A contratação de Jeff Hornacek é a melhor notícia que a torcida do New York Knicks poderia ter neste momento. Não tanto pela qualidade do técnico, que não parecia a melhor opção para o time, mas sim pelo que a escolha representa: o fim da ‘ditadura dos triângulos’ e da curta porém desastrosa Era Rambis no time.

Desde que Phil Jackson foi anunciado como presidente do Knicks muito se falou e pouco se viu em quadra. A presença do multicampeão deveria atrair grandes estrelas para o Madison Square Garden e formar um time que iria brigar pelo título da conferência Leste. Como contrapartida por levar esta ‘grife’ à franquia, Jackson exigiu que as coisas deveriam seguir dentro das suas convicções. A principal delas: o esquema dos triângulos que aplicou nas dinastias vitoriosas do Chicago Bulls e do Los Angeles Lakers.

A verdade é que a moral de Phil Jackson só foi suficiente para renovar o contrato de Carmelo Anthony e angariar os úteis-porém-nada-estrelares Robin Lopez e Arron Afflalo. Ao mesmo tempo, para reafirmar suas convicções contratou Derek Fisher como técnico, mesmo sem ter qualquer experiência parecida e, depois que o demitiu sem mais nem menos, promoveu o auxiliar Kurt Rambis ao posto de head coach.

O problema é que Fisher pareceu ser lá grande coisa, Rambis é horrível e o time só melhorou timidamente por conta da chegada do calouro Kristaps Porzingis. Jackson insistia que o time só deveria jogar no esquema dos triângulos que ninguém conseguia entender muito bem como funcionava – ou tinham a certeza de que funcionava mal.

Aqui vale um parêntesis. Phil Jackson é um cara que ganhou muito coisa, sempre foi excelente para administrar os egos dos seus times e montou verdadeiras máquinas. Mas, ao meu ver, hoje ele é um cara bem dispensável. Ele não abre mão de um esquema que deu certo só em supertimes e há 15 anos, quando o basquete era outro. Os triângulos, jogo que posiciona os pivôs no topo do garrafão, exige muitos passes, chutes longos certeiros e jogo de meia quadra, era adequado para o esporte da década de 90. Hoje a história é outra.

Enfim, temporada acabada, parecia que Jackson iria efetivar Rambis por ser um dos únicos caras na face da terra que ainda topava jogar nesse ritmo. Apavorado com a possibilidade do interino continuar, Carmelo até se posicionou falando das suas preferências.

Surpreendentemente, do nada, Jeff Hornacek foi anunciado. O treinador teve um excelente ano de estreia no Phoenix Suns. A equipe era cotada para ser uma das quatro últimas da tabela e Hornacek conseguiu carregar o time a uma campanha de 48 vitórias. Conseguiu isso ainda com um elenco totalmente desequilibrado, com três point guards potenciais titulares e uma sére de free agents nas outras posições. Ele conseguiu isso com um basquete de contra-ataque insano e correria total. Maior parte das posses de bola daquele time eram queimadas quando ainda restavam mais de 15 segundos para arremessar no cronômetro. A campanha rendeu a Hornacek a segunda colocação na votação para melhor técnico da temporada.

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Talvez nem fosse o melhor nome, mas Hornacek é a certeza de que os triângulos e Rambis deixarão de assombrar a franquia

No ano seguinte, uma série de lesões e falta de comando no vestiário fizeram com que o treinador fosse demitido. Mas se vale como consolo, o time foi ainda pior com seu sucessor Earl Watson.

Acho até que tinha coisa melhor no mercado (Frank Vogel) e que a correria pregada por Hornacek seja prejudicial para o desenvolvimento de Porzingis – acredito que teria invariavelmente que jogar como pivô mais tempo, o que não acho que seja a melhor das ideias -, mas somente por garantir que a sua chegada representa uma quebra no legado de Jackson e seu triângulo no jogo do time, já acho que as coisas melhoraram muito de figura em Nova York.