A temporada de trocas e assinatura de novos contratos se inicia nesta sexta-feira (1) e para entender bem todas as possibilidades de assinaturas, quem cada time pode contratar e etc, é bacana entender bem como funciona o limite salarial da NBA, que é o que rege todas estas dinâmicas de formação de elencos para a temporada.

Resolvi fazer este post para ficar meio como um guia de consulta ETERNO, para que as dúvidas mais básicas possam ser sanadas por aqui. Vou explicar em TÓPICOS porque o assunto é chato pra caralho para a maioria das pessoas, então colocar em fragmentos pode ser mais fácil de ler e entender.

SALARY CAP (o que é, como funciona e história)
Bom, primeiro é preciso entender que a liga estipula um limite que pode ser gasto em salários aos jogadores, o chamado Salary Cap. Para esta temporada, o máximo que os times podem, em tese, gastar em contratos com seus jogadores é 94 milhões de dólares.

O objetivo disso é que a liga tenha um certo equilíbrio. Desde o início da NBA, na década de 40, existe alguma forma de limite salarial, mas o Cap da forma que conhecemos hoje entrou em vigor em 1984, com um limite de 3,6 milhões de dólares ao ano.

Em média, este limite aumentou de 1 a 2 milhões por temporada até 1995, quando um novo acordo de TV fez o Cap Space aumentar de 15,9 milhões para 23 milhões em um ano e, no ano seguinte, para 26,9 milhões. Isso acontece porque o máximo que os times podem pagar em salários é determinado pelo lucro da liga. Quanto maior o lucro (proveniente, também, dos contratos de transmissão), maior a quantia que os times podem gastar em salários.

O mesmo acontece agora nesta temporada. Em 15/16, o total que os times podiam gastar era 70 milhões, mas com a entrada em vigor do novo contrato de transmissão dos jogos, o limite saltou para 94 milhões neste ano e no ano que vem deve ir para mais de 107 milhões.

SOFT CAP
Mesmo com estas regras, alguns times acabam extrapolando o limite total de salários na montagem dos seus elencos. Isso acontece porque a NBA adotou a fórmula do Soft Cap, que flexibiliza este teto.

Basicamente, um time pode passar do limite quando for renovar o contrato com um jogador que já está no seu elenco. O teto funciona, na prática, para que o time não consiga atrair novos jogadores sem contratos. Existem também contratos de exceção que podem ser feitos mesmo quando o time já ocupou toda sua folha, como por exemplo o ‘contrato mínimo de veterano’ e etc.

No final das contas, maior parte dos times excedem o limite ao longo da temporada e o Salary Cap funciona mais para limitar a assinatura dos free agents disponíveis no mercado.

SALÁRIOS MÁXIMOS E CAP MÍNIMO
Mesmo que o limite salarial total de um time seja 94 milhões, um time não pode chegar e pagar, sei lá, 90 milhões por ano para um jogador. Existem regras que determinam quanto um jogador pode ganhar no máximo e no mínimo.

Para começar, os times que extrapolam a folha salarial, pagam multa sobre o valor que excede o teto. O mesmo acontece quando os times ficam com uma folha salarial ABAIXO do mínimo estipulado. Atualmente, o acordo coletivo da NBA determina que os times TEM que gastar pelo menos 90% da sua folha salarial durante a temporada. Com um salary cap de 94 milhões, os times têm que ter pelo menos 84,6 milhões em contratos com seus jogadores. Foi por isso que, durante a temporada passada, o Portland pegou Anderson Varejão no Cleveland. Com os 12 milhões por ano do pivô, o time não pagaria multa por estar abaixo do limite mínimo.

minimo

Existem também restrições para a assinatura de novos contratos com os jogadores. Os mínimos e máximos variam do tempo que o jogador está na liga. Os mínimos são estes:

minimo jogador

E os máximos são estes:

maximo

Tudo isso para mostrar que um time não tem a liberdade que quiser para a montagem do seu elenco. É preciso que o time inteiro tenha um total de salário mínimo e mesmo os melhores jogadores têm um salário máximo estipulado. Por isso Lebron James, por exemplo, assinou um contrato de um ano na temporada passada: para poder tirar proveito do salário máximo desta temporada (que é maior do que se ele tivesse negociado em 2015).

O mesmo acontece com Kevin Durant neste ano. Este é apenas o nono ano do jogador na liga. Se ele assinar um contrato de um ano agora e ano que vem buscar um novo contrato, ele pode aumentar o valor máximo que tem a receber (por entrar na outra faixa de remuneração). Portanto, é de se esperar que ele assine um contrato curto agora e seja free agent novamente ano que vem.

TROCAS E FREE AGENTS
Estes limites, estes totais máximos e estas restrições que compõe o período de trocas e assinaturas de contratos. Os times com menos salários comprometidos no cap naturalmente terão mais bala na agulha para atrair jogadores sem contratos, podendo oferecer contratos  maiores.

Mas é comum que mesmo times sem espaço na folha salarial tentem contratar jogadores sem contrato. Neste caso, é preciso que seja feita uma ‘sign and trade’, ou seja, o time renova com o jogador e na sequencia o troca com o time de destino. Nesta negociação, as equipes trocam jogadores que, na soma, tenham valores parecidos em salários.

Digamos que Kevin Durant queira ir para o Golden State Warriors. O time não tem espaço na folha para pegar o contrato que ele quer – e digamos que ele queira o máximo. Então o jogador terá que renovar com o Thunder e o time terá que trocá-lo com a equipe de destino. O Warriors, por sua vez, terá que abrir mão de jogadores que, na soma, totalizem o salário final de Durant.

Bom, de maneira MUITO SIMPLISTA E RESUMIDA estas são as regras da Free Agency. Existem muitas exceções vigentes e regras para a progressão salarial nos contratos longos e renovações, mas basicamente são estes pontos acima os essenciais para entender a offseason da NBA.

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