Até tenho meu palpite para a final da NBA que começa nesta quinta, mas uma coisa eu posso cravar sem o menor medo de errar: esta vai ser a final com o maior número de cestas de três em todos os tempos. Fácil.

A série com maior número de bolas de três metidas é a de 2013, entre Miami Heat e San Antonio Spurs, com 125 cestas de trás do arco. Aquela série teve a seu favor o fato de ir a sete jogos e a prorrogações, aumentando o tempo de jogo.

Nesta aqui deste ano, acho que nem seria preciso isso, já que tanto Golden State Warriors quanto Cleveland Cavaliers baseiam seus ataques nisso. Tanto nos playoffs, como na temporada regular, os dois times lideraram a NBA no quesito.

bolasd3playoffs

O Golden State baseia seu jogo exclusivamente nisso, tanto é que na soma total dos sete jogos, ficou atrás do Thunder em todos os quesitos chaves decisivos para uma série de playoffs (turnovers, rebotes ofensivos, pontos feitos), mas conseguiu a vantagem no aproveitamento dos chutes e no volume de bolas de fora. Meteu 90 chutes de três, um recorde absoluto para qualquer série de playoffs.

O Cleveland consegue variar um pouco mais o jogo, especialmente com Lebron James, que vira e mexe resolve só pontuar com infiltrações, mas ainda assim conta com as bolas de três como um pilar central do seu esquema ofensivo. Em um jogo contra o Atlanta, registrou o recorde de bolas convertidas de longe em uma única partida, com 25.

Com isso, prevejo jogos com poucas variações e boas chances de lavadas, assim como grandes viradas – a desvantagem de um esquema baseado só nisso é que tem dias que parece que o aro de um lado está menor do que o outro e não tem o que faça a bola cair. Já tem sido mais ou menos assim nas semifinais e finais de conferência. Apesar de várias séries de 7 jogos, estes playoffs estão com a maior diferença média de pontos nas partidas em todos os tempos.

Ah, também é uma péssima notícia para o pessoal mais old school, que detesta este estilo de jogo. Particularmente, eu acho que é bom esse povo começar a se acostumar com um caminho sem volta que a NBA tomou – talvez não com o exagero que os dois times aplicam. Como as análises avançadas nos mostram, é a maneira mais eficiente de se fazer cestas (ou de três ou de baixo da tabela, sem mid range shots).