Guia da offseason: impacto de um cap de 94 milhões

Já expliquei bem objetivamente como funciona o salary cap e como é a dinâmica da assinatura de novos contratos. Nesta offseason, teremos um aumento no limite salarial de 70 milhões para 94 milhões, fazendo com que quase todos os times tenham bala na agulha para assinar com novos jogadores. Acontece que isso gera um fenômeno um pouco prejudicial para a liga, especialmente porque neste ano não temos um volume tão grande de bons jogadores free agents (sim, tem Kevin Durant, mas a maior parte dos jogadores no mercado são medianos).

Com muito dinheiro ‘à disposição’ e poucos jogadores muito bons dando sopa, certamente teremos uma offseason inflacionada. Muitos times terão grana sobrando para dar salários máximos aos jogadores sem contrato, mas poucos jogadores disponíveis ‘merecem’ toda essa bolada.

Na prática é mais ou menos assim: digamos que dez times tenham espaço livre no cap (26 milhões) para atrair Kevin Durant. Ele vai decidir seu futuro e assinar somente com um deles. Os outros nove times vão com toda essa grana atrás de outros jogadores (Mike Conley, Hassan Whiteside, Demar Derozan e etc). Dali um tempo, todos estes caras já vão ter se decidido e uns três times ainda não vão ter assinado com ninguém. Estas equipes, daí, vão atrás de caras tipo Harrison Barnes, Ryans Anderson e cia oferecendo boladas muito maiores do que eles receberiam em condições normais, já que estes times estão desesperados atrás de reforços, cheios de grana e com poucas opções à disposição.

Outro fator que vai fazer com que muitos jogadores sejam sobreremunerados, é o fato de que todos os times são obrigados a gastar 90% do salary cap. Sorte, então, de quem é free agent neste ano – e azar dos times que se comprometerem por muitos anos com tralhas.

Aqui fiz uma lista de jogadores que são free agents e tem boas possibilidades de acabaram ganhando muito mais do que receberiam em condições normais:

Harrison Barnes – O ala foi muito mal na final da NBA. A tática do Cleveland Cavaliers consistia em deixá-lo livre para chutar, já que ele estava errando todos os arremessos possíveis. Apesar disso, por ser novo e ter um biotipo versátil, Barnes certamente vai ter um contrato de estrela mesmo sem ser uma. Ele é especulado como um possível reforço do Los Angeles Lakers, que tem Luke Walton (ex-auxiliar do Warriors) como novo técnico. A equipe californiana CERTAMENTE vai pagar jogadores acima dos seus valores de mercado, já que tem muita grana (mais de 60 milhões) para gastar e não tem muito a oferecer para os novos jogadores. Barnes, que não é um exímio chutador, nem criador de jogadas, nem marcados, nem reboteiro, nem nada, vai ganhar como se fosse tudo isso.

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É provável que Barnes receba em 2016 mais do que Westbrook e Curry

Ryan Anderson – Muitos times estão atrás de um power forward que possa chutar de três e esta é basicamente a definição do jogo de Anderson. Isso deve render um salário bem gordo ao jogador. O problema é que Anderson já tem quase 30 anos e nunca conseguiu jogar uma temporada inteira. Digamos que pegue um salário de quatro anos, é bem provável que um time tenha 1/5 da sua folha comprometida com um Anderson velho e bichado pelas próximas temporadas.

Bradley Beal – É quase um Ryan Anderson, que vive machucado, mas com uma vantagem e uma desvantagem. O lado bom é que Beal é bem mais jovem que Anderson e um contrato longo é natural. O ruim é que possivelmente o jogador vai assinar um contrato máximo. É justo Bradley Beal ganhando o mesmo que Kevin Durant e Lebron James? Com certeza não.

Bismack Biyombo – Biyombo foi um jogador útil nos playoffs e tudo mais, mas certamente é, na melhor das hipóteses, um bom coadjuvante. Com muitos times atrás de Whiteside, é bem provável que algum dos preteridos acabe pagando uma fortuna para o pivô africano.

Jamal Crawford – O armador têm 36 anos, mas ter vencido o prêmio de melhor reserva na última temporada (mais uma vez), mesmo que injustamente, vai fazer com que seja um jogador disputado pelos times que querem um pontuador na segunda unidade.

Joakim Noah – Não jogou direito as últimas duas temporadas, mas deve ser o prêmio de consolação para os times que forem atrás de Whiteside, Horford e Howard.

Festus Ezeli – Mesma situação de Noah e Biyombo, com a diferença que existe um hype em Ezeli por ter sido reserva do Golden State Warriors. Como é novo, deve abocanhar um contrato de quatro anos.

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