Kurt Rambis é o pior técnico da liga

É muito difícil avaliar o trabalho de um técnico. Existem milhares de fatores que podem mascarar, para o bem ou para o mal, a sua eficiência: sorte, elenco, momento, conexão com os atletas e etc. Especialmente para quem não vive o dia-a-dia do time, é quase impossível decretar se um cara está fazendo um bom trabalho ou não. Ou então definir o que é mérito ou culpa dele.

Mas em alguns casos bem específicos é possível, sim, dizer que fulano é péssimo sem se arriscar a cometer uma injustiça. Neste caso eu estou falando de Kurt Rambis, técnico do New York Knicks.

O simples fato de Rambis ser um eterno interino já mostra que quem tem o poder da caneta na NBA não confia muito no seu taco. Ele cansou de ser interino no Wolves (por mais de uma temporada… isso existe?), no Lakers e agora no Knicks.

Na sua primeira experiência, no time de Los Angeles, ele foi bem e completou a temporada com o time indo aos playoffs. No campeonato regular ganhou 24 jogos e perdeu 13 – a temporada teve só 50 jogos e ele ficou ali como um tampão até a chegada de Phil Jackson. Perdeu nos playoffs para o San Antonio Spurs no segundo round.

Essa é a característica básica de um técnico ruim que se mantém por muito tempo no esporte: ter sorte logo de cara. Você pode ver, todo cara que em algum momento fica comprovado que é um lixo, teve alguma passagem consideravelmente boa logo no começo da carreira. Depois disso, vive-se na expectativa de que aquele momento se repita. Raramente acontece.

Bom, ele passou uns anos na mamata que é ser assistente técnico do Phil Jackson (trabalha pouco, ganha tudo) e de 2009 a 2011 foi técnico do Minnesota Timberwolves. Com Rambis no comando, a franquia registrou as duas excelentes campanhas de 15v e 67d e 17v e 65d. Isso lhe rendeu a segunda pior campanha no primeiro ano e a última colocação no ano seguinte.

O time não só foi muito mal, como ele tratou de não ajudar em nada a franquia (poderia ser um tank deliberado na tentativa de buscar boas escolhas de draft para os anos seguintes). Prova disso é que o melhor jogador do time na época, o então jovem Kevin Love, era apenas o sexto homem na rotação da equipe, com menos minutos por jogo do que pérolas como Johnny Flynn e Ryan Gomes. O dedo do técnico podia ser conferido no estilo do jogo do time: era a equipe com o maior pace da NBA na época, ou seja, maior número de posses de bola por partida. Isso significa que o esquema predominante era da correria – que na prática corresponde, geralmente, a nenhum esquema.

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Único mérito de Rambis: o seu visual na época de jogador

Estou falando tudo isso porque este ano novamente uma jovem equipe sem muitas perspectivas imediatas caiu no colo de Rambis. Depois da demissão de Derek Fisher, Phil Jackson (sempre ele), agora presidente do time de NY, promoveu Kurt ao posto de interino do time. Obviamente que ele amarga uma campanha sofrível de 8 vitórias e 15 derrotas.

Aparentemente, ele não está tão pior do que seu antecessor, que foi demitido com 23 vitórias e 31 derrotas, mas os meandros das estatísticas e dos reportes nos indicam o trabalho porto do ex-pivô que aperta no botão de curtir em vídeos pornôs e publica sem querer nas suas redes sociais.

Primeiro a campanha do time. Se levarmos em conta só os jogos em que a diferença de pontos está abaixo de cinco nos últimos minutos de partida, Rambis está com apenas 1 vitória e com 7 derrotas – enquanto Fisher esteve com 12 vitórias e 16 derrotas com o mesmo elenco. Este dado é uma excelente medida, pois compara duas pessoas com o mesmo time e em condições parecidas – em que a interferência do técnico é fundamental para ler o jogo, diagnosticar o que é melhor pro time e fazer os ajustes necessários. Esta campanha nestes casos mostra como ele é muito inferior a um técnico iniciante e que foi preterido por sua suposta incapacidade técnica. Tenebroso…

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Coloca o Carmelo de técnico que é melhor

Para piorar, ele continua cometendo os mesmos erros de sempre. Da mesma forma que preteria Kevin Love no Wolves de 2010, ele não coloca os jovens do Knicks para jogar. Sexta até saiu uma notícia dos insiders do time contando que os veteranos do elenco (Carmelo Anthony, Robin Lopez e Jose Calderon) estão dispostos a cortar parte dos seus próprios minutos de jogo para dar mais tempo de quadra aos jovens do time. São os próprios jogadores fazendo o trabalho gerencial do head coach.

Rambis se defende dizendo que prefere tentar ganhar o máximo de jogos e, assim, estabelecer uma suposta ‘cultura da vitória’ nos jogadores ao invés de largar a equipe na mão dos jovens talentos e perder neste primeiro momento. Até seria uma teoria a se considerar se, de fato, ele estivesse vencendo. Não é o caso.

Para o ano que vem, se especula o absurdo de que o Knicks mantenha Rambis no comando do time nos jogos fora de casa e que Phil Jackson assuma a equipe dentro do Madison Square Garden – o Zen Master não teria condições de saúde para acompanhar a expedição pelos EUA. Este, então, seria o mais absurdo dos casos: manter um fantoche na estrada e saciar o ego de Jackson dentro de casa. Francamente, não é com ele(s) que o Knicks vai dar a volta por cima.

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1 Comment

  1. Thiago Olmedo

    Além do Rumbis, a escolha do Phil Jackson, até agora pelo menos, é algo que não surtiu efeito nenhum. Não sei se ele (a figura dele e o peso que tem na NBA) mais atrapalha do que ajuda.

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