No meio da temporada, a conferência Leste até conseguiu nos enganar um pouco. Fazia décadas que não acontecia de todos os classificados aos playoffs do Leste fecharem o ano com mais vitórias do que derrotas e a melhora de alguns times da conferência fizeram um pessoal acreditar que as coisas estavam mais equilibradas neste ano. Os playoffs mostram a besteira que esse pessoal falava – eu não caí nessa!

A diferença de percepção não ficava muito clara naquela época, mas com o afunilamento do campeonato a gente percebe melhor o quanto as campanhas, analisadas de forma despretensiosa, nos induzem ao erro.

Primeiro é preciso entender porque achávamos isso naquela época. Os times do Leste venciam mais do que estamos acostumados e, no total, eles tinham mais vitórias do que as equipes do Oeste. É uma maneira bem leviana de dizer que uma conferência é melhor do que a outra. Na época eu até alertei que as campanhas excelentes de Spurs e Warrios, com muitas vitórias sobre os times do Oeste, e as dragas do Sixers e Boston, com várias derrotas para os times do Leste, maquiavam a tabela de classificação.

Outro aspecto é que, de fato, alguns times do Leste evoluíram bastante. No entanto, isso nunca quis dizer que eles passaram a ser melhores que equipes do Oeste. Boston cresceu bastante, Miami evoluiu muito, Indiana teve a volta de Paul George e Detroit montou um time decente. No final das contas, a evolução ficava nítida se comparada ao desempenho dos rivais da mesma conferência e não aos times do Oeste.

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No Oeste, a treta alcança outro patamar

No entanto, era possível dizer que o desequilíbrio ainda existia somente olhando os elencos dos times. Exceto Cleveland Cavaliers, com Lebron e cia, e Miami, que outro time do ‘lado de cá’ conta com mais do que uma superestrela no auge da forma? Miami tem uma dupla excelente, mas em decadência. Toronto tem um bom, mas questionável duo. Indiana só tem Paul George. Carmelo, Millsap e Drummond são muito eficientes mas não tem uma companhia no mesmo nível.

Diferente dos principais times do Oeste. Curry e Green tem um elenco de primeira, Durant e Westbrook são a melhor dupla da NBA, Chris Paul/Blake Griffin e Kawhi/Lamarcus vêm logo na sequência. Além de uma multidão de outros excelentes jogadores espalhados por outras franquias.

A prova mais gritante disso é a votação para MVP deste ano: dos dez que receberam votos (cada jornalista votava nos cinco melhores jogadores do ano), oito caras defendem um time do Oeste. Nas discussões de 1st, 2nd e 3rd All NBA Team isso também vai ficar evidente, com certeza.

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Não quer dizer que o campeão será do Oeste, mas que dizer que para um time ‘do lado de lá’ ganhar o título, ele tem que ralar muito mais.

Por outro lado, são estas equipes que conseguem, ano após ano, angariar os maiores talentos. Os times do Oeste são mais fortes, conseguem chamar a atenção dos melhores jogadores (dão mais condições de lutarem pelo título, times mais competitivos) e assim continuam ainda mais fortes. É uma bola de neve que eu não sei como pode ser revertida, infelizmente.

Até que isso mude um dia, a diferença de qualidade vai ser gritante. Quase que uma primeira contra uma segunda divisão, mesmo que os números da temporada regular nos enganem.

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