Ontem o pivô chinês Yao Ming foi nomeado como um dos novos membros do Hall da Fama do basquete, a principal honraria concedida a um jogador pelos seus serviços ao basquete. Este tipo de homenagem é dedicada apenas aos melhores e maiores do esporte, às grandes lendas, aos multicampeões e referências das suas épocas. Desde que foi indicado para o memorial, muita gente questionou se Yao merecia ou não a vaga – para se ter uma referência, Allen Iverson e Shaquille O’neal foram outros jogadores eleitos na mesma turma deste ano. Para mim não há dúvidas: ele merece um posto na galeria dos maiores de todos os tempos.

Bom, o que os críticos do chinês gralham é o seguinte: Yao não jogou o suficiente para tal. Foram apenas 486 jogos na NBA e uma carreira quase insignificante fora da liga americana. Oito temporadas, com a maioria dela jogando cerca da metade dos jogos.

De verdade, para boa parte dos casos, acho que a longevidade de uma carreira é um fator muito importante para determinar o quão importante foi tal cara para o esporte ou para dizer se ele foi melhor do que fulano. Ser brilhante por um tempo é o tipo de sorte que pode acometer um medíocre. Já enganar durante anos é quase impossível.

No entanto, acho que Yao não pode ser vítima da sua saúde. Especialmente porque seus feitos e sua representatividade vão muito além disso.

Para começar, ele foi uma das primeiras escolhas de draft mais badaladas de todos os tempos. Sua escolha foi de uma importância sem precedentes para que a liga cravasse seus tentáculos nos quatro cantos do mundo. Ele foi o primeiro jogador de fora dos EUA, sem passar pela universidade ou ensino médio americano, a ser escolhido no topo do draft. Isso é de um simbolismo supremo, já que o draft é o garimpo dos grandes talentos americanos que podem ou não jogar na liga. Pela primeira vez um time foi à caça, fora do território americano, buscar alguém melhor do que qualquer jovem basqueteiro dos Estados Unidos.

Se a geração de Bird e Magic fez o basquete virar um esporte profissional de verdade nos EUA e a turma de Jordan, Barkley e Malone fez o mundo inteiro querer consumir aquilo, Yao é um dos protagonistas de uma era em que o planeta inteiro pode assistir aos jogos, comprar as camisetas e viver em tempo real tudo que rolava nos ginásios americanos.

Diferente do baseball e do futebol americano, que custaram a conquistar o público fora dos Estados Unidos, o basquete sempre teve um caráter universal – e a NBA explorou ao máximo isso. Yao foi o grande símbolo desta tentativa em dois aspectos que revolucionaram o mercado: a desbravada do oriente e a era da internet. Exemplo direto disso, do primeiro ao último dia em que esteve jogando na NBA, Yao foi o jogador que acumulou o maior número de votos para a escolha popular do All Star Game.

De maneira bem abrangente: ele é um dos principais responsáveis por eu, você e milhões de outros brasileiros, chineses, indianos, sulafricanos e etc, sermos tão donos da NBA quanto um pirralho americano é. Antes a liga era deles e nós só podíamos admirar de longe. Hoje a NBA é de todo mundo.

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Yao é o principal responsável por qualquer não-americano se sentir parte da liga

Para encerrar qualquer discussão, também acho que , mesmo que por um curtíssimo período de tempo, o auge do chinês foi brilhante. Estatisticamente falando, Ming teve uma temporada de 25 pontos, 9 rebotes e 2 tocos por jogo, médias que somente outros ‘hall of famers’ conseguiram. Seu tamanho e sua inteligência em quadra nos indicam que estes números só não foram mais frequentes porque, infelizmente, seu corpo não aguentou o tranco.

Mas o mérito nem é esse. É óbvio que Yao é digno do Hall da Fama.

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