Ontem a noite Dwight Howard, pivô do Houston Rockets, foi o convidado especial do ‘Inside the NBA’ da TNT, principal e mais popular programa sobre basquete nos EUA. Dwight é um cara engraçadão, o programa é descontraído, os anfitriões Kenny Smith e Charles Barkley são divertidos e naturalmente o programa seria agradável e bom para dar umas risadas.

Bom, não foi bem assim. Logo de cara Barkley fez uma pergunta para Howard que mudou completamente o rumo do show, que virou uma sessão de terapia ao vivo em rede nacional. “Sempre que me perguntam eu digo que você é um cara agradável, um baita jogador, mas então por que as pessoas NÃO GOSTAM DE VOCÊ?”, questionou Chuck.

Como dá para ver no vídeo acima, Dwight respondeu que era um cara querido pelos torcedores na época em que estava em Orlando, mas a forma como saiu do time gerou alguma antipatia.

Barkley continuou com os dois pés no peito do jogador e perguntou se o jogador está desinteressado no jogo, por jogar em um time que o envolve pouco nas jogadas, e Dwight disse que sempre se interessa pela partida, mas que realmente tem horas se frustra por se sentir ‘excluído’ das ações do time em alguns momentos.

Daí o estúdio virou um divã. Análises de que Dwight se esconde ou não do jogo, se ele sorri além da conta, se isso irrita as pessoas e etc. A ‘bad vibe’ tomou conta do programa, mas, de fato, são questionamentos interessantes que permeiam a carreira do jogador especialmente nos últimos anos. Mais: são fundamentais para entender como Dwight deixou de ser alguém dominante e amado e virou um cara inútil e odiado.

Quem vê Howard hoje, se esquece que ele era um jogador extremamente popular e soberano na posição há alguns anos. As suas oito temporadas em Orlando foram espetaculares: seis vezes All Star, três vezes eleito o melhor defensor da NBA, seis vezes o líder em rebotes do campeonato, cinco vezes All NBA 1st Team, quatro vezes All Defensive 1st Team e um título de conferência Leste – o máximo que o Magic conseguiu em sua história.

dwighthoward

‘Mais amor por favor’ HOWARD, Dwight.

Além de uma besta atlética, era o líder de um time envolvente, um jogador carismático e sempre alegre. Quase todos amavam Dwight Howard. Era a estrela de uma boa parte de comerciais e garoto propaganda da Adidas. Era uma estrela perfeita.

Mas ele tem razão. As coisas começaram a se deteriorar quando pediu para ser trocado – ainda que isso seja bem normal quando um jogador começa a se destacar demais em um time sem muito futuro. Aliás, é mais simpático pedir por uma troca, situação em que o time ainda sai com alguma contrapartida, do que esperar o contrato terminar e simplesmente assinar com outra equipe.

Para complicar as coisas, Howard ainda teve um problema sério nas costas, que o atormenta até hoje – e possivelmente é o que fez seu desempenho cair sensivelmente. Ele virou Dwight ‘Coward’ na Florida e sua popularidade foi, pela primeira vez, abalada.

O processo de fritura continuou em Los Angeles, capitaneado por Kobe Bryant. O camisa 24 do Lakers nunca foi com a cara de D12 e a dupla não vingou. O que pouca gente se lembra é que naquele ano, mesmo boicotado pelo dono do time, Howard teve uma temporada ótima: liderou o time em Defensive Rating e foi o maior reboteiro da temporada. Nos playoffs, o time só contou com ele e Gasol, já que Nash e Kobe se lesionaram e não puderam jogar a série contra o Spurs.

Em Houston, as coisas continuaram gradualmente piorando, até chegar ao ponto de Dwight parecer um jogador totalmente descartável. Suas médias despencam, James Harden repete as críticas que Kobe fazia nos tempos de Lakers e o jogador se mostra claramente infeliz em quadra. Hoje, Howard é, efetivamente, um cara odiado por boa parte dos torcedores.

Particularmente, eu concordo que o jeitão alegre dele, meio infantil às vezes, é bem irritante para uma parcela das pessoas. Também é inegável que ele não é mais o jogador de cinco anos atrás. No entanto, acho que carimbaram na testa dele a marca de inútil de uma forma injusta. E esta fama faz com que as pessoas acreditem que ele é efetivamente um ‘afinão’, um ‘fraco’.

Pesa contra ele uma autoestima abalada. Dwight é, segundo relatos, aquele cara que precisa ser afagado para se sentir bem – diferente de jogadores que crescem quando são desafiados. É uma característica comum, mas imperdoável no esporte para boa parte dos torcedores.

Apesar disso, eu acredito que Howard é melhor jogador do que boa parte da liga. Seria útil, se bem usado, na maioria esmagadora dos times – nos próprios Lakers, Houston e Orlando, inclusive. Voltando a ser útil, as coisas poderiam se desencadear: ele retoma sua confiança e rende mais algumas temporadas em alto nível. Ainda mais em uma liga carente de bons pivôs.

 

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