Há algum tempo eu perdi o tesão de ser ‘clubista’. Só tenho esse vírus no meu corpo quando o assunto é futebol – fui infectado muito moleque e me viciei em sofrer pelo Coritiba. Sendo assim, no máximo eu acabo torcendo pela melhor história quando o papo é basquete. Eu ainda não estou bem certo o que eu torço para que aconteça hoje a noite, mas estou tranquilo que, até agora, tudo está saindo perfeitamente como um bom roteiro manda, cheio de reviravoltas malucas, emoção e nos reserva um final imprevisível. Nem que eu tivesse o poder de escrever essa história pensaria em uma série tão emocionante.

Lá no começo da série, quando o Golden State ainda enfrentava o Portland Trail Blazer pela última partida da semifinal de conferência e o Oklahoma City Thunder já estava garantido, eu tinha medo que poderia não dar jogo. Mesmo com a lavada aplicada por Westbrook e Durant sobre o San Antonio Spurs, eu tinha minhas dúvidas se a dupla teria cacife para barrar o atual campeão reforçado de Stephen Curry, que voltava de lesão – há alguns dias, Curry tinha metido 17 pontos na prorrogação, mais do que 90% do que times inteiros são capazes de fazer.

Nos dois primeiros jogos tudo correu dentro da normalidade. OKC roubou uma vitória na casa do adversário, mas até aquele momento aquilo era apenas um bom sinal de que as coisas poderiam ser equilibradas. A série foi para Oklahoma e o Thunder simplesmente dominou os 96 minutos de bola quicando. Ao final do quarto jogo, com o 3 a 1 estampado no placar, parecia impossível que o Warriors poderia voltar a vencer o rival. De quatro jogos, o GSW só tinha sido realmente melhor do que o Thunder em um quarto de uma das partidas. Eu até pensava que tudo que o Golden State tinha feito até então era prova suficiente de que o time poderia retomar a série, mas no fundo tudo parecia muito, mas muito improvável.

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Se eu puder escolher, quero que o jogo de hoje tenha umas três prorrogações

Jogo seguinte, em Oakland, o Warriors fez o que tinha que fazer, e venceu o jogo – nada além da sua obrigação. Dois dias depois, em Oklahoma City Thunder, não havia menor sinal de que as coisas mudariam de figura até metade do último quarto. Mesmo com uma vantagem que às vezes era pequena, de uns quatro pontos, parecia que Thunder tinha o jogo nas mãos. Até que Thompson voltou a assertar tudo quanto é arremesso, Westbrook cagou em umas posses de bola, Curry meteu um chute ou outro e pronto. Teremos um jogo 7 completamente imprevisível. Impensável para o início dos playoffs, quando parecia que ninguém faria frente ao atual campeão. Impensável para o início da semana, quando todos tinham certeza que a virada era impossível para um time totalmente apático.

Temia que um time sensacional, com uma campanha histórica, ficasse marcado como afinão, pipoqueiro, que é atropelado por um rival nas finais. Temia que Westbrook nunca fosse reconhecido como um dos maiores destes tempos e dos melhores da posição. Temia que Durant não fosse capaz de carregar um time nas costas e sofresse do mesmo preconceito que caras como o T-Mac sofrem – só sabem meter mil bolas, mas não são bons o suficiente para ganhar.

Acho que só alguém muito cego de clubismo para não ver que os dois times fizeram de tudo e quem perder, vai ter sido eliminado para um puta time. Não vai ser a derrota em um jogo 7 que vai fazer o GSW seja uma bosta ou que Westbrook e Durant sejam dois inúteis.

Com tudo isso, com a força absurda que o Thunder mostrou ao longo do mata-mata, com o poder de reação do Golden State, com uma batalha épica que se desenha para esta segunda, eu estou muito tranquilo.