Month: April 2016 (Page 2 of 3)

Os tempos são outros

O segundo título seguido de Jogador de Defesa do Ano (DPOY, em inglês) para Kawhi Leonard é um dos melhores exemplos de como o jogo mudou de uns tempos para cá. A NBA é um jogo muito menos de garrafão e muito mais de perímetro.

Falando assim parece que é uma assertiva óbvia. Todo mundo que vê basquete e que lê um pouco sobre isso percebeu que o número de arremessos de três se multiplicou nos últimos cinco anos e muito se fala no small ball – jogo sem pivôs e com jogadores mais baixos para as posições 4 e 5. Mas, de alguma forma, estes dois recursos poderiam parecer que eram mais táticas para ganhar jogos do que propriamente uma tendência definitiva do jogo.

Digo isso porque ainda existem times vencedores que não chutam tanto de três (Miami Heat e San Antonio Spurs estão no top 5 de times que menos arremessam de fora) ou que jogam com pivôs de ofício nas suas principais rotações (Clippers, Spurs e o próprio Warriors joga mais tempo de pivô do que a gente se habituou a dizer).

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Olha o tamanho do braço desse cara

Mas a prova definitiva de que o jogo está ‘perimetrizado’ é este domínio da defesa longe do garrafão. Sendo bem didático: quando esta história de small ball começou a ficar mais popular, os pivôs de alguns times pareciam que se tornariam apenas especialistas de defesa – como é o caso do center do Golden State Warriors, Andrew Bogut. Os times passariam a jogar com quatro jogadores abertos e uma âncora lá na área pintada pegando rebotes e defendendo a cesta das eventuais infiltrações.

De certa forma, este sempre foi um dos papéis mais importantes dos pivôs – prova disso é que a maioria esmagadora dos eleitos como melhores defensores da temporada era composta por jogadores de garrafão. Com a eleição de Kawhi ano passado e agora de volta nesta temporada, se confirma que nem isso é mais propriedade absoluta dos grandalhões – a defesa do jogo começa no meio da quadra, perturbando o armador para que ele não consiga chamar a jogada ou chutar de três. O próprio Draymond Green, outro jogador que domina as indicações de melhor defensor da liga ao lado de Leonard, é um defensor de perímetro (que também defende no garrafão, já que é excelente nas duas funções). Para se ter uma ideia da raridade disso, é apenas a segunda vez que um ala ou armador ganha o prêmio dois anos consecutivos. A outra vez foi na década de 80, com Sidney Moncrief.

Kawhi é só o protagonista deste movimento, mas a mudança de função primordial dos shooting guards é notória: se antes eles eram os principais pontuadores do time, agora eles são geralmente reconhecidos pelas suas habilidades defensivas. James Harden é um SG à moda antiga, já que encontramos muito mais caras com as características de Tony Allen, Avery Bradley, Aron Afflalo, Wesley Matthews, Danny Green e companhia. Jogadores que até sabem chutar e pontuar, mas não são o foco ofensivo do time e são excelentes defensores. Na melhor das hipóteses, são caras tipo Klay Thompson  e Jimmy Butler, que são excepcionais nos dois lados da quadra.

Pode ser que seja só uma fase, mas nada define tão bem o reinado dos armadores (ou a crise do garrafão) quanto este título seguido de Kawhi.

Unanimidade

Não é difícil prever que Stephen Curry ganhará o título de MVP, prêmio dado ao melhor jogador da temporada. O armador do Warriors foi o melhor jogador do melhor time do ano. Não só isso, mas da equipe de melhor campanha de todos os tempos. Steph também teve a maior média de pontos do campeonato e o melhor PER -Player Efficiency Rating, um índice que calcula a produção e colaboração do jogador em quadra, levando em conta várias estatísticas. A grande questão é se a eleição de Curry será por unanimidade.

Para entender as chances e a importância disso acontecer, é preciso esclarecer como a escolha é feita. Até 1980, eram os jogadores elegiam o melhor atleta da liga. Desde então, um grupo de 120 jornalistas que cobrem NBA é que escolhem o MVP, acrescido de um voto de uma enquete com o público. Eles fazem um top 5 dos jogadores da temporada, em que o primeiro recebe dez pontos, o segundo ganha sete, o terceiro fica com cinco, o quarto com três e o quinto recebe um ponto. Aquele que somar a maior pontuação é eleito o MVP.

Nem sempre a disputa é tão óbvia quanto neste ano – geralmente ela não é -, e como o prêmio, do inglês, quer dizer “Jogador Mais VALIOSO”, os ‘eleitores’ do prêmio têm a tendência de premiar o jogador que foi mais importante para uma campanha vitoriosa (ou do jogador mais dominante de algum dos times que fechou a temporada no topo da tabela).

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“VOTE EM MIM”

Bom, este é o trâmite normal da votação. Em alguns poucos anos, a disputa foi uma completa barbada. Algum jogador que fez algo muito impressionante durante o ano inteiro, com um desempenho muito superior aos demais, com um time muito bem ou muito acima das expectativas. Mesmo assim, nunca houve uma escolha unânime, em que o MVP eleito recebesse os 121 votos de primeiro lugar.

Em duas vezes isso quase aconteceu. A primeira vez foi com Shaquille O’neal na temporada 1999-2000. The Diesel liderou a liga em pontos, com 29 por jogo, e ainda anotou bizarros 13 rebotes e 3 tocos por partida. Em um cálculo chamado Win Share, que atribui pessoalmente a um jogador o número de vitórias totais pela qual ele foi responsável sozinho, Shaq liderou a liga naquele ano com 18. Naquele índice PER, O’neal também liderou a NBA com a marca de 30,6. Ah, além disso, ele também foi o melhor jogador disparado de um Lakers que dominou na temporada regular e fechou o campeonato com 67 vitórias e a melhor campanha da NBA – uma campanha e uma história parecida com a do Golden State deste ano. Na oportunidade, Shaq recebeu 120 votos para melhor jogador, mas um jornalista da Fox da Florida acabou dando o voto de primeiro lugar para Allen Iverson.

Na temporada 2012-2013 a história se repetiu. Lebron James liderou o Miami Heat para uma campanha dominante pelo segundo ano consecutivo. Fechou o ano com 19,3 de Win Share e 31,7 de PER. Liderou a liga em cestas e teve o segundo melhor aproveitamento real nos chutes. Era o principal jogador do Heat que teve a melhor campanha da NBA naquele ano, com 66 vitórias. Na votação final, levou 120 votos de melhor jogador, mas um jornalista acabou votando em Carmelo Anthony.

A expectativa de que finalmente exista um MVP unânime se renova com os números e a atuação de Curry nesta temporada. Steph fechou o ano com 30 pontos por jogo e duas roubadas de bola por partida, sendo o líder da liga nas duas estatísticas. Também fechou com os maiores índices de Win Share (17,9) e PER (31,5). Mas o principal feito foi ter sido o principal jogador de uma equipe que estraçalhou vários recordes e cravou a marca de 73 vitórias.

Além disso tudo, o principal fator é que ninguém fez frente ao jogador. Lebron teve uma excelente campanha neste ano, mas timidamente inferior ao que fez em outros anos e em um time que não encantou ninguém. Russell Westbrook e Kevin Durant tiveram temporadas excelentes, mas têm o ‘azar’ de jogar no mesmo time (dividir o ‘valor’ para o Thunder). Kawhi Leonard foi o melhor jogador em um time excelente, mas sua e sua eficiência ainda é discreta perto dos números vistosos de Curry. O camisa 30 do Warriors não só fez uma campanha impecável, mas a diferença de desempenho dele para os demais jogadores foi impressionante.

Mais do que nunca, Stephen Curry merece ser o primeiro MVP unânime.

 

Warriors busca a aprovação incontestável nos playoffs

Ano passado já foi a franquia com maior número de vitórias na temporada regular. “O time deu sorte de ninguém se machucar”. Venceu os playoffs atropelando todo mundo. “Os rivais estavam cheios de lesões”. Neste ano, abriu a temporada com o melhor início da história. “Uma hora esse gás vai acabar”. E finalmente bateu o recorde de vitórias em uma única temporada. “Mas mesmo assim aquele time do Bulls era melhor com Jordan e Pippen”.

Tem feitos que só a distância do tempo nos permite ver quão difíceis são de se alcançar. Isso acontece o tempo todo no esporte. Deve ser da natureza humana menosprezar aquilo que somos testemunhas vivas e valorizar aquilo que já passou. Sei lá…

Enfim, agora começam os playoffs e é a vez do Golden State Warriors provar que todos estes feitos são frutos de um time forte, um dos mais potentes da história. O roteiro já está desenhado para um possível título incontestável – mais duro que qualquer vitória do Bulls, por exemplo.

O primeiro confronto do time californiano é contra o Houston Rockets. A equipe do Texas chega completamente desacreditada na fase de mata-mata, mas é válido lembrar que este mesmo elenco teve a segunda melhor campanha do ano passado e chegou à final de conferência. Harden concorreu cabeça a cabeça com Curry o título de melhor jogador da última temporada e é um cara capaz de complicar qualquer partida. Não vai ser mole.

A rodada seguinte tem tudo pra ser histórica. Digamos que os quatro favoritos do Oeste ganhem, teremos dois confrontos épicos. Warriors enfrentaria o time mais encardido, maloqueiro e odiado da liga: Los Angeles Clippers. A equipe angelina é a maior rival, de longe, do Golden State no momento. Só dá quebra pau quando os dois times se enfrentam e os caras do Clippers sabem catimbar qualquer confronto. Dureza.

A final de conferência também seria barra pesadíssima. Seguindo a ordem natural das coisas, pode ser que dê Oklahoma City Thunder, time que tem a dupla mais endiabrada da liga, ou San Antonio Spurs, um time que fez uma campanha de temporada regular impressionante, digna de top 10 de todos os tempos – e só não foi melhor porque precisou enfrentar o Warriors quatro vezes ao longo do ano. Até o início do campeonato, nunca havia sido registrado um confronto entre times com campanhas tão dominantes. Foram os confrontos entre os times de maior número de vitórias em temporadas regulares de todos os tempos – para você ver o nível que os dois times estão!

Digamos que sobreviva a tudo isso e passe para a finalíssima, o Golden State vai enfrentar o vencedor da melhor Conferência Leste dos últimos 15 anos. Usando a mesma lógica do restante do raciocínio, o mais provável seria reeditar a final do ano passado contra o Cleveland Cavaliers. Um time aparentemente mais inofensivo do que Spurs ou Thunder, mas ainda muito forte. Vale lembrar que ano passado Lebron James teve uma performance absurdamente foda nas finais – cogitou-se que ele receberia o título de MVP das Finais mesmo perdendo a série, lembra? Isso que o Cavs jogou sem Irving e Love…

A verdade é que o Warriors não tem muita escolha. É ganhar ou ganhar. Perder seria encarado como um fracasso tremendo de um time que, mesmo aniquilando todos os recordes possíveis, já é contestado. O Bulls de 96, que sempre é o alvo das comparações, usava uma camisa com tom motivacional nos playoffs daquela temporada com a frase “72-10 não significa nada sem um anel”. O clima é mais ou menos esse. Todas as conquistas serão colocadas à prova caso o Warriors não consiga vencer mais um título.

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A pressão é essa: ou ganha ou coloca tudo a perder

Por outro lado, o caminho do time até mais um troféu é complicadíssimo e, caso consiga o título, seria a prova definitiva de que sua campanha é incontestavelmente a melhor de todos os tempos.

 

Não tinha como ser mais Kobe

Kobe Bryant se despediu da carreira profissional com uma partida que não tinha como resumir melhor seus 20 anos de NBA: foram 60 pontos que levaram o Lakers a virar o jogo no final e vencer a partida.

E não foi só por isso: para alcançar esta pontuação – maior dele desde 2009 – Kobe chutou até a mãe, como também fazia no auge da sua carreira. Ontem Kobe cravou o recorde da temporada de arremessos de três tentados (21) e de total de arremessos em geral tentados (50, sendo que a segunda maior marca da temporada eram 36). Estes recordes não são lá tão gloriosos e mostram que Kobe entrou determinado em fazer história na sua despedida.

Aliás, desde que as estatísticas de arremessos passaram a ser monitoradas, em 1983, nunca alguém tinha tentado tantos chutes em um só jogo. Aliás, neste período de 33 anos, só seis vezes alguém arremessou mais do que 45 vezes numa única partida – Kobe Bryant fez isso três vezes. Com o jogo de ontem, Kobe ultrapassou a marca de Jordan de 49 arremessos em um só jogo em mais uma marca que ele tentou (e desta vez conseguiu) superar MJ.

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Mais 60 pontinhos pra conta de Bryant

Antes da partida, até pipocou a piada que Kobe poderia ultrapassar Karl Malone como o segundo jogador com mais arremessos (convertidos ou não) em toda a história da liga. Para isso, ele teria que fazer insanas 61 tentativas – uma marca impensável de se executar. No entanto, em determinado momento do jogo pareceu que isso seria possível.

Outro comentário que parecia brincadeira antes do jogo, é que Bryant teria que anotar 67 pontos para fechar a carreira com a média exata de 25 pontos por partida. Com a marca de ontem, ele acabou a carreira com média de 24,994 pontos por jogo – mas os livros de história serão camaradas com ele e vão arredondar a terceira casa decimal para cima.

Não dá também pra só relativizar a atuação de ontem, que teve todos os méritos. Bryant confirmou pela enésima vez a sua condição de clutch players e decidiu o jogo. Marcou 15 dos últimos 17 pontos do Lakers e comandou a virada sobre o Jazz – o time com certeza já estava desanimado pela não-classificação para os playoffs, mas o time de Los Angeles é tão fraco que mesmo assim a vitória era um objetivo desafiador.

Não tinha como ser mais Kobe: fazer de tudo, mesmo que precisasse forçar totalmente a barra, para gravar seu nome de maneira mais enfática na história. Ele fez e, mais uma vez, conseguiu.

Outra lenda do Lakers que dá adeus

O jogo de ontem que marcou a despedida de Kobe Bryant foi, acima de tudo, uma grande homenagem a um dos maiores e mais importantes jogadores do Lakers de todos os tempos. A festa, especialmente nas solenidades pré-jogo, tomou um caráter bem emocional em vários momentos. Num deles, foi quando outro gigante da franquia, Magic Johnson, fez um breve discurso no centro da quadra. No final da sua fala, lembrou que a noite marcava a despedida de outro colaborador importantíssimo na história do Los Angeles Lakers, o preparador físico Gary Vitti.

Vitti não é importante para a franquia somente por ter passado mais de 30 anos cuidando de duas gerações que renderam 10 títulos para Los Angeles, mas por ter protagonizado uma das passagens mais emblemáticas da história mais tensa da existência do Lakers – talvez da NBA.

Foi na temporada de 1991-92, quando logo que começou o campeonato, os primeiros exames apontaram que Magic Johnson, no momento o cara mais carismático e adorado da liga, portava o vírus HIV. O mundo vivia aterrorizado pela aids, já que sua ocorrência era baseada em uma série de incertezas e boatos. Vitti foi um dos primeiros do staff a saber do caso de Magic e participou da decisão de divulgar, em um primeiro momento, que o jogador estava lesionado e por isso não poderia participar das primeiras partidas da temporada.

Uma vez confirmado que Magic tinha contraído o vírus, foi feito o anúncio que fez a NBA ruir. Ninguém sabia ao certo os riscos de Johnson continuar jogando – tinha quem defendesse que outros atletas podiam se infectar ao entrar em contato com o suor de Johnson.

A liga se dividiu em duas alas: aquela que defendia que Johnson deveria continuar jogando, já que o vírus não tinha se manifestado em seu corpo, e outra que achava que sua presença em quadra era um risco para os demais atletas. No primeiro momento, a opinião do primeiro grupo prevaleceu e Magic foi liberado para jogar.

A temporada rolou e o armador jogou apesar de toda a polêmica e do clima pesado. Já passado um ano do anúncio, o Lakers se preparava para iniciar a temporada 92-93 e fez uma partida amistosa contra o Cleveland Cavaliers. Em um determinado momento do jogo, Magic aparece com um leve corte no braço. Finalmente aconteceu o que todos temiam e foi como se o ginásio inteiro prendesse a respiração. Foi aí que Vitti apareceu.

Johnson foi substituído e estava prestes a se encaminhar para o vestiário, para que a comissão técnica do Lakers decidisse como proceder. Vitti então se levantou e colocou Magic sentado no banco de reservas como se fosse tratar um corte leve em qualquer outro jogador. Sem luvas, ele estancou o ferimento com um cotonete e fez um curativo no jogador. A passagem aparece no documentário da ESPN “The Annoucement”, daquela série de filmes “30 for 30”. O programa trata do anúncio de Magic Johnson e nele Vitti comenta que agiu assim na tentativa de mostrar a todos que Johnson não portava uma doença asquerosa e que sua presença deveria ser evitada por todos. Foi um gesto de solidariedade em um momento complicado da liga e da descoberta do que era a aids, seus riscos e suas formas de transmissão.

Depois do episódio, a liga abriu uma investigação sobre o procedimento adotado por Vitti – especialmente por ele não ter usado luvas. O preparador físico afirmou que o corte era tão superficial que não havia sangue no braço de Magic Johnson.

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Vitti atende Magic em quadra sem luvas

Depois disso, a discussão sobre a possibilidade do jogador não entrar mais em quadra esquentou e Magic resolveu se aposentar, mas a atitude de Vitti – que depois se confirmou como não recomendável, já que é indicado o uso de luvas no tratamento de qualquer machucado, seja com sangue ou não, seja de alguém portador de HIV ou não – foi importante para que a liga passasse a aceitar que Magic Johnson não era um ser que tinha que ser deixado de lado pelo simples fato de ter contraído o vírus.

O próprio jogador no documentário diz que a atitude de Vitti ajudou a ele mesmo se aceitar como um portador do vírus – o que foi fundamental para que Magic se tornasse um dos embaixadores da luta contra a aids, alertando que o risco de contração não se resumia a gays e usuários de drogas (dois tabus que duraram por anos) e que os cuidados deveriam se estender a todos.

Ontem, assim como Kobe Bryant, Gary Vitti também se despediu do esporte. Obrigado aos dois!

Os bobbleheads irreconhecíveis da NBA

Nesta semana algum indivíduo mais atento olhou para os souvenirs da lojinha do Washington Wizards e notou que o bobblehead, aquela miniatura dos jogadores com um cabeção que fica BALANGANDO, de John Wall na verdade não tinha qualquer semelhança com o jogador.

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Parecem gêmeos… bivitelinos

Procurando edições mais antigas do boneco do jogador, dá pra perceber uma dificuldade em fazer bobbleheads com alguma verossimilhança. As outras duas tentativas de miniaturas de John Wall ficaram ainda mais medonhas – uma delas parece que fizeram um boneco com Wall, mas deixaram meia hora a mais no forno, derretendo completamente a cara do jogador.

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É, o uniforme é o mesmo…

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EXCLUSIVO: John Wall derretido!

Para nossa sorte e azar dos jogadores, as deformidades nos bonecos não se resumem a tentativas frustradas de reproduzir Wall em massinha. Na verdade quase todos os jogadores já tiveram a experiência de se ver na pior forma possível.

Primeira coisa que notei procurando os bobbleheads mais horripilantes já produzidos é a grande dificuldade de reproduzir jogadores brancos.

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Esta imagem vai te atormentar para sempre

Estes dois bonecos de Steve Nash e Dirk Nowitzki são maravilhosamente assustadores. Não sei se são só os olhos bizarramente claros ou se essa boca exageradamente vermelha também piora as coisas, mas estas são duas das mais inapropriadas miniaturas já feitas.

Justiça seja feita: este bobblehead de Larry Bird é idêntico ao jogador na primeira metade dos anos 80 – e por isso mesmo é tão aterrorizante quanto os bonecos de Nash e Nowitzki.

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É tipo um gnomo

E eles não ficam assim por falta de tentativa. Na verdade até é EXCESSO de boa vontade. Veja por exemplo esta experiência de colocar PELOS DE VERDADE nos bonecos de James Harden (notável pela sua barba) e Kyle Korver (que eu não sabia que era notável pelo seu cabelo, mas enfim).

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Sem palavras…

Claro que não é só o cabelo ou a barba que torna a réplica maravilhosamente mal feita. A péssima proporção do braço do boneco de Korver é infame e a tentativa de fazer o cabelo raspado de Harden ao redor do moicano parece mais um caso avançado de seborreia.

Existem outros muitos casos do tipo. Selecionei só mais dois. O primeiro é um Lebron James completamente desdentado. Acho que a ideia era ENFATIZAR que o jogador tem os dentes bem separados ou uma ARCADA DENTÁRIA avantajada, mas o resultado foi o pior possível.

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Vão-se os dentes, ficam os anéis

Mas ainda melhor que o bobblehead mais mal feito de todos os tempos: uma edição limitada de um Dennis Rodman que parece na verdade um OJ Simpson anêmico, de cachecol rosa e cabelo verde.

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Que obra de arte

John Wall pode ficar tranquilo. Ele é só mais um na multidão.

Ingresso mais barato para a despedida de Kobe custa 700 dólares

Nesta quarta-feira Kobe Bryant entrará em quadra pela última vez para disputar uma partida oficial pelo Los Angeles Lakers. Quem quiser assistir ao jogo lá no Staples Center, em Los Angeles, e não tiver o chamado season ticket, que dá direito a todos os jogos da temporada, terá que desembolsar PELO MENOS 700 dólares.

Na verdade este é o preço de revenda da entrada. Nos jogos da NBA, o dono de uma cadeira pode avisar previamente que não irá ao jogo e deixar seu assento disponível para venda. Existem mais de 2 mil lugares nestas condições para o jogo diante do Utah Jazz – na arena cabem 19 mil espectadores. Lá nos setores mais distantes, no último andar, os preços variam de 700 a 940 dólares.  Na primeira fileira, aquela que fica na beirada da quadra, cada entrada chega a valer 25 mil dólares. Os valores estão descritos no site de venda de ingressos StubHub. No link dá para ver ingresso por ingresso, visão da quadra a partir da cadeira selecionada e preço.

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Deste setor aqui, o ingresso mais barato é 915 dólares para ver o último jogo de Kobe

São, com certeza, os ingressos mais inflacionados da temporada. Nem o jogo do Golden State, na Oracle Arena, contra o Memphis Grizzlies está tão caro – o Warriors pode bater o recorde de vitórias em uma só temporada nesta partida. O ingresso mais barato para este confronto é 397 dólares e dá para sentar na beira da quadra por 13 mil dólares – caro pra caralho, mas ainda quase que metade do jogo do Lakers.

Excluindo este jogo da conta, as entradas para os jogos do Lakers geralmente custam, em média, 102 dólares, variando para mais ou para menos dependendo do lugar escolhido, claro. É a segunda média mais cara da NBA, perdendo apenas pros jogos do New York Knics, que chegam a custar na média 123 dólares. Já assistir às partidas do Golden State é bem mais barato em média: 50 dólares.

Os três jogos que levaram Memphis Grizzlies ao Hall da Fama

Na semana passada, dez jogadores ou personalidades ligadas ao basquete foram eleitas para integrar o Hall da Fama – uma delas foi Yao Ming, como você leu aqui. Até a escolha deste ano, o Memphis Grizzlies era uma das únicas três equipes que nunca tiveram um jogador selecionado para a lista mais seleta da bola ao cesto (junto com Minnesota Timberwolves e New Orleans Pelicans). Mas a eleição de Allen Iverson encerrou a sina do time do Tennessee.

“Oi? Iverson no Memphis?”. Pois é, quase ninguém lembra que o Pequeno Notável jogou por lá. Natural, já que foram apenas TRÊS jogos na última temporada de Iverson na NBA. Mesmo sendo um período quase insignificante para a carreira do jogador, teve lá sua relevância para a história da franquia, que deixa Wolves e Pelicans para trás como os dois únicos times ‘imaculados’ de jogadores no Hall da Fama.

Vamos então aos jogos, que tiveram suas peculiaridades:

2/11/2009 – Grizzlies vs Kings

Iverson começa no banco na partida em Sacramento. Era apenas a quartapartida da temporada e The Answer tinha acabado de assinar com o Memphis, para completar uma backcourt até então promissora, formada por Mike Conley (a aposta que deu certo) e OJ Mayo (a que deu errado). Foram 18 minutos em quadra, nove arremessos e 11 pontos e uma assistência. O time perdeu.

4/11/2009 – Grizzlies vs Warriors

Mais uma vez Iverson sai do banco em uma partida fora de casa, desta vez contra o Warriors. O armador vai bem e assume a posição de Conley na segunda metade da partida. A equipe perdeu por 113 a 105, mas Iverson jogou 27 minutos, fez 18 pontos e liderou o time com sete assistências. Enquanto esteve em quadra, a partida foi equilibrada. O jogo também marcou a primeira vitória da carreira do então calouro Stephen Curry, conhece? O atual MVP fez sete pontos na oportunidade.

6/11/2009 – Grizzlies vs Lakers

O último jogo de Iverson pela equipe do Memphis foi mais uma derrota na roadtrip californiana do time. Mais uma vez reserva (só a décima vez em toda a carreira), o baixinho não foi bem. Nos 21 minutos em quadra, o time do Grizzlies viu a vantagem do Lakers aumentar em 13 pontos. Iverson marcou apenas oito. Acostumado a disputar cesta a cesta o título de pontuador da temporada com Kobe Bryant nos velhos tempos, desta vez o armador do Lakers foi soberado: anotou 41.

Quando a equipe voltou para Memphis, Iverson foi comunicado que não seria mais usado pelo time. Uma semana depois, time e jogador concordaram em terminar o contrato de um ano e 3 milhões de dólares. Na época, dizia-se que o Knicks tinha interesse em assinar com ele, nas o negócio não deu em nada e o jogador anunciou que iria se aposentar. Ele voltou atrás da decisão no mês seguinte, quando assinou com o 76ers para um sprint final na carreira – jogou mais 25 jogos igualmente medíocres.

Não dá mais para voltar atrás

Depois da vitória do Golden State Warriors sobre o San Antonio Spurs, o técnico Steve Kerr sinalizou que gostaria de poupar seus principais jogadores para as três partidas finais. No entanto, ele deixou claro que a decisão partiria do próprio elenco.

Ao longo da caminhada da temporada regular, parecia que o time chegaria à marca de 72 vitórias ‘ao natural’. Mas a maionese desandou um pouco. O time teve algumas lesões importantes e perdeu dois jogos inesperados em casa, para o Boston Celtics e Minnesota Timberwolves. Qualquer gordura que a franquia tinha para a reta final tinha sido perdida e o time precisaria vencer de dois rivais dos playoffs: Memphis Grizzlies e San Antonio Spurs.

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Cansados ou não, os titulares têm que jogar para bater o recorde

Aí que reside a dúvida do time. Caso não tivesse entregado o ouro para rivais mais fáceis, Kerr poderia naturalmente descansar seus atletas em jogos finais, nos jogos fora, ou descansar parte do elenco em uma partida e o restante em outra. Agora, não dá mais.

No começo da temporada, fiz um post sobre o risco de jogar com força total o tempo todo, e que a meta de 70 vitórias era arriscada. Não deu outra: o grande trunfo do ano passado – um time quase imune a lesões – se perdeu nesta temporada. Iguodala, Barnes, Ezeli e Bogut se machucaram ao longo do campeonato.

Pois é, todo este risco considerado, acho que agora não é mais o momento de pensar duas vezes. Os caras têm que jogar para bater o recorde – e acho que esta será a decisão do elenco. São três partidas (duas delas neste final de semana em dias seguidos). Quem já está baleado, não vai se recuperar em uma semana. Além do mais, ganhar 72 ou 73 jogos é a chance de cada um deles gravar seu nome na história do basquete. É um feito para ser lembrado por décadas (ou até ser batido sabe-se lá quando).

É só olhar Stephen Curry. Faltam 15 cestas de três para ele chegar na insana marca de 400 cestas de trás do arco em uma única temporada (um recorde absoluto). Você imagina que ele escolha não entrar em quadra, abrindo mão disso? Eu não acredito.

Para completar, eu imagino que não alcançar pelo menos as 72 vitórias (perdendo uma partida e igualando o recorde do Chicago Bulls) seria mais prejudicial para a moral do time do que o descanso seria benéfico para a saúde dos atletas.

Não dá para voltar atrás. Tem que ir pro pau.

L.A. tem dono

Esta poderia ser a brecha perfeita para o Clippers tomar conta de Los Angeles. Enquanto o Lakers emplaca a terceira temporada seguida com 20 e poucas vitórias, 50 derrotas e aposenta um dos seus maiores ídolos, o Clippers vai para sua quinta temporada seguida entre os primeiros da liga e com um elenco formado com estrelas.

Uma matéria da ESPN levantou a tese de que este poderia ser o ponto de virada para as duas franquias – ou pelo menos o marco que estabeleceria um equilíbrio entre os dois times. De fato, nunca as condições foram tão favoráveis para isso. Pesquisas de opinião apontam que a base de fãs do Lakers cai enquanto a torcida do Clippers sobe. A beirada da quadra nos jogos LAC já é mais disputada pelas celebridades do momento do que nos jogos do LAL. Além de Kobe, nenhum outro jogador do primo rico está na lista de camisas mais vendidas, enquanto Chris Paul e Blake Griffin figuram no top 10. Enquanto um time está na sua maior sequência da história indo para os playoffs, o outro nunca tinha ficado tanto tempo sem se classificar para o mata-mata. Não há discussão que, mesmo que momentaneamente, as coisas mudaram.

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O momento é do Clippers, mas é muito difícil superar a tradição do Lakers

Mesmo assim, uma virada é muito difícil. Lakers conta com torcedores em todo o mundo (só nos EUA são cerca de 15 milhões de pessoas, abaixo apenas do Dallas Cawboys, do futebol americanos, e do New York Yankees, do baseball), é o segundo maior campeão de toda a história da NBA.

A repercussão de casos como a treta de D’Angelo Russell e Nick Young é prova disso. É um fenômeno parecido com o que rolava nas mesas redondas do Brasil enquanto o São Paulo era tricampeão no início dos anos 2000 e os programas só falavam “BOMBA NO PARQUE SÃO JORGE” pra atrair a audiência corintiana.

O Clippers pode surfar por um bom tempo na onda do modismo, mas vai precisar de muito para superar as décadas de mediocridade que ostenta no currículo.De 45 anos de história, somente 11 vezes a franquia se classificou para os playoffs. Tem, também, o segundo pior aproveitamento total de vitórias e derrotas entre as equipes ativas (39,4%, na frente apenas do Timberwolves).

Um retrospecto incomparável com a história do Lakers: melhor aproveitamento de vitórias de toda a liga (60,3%), segundo maior campeão de todos os tempos e uma meia dúzia de gerações memoráveis de estrelas e times vencedores. Qualquer pessoa com mais de 10 anos na cidade já viveu para ver algum time do Lakers sensacional. Isso é imbatível.

Para completar o cenário, o Clippers desembarcou na cidade mais tarde. O Lakers saiu de Minnesota em direção à Califórnia há 60 anos, enquanto o Clippers se mudou de San Diego na década de 80. O território amarelo e roxo está demarcado por ali há muito mais tempo do que o azul e vermelho.

Los Angeles é uma cidade imensa e fragmentada o suficiente para abrigar dois times, mas Clippers sempre vai ser o primo pobre. Mesmo na merda, o Lakers é o dono de Los Angeles.

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