Não existe uma verdade absoluta no basquete. A série entre Miami Heat e Toronto Raptors chegou ao jogo 7 com os dois times completamente arrebentados para nos lembrar disso. A grande máxima do jogo hoje é o ‘small ball’ – só porque o Golden State Warriors ano passado bateu o Cleveland Cavaliers sem jogar com um pivô lá dentro do garrafão maior parte do tempo muita gente acha que esta é a única maneira de se jogar basquete daqui em diante. Não é. O ‘small ball’ é um recurso apenas, que pode ser usado por um time com algum talento incrível para chutar de fora no ataque e muita versatilidade na defesa ou então quando não há qualquer opção confiável dentro do garrafão.

Ontem o Miami Heat começou o jogo contra o Toronto Raptors com uma lineup que se deu bem nos momentos cruciais dos últimos jogos decisivos da série: Goran Dragic, Dwyane Wade, Joe Johnson, Justise Winslow e Luol Deng. O maior jogador do quinteto é Deng, com 2,06, e uma carreira inteira jogando como ala. De resto, os jogadores com no máximo 2,01 (um ala e três armadores). A formação é muito ‘menor’ do que ‘small ball’, é uma formação ‘super tiny ball’. Do outro lado, Toronto entrava em quadra com seus titulares naturais diante das lesões: Kyle Lowry, Demar Derozan, Demarre Carroll e Bismack Biyombo. A única mudança de última hora foi a entrada de Patrick Patterson, um ala que sabe jogar em qualquer posição entre small forward e center.

Ué, um time baixo com vários caras super móveis, com chute suficiente de fora e esforçados na defesa deveria dar um baile em uma equipe com dois grandalhões de ofício lá embaixo da cesta, não? Não. Toronto fechou o jogo com mais de 20 pontos de vantagem e o dobro dos rebotes do time da Florida na partida mais tranquila de toda a série. Biyombo, que sempre foi tão ameaçador quanto um bonsai no ataque, teve uma performance excelente, de 17 pontos e 16 rebotes.

Eu não condeno o Miami Heat de tentar esta tática, afinal, Chris Bosh e Hassan Whiteside, donos do garrafão do time, estão fora de combate. Amare Stoudemire defende o mesmo que um James Harden, só que com dez anos a mais e dois joelhos a menos. O time não tinha saída mesmo. O que eu condeno é o endeusamento de uma tática que dá certo para um time excepcional, mas que não é a receita de vitória para todos – vide o vitorioso Raptors.

O ‘super tiny ball’ do Heat deu certo no jogo passado justamente porque Biyombo é uma mula e nem sempre vai conseguir tirar vantagem do seu tamanho e sua força, mas definitivamente não é um esquema confiável que se deva apostar sempre.

Um jogador de ofício lá dentro do garrafão era tão necessário ao Heat que o único que tinha à disposição, Josh McRoberts – uma versão com todos os defeitos e poucas qualidades de Chris Bosh, para você ver o nível…-, jogou 15 minutos e se fosse possível contar só o tempo que esteve em quadra, o Miami teria vencido por um ponto.

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O small ball do Heat transformou Bismack Biyombo em um herói improvável

Lógico que esta derrota do ‘minúsculo’ Miami não decreta o fim do ‘small ball’, mas espero que sirva para desmentir uma convicção que muita gente tem. Toronto deve jogar com um pivô sempre que possível contra o Cleveland, especialmente quando Tristan Thompson ou Timofey Mozgov estiver em quadra. Do outro lado, mesmo quando o Warriors correr com um time baixo, o Thunder deve manter sempre dois do trio Ibaka/Adams/Kanter (que ganharam a série contra o Spurs).

Afinal, o basquete não é um esporte de gigantes há um século por acaso.’Small ball’ é pra quem pode – como o Golden State. Ou pra quem não tem mais alternativa – como foi, por um tempo, para Miami. Mas não será sempre a solução.

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