Estamos falando muito sobre o desempenho bestialmente maravilhoso de Russell Westbrook e a capacidade absurda de Kevin Durant liderar o Oklahoma City Thunder para justificar o sucesso da equipe, mas muito do mérito deste time estar 7-3 contra duas das melhores equipes de todos os tempos é do técnico novato Billy Donovan.

É muito difícil avaliar quanto do sucesso de um time é trabalho do head coach, mas nos playoffs, quando dois times se enfrentam direto por duas semanas, os ajustes táticos ficam mais evidentes.

Na primeira rodada, o OKC começou jogando da mesma forma que levou a temporada regular: ataque total nas mãos da dupla Durant e Westbrook e Ibaka-Adams-Roberson se desdobrando na defesa. Só deu errado em um jogo, quando Durant errou tudo e o Dallas Mavericks venceu. Foi um alerta para Donovan de que, contra duas equipes altamente habilidosas na marcação, isso não seria suficiente.

Contra o Spurs, depois de uma derrota humilhante na primeira partida, Billy mexeu na sua formação. Um movimento até então impensável em dar mais tempo de quadra para Enes Kanter – o pivô é uma mãe na defesa, péssimo para marcar pick’n’roll. Mas a troca fez o time agarrar rebotes ofensivos em um terço dos arremessos errados e dar uma segunda chance de pontuar a Russell e Kevin. Dali em diante, OKC prevaleceu e precisou de só mais cinco jogos para eliminar o time do Texas.

Contra o Golden State, novos ajustes. Mesmo depois de uma série sensacional, ele tirou Kanter de ação. O tempo de quadra do turco caiu de 22 minutos por jogo contra o Spurs para 14 contra o Warriors.

Em contrapartida, apostou no inconstante Dion Waiters e no nulo Andre Roberson. O raciocínio é de que o Warriors é excelente na marcação no perímetro, mas falta perna para correr atrás de cinco jogadores abertos prontos para matar bolas de três. Abrindo Waiters e Roberson, Westbrook e Durant tem mais opções para chutar de fora, infiltrar ou, principalmente, chamar a falta na penetração – em 28% das tentativas de arremesso do time, a defesa do GSW faz falta e leva o adversário ao lance-livre, uma proporção recorde nos playoffs.

THUNDER PLAYOFFS

No seu ano de estréia, Donovan conseguiu eliminar dois dos melhores técnicos da NBA, Popovich e Carlisle, e deu um nó na ‘Death Lineup’ do Golden State

Uma das máximas que ouvimos nos últimos dois anos é de que muitos tentam jogar como o Warriors, mas ninguém é tão competente quando eles. Errado. Thunder conseguiu usar da mesma tática e matar a “Death Lineup” do GSW. O small ball do OKC, com Ibaka de pivô, Durant, Roberson, Waiters e Westbrook abertos superou a formação Green-Barnes-Iguodala-Thompson-Curry em 91 a 35 nos 26 minutos que se enfrentaram nesta série. Não é qualquer um que tem a visão – e os COJONES – de tirar Adams e Kanter, que praticamente deram a vitória à franquia contra o Spurs, para mudar radicalmente a maneira do time jogar. E ganhar.

Donovan começou os playoffs criticado por usar da mesma receita do seu antecessor, Scott Brooks, na formação do time. Mas vai sair dos playoffs com a moral de ter sido o técnico que conseguiu superar Gregg Popovich, um dos (ou o) maiores de todos os tempos, e Steve Kerr, eleito o melhor técnico do ano.