Nove em cada dez pessoas que curtem NBA aqui no Brasil gostam de dizer que acompanham “desde o tempo que passava na Band” como se esta fosse a maior credencial que um fã de basquete pode ter. Mesmo aqueles que nasceram depois que o canal parou de transmitir os jogos. Mesmo aqueles que sequer assistiam a um jogo. Mesmo que o canal passasse uma meia dúzia de jogos. Mesmo que seja inegável que a ~EXPERIÊNCIA hoje seja muito mais intensa, com todo acesso aos jogos, informações e estatísticas disponíveis. Enfim, acho que é do ser humano pensar que certas coisas, dificuldades, saudosismos, fazem o gosto de um ser melhor do que o outro.

Bom, esse pessoal que sente tanta saudade da NBA dos anos 90, do trash talk, do quebra pau, ‘do basquete de verdade’, não pode reclamar: Draymond Green está aí exalando basquete e, principalmente, atitude ‘old school’ nestes playoffs.

green90s

Green leva uma técnica na série contra o Portland

Green é raça pura. Tão monstruoso da defesa que chega a ser chato. Tão raçudo no ataque que é violento. Não para de falar e provocar os adversários, seja na quadra, no pós jogo, na pós temporada…

Nestes playoffs, estamos experimentando o máximo dele, para o bem e para o mal. Só em três jogos contra o Oklahoma City Thunder, já chutou duas vezes o saco de Steve Adams – muita gente discute se foi intencional ou não, mas não é possível que seja APENAS espontaneidade fazer a perna subir naquela altura e só parar nas bolas alheias.

Contra o Portland Trail Blazer, falou que o time adversário estava totalmente fora de combate antes mesmo da série terminar. Em 13 jogos, já tomou 4 técnicas – mais da metade do que toda a sua carreira em playoffs. No que diz respeito à violência, catimba e trash talk, Green não perde nada para Rodman, Payton, Rasheed e outros bocudos-durões do passado.

Para completar, Green ainda tem um ‘shape’ que quase perdeu espaço nos dias de hoje, que é o do atleta meio fora de forma. Não que ao comparar com pessoas normais, como eu e você, ele não seja absurdamente atlético, mas num ambiente em que maior parte dos caras têm menos de 5% de gordura corporal e não comem carboidrato depois das 19 horas, o formato levemente mais roliço de Green chama a atenção. Aquele conjunto de dobras na nuca não me deixa mentir.

Eu curto muito ele, seu estilo e seu jogo. Também tenho certeza que muitas coisas mudaram e ele é um personagem que poderia ser mais frequente em qualquer lugar, não só na NBA, mas no esporte em geral, ou até mesmo na vida. Mas também sempre acho que deve ser feita uma ponderação: é injusto compararmos ‘os bons tempos’ temperados por uma memória afetiva que nem sempre condiz com a realidade. Aquele tempo nem era tão mais maravilhoso que o jogo de hoje e a NBA de agora não é tão ‘soft’ como muita gente adora dizer.

Em todo caso, para quem discorda, fica o alento de que teremos muito Draymond Green por aí.

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