Month: May 2016 (Page 2 of 6)

Golden State precisa voltar a ser Golden State

Eu ainda não estou entendendo perfeitamente o que está acontecendo. É impressionante imaginar que o time mais dominante em anos, talvez da história, esteja sendo atropelado com tanta facilidade. Ontem, mais uma vez, Oklahoma City Thunder passou o rolo compressor pelo Golden State Warriors. A única certeza para o momento é que, se o atual campeão quer passar de fase, vai ter que fazer história.

Não que isso diga muita coisa sobre o futuro, mas acho que mostra a gravidade da situação: apenas nove vezes um time virou uma série que estava perdendo por 3×1 nos playoffs. Na final de conferência, quando as coisas geralmente estão mais difíceis ainda, a última vez foi em 1981, quando Boston Celtics virou a série contra o Philadelphia 76ers. Nos 35 anos seguintes, ninguém foi capaz de tal feito. Foda demais…

Mais do que o tabu, as coisas vão ter que mudar radicalmente dentro de quadra. Não sei se Steph está machucado, cansado ou ‘só’ abalado, mas o MVP está totalmente apático. Nas três derrotas do time na série, o jogador tem feito apenas três bolas de três e errado outras oito, algo muito incomum para o melhor arremessador de todos os tempos. Draymond Green parece o coadjuvante de três anos atrás, quando as pessoas mal sabiam quem ele era. Juntos registraram 30 turnovers na série.

031916_DubsLost.jpg

Curry costumava acertar metade dos seus arremessos de três, mas agora erra três vezes mais bolas do que acerta

Com certeza, boa parte desta apatia é fruto de uma marcação implacável do Oklahoma City Thunder, com as melhores trocas na defesa que eu lembro de ter visto. Roberson, Westbrook e Durant estão conseguindo anular completamente o backcourt adversário. Só Thompson que tem conseguido se desvencilhar parcialmente desta marcação. Mas só isso não basta.

Numa conta bem primária, se Klay, Steph e Draymond estivessem chutando próximo dos 40% tradicionais, o GSW teria feito um total de 33 pontos a mais e na soma total da série estaria numa vantagem de 2 pontos feitos sobre o OKC. Isso isoladamente não quer dizer nada, mas dá uma boa medida de onde o time tem errado.

Além de voltar a acertar no ataque – o time nunca passou por um apagão tão grande nos chutes de fora -, o Warriors precisa voltar a defender bem. Isso é possível. Thompson é um dos cinco melhores defensores do perímetro da liga. Green é, junto com Kawhi Leonard, o melhor marcador da liga. Bogut só está no time para defender. Iguodala costumava ser excelente nisso. Estes caras sabem fazer isso, apesar de não estarem mostrando ao longo da série.

Eu acho que está muito difícil, muito improvável, mas o Golden State já nos impressionou ao longo dos últimos dois anos. Ao longo da temporada o time demonstrou várias vezes um poder de reação brutal virando uma dezena de partidas no último quarto – mais do que qualquer outro time da NBA nesta temporada. O próprio Curry já mostrou que precisa só de uma meia dúzia de minutos para acabar com um jogo – vide a prorrogação contra o Portland e o terceiro quarto do segundo jogo contra o OKC.

No final das contas, basta ao caras do Warriors que eles voltem a ser eles mesmos. É foda quando o adversário é um time super empolgado e jogando no seu máximo, mas foi jogando o seu basquete de sempre que o Golden State varreu o OKC ao longo da temporada.

Muita gente fala que as chances de virada não existem pela forma como as derrotas aconteceram, mas é preciso lembrar que o próprio Thunder foi humilhado pelo Spurs no primeiro jogo da série entre os dois times. Até mesmo o ‘todo poderoso’ Bulls levoua maior lavada que um 1st seed tomou na história (42 pontos) para o Jazz, em 98, e mesmo assim venceu a série. Cada jogo tem sua história. Cabe ao Warriors mudar radicalmente a sua daqui pra frente.

Nada de Steph ou mesmo Riley. A sensação é ‘Stuff Curry’.

Stephen Curry virou o jogador mais popular do basquete nos últimos dois anos não só por tudo que fez dentro de quadra – dois títulos de MVP, um da NBA, recordes de cestas de três -, mas por fazer aquele estilão ‘nice guy’ e, também, ter aquela cara de criança, diferente dos ídolos tradicionais do basquete.

Ano passado, todo mundo passou a amar sua filha, Riley Curry. Esta sim uma criança de verdade, passou a ser a grande estrela dos playoffs do ano passado, dançando na beira da quadra, invadindo as entrevistas do pai e esbanjando a graça que essas crianças têm.

Hoje, com a derrota iminente para o OKC, Steph está em baixa. Riley, naturalmente, desapareceu. Cenário perfeito para emergir a mais nova sensação ‘da família’: Stuff Curry.

A história da nova celebridade começa como boa parte das histórias de fama na internet: alguém comentou uma foto em que o bebê aparecia zoando que ele era gordinho, a parada meio que saiu do controle até que um anônimo qualquer comentou ‘Stuff’ Curry, em referência ao peso do bebe e sua semelhança com Steph.

FullSizeRender(2)

A mãe, apesar de triste com o trocadilho, decidiu capitalizar com a brincadeira: botou uma camisa do Warriors no moleque e começou a bombardear a rede de fotos do ‘sósia’. Aí sim que o negócio viralizou.

Provavelmente ‘Stuff’ nem sabe o que está acontecendo, mas é inegável que tem um talento para o trabalho de MODELO E MANEQUIM. A mãe, que está surfando no sucesso do filho, diz que é uma resposta ao ‘bullying’ que o bebê sofreu. Se for realmente isso, acho válido – apesar de lamentar um pouco a exposição involuntária da criança. Enfim, dá para conferir diariamente a SEMELHANÇA com o craque no instagram que a mãe criou para o filho no @babylandonlee. Hoje ele tem mais de 40 mil seguidores, um recorde para um bebê de onze meses, acredito.

FullSizeRender(3)

FullSizeRender(4)

Em todo caso, Stuff > Steph.

Westbrook é provavelmente mais inteligente que você

Há um grande consenso sobre Russell Westbrook: que ele é um monstro infernal, um trem desgovernado, um insano completo quando está jogando basquete. Apesar de ter números implacáveis e estar se apresentando no mais alto nível, algumas ações dentro de quadra nos fazem questionar se ele é um excepcional jogador em todos os aspectos ou se é um ser com um corpo abençoado para o jogo mas com uma cabeça que às vezes ‘dá ruim’.

Eu, particularmente, acho ele fantástico, mas entendo que muita gente tenha um pé atrás com ele, já que nem sempre toma as melhores decisões possíveis. Mas eu posso afirmar outra coisa, também: pelo menos fora das quadras, ele é mais inteligente que a grande maioria de nós.

russell-westbrook-most-stylish-1

Os óculos entregam a nerdisse de Westbrook. Ou não.

Quando se formou no Ensino Médio, Russell tinha um GPA, que é a nota média padrão dos EUA, de 3,9. Para você ter uma ideia, esta nota média garante entrada em 97% das universidades americanas e é superior a 94% do desempenho total dos alunos no país. Além de todas as bolsas oferecidas por conta do seu basquete, Westbrook recebeu uma proposta de bolsa parcial de Stanford – uma das cinco universidades mais fodas do país, no mesmo nível de Harvard, por exemplo – por conta do seu desempenho acadêmico, especialmente em matemática, matéria que tinha as melhores notas.

Ele também é um dos poucos casos de jogadores que foram draftados mas continuaram indo às aulas mesmo depois de se tornar profissional. Por alguns verões após ter entrado para a NBA, ele compareceu às aulas de inglês e história para conseguir o diploma de Estudos Afro-Americanos pela UCLA.

É bom pensar duas vezes na próxima vez que for chamá-lo de burro.

NBA 2K é a inspiração para arremessos de JR Smith

Apesar das últimas duas partidas não terem saído exatamente como planejava, JR Smith está com o melhor aproveitamento para os chutes de três de toda a sua carreira. Em 12 jogos nestes playoffs, o jogador está com um aproveitamento de de 45% nos arremessos de trás do arco, fazendo também um career-high de 3,8 cestas por jogo daquela área da quadra.

Numa das coletivas pós- jogo, Lebron e JR foram questionados quais suas referências para conseguir acertar todos aqueles “tricky shots”. Enquanto James disse que se espelha em Michael Jordan, Smith falou que se inspira nos movimentos do NBA 2K. Sério.

8349_370240_2016-01-14_00001

JR Smith ama tanto videogame, que NBA 2K é a sua principal inspiração para os arremessos certeiros de três

JR Smith é um baita de um fanfarrão e era de se esperar que ele estivesse apenas sendo muito irônico com o repórter. Ele é do tipo do cara que, por exemplo, coloca no seu yearbook de formatura do High School a frase “get chicks or die tryin”, mas acho que quando o assunto é videogame, JR não está brincando.

Ano passado, ele deu uma entrevista falando como era ‘ofensivo’ quando um jogador que ele estava marcando fazia muitos pontos em uma partida. Comparou a situação a um cara entrar na sua casa e roubar um videogame na sua frente. “I love My Xbox”:

Com a série 2×2, é hora de Smith voltar ao ‘videogame mode’.

Vá em paz, Raptors

O Toronto Raptors venceu mais uma vez o Cleveland Cavaliers na noite de ontem, empatando em 2×2 a final de conferência Leste. Não foi uma vitória tão retumbante como a primeira, três dias atrás, quando o time venceu por 15 pontos de vantagem, mas foi uma vitória, como posso dizer, mais legítima. Toronto venceu jogando bem, com suas estrelas fazendo tudo que podem e contra um rival que jogou em alto nível boa parte da partida, especialmente os dois últimos quartos.

Não acho que o Raptors vá ter gás e qualidade suficiente para vencer mais dois jogos, sendo pelo menos um deles na casa do adversário, mas a franquia surpreendeu a todos nos últimos jogos desta série e vai cair ‘de pé’. Cleveland é o grande time do Leste e o máximo que Toronto podia fazer, foi feito: beliscar uma ou outra vitória e atrapalhas ao máximo a campanha do Cavs até a final. E vai ser assim.

20408886-mmmain

Biyombo apareceu, Derozan e Lowry finalmente jogaram tudo que podiam e o Raptors vai cair com dignidade diante do Cavaliers

A história do Toronto nestes playoffs seguiu um enredo de filme. O time chegou com uma campanha excelente, vantagem no mando de quadra, mas com um tabu perturbador de sempre perder para um time em piores condições logo na primeira fase. Isso quase aconteceu. Seus principais jogadores foram muito mal e Valanciunas, um herói improvável, apareceu. No segundo round, o lituano se machucou e o time mais uma vez levou a disputa até o último jogo. Impossível que fosse mais sofrido.

Para completar, começou a série final contra o Cleveland apanhando duramente. Parecia que Lebron, Kyrie e companhia iriam passear mais uma vez. Mas, como num filme ruim e previsível da Sessão da Tarde, o time mais fraco se superou. Aquele cara que não jogava nada, Bismack Biyombo, deu a vitória para o Raps em uma lavada contra os favoritos. No segundo jogo, Lowry e Derozan, que decepcionaram o mata-mata inteiro, finalmente desencantaram e tiveram a melhor atuação de uma dupla em playoffs desde Barkley e Majerle, no início da década de 90.

Para quem entrou nos playoffs com medo de ser eliminado logo de cara, vencer dois jogos do até então soberano Cleveland é um resultado bem digno para qualquer franquia do Leste. Tenho certeza que o Raptors vai cair, mas vai ser de pé.

 

Draymond Green é tudo aquilo que os saudosistas mais sentem falta

Nove em cada dez pessoas que curtem NBA aqui no Brasil gostam de dizer que acompanham “desde o tempo que passava na Band” como se esta fosse a maior credencial que um fã de basquete pode ter. Mesmo aqueles que nasceram depois que o canal parou de transmitir os jogos. Mesmo aqueles que sequer assistiam a um jogo. Mesmo que o canal passasse uma meia dúzia de jogos. Mesmo que seja inegável que a ~EXPERIÊNCIA hoje seja muito mais intensa, com todo acesso aos jogos, informações e estatísticas disponíveis. Enfim, acho que é do ser humano pensar que certas coisas, dificuldades, saudosismos, fazem o gosto de um ser melhor do que o outro.

Bom, esse pessoal que sente tanta saudade da NBA dos anos 90, do trash talk, do quebra pau, ‘do basquete de verdade’, não pode reclamar: Draymond Green está aí exalando basquete e, principalmente, atitude ‘old school’ nestes playoffs.

green90s

Green leva uma técnica na série contra o Portland

Green é raça pura. Tão monstruoso da defesa que chega a ser chato. Tão raçudo no ataque que é violento. Não para de falar e provocar os adversários, seja na quadra, no pós jogo, na pós temporada…

Nestes playoffs, estamos experimentando o máximo dele, para o bem e para o mal. Só em três jogos contra o Oklahoma City Thunder, já chutou duas vezes o saco de Steve Adams – muita gente discute se foi intencional ou não, mas não é possível que seja APENAS espontaneidade fazer a perna subir naquela altura e só parar nas bolas alheias.

Contra o Portland Trail Blazer, falou que o time adversário estava totalmente fora de combate antes mesmo da série terminar. Em 13 jogos, já tomou 4 técnicas – mais da metade do que toda a sua carreira em playoffs. No que diz respeito à violência, catimba e trash talk, Green não perde nada para Rodman, Payton, Rasheed e outros bocudos-durões do passado.

Para completar, Green ainda tem um ‘shape’ que quase perdeu espaço nos dias de hoje, que é o do atleta meio fora de forma. Não que ao comparar com pessoas normais, como eu e você, ele não seja absurdamente atlético, mas num ambiente em que maior parte dos caras têm menos de 5% de gordura corporal e não comem carboidrato depois das 19 horas, o formato levemente mais roliço de Green chama a atenção. Aquele conjunto de dobras na nuca não me deixa mentir.

Eu curto muito ele, seu estilo e seu jogo. Também tenho certeza que muitas coisas mudaram e ele é um personagem que poderia ser mais frequente em qualquer lugar, não só na NBA, mas no esporte em geral, ou até mesmo na vida. Mas também sempre acho que deve ser feita uma ponderação: é injusto compararmos ‘os bons tempos’ temperados por uma memória afetiva que nem sempre condiz com a realidade. Aquele tempo nem era tão mais maravilhoso que o jogo de hoje e a NBA de agora não é tão ‘soft’ como muita gente adora dizer.

Em todo caso, para quem discorda, fica o alento de que teremos muito Draymond Green por aí.

Toda a gana de Westbrook e Durant

Desde o intervalo do jogo de ontem até agora eu estou tentando entender o que rolou. Sinceramente acho que não tenho a menor pista do que fez o Oklahoma City Thunder humilhar o Golden State Warriors em todos os aspectos no jogo 3 da final da conferência Oeste. Por mais que nos dois primeiros jogos um time tenha dominado completamente o outro por alguns minutos, que decidiram as partidas, não lembro de ter visto algo tão avassalador nos playoffs deste ano.

Talvez tenha rolado algo parecido naquele jogo em que o Cavs meteu trocentas bolas de três na semifinal do Leste, com a diferença que na oportunidade o time adversário era o ‘normal’ Atlanta Hawks e não o ‘até então absurdo’ Golden State Warriors.

Enquanto não tenho respostas pra isso, prefiro comentar algo que me chamou a atenção nesta partida, especialmente no terceiro quarto de jogo. A partida já estava completamente definida, uns 110 a 75, e Russell Westbrook e Kevin Durant continuavam jogando em um ritmo alucinante, dando tudo que podiam dar. Sabe aquela fração de segundos logo após um nocaute em que o vencedor da luta continua socando o perdedor totalmente inconsciente no chão até que o juíz se jogue sobre os dois, separando a luta e decretando o resultado do confronto? Parecia isso, só que por 12 intermináveis minutos protagonizados por Durant e Westbrook.

russell_westbrook_thunder_2015_2_USAT

A versão insana de Westbrook é tudo o que o Thunder precisava para vencer

No final da temporada, lembro de ter lido por cima algum texto dizendo que o OKC só poderia disputar alguma coisa quando Russ e Kevin passassem a jogar tomados pelo ódio. Na época eu discordei. Imagino que caras como eles entrem sempre em quadra com ‘combustível’ suficiente, sejam movidos pela raiva ou qualquer outra motivação – especialmente Westbrook, que joga como um trem desgovernado.

Por outro lado, é inegável que algo inexplicável tem feito os dois jogarem em um nível ainda mais alto do que estamos acostumados. Foi assim em pelo menos cinco jogos contra o Spurs e em dois contra o Warriors.

Uma medida bem subjetiva disso foi esse lance dos dois continuarem em quadra puxando o time quando as coisas já estavam resolvidas. Se tirarmos o último quarto, que foi uma pelada em que os dois times só esperaram o tempo passar, a dupla jogou 32 dos 36 minutos – em metade deles, com mais de 25 pontos de vantagem e contra uma lineup parcialmente reserva do Warriors.

Talvez seja essa gana que alguns achavam que faltava antes, sei lá. Seja o que for, é isso que pode fazer o time bater um dos melhores times da história e botar um anel nos dedos dos seus jogadores.

 

A diferença entre Leste e Oeste é gritante

No meio da temporada, a conferência Leste até conseguiu nos enganar um pouco. Fazia décadas que não acontecia de todos os classificados aos playoffs do Leste fecharem o ano com mais vitórias do que derrotas e a melhora de alguns times da conferência fizeram um pessoal acreditar que as coisas estavam mais equilibradas neste ano. Os playoffs mostram a besteira que esse pessoal falava – eu não caí nessa!

A diferença de percepção não ficava muito clara naquela época, mas com o afunilamento do campeonato a gente percebe melhor o quanto as campanhas, analisadas de forma despretensiosa, nos induzem ao erro.

Primeiro é preciso entender porque achávamos isso naquela época. Os times do Leste venciam mais do que estamos acostumados e, no total, eles tinham mais vitórias do que as equipes do Oeste. É uma maneira bem leviana de dizer que uma conferência é melhor do que a outra. Na época eu até alertei que as campanhas excelentes de Spurs e Warrios, com muitas vitórias sobre os times do Oeste, e as dragas do Sixers e Boston, com várias derrotas para os times do Leste, maquiavam a tabela de classificação.

Outro aspecto é que, de fato, alguns times do Leste evoluíram bastante. No entanto, isso nunca quis dizer que eles passaram a ser melhores que equipes do Oeste. Boston cresceu bastante, Miami evoluiu muito, Indiana teve a volta de Paul George e Detroit montou um time decente. No final das contas, a evolução ficava nítida se comparada ao desempenho dos rivais da mesma conferência e não aos times do Oeste.

446735-may-21-2014-san-antonio-tx-usa-oklahoma-city-thunder-forward-kevin-dur

No Oeste, a treta alcança outro patamar

No entanto, era possível dizer que o desequilíbrio ainda existia somente olhando os elencos dos times. Exceto Cleveland Cavaliers, com Lebron e cia, e Miami, que outro time do ‘lado de cá’ conta com mais do que uma superestrela no auge da forma? Miami tem uma dupla excelente, mas em decadência. Toronto tem um bom, mas questionável duo. Indiana só tem Paul George. Carmelo, Millsap e Drummond são muito eficientes mas não tem uma companhia no mesmo nível.

Diferente dos principais times do Oeste. Curry e Green tem um elenco de primeira, Durant e Westbrook são a melhor dupla da NBA, Chris Paul/Blake Griffin e Kawhi/Lamarcus vêm logo na sequência. Além de uma multidão de outros excelentes jogadores espalhados por outras franquias.

A prova mais gritante disso é a votação para MVP deste ano: dos dez que receberam votos (cada jornalista votava nos cinco melhores jogadores do ano), oito caras defendem um time do Oeste. Nas discussões de 1st, 2nd e 3rd All NBA Team isso também vai ficar evidente, com certeza.

oestexleste

Não quer dizer que o campeão será do Oeste, mas que dizer que para um time ‘do lado de lá’ ganhar o título, ele tem que ralar muito mais.

Por outro lado, são estas equipes que conseguem, ano após ano, angariar os maiores talentos. Os times do Oeste são mais fortes, conseguem chamar a atenção dos melhores jogadores (dão mais condições de lutarem pelo título, times mais competitivos) e assim continuam ainda mais fortes. É uma bola de neve que eu não sei como pode ser revertida, infelizmente.

Até que isso mude um dia, a diferença de qualidade vai ser gritante. Quase que uma primeira contra uma segunda divisão, mesmo que os números da temporada regular nos enganem.

Procura-se: interessado em trabalhar na NBA

Garanto que muitos de vocês que curtem NBA ainda tem aquele sonho juvenil de trabalhar com algo relacionado com a liga, em algum time, VIRAR TÉCNICO, JOGADOR e etc. Olha, não quero ser aquele urubu estraga-prazer, mas já sendo, acho que é muito difícil de rolar. Em todo caso, se mesmo assim você é daqueles que curtem se enganar, aqui vai uma dica: a NBA tem um site que mostra todas as vagas de emprego relacionadas à liga e aos 30 times. Também mostra as oportunidades de carreira na WNBA e na D-League.

Nas vagas da liga aparecem oportunidades no mundo inteiro (até no Brasil, onde a NBA tem escritório), geralmente ocupações bem administrativas como gerente de marketing em Shangai, estagiário de recursos humanos em Bristol e essas coisas aleatórias assim como em qualquer empresa.

Nos times, as oportunidades são mais bacanas e variadas: vendedor de ingresso, coordenador de vídeo, gerente de eventos e etc.

Eu acho hilário navegar por lá. Vira e mexe aparecem umas vagas bizarras, tipo MASCOTE. A descrição é sensacional, geralmente. “Altamente motivado, enérgico e com talentos individuais para ser o novo mascote do time. O candidato ideal tem experiência em atuações como mascote, possui excelente habilidade para comunicação não-verbal, é atlético e em forma, e tem personalidade criativa e bem humorada.”

laclippers

Só é triste saber que uma seleção tão maravilhosa deu vida a um dos mascotes mais horríveis de todos os tempos, Chuck the California Condor:

720x405-AP_1603010503366140

Em todo caso, fica a dica para os sonhadores de plantão.

 

Knicks sem triângulos e com Hornacek

A contratação de Jeff Hornacek é a melhor notícia que a torcida do New York Knicks poderia ter neste momento. Não tanto pela qualidade do técnico, que não parecia a melhor opção para o time, mas sim pelo que a escolha representa: o fim da ‘ditadura dos triângulos’ e da curta porém desastrosa Era Rambis no time.

Desde que Phil Jackson foi anunciado como presidente do Knicks muito se falou e pouco se viu em quadra. A presença do multicampeão deveria atrair grandes estrelas para o Madison Square Garden e formar um time que iria brigar pelo título da conferência Leste. Como contrapartida por levar esta ‘grife’ à franquia, Jackson exigiu que as coisas deveriam seguir dentro das suas convicções. A principal delas: o esquema dos triângulos que aplicou nas dinastias vitoriosas do Chicago Bulls e do Los Angeles Lakers.

A verdade é que a moral de Phil Jackson só foi suficiente para renovar o contrato de Carmelo Anthony e angariar os úteis-porém-nada-estrelares Robin Lopez e Arron Afflalo. Ao mesmo tempo, para reafirmar suas convicções contratou Derek Fisher como técnico, mesmo sem ter qualquer experiência parecida e, depois que o demitiu sem mais nem menos, promoveu o auxiliar Kurt Rambis ao posto de head coach.

O problema é que Fisher pareceu ser lá grande coisa, Rambis é horrível e o time só melhorou timidamente por conta da chegada do calouro Kristaps Porzingis. Jackson insistia que o time só deveria jogar no esquema dos triângulos que ninguém conseguia entender muito bem como funcionava – ou tinham a certeza de que funcionava mal.

Aqui vale um parêntesis. Phil Jackson é um cara que ganhou muito coisa, sempre foi excelente para administrar os egos dos seus times e montou verdadeiras máquinas. Mas, ao meu ver, hoje ele é um cara bem dispensável. Ele não abre mão de um esquema que deu certo só em supertimes e há 15 anos, quando o basquete era outro. Os triângulos, jogo que posiciona os pivôs no topo do garrafão, exige muitos passes, chutes longos certeiros e jogo de meia quadra, era adequado para o esporte da década de 90. Hoje a história é outra.

Enfim, temporada acabada, parecia que Jackson iria efetivar Rambis por ser um dos únicos caras na face da terra que ainda topava jogar nesse ritmo. Apavorado com a possibilidade do interino continuar, Carmelo até se posicionou falando das suas preferências.

Surpreendentemente, do nada, Jeff Hornacek foi anunciado. O treinador teve um excelente ano de estreia no Phoenix Suns. A equipe era cotada para ser uma das quatro últimas da tabela e Hornacek conseguiu carregar o time a uma campanha de 48 vitórias. Conseguiu isso ainda com um elenco totalmente desequilibrado, com três point guards potenciais titulares e uma sére de free agents nas outras posições. Ele conseguiu isso com um basquete de contra-ataque insano e correria total. Maior parte das posses de bola daquele time eram queimadas quando ainda restavam mais de 15 segundos para arremessar no cronômetro. A campanha rendeu a Hornacek a segunda colocação na votação para melhor técnico da temporada.

Screen Shot 2016-05-18 at 9

Talvez nem fosse o melhor nome, mas Hornacek é a certeza de que os triângulos e Rambis deixarão de assombrar a franquia

No ano seguinte, uma série de lesões e falta de comando no vestiário fizeram com que o treinador fosse demitido. Mas se vale como consolo, o time foi ainda pior com seu sucessor Earl Watson.

Acho até que tinha coisa melhor no mercado (Frank Vogel) e que a correria pregada por Hornacek seja prejudicial para o desenvolvimento de Porzingis – acredito que teria invariavelmente que jogar como pivô mais tempo, o que não acho que seja a melhor das ideias -, mas somente por garantir que a sua chegada representa uma quebra no legado de Jackson e seu triângulo no jogo do time, já acho que as coisas melhoraram muito de figura em Nova York.

Page 2 of 6

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén