Houston Rockets anunciou nesta semana que Mike D’Antoni será o técnico da equipe para a próxima temporada. Cercado de dúvidas sobre a sua capacidade, especialmente na defesa, acho que ‘l’italiani’ pode ter sido a adição ideal para o time do Texas, especialmente enquanto James Harden estiver comandando o ataque por lá.

Para quem não lembra, D’Antoni foi eleito técnico do ano e liderou a NBA em vitórias nos quatro anos em que esteve em Phoenix, de 2003 a 2008. Na época, criou uma máxima: o ataque tinha que se livrar da bola em menos de 7 segundos. A ideia é de que forçando o contra-ataque veloz, as defesas quase nunca estavam preparadas para receber o bombardeio alheio. Deu certo e em três temporadas o Suns foi o líder da NBA.

Depois, D’Antoni tentou emplacar a tática no Knicks e no Lakers sem muito sucesso, o que fez erguer um enorme ponto de interrogação sobre os trabalhos do treinador. Talvez todo aquele sucesso tenha sido fruto de um elenco muito bom, com jogadores que se encaixavam perfeitamente no sistema (Steve Nash puxando o time, Amare Stoudemire e Shawn Marion no auge, Joe Johnson e Quentin Richardson correndo pelas laterais, prontos para chutar de três).

Nos últimos anos, D’Antoni caiu meio que no esquecimento por ser reconhecidamente ruim na defesa e não ser um cara sintonizado com estatísticas e analytics- os general managers estão ligando cada vez mais para isso.

Agora, depois de um período ‘sabático forçado’, ele assina com o Rockets. Acho que pode render. A primeira coisa que me vem à mente é que ambos estão em situações parecidas. Completamente desacreditados, acho que tanto o técnico, como o time estão sendo subvalorizados. D’Antoni já foi uma unanimidade. Houston era excelente quando chegou às finais de conferência no ano passado. Não é difícil que, depois de um período na fossa, os resultados melhores a partir da próxima temporada.

dantoni

Italiano+Barba do Diabo = Loucura total

Outro aspecto que é conveniente a ambos é jogar no ‘fastball’. Como dito anteriormente, Mike só sabe montar times assim e o Houston, que monta sua ‘filosofia de jogo’ com base nos dados avançados que as estatísticas nos brindam, tem como convicção que o arremesso nos primeiros segundos da posse de bola são mais eficientes do que no estouro do cronômetro. GM e head coach partem da mesma ideia e isso é meio caminho andado.

Por último, Houston tem um pontuador nato e puxador de contra-ataque em James Harden. Jogando com muitas posses de bola curtas, não tenho dúvidas que o Barba é o favorito para título de cestinha da próxima temporada. Seja com a bola – encorajado a puxar a posse e chutar ou chamar a falta em poucos segundos, só no tempo de atravessar a quadra correndo – ou sem ela – acompanhando o armador e abrindo na lateral para arremessar desmarcado, enquanto a defesa acompanha a transição. Receita ideal para Harden meter uns 30 pontos por jogo.

O grande desafio aqui está em D’Antoni fazer Harden deixar de ser um ‘buraco negro’ – para onde as bolas vão e ninguém nunca mais vê – e alternar suas posses com finalizações e passes rápidos. Aquele Suns genial de dez anos atrás era uma correria maluca, que contrasta com o ataque do Rockets de hoje (Harden com a bola e os outros quatro jogadores esperando pacientemente a definição da jogada em seus lugares, parados).

Mesmo assim, acho que são poucos ajustes. As coincidências no jogo são muitas e, mesmo que as coisas não casem tão bem, não vejo muita margem para o Houston piorar com o elenco que tem. No fundo, acho que a correria de D’Antoni vai fazer bem ao Rockets – e vice versa.

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