Month: May 2016 (Page 1 of 6)

A final em um campeonato de três pontos

Até tenho meu palpite para a final da NBA que começa nesta quinta, mas uma coisa eu posso cravar sem o menor medo de errar: esta vai ser a final com o maior número de cestas de três em todos os tempos. Fácil.

A série com maior número de bolas de três metidas é a de 2013, entre Miami Heat e San Antonio Spurs, com 125 cestas de trás do arco. Aquela série teve a seu favor o fato de ir a sete jogos e a prorrogações, aumentando o tempo de jogo.

Nesta aqui deste ano, acho que nem seria preciso isso, já que tanto Golden State Warriors quanto Cleveland Cavaliers baseiam seus ataques nisso. Tanto nos playoffs, como na temporada regular, os dois times lideraram a NBA no quesito.

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O Golden State baseia seu jogo exclusivamente nisso, tanto é que na soma total dos sete jogos, ficou atrás do Thunder em todos os quesitos chaves decisivos para uma série de playoffs (turnovers, rebotes ofensivos, pontos feitos), mas conseguiu a vantagem no aproveitamento dos chutes e no volume de bolas de fora. Meteu 90 chutes de três, um recorde absoluto para qualquer série de playoffs.

O Cleveland consegue variar um pouco mais o jogo, especialmente com Lebron James, que vira e mexe resolve só pontuar com infiltrações, mas ainda assim conta com as bolas de três como um pilar central do seu esquema ofensivo. Em um jogo contra o Atlanta, registrou o recorde de bolas convertidas de longe em uma única partida, com 25.

Com isso, prevejo jogos com poucas variações e boas chances de lavadas, assim como grandes viradas – a desvantagem de um esquema baseado só nisso é que tem dias que parece que o aro de um lado está menor do que o outro e não tem o que faça a bola cair. Já tem sido mais ou menos assim nas semifinais e finais de conferência. Apesar de várias séries de 7 jogos, estes playoffs estão com a maior diferença média de pontos nas partidas em todos os tempos.

Ah, também é uma péssima notícia para o pessoal mais old school, que detesta este estilo de jogo. Particularmente, eu acho que é bom esse povo começar a se acostumar com um caminho sem volta que a NBA tomou – talvez não com o exagero que os dois times aplicam. Como as análises avançadas nos mostram, é a maneira mais eficiente de se fazer cestas (ou de três ou de baixo da tabela, sem mid range shots).

As entrelinhas e o futuro de Durant

Eu acho uma perda de tempo discutir coisas que fogem do nosso alcance, como o destino de jogadores sem contrato em um momento em que não há nada de concreto, nada de informação. Também acho presunçoso demais tentar pensar como um jogador nestas horas – cada um toma a decisão de uma maneira, ponderando fatos muito particulares.

Apesar disso tudo – e contrariando tudo que eu falei-, li a entrevista pós-jogo de Kevin Durant e acho que as entrelinhas dão uma boa dica de como o jogador se sente hoje para definir seu futuro. Não sei se a opinião dele vai continuar a mesma depois de discutir possíveis propostas com uma porrada de times, mas, no momento, me parece que ele se vê no Oklahoma City Thunder na próxima temporada:

We all grew up,” Durant said. “I think more than anything, we embraced the moment. We stayed in the moment every game. I’m more proud because most of these guys haven’t played in this atmosphere before.

“From (fellow free-agent-to-be) Dion (Waiters) to Enes to Andre, Steven – this is his first time as a starter playing, in this type of atmosphere as one of the main guys,” Durant said. “(Veteran) Randy (Foye) never made it to the Western Conference Finals, and he played a lot. Anthony Morrow had never made it to the playoffs, so I was just proud of how everyone just stayed in the moment and enjoyed it. That’s what I’m most proud of.”

“I see bright things for this team,” he added. “And it’s great to be a part of it.”

Não sei se vocês enxergam o mesmo que eu, mas parece mais um texto se comprometendo com o ‘futuro brilhante’ do time do que uma ‘carta de despedida’. A grosso modo, também vejo como um ‘pitch’ para tentar trazer, nem que seja por uma temporada, Dion Waiters, que tem seu contrato encerrado, de volta para o time.

No final das contas, concordo com o que o jogador disse: a equipe com esta configuração atual ‘estreou’ em playoffs neste ano, passando por cima do Spurs a ficando a 5 minutos de eliminar o ‘todo poderoso’ Warriors. Não vejo como um time com fórmula desgastada ou decadente – a equipe atual é completamente diferente daquela que chegou à final contra o Miami, em 2012.

Por estas palavras, acho que Durant tem boas chances de ficar, mas teremos uma longa offseason pela frente.

Enquanto isso, numa quadra de rua em Atenas…

Enquanto uns 20 e poucos jogadores ainda estão concentrados para a série mais importante das suas vidas, a final entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, as outras centenas de atletas da NBA já estão curtindo as suas férias. Paul George está viajando pela Europa com a sua própria camisa do Indiana Pacers. Pau Gasol tá pensando se vem ou não pras Olimpíadas do Rio. Já os ‘rising stars’ Giannis Antetokounmpo e Kristaps Porzingis estão jogando uma partida maluca de streetball em Atenas.

Duas coisas exemplificam exatamente o que é uma pelada de férias para estes caras: Porzingis jogou a partida inteira de ÓCULOS ESCUROS e Giannis e seu irmão, Thanasis, somaram 133 pontos marcados na partida. Ah, o jogo ainda rolou a céu aberto – o que justifica, em partes, KP atuar com o visual de MOSCA – e terminou empatada em 133 a 133.

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Pelada de férias > playoffs

Para tudo ficar ainda mais bizarro, no auge da partida, os caras – alguns profissionais do basquete europeu e alguns daquela RAPAZIADA GIL CEBOLA de Giannis – começaram a dançar no meio da quadra, com um centésimo do traquejo dos niggas americanos da NBA, enquanto Antetokounmpo enterrava dando um 360.

Total ritmo de férias.

 

Deu a lógica

Há uma semana, parecia que tudo podia melar: Oklahoma City Thunder na frente, 3×1 na série contra o Golden State Warriors e Toronto Raptors vencendo duas vezes seguidas o até então invicto Cleveland Cavaliers. Apesar do acidente de percurso, deu a lógica. Cleveland Cavaliers não teve a melhor temporada regular do mundo, mas sempre foi o melhor time disparado na conferência Leste. Golden State Warriors foi absolutamente dominante desde outubro.

Se perguntassem para dez pessoas no começo da temporada qual a final mais esperada para esse ano, nove responderiam que o natural seria a repetição de Cleveland e Golden State do campeonato passado. Se possível, sem lesões comprometedoras. E vai ser assim.

Eu fico feliz com a possibilidade de uma revanche. Lebron jogou sozinho na final passada e mesmo assim conseguiu, em um determinado momento, abrir 2×1 contra o Warriors. Neste ano tem tudo para ser mais equilibrado. Ao mesmo tempo que o Cleveland conseguiu se transformar em um time, o Golden State se mostrou vulnerável. Mesmo que exista um favoritismo para a série, não dá para cravar que o time do Oeste será campeão.

Mesmo que o Cleveland tenha não tenha uma defesa tão voluntariosa quanto o Oklahoma City Thunder mostrou, a equipe tem um arsenal ofensivo comparável ao do GSW. Os dois times são, disparados, os que mais arremessaram de três nestes playoffs e, junto do Spurs, os que têm o melhor aproveitamento de longe.

NBA: Playoffs-Golden State Warriors at Cleveland Cavaliers

As duas melhores histórias se reencontram na final deste ano

Acho que o confronto premia duas histórias que estão no seu auge. Uma é do time que bateu todos os recordes possíveis, que mudou a maneira do basquete ser jogado, que rivaliza com as melhores campanhas de todos os tempos. Outra é do cara que leva seu time pela sexta vez consecutiva para uma final, que ano passado quase levou o segundo título da história de MVP das finais mesmo sendo derrotado.

Eu lamento um pouco pelo Oklahoma City Thunder, que por um vacilo em cinco minutos não está na final, mas entendo que esse time pode voltar ainda mais forte na próxima temporada, destronando de vez o Warriors – que tem boas chances de começar a ver seu núcleo se desmantelar em dois anos. Sei que as coisas não funcionam assim, mas é como se no final das contas ficasse combinado que este ano é do GSW e os próximos pode ser do OKC.

Enfim, exceto para os torcedores mais ferrenhos, temos a final que todos queriam ver desde a última cesta da temporada passada. Desta vez, com os dois times completos, em igualdade de condições. Que vença o melhor!

Calendário da NBA prevê o futuro e revela que Warriors vence hoje

Rapaziada, ninguém precisa perder tempo assistindo o jogo 7 entre Oklahoma City Thunder e Golden State Warriors hoje à noite. Segundo o calendário oficial de jogos na página do facebook da NBA, o atual campeão já está na final e vai enfrentar o Cleveland Cavaliers a partir de quinta-feira (2).

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Pois é, ontem apareceu, do nada, o nome do time californiano na lista da próximos jogos sem que a série da final da conferência Oeste tivesse terminado. Segundo o ProBasketballTalk, o erro aconteceu porque o calendário de eventos da fanpage da lige puxa automaticamente a agenda do Ticketmasters – que já está comercializando os ingressos para as finais. Assim que o erro foi percebido, o calendário saiu do ar tanto na página da NBA, quando na revendedora de ingressos.

Na conferência Leste, aconteceu o contrário. A ESPN ainda ontem mostrava uma propaganda chamando os torcedores para uma suposta transmissão do jogo 7 – mesmo com o Cleveland vencendo a série na partida anterior, hahaha.

Óbvio que tem muito torcedor, principalmente do Thunder, que já acha que existe uma TEORIA DA CONSPIRAÇÃO para fazer com que os atuais campeões repitam a final do ano passado com o Cavs, no melhor estilo “se vocês soubessem o que acontece na NBA ficariam enojados”. É engraçado. Já eu tenho certeza que só foi culpa do estagiário mesmo.

Eu estou tranquilo

Há algum tempo eu perdi o tesão de ser ‘clubista’. Só tenho esse vírus no meu corpo quando o assunto é futebol – fui infectado muito moleque e me viciei em sofrer pelo Coritiba. Sendo assim, no máximo eu acabo torcendo pela melhor história quando o papo é basquete. Eu ainda não estou bem certo o que eu torço para que aconteça hoje a noite, mas estou tranquilo que, até agora, tudo está saindo perfeitamente como um bom roteiro manda, cheio de reviravoltas malucas, emoção e nos reserva um final imprevisível. Nem que eu tivesse o poder de escrever essa história pensaria em uma série tão emocionante.

Lá no começo da série, quando o Golden State ainda enfrentava o Portland Trail Blazer pela última partida da semifinal de conferência e o Oklahoma City Thunder já estava garantido, eu tinha medo que poderia não dar jogo. Mesmo com a lavada aplicada por Westbrook e Durant sobre o San Antonio Spurs, eu tinha minhas dúvidas se a dupla teria cacife para barrar o atual campeão reforçado de Stephen Curry, que voltava de lesão – há alguns dias, Curry tinha metido 17 pontos na prorrogação, mais do que 90% do que times inteiros são capazes de fazer.

Nos dois primeiros jogos tudo correu dentro da normalidade. OKC roubou uma vitória na casa do adversário, mas até aquele momento aquilo era apenas um bom sinal de que as coisas poderiam ser equilibradas. A série foi para Oklahoma e o Thunder simplesmente dominou os 96 minutos de bola quicando. Ao final do quarto jogo, com o 3 a 1 estampado no placar, parecia impossível que o Warriors poderia voltar a vencer o rival. De quatro jogos, o GSW só tinha sido realmente melhor do que o Thunder em um quarto de uma das partidas. Eu até pensava que tudo que o Golden State tinha feito até então era prova suficiente de que o time poderia retomar a série, mas no fundo tudo parecia muito, mas muito improvável.

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Se eu puder escolher, quero que o jogo de hoje tenha umas três prorrogações

Jogo seguinte, em Oakland, o Warriors fez o que tinha que fazer, e venceu o jogo – nada além da sua obrigação. Dois dias depois, em Oklahoma City Thunder, não havia menor sinal de que as coisas mudariam de figura até metade do último quarto. Mesmo com uma vantagem que às vezes era pequena, de uns quatro pontos, parecia que Thunder tinha o jogo nas mãos. Até que Thompson voltou a assertar tudo quanto é arremesso, Westbrook cagou em umas posses de bola, Curry meteu um chute ou outro e pronto. Teremos um jogo 7 completamente imprevisível. Impensável para o início dos playoffs, quando parecia que ninguém faria frente ao atual campeão. Impensável para o início da semana, quando todos tinham certeza que a virada era impossível para um time totalmente apático.

Temia que um time sensacional, com uma campanha histórica, ficasse marcado como afinão, pipoqueiro, que é atropelado por um rival nas finais. Temia que Westbrook nunca fosse reconhecido como um dos maiores destes tempos e dos melhores da posição. Temia que Durant não fosse capaz de carregar um time nas costas e sofresse do mesmo preconceito que caras como o T-Mac sofrem – só sabem meter mil bolas, mas não são bons o suficiente para ganhar.

Acho que só alguém muito cego de clubismo para não ver que os dois times fizeram de tudo e quem perder, vai ter sido eliminado para um puta time. Não vai ser a derrota em um jogo 7 que vai fazer o GSW seja uma bosta ou que Westbrook e Durant sejam dois inúteis.

Com tudo isso, com a força absurda que o Thunder mostrou ao longo do mata-mata, com o poder de reação do Golden State, com uma batalha épica que se desenha para esta segunda, eu estou muito tranquilo.

A arma secreta de Oklahoma City

O Oklahoma City Thunder pode fechar hoje a série contra o Golden State Warriors, em uma das arrancadas mais impressionantes da história dos playoffs – já eliminou o San Antonio Spurs e está prestes a derrotar o Golden State Warriors, duas das melhores equipes da história. Duas das três vitórias sobre o GSW foram verdadeiras lavadas e, mesmo nas derrotas, o time mostrou que poderia ter vencido, não fosse um detalhe ou outro.

Como se ainda fosse preciso, o time terá um aliado sinistro para bater o Warriors já no jogo 6: um dos principais hotéis da cidade, onde geralmente os times rivais se hospedam, tem a fama de ~assombrar os jogadores dos adversários. Desde que o Supersonics se mudou para Oklahoma City, o circo da NBA se queixa do Skirvin Hilton Hotel.

A lenda diz que o antigo dono do hotel, W. B. Skirvin, teve um caso com uma camareira chamada Effie por volta dos anos 30. Ela engravidou  e o magnata ordenou que ela ficasse reclusa em um dos quartos da cobertura do prédio, para que ninguém descobrisse o caso extra conjugal. Effie ficou meses trancada em uma suíte, até mesmo depois de ter a criança. Enlouquecida com a solidão, agarrou a criança e saltou da janela do 14º andar.

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Hotel que tradicionalmente recebe os jogadores adversários do Thunder é considerado assombrado

Desde 2010, quando o hotel passou a ser a morada oficial dos times visitantes da NBA – é mais ou menos só isso que acontece em OKC, por isso da lenda ter vindo à tona justamente quando a liga se estabeleceu na cidade -, alguns jogadores dizem ouvir passos nos quartos vazios, portas se batendo e banheiras enchendo sem que ninguém abrisse a torneira. A responsável por isso, alegam, é Effie.

No primeiro ano do Thunder, jogadores do Bulls e do Knicks reclamaram que eventos sinistros aconteceram durante a noite e, por isso, não tiveram um bom desempenho na partida do dia seguinte contra a equipe da casa. Eddy Curry, que era do NY Knicks, disse na época que só conseguiu dormir duas horas ao longo da noite e que passou boa parte da madrugada se borrando de medo no quarto do colega Nate Robinson. Taj Gibson, do Chicago, disse que ele e Derrick Rose passaram a noite ouvindo as ações de Effie pelos quartos, batendo portas e caminhando pelos corredores.

Nos anos seguintes, as histórias se repetiram inúmeras vezes, a ponto de alguns jogadores trocarem de hotel quando descobriam que a hospedagem estava marcada para o Skirvin Hotel.

Neste ano mesmo aconteceu algo no mínimo suspeito por lá. Na partida em que o Cleveland Cavaliers visitou o Oklahoma City Thunder, a escalação de Kyrie Irving esteve em dúvida, pois o jogador não estava disposto para entrar em quadra: na noite anterior, um exército de formigas brotaram do seu colchão, fazendo com que o jogador não pudesse dormir um segundo sequer. Ele até entrou 9 minutos em quadra, mas se mostrou completamente sem condições de jogo por conta do incidente. Pelo visto, as coisas continuam sinistras por lá…

Se Effie e seus colegas assombrados fizeram um bom trabalho nesta noite, já é meio caminho andado para o Thunder fechar a série contra o Warriors.

All NBA Teams não têm estrangeiros pela primeira vez neste século

Nesta semana a NBA anunciou as suas ‘seleções’ do campeonato, fruto da votação dos jornalistas que premiam o melhor jogador, melhor defensor e todos os outros ‘awards’ da temporada. Os três All NBA Teams são estes:

all nba teamPela primeira vez desde a virada do século nenhum dos três escretes conta com um estrangeiro sequer. O gringo que ficou mais próximo de figurar em uma das seleções foi o pivô dominicano Al Horford, que na votação geral ficou em 19º lugar, descontando a divisão por posições, a 27 pontos de entrar no 3rd All NBA Team.

Isso não quer dizer muita coisa, na real. Vale mais pela curiosidade mesmo. Nos últimos 15 anos sempre pelo menos dois estrangeiros estiveram entre os 15 selecionados e é inegável que cada vez a liga fica mais internacional.

O que aconteceu neste ano, acho, é que os estrangeiros mais estrelas estão envelhecendo (Nowitzki, irmãos Gasol) e os futuros craques ainda estão deixando as fraldas (Porzingis, Wiggins).

Se dá pra tirar alguma coisa disso é que a seleção americana vai estar absurda para as olimpíadas, mesmo com alguns desfalques confirmados. Mas, vá lá, isso também nem é novidade…

Acho que a dobradinha D’Antoni e Harden vai dar boa

Houston Rockets anunciou nesta semana que Mike D’Antoni será o técnico da equipe para a próxima temporada. Cercado de dúvidas sobre a sua capacidade, especialmente na defesa, acho que ‘l’italiani’ pode ter sido a adição ideal para o time do Texas, especialmente enquanto James Harden estiver comandando o ataque por lá.

Para quem não lembra, D’Antoni foi eleito técnico do ano e liderou a NBA em vitórias nos quatro anos em que esteve em Phoenix, de 2003 a 2008. Na época, criou uma máxima: o ataque tinha que se livrar da bola em menos de 7 segundos. A ideia é de que forçando o contra-ataque veloz, as defesas quase nunca estavam preparadas para receber o bombardeio alheio. Deu certo e em três temporadas o Suns foi o líder da NBA.

Depois, D’Antoni tentou emplacar a tática no Knicks e no Lakers sem muito sucesso, o que fez erguer um enorme ponto de interrogação sobre os trabalhos do treinador. Talvez todo aquele sucesso tenha sido fruto de um elenco muito bom, com jogadores que se encaixavam perfeitamente no sistema (Steve Nash puxando o time, Amare Stoudemire e Shawn Marion no auge, Joe Johnson e Quentin Richardson correndo pelas laterais, prontos para chutar de três).

Nos últimos anos, D’Antoni caiu meio que no esquecimento por ser reconhecidamente ruim na defesa e não ser um cara sintonizado com estatísticas e analytics- os general managers estão ligando cada vez mais para isso.

Agora, depois de um período ‘sabático forçado’, ele assina com o Rockets. Acho que pode render. A primeira coisa que me vem à mente é que ambos estão em situações parecidas. Completamente desacreditados, acho que tanto o técnico, como o time estão sendo subvalorizados. D’Antoni já foi uma unanimidade. Houston era excelente quando chegou às finais de conferência no ano passado. Não é difícil que, depois de um período na fossa, os resultados melhores a partir da próxima temporada.

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Italiano+Barba do Diabo = Loucura total

Outro aspecto que é conveniente a ambos é jogar no ‘fastball’. Como dito anteriormente, Mike só sabe montar times assim e o Houston, que monta sua ‘filosofia de jogo’ com base nos dados avançados que as estatísticas nos brindam, tem como convicção que o arremesso nos primeiros segundos da posse de bola são mais eficientes do que no estouro do cronômetro. GM e head coach partem da mesma ideia e isso é meio caminho andado.

Por último, Houston tem um pontuador nato e puxador de contra-ataque em James Harden. Jogando com muitas posses de bola curtas, não tenho dúvidas que o Barba é o favorito para título de cestinha da próxima temporada. Seja com a bola – encorajado a puxar a posse e chutar ou chamar a falta em poucos segundos, só no tempo de atravessar a quadra correndo – ou sem ela – acompanhando o armador e abrindo na lateral para arremessar desmarcado, enquanto a defesa acompanha a transição. Receita ideal para Harden meter uns 30 pontos por jogo.

O grande desafio aqui está em D’Antoni fazer Harden deixar de ser um ‘buraco negro’ – para onde as bolas vão e ninguém nunca mais vê – e alternar suas posses com finalizações e passes rápidos. Aquele Suns genial de dez anos atrás era uma correria maluca, que contrasta com o ataque do Rockets de hoje (Harden com a bola e os outros quatro jogadores esperando pacientemente a definição da jogada em seus lugares, parados).

Mesmo assim, acho que são poucos ajustes. As coincidências no jogo são muitas e, mesmo que as coisas não casem tão bem, não vejo muita margem para o Houston piorar com o elenco que tem. No fundo, acho que a correria de D’Antoni vai fazer bem ao Rockets – e vice versa.

Donovan, o MVP dos playoffs

Estamos falando muito sobre o desempenho bestialmente maravilhoso de Russell Westbrook e a capacidade absurda de Kevin Durant liderar o Oklahoma City Thunder para justificar o sucesso da equipe, mas muito do mérito deste time estar 7-3 contra duas das melhores equipes de todos os tempos é do técnico novato Billy Donovan.

É muito difícil avaliar quanto do sucesso de um time é trabalho do head coach, mas nos playoffs, quando dois times se enfrentam direto por duas semanas, os ajustes táticos ficam mais evidentes.

Na primeira rodada, o OKC começou jogando da mesma forma que levou a temporada regular: ataque total nas mãos da dupla Durant e Westbrook e Ibaka-Adams-Roberson se desdobrando na defesa. Só deu errado em um jogo, quando Durant errou tudo e o Dallas Mavericks venceu. Foi um alerta para Donovan de que, contra duas equipes altamente habilidosas na marcação, isso não seria suficiente.

Contra o Spurs, depois de uma derrota humilhante na primeira partida, Billy mexeu na sua formação. Um movimento até então impensável em dar mais tempo de quadra para Enes Kanter – o pivô é uma mãe na defesa, péssimo para marcar pick’n’roll. Mas a troca fez o time agarrar rebotes ofensivos em um terço dos arremessos errados e dar uma segunda chance de pontuar a Russell e Kevin. Dali em diante, OKC prevaleceu e precisou de só mais cinco jogos para eliminar o time do Texas.

Contra o Golden State, novos ajustes. Mesmo depois de uma série sensacional, ele tirou Kanter de ação. O tempo de quadra do turco caiu de 22 minutos por jogo contra o Spurs para 14 contra o Warriors.

Em contrapartida, apostou no inconstante Dion Waiters e no nulo Andre Roberson. O raciocínio é de que o Warriors é excelente na marcação no perímetro, mas falta perna para correr atrás de cinco jogadores abertos prontos para matar bolas de três. Abrindo Waiters e Roberson, Westbrook e Durant tem mais opções para chutar de fora, infiltrar ou, principalmente, chamar a falta na penetração – em 28% das tentativas de arremesso do time, a defesa do GSW faz falta e leva o adversário ao lance-livre, uma proporção recorde nos playoffs.

THUNDER PLAYOFFS

No seu ano de estréia, Donovan conseguiu eliminar dois dos melhores técnicos da NBA, Popovich e Carlisle, e deu um nó na ‘Death Lineup’ do Golden State

Uma das máximas que ouvimos nos últimos dois anos é de que muitos tentam jogar como o Warriors, mas ninguém é tão competente quando eles. Errado. Thunder conseguiu usar da mesma tática e matar a “Death Lineup” do GSW. O small ball do OKC, com Ibaka de pivô, Durant, Roberson, Waiters e Westbrook abertos superou a formação Green-Barnes-Iguodala-Thompson-Curry em 91 a 35 nos 26 minutos que se enfrentaram nesta série. Não é qualquer um que tem a visão – e os COJONES – de tirar Adams e Kanter, que praticamente deram a vitória à franquia contra o Spurs, para mudar radicalmente a maneira do time jogar. E ganhar.

Donovan começou os playoffs criticado por usar da mesma receita do seu antecessor, Scott Brooks, na formação do time. Mas vai sair dos playoffs com a moral de ter sido o técnico que conseguiu superar Gregg Popovich, um dos (ou o) maiores de todos os tempos, e Steve Kerr, eleito o melhor técnico do ano.

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