dos jogadores nestas partidas. É possível que o Knicks se transforme em dois times completamente diferentes, um jogando em Nova York e outro jogando nas outras cidades. Em uma conferência Leste cada vez mais carregada, não acho que seja suficiente para a equipe se classificar para os playoffs.

Cogita-se que o Knicks aceitaria a proposta de Jackson pois tem medo que ele não renove seu contrato, que se encerra no final da temporada de 2016-2017. Sinceramente, acho que vale mais a pena a franquia abrir mão da grife do Zen Master do que se sujeitar a este tipo de experiência. Fosse tão capaz ainda, o time azul e laranja não teria registrado duas péssimas campanhas nas últimas temporadas. Aliás, a sua função até agora se resumia a atrair bons jogadores para a equipe, o que ele não conseguiu fazer. A equipe até conseguiu recrutar jogadores decentes, mas ainda de qualidade muito aquém do que se esperava.

Jackson foi excelente técnico, talvez ainda seja bom, mas não é o salvador da pátria.

A experiência Antetokounmpo

Ao que parece, finalmente deu certo. A experiência de fazer o até então ala Giannis Antetokounmpo se transformar no único point-guard da liga com mais de 2,10m tem sido bem sucedida. Se ele se confirmar como um excelente playmaker, o grego deixa de ser apenas um mito para se transformar em uma peça dentro do jogo diferente de tudo que já vimos em quadra nos últimos 20 anos.

Desde que Magic Johnson apareceu no basquete, todos os técnicos e donos de times buscam um armador com características físicas parecidas com as dele: jogador com porte físico para defender e atacar em todas as posições, com agilidade e rapidez para chamar o comando do time quando está com a bola.

Nunca mais qualquer jogador parecido apareceu. Não digo nem em qualidade técnica, por Johnson foi um gênio da bola, mas nem um armador mediano alto pintou por aí. Especialmente porque era difícil conciliar o tamanho com a explosão física e agilidade dos ‘pequenos’ – como colocar um grandalhão para marcar jogadores lisos como Steve Nash no passado e Stephen Curry hoje? Impossível.

Com a coqueluche dos adolescentes na NBA vindos direto da high school, muitos treinadores acharam que era possível doutrinar jogadores para que se tornassem gigantes na armação. Lamar Odom, Darius Miles, Anthony Randolph se perderam no meio do caminho entre suas limitações técnicas, apesar de um punhado de tentativas e oportunidades.

Até que surgiu a experiência de Jason Kidd com Giannis Antetokounmpo. O jogador chegou na NBA tão jovem que cresceu cinco centímetros entre o começo e o final da sua primeira temporada, em 2014. O Greek Freak era um conjunto bruto de tamanho e leveza. Giannis tem uma envergadura suficiente para abraçar a linha do Equador e pernas compridas para atravessar a quadra em uns cinco passos. Ainda assim, se manteve esguio e ágil, com um controle de bola aceitável. Restava saber se o jovem tinha aptidão e visão de jogo para se tornar um armador.

Nos primeiros anos, existiram algumas tentativas tímidas de colocá-lo na armação, mas foram frustradas pela inconsistência do jogador. Nesta temporada, com a lesão de Michael Carter-Williams, titular da posição, e o fracasso do Bucks, Kidd tratou de experimentar novamente Antetokounmpo no comando do ataque. Deu certo e desde então o time mudou completamente.

Com um gigante na cabeça do perímetro, o time é uma ameaça constante de infiltração. Um rebote defensivo de Giannis, por exemplo, é suficiente para iniciar uma posse de bola que vai durar menos de cinco segundos. Em meia dúzia de passos o armador já está no garrafão adversário pronto para atacar a cesta ou distribuir a bola para os arremessadores do time.

Contra adversários menores, o grego só precisa virar o corpo e se direcionar ao garrafão, em um post indefensável para qualquer outro armador com 20 centímetros a menos.

NBA: FEB 02 Bucks at Trail Blazers

Foram quatro triple-doubles desde que Giannis assumiu a armação do Bucks

A mudança de posição fez o time do Bucks, que decepcionava até então, começar a ganhar. Mais do que isso, seus colegas começaram a jogar bem, finalmente. O número de vezes que Jabari Parker recebe a bola em boas condições para chutar saltou de 12 para 18, segundo as estatísticas avançadas do site da NBA.

O time deslanchou e ganhou nove dos últimos 15 confrontos. Em quatro deles Giannis Antetokounmpo anotou um triple-double, confirmando todas as vantagens de se ter um armador com altura de pivô.

Pode ser que seja apenas um experimento de um final de temporada perdido, mas a tentativa vem dando certo. Com Giannis de armador, o Milwaukee Bucks pode finalmente corresponder ao hype criado ao seu redor. Que venha a próxima temporada.

Brasileiros têm os minutos mais caros dos seus times

Eu estou guardando alguns posts mais frios e ~especiais para depois da temporada, quando os assuntos do cotidiano na liga morrem e é preciso quebrar a cabeça para manter um blog ativo falando de NBA quando ninguém mais quer saber disso. Bom, um levantamento que eu estou fazendo é sobre os piores contratos e as maiores bagatelas: quem recebe muito para não jogar nada e quem ganha uma mixaria para se matar em quadra. Dando uma olhada prévia nos dados, notei que contratar um brasileiro na NBA é quase sempre uma fria. Salvo algumas exceções, contratar um compatriota nosso é certeza de um salário alto e um retorno muito baixo.

A começar pelas tralhas, Bruno Caboclo é o pior funcionário que um empregador pode ter. Selecionado no draft de 2014, só jogou 27 minutos na sua carreira na NBA até o momento – e para se ter uma ideia da sua relevância para o jogo, você possivelmente nem lembrava da existência dele.

Na temporada atual, o “”””Durant Brasileiro”””” foi o contrato mais caro em dólares por minuto jogado entre todos que eu encontrei até agora – talvez seja muito precoce dizer da liga inteira, mas com certeza entre os seis times que têm brasileiros em seus elencos. Caboclo jogou 4 minutos no campeonato em disputa e tem um salário anual de 1,5 milhão de dólares. Cada minuto seu em quadra custou 377 mil dólares para o Raptors, oitenta vezes mais do que custa, por minuto de jogo, a dupla de All Stars Kyle Lowry e DeMar DeRozan.

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Momento que vale ouro: um dos poucos segundos de Caboclo em quadra

Seu colega de pagode na concentração é o pivô Lucas Nogueira. O jogador conhecido como Bebê tem um contrato parecido, de 1,8 milhão de dólares e jogou consideravelmente mais do que Caboclo (148 minutos até agora). Mesmo assim, Bebê também tem rendido muito pouco perto do que seu salário sugere e seu minuto de jogo custa 12 mil dólares – o triplo do que, em média, o contrato de um titular do Raptors vale por minuto jogado.

O preço do tempo de jogo de Nene no Washington Wizards segue a mesma linha: 17 mil dólares a cada volta no relógio. Só é menos oneroso para o time do que o contrato de um tal de Alan Anderson, que conseguiu o feito de custar 43 mil por minuto para o time da capital americana. Nene, aliás, já pode começar a pensar no que vai fazer com essa grana, já que com a chegada de Markieff Morris deve ter ainda menos tempo de jogo até o final da temporada.

Uma ideia é pleitear férias antecipadas, como Tiago Splitter foi forçado a fazer por conta de uma lesão grave nas costas. O pivô foi proporcionalmente o jogador mais caro para o Atlanta Hawks nesta temporada – seu ano de estreia pelo time. Cada minuto de jogo de Tiago rendeu 42 mil dólares na sua conta bancária.

Para completar a lista, o caso curioso de Anderson Varejão. Seu contrato é todo remendado, já que foi trocado para Portland, dispensado e contratado pelo Warriors. Para seu time atual, Varejão tem um contrato bem tranquilo para os padrões da liga e não deve ser um mau negócio para o Golden State. Por outro lado, ele foi péssimo para o Cleveland Cavaliers. Na primeira metade da temporada, considerando o salário anual de 9,7 milhões garantidos a ele e os 310 minutos disputados até então, Varejão era fácil o jogador mais caro do Cavs, custando 31 mil dólares por minuto disputado. Não por acaso os times de Ohio e Oregon o dispensaram.

Calma, mas nem todos os brasileiros que estão na liga estão fazendo a vida na América numa boa, só esquentando o banco e ouvindo as histórias de vestiário dos melhores jogadores da NBA de perto. Tem quem jogue bastante e ganhe ‘pouco’. O próprio colega de Varejão tem um salário por produção bastante em conta para a média do seu time. Leandrinho tem o quarto minuto mais barato do Warriors, custando 3,3 mil dólares.

‘Barato’, mas incomparável com os dois brasileiros restantes na liga. Marcelinho Huertas é a segunda maior pechincha do Lakers: vai ganhar meio milhão até o final do ano e até agora cada minuto seu custou 1,1 mil dólares para o time de Los Angeles – só Jordan Clarkson TADINHO ganha menos: 420 dólares por minuto jogado.

Raulzinho tem quase o mesmo peso para seu time. Um milhão garantido até o final da temporada e o segundo menor custo por minuto do Utah Jazz, com 805 dólares por minuto jogado até agora na liga.

Ah, já ia esquecendo. Tem o Cristiano Felicio, do Chicago Bulls. Joga pouco e ganha pouco. Na média, custou 7,1 mil por minuto em quadra. Meio que não fede nem cheira e tá na média do (caro) time do Bulls.

Por que é tão díficil assumir que Westbrook é um gênio?

Eu sou desses. A cada grande feito de Russell Westbrook, eu sempre tento relativizar. “Mas ele chutou duzentas bolas”, “mas o time ficou no sufoco até o fim”, “ele desperdiçou o dobro de oportunidades que criou”… Enfim, não falta criatividade para tentar minimizar seus feitos e suas atuações.

Talvez a melhor característica de Russell seja aquela que impede que todos se rendam ao seu jogo. Ele é uma besta atlética. O cara nunca pega leve. Está toda partida jogando no máximo de intensidade possível – algo que eu não lembro de ter visto nestes 15 anos que assisto basquete. Assim, se criou o rótulo de que suas estatísticas impressionantes sejam muito mais frutos de um esforço descomunal do que talento para o jogo.

Ontem Russell distribuiu 20 assistências e meteu 25 pontos. Liderou seu time a uma vitória importantíssima contra um concorrente direto pela terceira colocação no Oeste. Fez isso contra Chris Paul, um dos melhores defensores do perímetro da liga.

Paul, aliás, é o modelo máximo de um point guard inteligente, ponderado e técnico. Parece ser a antítese suprema de Westbrook. Apesar disso, o Thunder está na frente do Clippers na tabela, mesmo com menos elenco, e Russell já distribuiu mais de 100 assistências do que CP3 ao longo do ano.

Claro que Westbrook tem em seu currículo uma série de decisões medonhas em quadra. Ver um jogo dele também não é fácil – ainda mais com Durant ao lado. Parece que ele força a pior jogada sempre. No entanto, há que se ponderar: ele força, mas acerta.

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Talento nas quadras e bom gosto fora delas

Além disso, ele é um point guard, passa o jogo inteiro com a bola nas mãos, natural que erre mais do que os colegas. E seu jogo é de alta velocidade e pouco tempo de posse de bola. Da mesma forma que perde uma meia dúzia de bolas por jogo, é um armador que pontua mais do que 99% da liga e reboteia mais do que 90% dos pivôs.

Até hoje, eu sempre me esforcei para ver Westbrook além do box score. Acho leviano cravar que ele é um dos melhores jogadores da liga só porque suas estatísticas são impressionantes. O jogo vai muito além disso. Também devo ser contaminado pela cobertura dos EUA, que pega muito no seu pé. Mas a verdade é que quando se torna um esforço criticar um cara, é porque você está sendo muito mais corneteiro do que deveria ser.

Westbrook é um talento raro. Faz suas pataquadas em quadra, claro, mas não numa proporção tão grande a ponto de invalidar tudo que faz de bom pelo Thunder. Vamos pegar leve com ele.

Wild East – NBA de ponta-cabeça

Nos últimos 15 anos, nos acostumamos com um desequilíbrio abissal entre as conferências Leste e Oeste. Recentemente, vimos casos de que três vitórias de diferença eram suficientes para um time se classificar entre os quatro melhores do lado do pacífico ou para tira-lo dos playoffs. Uma insanidade.

Neste ano, a ferocidade da competição mudou de lado. A conferência Oeste ainda tem os três melhores times disparados da liga, mas boa parte das posições para os playoffs já estão bem definidas, com chances de uma disputa ferrenha até o final da temporada regular só para uns três times. Já no Leste, o CAOS se instalou.

Cinco vitórias separam o terceiro do oitavo colocado. Dois jogos separam o oitavo do décimo. A cada jogo, os classificados e a ordem dos finalistas muda. Os mandos de casa, idem. Nem mesmo a ponta da tabela está definida: Cleveland Cavaliers entregou alguns jogos fáceis e viu o time do Toronto Raptors crescer e ameaçar a primeira posição.

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Além de ter dez potenciais times com chances de pós-temporada, é impossível determinar quem seriam os favoritos nos confrontos de playoffs. Digamos que a temporada regular acabe hoje: é fácil cravar que Golden State, Spurs, Thunder e Clippers entram para passear na primeira fase do mata-mata, mas dá para dizer o mesmo nos confrontos entre Cavs e Bulls, Toronto e Indiana, Boston e Charlotte e Miami e Atlanta? Tudo pode acontecer.

Houve um ‘achatamento’ na qualidade dos times do Leste. Quem estava no topo, caiu ou não inspira tanta confiança. Cleveland não conseguiu evoluir muita coisa do time do ano passado e a diferença para os outros times diminuiu. Toronto Raptors embalou no final, mas joga cercado da desconfiança de que sempre afina nos playoffs. Hawks, que ano passado dominou boa parte da temporada, parece um time sem fôlego e que já deu o que tinha que dar.

Os demais evoluíram bem, mas ainda tem seus pontos fracos. Miami Heat conseguiu encaixar o time formado no ano passado e tem os melhores titulares dos restantes – mas sofre com a lesão de Bosh, seu melhor jogador. Boston Celtics montou uma equipe com nove titulares, mas todos sem experiência de playoffs. Pacers e Hornets oscilam entre o brilhantismo de seus principais jogadores e a morosidade dos seus coadjuvantes. Bulls ainda precisa se confirmar diante do decepcionante-mas-agora-embalado Wizards e do jovem e ainda em desenvolvimento Orlando Magic.

A briga ainda podia ser mais insana. Milwaukee Bucks tinha tudo para estar no bolo – exceto pelo fato que nunca conseguiu mostrar a que veio – e o New York Knicks por uma boa parte do campeonato lutou na parte de cima da tabela. Se neste ano não estão na briga, ano que vem podem deixar a conferência ainda mais imprevisível.

Acho isso sensacional. Apesar de a conferência não estar nivelada pelo melhor basquete do mundo (que ainda é jogado pelos melhores times do Oeste), a competitividade voltou. É impossível dizer quem enfrenta o Warriors (ou o Spurs, no caso de uma zebra) na final. Bom para a liga.

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