A especulação é a invenção com outro nome. O ex-técnico do Oklahoma City Thunder Scott Brooks foi anunciado ontem como o novo head coach do Washington Wizards. E, desde então, só se fala que a contratação foi a última cartada da equipe para conseguir Kevin Durant na próxima offseason. O pessoal que PLANTA este tipo de informação se baseia no fato de que, ao final de seu contrato, Durant consideraria jogar no seu time de infância e a chegada do seu antigo treinador facilitaria as coisas.

Eu não me canso de me irritar com este tipo de coisa. É o tipo de raciocínio preguiçoso e reducionista. Sinceramente, quantos caras deste calibre FORAM ATRÁS de um técnico nestas condições? Eu não sei de nenhum. Superestrelas como Durant não vivem disso. Basicamente, o que atrai os jogadores é um excelente contrato e a maior chance de ganhar (especialmente para aqueles que já estão na liga há algum tempo e nunca foram campeões). E, sinceramente, KD vai descolar um contrato máximo em qualquer equipe e não é o Wizards que, de imediato, vai dar as maiores condições para um título.

Falar este tipo de coisa é também desconsiderar totalmente o contexto do time do Wizards e da contratação do treinador. Washington veio de uma temporada muito decepcionante. O time teve uma boa campanha de playoffs no ano passado e, com um time novo, era de se esperar que ficasse entre os quatro primeiros do Leste. Por mais que o time tenha sofrido com algumas lesões, era óbvio que a batata de Randy Wittman, técnico do time até então, ia assar caso a equipe não vingasse as expectativas. Naturalmente foi o que aconteceu.

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Os dois trabalharam juntos por sete anos. E daí?

Sem treinador, o Washington tinha que ir à caça. O mercado tinha bons nomes à disposição. O melhor deles, Tom Thibodeau, fechou com o mais promissor dos times sem treinador, o Minnesota Timberwolves. Scott Brooks e Wizards eram os segundos na linha de melhores técnicos sem times e times sem técnicos, respectivamente. Pronto. É isso que justifica a contratação, sem maiores mistérios.

Nada indica que Durant e Brooks tenham uma relação turbulenta, longe disso, mas é de se suspeitar que se o jogador fizesse tanta questão assim de jogar com o técnico, Scott poderia ainda estar no banco do Oklahoma City Thunder – não é raro que os jogadores deste calibre ditem as regras nas franquias, mais ou menos como aconteceu em Cleveland, com David Blatt e Lebron James.

Quando Scott foi demitido do Thunder, exatamente um ano, Durant postou no seu instagram uma mensagem sobre o acontecido. Apesar de um tom emocional, o jogador afirmou que “apoiava 100%” a decisão da franquia.

Descontado todo o blábláblá, acho uma boa adição ao time da capital. A principal crítica a Brooks era basear o jogo somente nos seus principais jogadores, sem uma variação muito criativa no playbook. Vamos ver como se sai agora sem super craques do nível de Durant e Westbrook e “só” com excelentes jogadores como Wall e Beal. Por outro lado, se deu muito bem em um elenco recheado de jovens talentos – além da dupla, trabalhou na evolução de Serge Ibaka, James Harden e Reggie Jackson. Diante do cenário, acho a melhor aposta possível.

Ao meu ver, a escolha por Brooks tem muito mais a ver com isso do que com Durant.

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