Month: June 2016 (Page 2 of 6)

Lebron, Lillard e Kawhi também não virão para as Olimpíadas do Rio

A lista só cresce. Depois de Stephen Curry, James Harden e Russell Westbrook divulgarem que não vêm jogar as Olimpíadas do Rio, ontem três estrelas da seleção americana também declinaram a convocação prévia: Lebron James, Kawhi Leonard e Damian Lillard.

Lebron divulgou a notícia por meio do seu agente, alegando que vai usar o tempo das férias para se recuperar fisicamente do desgaste da longa temporada e corrida pelo título. James seria a principal estrela do time americano e iria buscar sua terceira medalha de ouro seguida no Rio. No entanto, com o título da NBA neste ano, parece que a motivação se evaporou.

Kawhi Leonard e Damian Lillard foram outros dois que recusaram a convocação. Os jogadores também alegaram que pretendem se recuperar de lesões durante o verão americano. Uma pena também, já que tinham grandes chances de figurarem entre os titulares.

Com isso, os EUA já tem uma seleção inteira de jogares que NÃO vão representar o país nos jogos. Fora estes que pediram para não jogar, Anthony Davis, Blake Griffin, Chris Paul, John Wall e Lamarcus Aldridge também foram vetados por lesão.

Pelo menos ainda tem uma turma motivada. Kevin Durant disse que pretende vir e deve ser o líder do time na disputa. DeMarcus Cousins e Jimmy Butler também se colocaram à disposição. Mais veterano, Carmelo Anthony disse que quer estar no Brasil também. Ele é o remanescente do time bicampeão dos jogos de Pequim e Londres. Draymond Green e Kyle Lowry também estariam interessados em participar da disputa. A lista oficial sai no dia 27 de junho.

Balcão de negócios

É isso que acontece quando há uma classe de calouros considerada fraca e muitos times acreditando que precisam só de uma ou outra peça para virar competitivo imediatamente: o draft vira um balcão de negócios, os calouros viram meras moedas de troca e as escolhas, em si, ficam em segundo plano comparadas com as trocas que os times fazem para ajustar seus elencos. A ordem final das picks e seus times você pode ver aqui neste link.

Ontem foi mais ou menos assim. Na verdade a movimentação começou na quarta-feira – e nem vou mencionar a troca de Derrick Rose para o Knicks, porque não teve impacto neste draft -, com a troca entre três times que mandou a 12ª escolha do Utah Jazz para o Atlanta Hawks, o que não é nada perto da ida de Jeff Teague para o Indiana Pacers e George Hilll para Utah.

No dia seguinte, o Indiana mais uma vez foi ao mercado, desta vez para se desfazer da 20ª pick em troca de Thaddeus Young, um ala melhor do que qualquer prospecto que seria pego lá da metade para o final do round. O Nets, por outro lado, não tem muito o que fazer: se livrou do seu segundo melhor jogador para ter uma escolha de primeiro round em anos – já tem negociada com o Boston Celtics a sua primeira escolha até 2018 – e pegou o armador Caris LeVert.

Falando em Celtics, eles e o Phoenix Suns entraram na noite do draft loucos atrás de times interessados nas suas escolhas. Os dois times tinham uma porrada de picks e, aparentemente, pouco interesse nos calouros deste ano.

O Boston bem que tentou fazer algum movimento forte de bastidor. A ideia era transormar a terceira escolha em algo mais sólido. Os boatos envolveram, principalmente, Nerlens Noel, do Sixers, e Jimmy Butler, do Bulls. Não rolou de o time acabou escolhendo NOVE calouros ao longo da noite – nem tem como assinar com tanta gente.

Na quarta escolha, com menos poder de barganha, o Suns também sofreu para fazer negócio. Acabou, no final das contas, apostando nos calouros mesmo. Pegou Dragan Bender e ainda ficou com o novato  escolhido pelo Sacramento Kings, Marquese Chris, em troca outras escolhas e draft rights do europeu Bogdan Bogdanovic.

O mesmo clima se seguiu com o andamento do draft. Minnesota Timberwolves passou a semana inteira tentando trocar o seu armador Ricky Rubio. O time tentou até o último segundo, mas não conseguiu. Pegou o único armador decente desta leva, Kris Dunn, o que reforça que Rubio pode ser negociado ao longo dos próximos meses. O problema é que poucos times estão atrás de armadores, o que faz com que a oferta por estes jogadores fiquem mais escassas. Se conseguir negociar, deve pegar algo menos valioso em troca.

A maior troca no ato do draft envolveu o Orlando Magic e o Oklahoma City Thunder, em uma negociação bem inesperada. O time de Westbrook se desfez de Serge Ibaka e, em troca, recebeu o combo guard Victor Oladipo, o ala Ersan Ilyasova e a 11ª escolha deste draft, que usou para selecionar Domantas Sabonis.

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Oladipo, segunda escolha de 2013, foi envolvido na principal troca da noite

Mesmo que Serge Ibaka tenha uma boa colocação no Magic, eu não entendi esta troca. Para mim, ela foi MUITO vantajosa para o Thunder. Oladipo era (parecia ser, pelo menos) a menina dos olhos de um Orlando em reformulação. Se desfez por um ala que, ainda que seja jovem, parece cada vez mais tímido em quadra. Não entendi, de verdade.

No mais, de relevante, o Charlotte Hornets conseguiu o shooting guard especialista nos arremessos de fora que tanto queria. Marco Bellineli saiu do Kings e foi para o time da Carolina do Norte em troca da 22ª escolha do draft, que foi usada para selecionar Malachi Richardson.

Enfim, veja aqui o resumo por time das movimentações ou tentativas de trocas:

Boston Celtics – Bem que tentou, mas não conseguiu converter suas escolhas em jogadores já estabelecidos na liga. Acabou ficando com uma porrada de calouros (não vai ter espaço no elenco para assinar metade deles). As principais escolhas foram Jaylen Brown (calouro bem atlético, ala) e a dupla de gringos Guerschon Yabusele e Ante Zizic.

Phoenix – Tentou também, mas com menos vontade e moedas de troca mais desinteressantes, também teve que se contentar com suas escolhas de draft. Pegou dois power forwards com habilidade para chutar de fora (Dragan Bender e Marquese Chriss), uma necessidade do time.

Minnesota Timberwolves – A franquia estava de olho no único point guard que parece ter futuro nesta geração, Kris Dunn. Acontece que o time tem Rúbio no elenco. Para não ficar com dois jogadores da mesma posição, o Wolves tentou ao longo de toda a semana se livrar do espanhol. Não conseguiu ainda, mas é bem possível que role algo nos próximos meses.

Philadelphia 76ers – Muito de falou se o time iria escolher mesmo Ben Simmons, um ala-pivô, na primeira escolha, mesmo já tendo quatro jogadores para o garrafão. O Sixers fez o certo e foi atrás do maior talento à disposição. O problema é que não conseguiu se livrar de ninguém para pegar um jogador de perímetro do topo do draft. Jalhil Okafor e Nerlens Noel devem continuar na vitrine para negociações nas próximas semanas.

Orlando Magic – O time defenestrou um cara que, ao meu ver, era uma peça central no processo de formação de um elenco promissor. Victor Oladipo saiu em troca de Serge Ibaka. Me parece um sinal de que Mario Hezonja vai assumir mais responsabilidades de imediato nesta equipe. Ibaka, por outro lado, chega para segurar a onda na defesa dentro do garrafão, que era uma piada só com Nikola Vucevic.

Oklahoma City Thunder – A franquia conseguiu fazer a melhor troca mesmo sem ter qualquer escolha no draft neste ano. Ibaka já estava completamente deslocado no esquema do time e foi negociado por Oladipo, um jogador que defende muito bem e tem um físico animalesco, perfeito para acompanhar Russell Westbrook e Kevin Durant, se este renovar com o time. Achei ótimo para o Thunder, que ainda tem a esperança de um bom calouros em Domantas Sabonis. Só precisa resolver quem será seu ala-pivô para a temporada.

Charlotte Hornets – Entrou no draft atrás de um arremessador no perímetro que pudesse substituir Nicolas Batum e Courtney Lee, ambos sem contrato. Trocou sua escolha pelo sólido Marco Bellineli.

Sacramento Kings – Em compensação, o time da California pegou uma porrada de calouros e congestionou ainda mais seu garrafão. Pode ser um sinal de que DeMarcus Cousins está mesmo de saída.

Indiana Pacers – O time conseguiu montar um quinteto bem encaixado para a temporada. Me parece um time de playoffs que pode incomodar no Leste. Ficou com Jeff Teague, um armador que tem bom chute de três e é explosivo na transição, e Thaddeus Young, um ala low profile mas que colabora demais na defesa. Único problema é manter Monta Ellis, que domina muito a bola – o que não era tão preocupante quando George Hill era o armador – e não defende muita coisa.

Utah Jazz – Já é um time pronto, que agora pega mais um armador para o elenco. É um cara bem útil e que vai ser ainda melhor vindo do banco. Mas o time precisa fazer uma limpa no seu backcourt – e pode sobrar para Raulzinho.

JR Smith nunca mais vai vestir uma camisa

Pelas minhas contas já são umas 80 horas sem colocar uma camisa – e eu duvido que tenha tomado algum banho além da chuva de champanhe que rolou no vestiário no pós-jogo. É assim que JR Smith estabeleceu o novo conceito de “comemorar um título da NBA”. Aliás, a impressão que dá é que JR só vai recobrar a sobriedade (pouca que tem) quando tiver que voltar a treinar para a próxima temporada, daqui alguns meses. Tá certo ele.

Apesar do título ter sido impressionante e a cidade estar completamente carente de uma vitória dessas, a festa do título começou da pior maneira possível. Os jogadores fizeram o tradicional banho de champagne no vestiário com RIDÍCULOS óculos de esquiar da Nike. Porra, existe frescura maior do que isso?

Eu não acreditei quando vi aquilo. Por sorte durou pouco. Notem que naquele momento, JR ainda estava de roupa – um dos poucos que ainda estava com o uniforme do time e não com a camiseta comemorativa do time.

Depois disso, JR começou a ensinar todo mundo como é a etiqueta das comemorações de títulos impossíveis. Os jogadores saíram da California e deram uma PARADINHA em Las Vegas para cair numa night. A partir daí, Smith já estava com o mesmo figurino que ele se mantém até agora (independente de quando você ler isso): tênis de jogo, calção de jogo e sem camisa. Na balada, ele fez tudo que alguém mamado com muita grana faria: jogou bebida pra cima, subiu na grade, despejou champagne na cabeça dos outros…

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=VL-y5kk_KZg&w=560&h=315]

De lá, o time embarcou pra Cleveland, onde fez nesta quarta-feira um desfile em carro aberto pela cidade e pararam numa fan fest com os torcedores. Um parêntesis: a cidade tem 340 mil habitantes, mas mais de 1,5 milhão de pessoas estiveram nas ruas de Cleveland!

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Bom, do início ao fim JR esteve vestido da mesma forma, claro – o único que ainda preserva ‘o mesmo espírito’ desde a madrugada de domingo pra segunda até agora. No seu discurso para a galera, ele disse que não pretende colocar a camisa tão cedo. É o que mais sabe comemorar ali, no melhor estilo Vampeta de 2002.

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Eu fico imaginando que esta tour com certeza SALVOU aquele reality show que ele está gravando durante as finais e comemoração do título. O único problema é que ele está muito longe de arrecadar toda a grana que planejava para gravar o programa, mas depois de toda essa epopeia (em quadra e, principalmente, fora dela) acho que é URGENTE que todos se mobilizem para fazer este programa sair do papel.

Por favor!

Bulls, Knicks e a segunda chance de Rose

A offseason começou quente! Ainda não foi oficializado junto à liga, mas se Adrian Wojnarowski cravou é porque é quente: Derrick Rose foi trocado para o New York Knicks. A temporada de trocas nem começou oficialmente, mas Chicago Bulls e Knicks já trataram de fechar uma blockbuster. O negócio envolve a ida de Rose, Justin Holiday e uma escolha de segundo round no ano que vem para Nova York. Em troca, Chicago recebe Robin Lopez, Jose Calderon e Jerian Grant.

Eu não vou analisar todas as trocas individualmente, a minha ideia é falar somente das mais significativas, mas esta aqui não dava para deixar passar. Basicamente esta troca já nos dá uma das grandes histórias da próxima temporada: duas das estrelas mais desacreditadas desta geração se reúnem em um time historicamente desacreditado. Só por isso, independente da troca dar certo ou não, eu já gostei muito do negócio.

Mas, analisando a troca e a perspectiva futura dos envolvidos, eu acho que existe uma chance bacana de dar bem certo para todo mundo. O New York Knicks tem espaço para assinar algum jogador interessante nesta offseason, mas nunca que pegaria Kevin Durant. No melhor cenário possível, ficaria com Mike Conley, que é um bom jogador, mas não o suficiente para elevar o status da franquia de imediato. Com o elenco que estava, não valia a pena tentar Dwight Howard, Al Horford ou Joakim Noah, já que o time estava bem carregado de jogadores no garrafão.

Ir atrás de Rose resolve bem a offseason do time e direciona quem serão os próximos alvos da franquia. Mandou Calderon, um armador já veterano que não rende mais o suficiente para ser titular em um time meia boca, e abriu mão de Robin Lopez, um pivô bom, e Jerian Grant, um armador que vai para seu segundo ano de NBA. Agora, o time já conseguiu um armador titular de calibre e tem espaço para buscar, se quiser, um dos pivôs veteranos que estão dando sopa no mercado. Imagina se pega Dwight Howard, outro cara que perdeu completamente o crédito ao longo dos últimos anos e que todo mundo duvida que ainda possa render alguma coisa? Que história!

Sobre Derrick e seu futuro no time. Ele já jogou muito, era um insano, craque, MVP mais novo da história, mas depois de todas as lesões que teve na carreira, joga com o freio de mão puxado. Parece psicológico. Não dá para confiar que ele possa carregar um time nas costas, que era o que se esperava dele em Chicago – Jimmy Butler já era o melhor jogador, mas seu estilo low-profile não é de quem carrega uma franquia, ainda mais sob a sombra do que Rose já tinha sido para a franquia.

No Knicks, Rose chega para ser o terceiro jogador do time. Carmelo ainda é o líder e Porzingis é o futuro do time. O ex-MVP é um cano de escape, apenas a terceira opção do time. Quem sabe assim, sem toda aquela pressão, Rose volte a ser mais constante – não acredito que vá ser um craque novamente, mas pode deixar de ser um peso para ser um jogador que contribua.

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Knicks anunciou a troca nas redes sociais na tarde desta quarta-feira

O desafio vai ser fazer o armador jogar sem a bola na mão. Carmelo é o típico cara que monopoliza o domínio da bola e Rose sempre se mostrou meio preguiçoso para aparecer ‘off the ball’. Mesmo assim, sendo bem otimista, acho que é a chance de reunir veteranos com orgulho ferido e montar um time competitivo para a temporada – e como disse acima, torço demais para que Dwight chegue para completar o cenário perfeito de ‘all in’ da franquia. Essa reunião seria a cara do Knicks dos últimos 20 anos, só que com alguma chance de dar certo. Estou confiante nisso.

Sob o aspecto do Chicago Bulls, acho que era inevitável. Rose era uma bigorna de 20 milhões de dólares ao ano no meio da sala em Illinois. Não dava para ele assumir outro papel no time. Tinha que voltar a ser aquele MVP de antes ou sair fora. O time vai se desmanchar e o único que deve ficar é Jimmy Butler, que já tinha criticado publicamente a falta de comprometimento de Rose com o time.

Com o excesso de armadores no mercado e a falta de credibilidade de Rose, parecia difícil o Bulls conseguir algo decente em troca. Diante deste cenário, a troca não foi ruim. Robin Lopez é uma reedição mais saudável de Joakim Noah e Jose Calderon é um armador que pode contribuir de imediato. Muita gente se animou com Jerian Grant, mas eu sinceramente não espero muita coisa do jogador. Só está em seu segundo ano na liga e já vai fazer 24 anos (mesma idade de Kyrie Irving, para ter ideia). É a hora da reconstrução do elenco. Pode ser que mais trocas pintem para o time até a hora do draft.

Eu não me empolgo com o draft – só gosto das gafes históricas

Eu sei que muita gente adora, que alimenta a ressaca pós-final da NBA, que é uma migalha para quem vai ficar meses sem basquete e tudo mais, mas eu não me empolgo nada com o draft. Eu acompanho bem de perto a NBA há muitos anos e todo final de junho meus amigos ficam pirados fazendo projeções, comentando os melhores prospects e etc, mas faz tempo que eu não consigo me animar para a noite em que os calouros são escolhidos.

Eu acho que a expectativa até faz sentido para quem realmente acompanha muito o basquete universitário e os jovens que despontam na Europa – o que é bem difícil de se fazer daqui do Brasil, com transmissões bem escassas e pouca cobertura. De resto, sendo bem filho da mãe, eu acho que é uma excitação meio juvenil. Como não dou muita bola para para o basquete dos colleges (sim, é uma falha do meu caráter, assisto só o Final Four) e já passei da puberdade há muito tempo, eu tendo a relativizar muito o draft – tanto é que a minha análise sobre isso foi mais na linha do que cada time precisa ao invés de palpitar sobre gente que eu nunca vi jogar.

Claro que eu fico curioso quando surge alguém muito badalado, como Ben Simmons, como foi lá atrás com Yao Ming, com Lebron James e etc, mas eu já vi tanta gente ser ‘o novo fulano de tal’ que eu não me animo mais. OJ Mayo e Michael Beasley seriam as novas lendas da NBA. Andrea Bargnani era um Dirk Nowitzki mais preparado para contribuir logo de cara. Se alguém dissesse na época do draft que Julius Randle e Jabari Parker seriam apenas bons jovens a essa altura da vida, o cara estaria contrariando todas as análises CERTEIRAS da época. Enfim, é muita expectativa para pouca realidade.

Bem na verdade, eu gostaria de ter mais disciplina para compilar tudo que é falado no momento do draft para cruzar com as informações futuras, anos depois. Infelizmente nem tudo fica registrado pra sempre na internet e boa parte das comparações que depois se provam absurdas se perdem pela web. O que fica registrado são os maiores absurdos mesmo: esta parte, sim, eu adoro!

Como não sou bobo, não me arrisco a dizer o que eu aposto ser totalmente fora de propósito nas análises dos calouros desta turma – não boto minha mão no fogo por ninguém, mas também não descarto nada: só tenho a certeza que não tenho condições de palpitar agora. Mas é sempre bom lembrar algumas gafes clássicas para reduzir as expectativas.

A mais maravilhosa de todas é a comparação de DeShawn Stevenson, ala que nunca vingou muito bem na NBA e o máximo que conseguiu foi encher o saco de Lebron James numa final de NBA, um hobby comum para jogadores de carreira medíocre. Na época em que saiu da high school, algum olheiro enxergou um pouco de MICHAEL JORDAN no jogador.

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No final das contas o cara que fez essa comparação errou por pouco. Com os dois jogadores aposentados já Jordan fez ‘só’ 26 mil pontos a mais na carreira, foi 14 vezes All Star e 4 vezes MVP. Stevenson teve como maior proeza ser titular em 500 dos 800 jogos que participou. Quase lá…

Este é o caso mais emblemático, mas tem milhares de outros maravilhosos. Tyson Chandler era um Kevin Garnett melhorado, Hasheem Thabeet tinha tudo para ser o novo Dikembe Mutombo, Brandan Wright era um Chris Bosh repaginado. Tudo muito maravilhoso.

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Eu gosto também da preguiça destes caras ao compararem os jogadores. Se você perceber, muitas vezes a análise se restringe à semelhança física dos atletas, o que pra mim é um indício de que pouca gente realmente vê estes caras jogarem. É raro um jogador branco não ser comparado a outro branco. Ou um europeu não ser relacionado a outro europeu. Parece que os caras olham a foto do indivíduo e chutam uma comparação pela fisionomia. Um bom exemplo que eu achei aqui: Jan Vesely, que hoje é quase que um Blake Griffin europeu, enterra na cabeça de todo mundo na euroliga, foi comparado na época do draft a Mike Dunleavy, um dos jogadores mais soft da NBA nos últimos 15 anos. Ah, mas os dois são brancos, então é natural deduzir que são bons chutadores, especialistas em bolas de longe e etc! Tsc, tsc, tsc.

Outra coisa que eu gosto de ver é o pessoal pirando com as mixtapes dos jogadores enterrando, dando tocos e tudo mais, como se algum cara fosse fazer um compacto com os PIORES momentos dos jogadores. Lembro que uns anos atrás Wesley Johnson era a estrela do youtube na semana do draft.

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Foi a quarta escolha, mas nunca vingou. Até porque em tape é possível fazer tudo, até mostrar que James Harden marca bem. Então já viu, né…

Por isso tudo, eu prefiro ficar na minha no draft, sem me deixar levar pela empolgação – e às vezes quebro a cara, como foi com a turma de calouros deste ano. Em geral, eu prefiro  esperar e curtir estes caras quando eles começarem a jogar de verdade, sem dar chance para este tipo de gafe.

Pano pra manga

A superstição é presença constante no esporte. É meio que aquela coisa: não custa nada apelar para os poderes sobrenaturais de qualquer coisa e uma forcinha extra nos momentos decisivos é sempre bem vinda. Foi por isso que o Cleveland Cavaliers entrou em quadra com seu polêmico uniforme preto com mangas na partida 7 da final contra o Golden State Warriors. O time tinha usado a camisa na vitória do jogo 5, que deu sobrevida à equipe, e decidiu repetir a dose no confronto derradeiro. Não sei se foi por isso – na verdade com certeza não -, mas o time ganhou.

A mandinga final confirmada pela conquista do título é o maior trunfo para uma contestável mudança no basquete: goste ou não, as mangas vieram para ficar.

Os torcedores mais conservadores detestam a ideia. A regata é a principal marca do vestuário do basqueteiro – é como obrigar que os caras tirem o pijama centenário do baseball ou que se proíba as ombreiras no futebol americano. Durante um século de disputa do jogo, as camisetas só eram permitidas em situações extremas, mas sempre marcarando a inferioridade do camarada que a usasse. O reserva pode usar no banco, tá permitido. Aquele outro cara acima do peso também pode usar uma camiseta por baixo da regata. E só.

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Na hora do título, as mangas estavam lá

Bom, como nem sempre a moda esportiva vai ao encontro do gosto popular, vide as camisas de futebol justinhas que caem bem em menos de 5% da população mundial, a Adidas decidiu institucionalizar as camisas de basquete com manga em 2012, numa experiência com o Golden State Warriors. O povo caiu de pau, dizendo que os uniformes pareciam com muito com os de ‘soccer’ (e todo o ódio que o americano médio destila sobre este esporte europeu que invadiu o US and A).

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A primeira experiência dos modelos com manga eram péssimos mesmo

A fabricante oficial da NBA não deu a mínima e programou uma edição especial para todos os times que jogassem na rodada de Natal do ano seguinte (tradicionalmente, nos últimos anos, Adidas prepara um uniforme especial para os jogos do dia 25 de dezembro). Foi daí que as mangas caíram em desgraça: muita gente teve que jogar com a camisa e detestou. Lebron disse que eram desconfortáveis, Nowitzki classificou como ‘horríveis, Curry disse que eram ‘feias’ e Robin Lopes desejou que todas fossem queimadas e outras estrelas xingaram as novas camisetas.

Eu achava que a reclamação era um mimimi comercial, incentivado por jogadores que tinham contrato com outras fabricantes. Até achava que, cedo ou tarde, ia cair no gosto do pessoal: para um cidadão comum médio é mais propício usar uma camiseta de manga normal do que uma regata, não é mesmo? Pois é, mas sei lá se pela reação negativa dos jogadores ou se porque os primeiros modelos foram realmente feios, mas os modelos fracassaram nas vendas, a ponto da NBA cogitar tirá-los de circulação para a temporada 2014.

Ameaçou, mas não tirou de circulação. A fabricante das camisetas tentou dar uma nova cara para os modelos, lançando uma linha “PRIDE”, que serviria para reforçar o orgulho dos times e suas cidades. A camisa do Blazers dizia “Rip City”, por exemplo, a do Nuggets tinha uma picareta, que é o símbolo da cidade, e por aí vai – nada mais do que uma ideia de um marqueteiro para tentar desovar as camisetas.

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Partiu festa do pijama

Bom, aos trancos e barrancos elas continuaram por aí. Daí que chegamos à camiseta preta do Cavs. Na estreia do modelo nesta temporada, no início de novembro, o time enfrentou o New York Knicks em casa. A partida começou mal para o Cleveland, que perdia por 36 a 27, para um time bem mais fraco. Para piorar, Lebron tinha acertado só quatro arremessos de onze tentados. Assim que perdeu mais um chute, o jogador saiu para o banco de reservas rasgando as mangas da camisa, como se elas estivessem incomodando o jogador e atrapalhando seu desempenho – o que, aí sim, seria o argumento definitivo para enterrar de vez o modelo.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=cSvtCkCvyUI&w=560&h=315]

O jogo terminou, Lebron foi diplomático em dizer que na verdade só estava frustrado com o resultado do jogo e descontou na camiseta. Apesar do time ter virado o jogo depois que ele arrebentou o uniforme, já se comparou o desempenho dos jogadores com e sem manga e a conclusão é que elas não atrapalham os arremessos. Com isso, mesmo marginalizadas, elas continuaram aparecendo em um jogo ou outro.

Até, no final das contas, a até então maldita camisa do próprio Cavs virou o pé de coelho do time. Foi a coincidência de ser o único modelo preto do time (e os times em que Lebron joga tem essa coisa de querer jogar de preto para superar as adversidades, calar os críticos e zzzzzzzzzzzz), ter sido escolhida para o jogo 5, o time ganhar e acabar tentando a sorte com ela na finalíssima. Pronto, a camisa com manga foi campeã da NBA pela primeira vez e teve sua redenção.

Tem louco pra tudo e óbvio que já calcularam o aproveitamento do Cleveland com cada um de seus uniformes na temporada e as ‘sleeved jerseys’ são as que mais deram vitórias, proporcionalmente, para o time.

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O levantamento, o cálculo e a arte são do StatMuse

Agora, o que antes seria uma simples decisão, se tornou um dilema. A Nike assume a criação e fabricação dos uniformes para a próxima temporada e a marca jamais abriu mão das regatas enquanto fabricava para outras ligas de basquete. Isso fazia sentido até então, já que as mangas eram um símbolo da rival e eram detestadas. Mas e agora que o uniforme foi uma das marcas do título do seu principal garoto propaganda? Estará para sempre como o uniforme do primeiro título da franquia com a maior folha salarial da NBA, que também tem em Kyrie Irving um dos seus principais patrocinados.

Bom, o Utah Jazz já até lançou um modelo com manga que na verdade é um uniforme de futebol com as cores do time de basquete. Com a autorização dos patrocínios em formas de patches nas camisas, a manga é também mais uma área comercializável para as franquias. Em resumo, muito se falou, muito se criticou, mas as camisetas estarão cada vez mais presentes. Agora, com um título no currículo.

Guia do Draft: o que cada time precisa

Amanhã teremos mais um draft da NBA. Eu confesso que não sou um grande fã das previsões das escolhas e análises delas. Não sou um grande conhecedor do basquete universitário e por isso não tenho grandes condições de dizer quem deve ser escolhido em cada posição, quem mandou bem, quem fez merda. Mais do que isso, acho que é muito achismo e muita empolgação – mas vou deixar para amanhã um post mais específico sobre isso.

Hoje a minha ideia é mostrar o que realmente temos condições de dizer neste momento: quantas escolhas cada time tem e quais suas necessidades e prioridades para a noite do draft. Se eles vão fazer escolhas pensando nisso, daí já é outra história.

Enfim, segue a lista:

Philadelphia 76ers
1º round – 1, 24 e 26

Chegou a hora da gente saber se valeu a pena ‘confiar no processo’ ou não. A estratégia dos últimos anos foi escolher SEMPRE o melhor jogador à disposição. Foi nessa toada que o time acumulou muito talento no garrafão (Joel Embiid, Jahlil Okafor, Nerlens Noel e Dario Saric) e acabou minguado de promessas no backcourt. Vai ficar ainda pior, já que o único armador meia boca que passou pelo time, Ish Smith, é free agent.

Levando tudo isso conta, o time poderia entrar em um dilema. Em tese, Brandon Ingram, considerado segundo melhor jogador disponível, atenderia melhor às necessidades do time, com um chute de qualidade de fora e talento para espaçar a quadra (dando vez aos trezentos pivôs do time). No entanto, quando você tem a primeira escolha – e o Sixers forçou tanto a barra por isso, sendo o pior time dos últimos anos -, é uma obrigação escolher o melhor jogador disponível. Ben Simmons, aparentemente, é o talento transcendental que faz valer a pena perder de propósito por tanto tempo, mesmo que seja mais um jogador com característica de jogar perto do garrafão e sem um chute confiável – pelo menos por enquanto.

Nas escolhas 24 e 26, o time tem OBRIGAÇÃO de buscar jogadores especialistas no chute. De preferência shooting guards – a esta altura, ou o time é muito bom para garimpar um talento útil ou é entregar PRA DEUS e tentar ter sorte na escolha.

Los Angeles Lakers
1º round – 1 | 2º round – 32

Lakers tem um bom cenário para este draft. A vantagem de ter um péssimo elenco, é que você pode ir atrás do melhor talento e isso basta. A franquia conta no elenco com dois jovens muito promissores, Julius Randle e D’Angelo Russell. O melhor ainda é que Randle joga dentro do garrafão, com força para ser pivô e mobilidade para jogar de power forward, e Russell é o legítimo combo guard, com agilidade e tamanho para jogar nas duas posições da armação. Assim, o time tem a liberdade de pegar o melhor jogador que sobrar sem ter que pensar muito se está fazendo alguma cagada ou não.

O mais cotado é Brandon Ingram, que tem uns cinco metros de braço, joga de small forward (única posição que o time não tem ninguém minimamente razoável nem para completar a rotação) e dizem ter um excelente arremesso.

Boston Celtics
1º round  – 3, 16 e 23 | 2º round – 31, 35, 45, 51 e 58

Você prestou atenção em quantas escolhas de draft o Boston tem? Sim, você não viu errado, o time pode garimpar OITO calouros neste ano. Com certeza o time não vai usar todas estas escolhas, então podemos esperar que o front office do Celtics trabalhe bastante ao longo da noite para transformar estas picks em jogadores úteis com trocas. Sendo assim, muito difícil saber o que esperar do time.

Se mantiver a terceira escolha, o natural seria buscar um jogador com possibilidade de jogar no garrafão, já que Jared Sullinger e Tyler Zeller tem seus contratos encerrados nesta offseason. O nome da moda é Dragan Bender, que dizem ser um Kristaps Porzingis MELHORADO (difícil, mas…), uma espécie de ala-pivô criado em laboratório, com braços gigantes, jogo de pernas e chute de longe. Se for tudo isso, não tem como não pegar o cara nesta altura do draft.

Vi que sites especializados colocam o armador Kris Dunn como uma escolha provável também. Aparentemente ele é o terceiro melhor prospect entre os calouros do ano, mas não vejo muito sentido na escolha já que o time tem Isaiah Thomas e Marcus Smart para a armação, além de Avery Bradley como coringa na posição. Pode rolar caso o time troque algumas destas peças junto com a porrada de escolhas que têm mais pra frente.

Phoenix Suns
1º round – 4, 13 e 28 | 2º round – 34

O time do Suns não é tão ruim quanto a sua posição do ano passado. A equipe sofreu com lesões e resolveu chutar o balde na segunda metade da temporada, atrás de uma boa escolha no draft. Ainda tem três escolhas de primeiro round neste ano, o suficiente para fazer um bom trabalho de reconstrução da franquia junto com o que já existe por lá.

Como o elenco conta com dois armadores bons (Eric Bledsoe e Brandon Knight), um shooting guard com excelentes perspectivas (Devin Booker) e dois pivôs decentes (o veterano Tyson Chandler e a eterna promessa Alex Len, que tem 19 anos desde a virada dos anos 2000), o natural seria ir atrás de um ala mais puro, que pudesse jogar de SF boa parte do tempo, mas desse conta de cair para o garrafão nas lineups mais baixas. Se o Boston preferir pegar alguém de perímetro e Bender sobrar, é uma opção válida. O ala mais baixo Jaylen Brown também é cotado. Outro F que tem sido falado é Marquese Chriss.

Na 13ª pick, é imprescindível ir atrás de um ala mais de força, de preferência com talento na defesa. Se esse cara existe e, principalmente, vai sobrar para esta escolha, eu não faço a menor ideia.

Minnesota Timberwolves
1º round – 5

Minnesota também está em uma posição interessante. O melhor calouro do ano passado, Karl Anthony Towns, parece que vai se tornar um daqueles caras que é All Star por uma década. Ninguém sabe ainda até onde o talento de Andrew Wiggins vai chegar, mas pelo menos já hoje é um coadjuvante interessante e um excelente defensor. Na armação, Rick Rúbio ainda tem o que evoluir, apesar de jogar profissionalmente há mil anos.

Eu imagino o Wolves indo atrás de um shooting guard. Apesar de mais talentoso do que parecia, não está muito claro se Zach Lavine vai ser um point guard no estilo Westbrook (guardadas as devidas proporções) ou se vai ser um SG franzino, mas não é má ideia ir atrás de uma opção para a posição e no futuro apostar todas as fichas no que se sair melhor. SSe não for pego antes, já que é um dos mais badalados do draft, acho que o time vai em Buddy Hield. Jamal Murray, da mesma posição, também é cotado.

New Orleans Pelicans
1º round – 6 | 2º round – 39 e 40

Grandes chances de Eric Gordon e Ryan Anderson saírem do time com seus contratos encerrados. Omer Asik nunca mostrou a que veio. No final das contas, qualquer talento que chegue para jogar que não seja na posição de Anthony Davis e Jrue Holiday tem espaço no time. Quem sobrar entre os que já foram citados, entra no time. Acho mais provável que seja um dos shooting guards (Hield ou Murray).

Denver Nuggets
1º round – 7, 15 e 19 | 2º round – 53 e 56

Aqui o caso é interessante. É um time bem completo, com todo mundo com menos de 27 anos, algum talento, sem muito perna de pau. O problema é que todo mundo é no máximo meia boca, tirando Emmanuel Mudiay, que tem alguma possibilidade de virar algo num futuro próximo. O foda é que o time tem três escolhas de primeiro round, o que é excelente, mas se não pescar um talento muito bem garimpado, a chance é enorme de só aumentar a lista de jogadores ‘até que bons’ sem pegar uma estrela potencial para o futuro.

O mais provável neste ponto do draft é ir atrás de um power forward, como Dragan Bender ou Marquese Chriss, se um dos dois sobrar. Henry Ellenson, ala-pivô que chuta de fora, é outro cotado nos sites especializados.

Sacramento Kings
1º round – 8 | 2º round – 59

É um caso parecido com o do Philadelphia: o time já conta com bons jogadores das laterais para dentro do garrafão, mas precisa de talento no perímetro. Rajon Rondo vira free agent, o que abre a possibilidade para o time pegar um point guard – a princípio, é o único time que precisaria desesperadamente de um armador, além do Sixers (mas que não vai deixar passar Simmons da primeira escolha). Em um cenário ideal, o armador Kris Dunn sobraria para o Kings, o que seria excelente. Caso isso não aconteça, o que é mais provável, o Sacramento deve ir atrás de um ala-armador como Hield ou Murray. Como pode ser que nem esses dois sobrem, eu não faço ideia de quem seria uma boa opção a essa altura.

Toronto Raptors
1º round – 9 e 27

O time não precisa ir atrás de armador, ala ou pivô mais pesado. Um ala-armador viria bem a calhar, já que Demar Derozan será um dos free agents mais disputados desta offseason. O problema é que os jogadores úteis desta posição estão bem cotados para sair antes.

Então acredito que o time deva ir atrás de um power forward ou de um pivô especialista na defesa (já que Jonas Valanciunas não é lá essas coisas para proteger o garrafão e Bismack Byiombo se valorizou nos playoffs e pode estar de saída). Neste caso, os sites especializados colocam Deyonta Davis e Domantas Sabonis, filho da lenda soviética Arvydas Sabonis.

Milwaukee Bucks
1º round – 10 | 2º round – 36 e 38

O time não tem uma necessidade muito clara no momento. Precisa mais é de calma e desenvolvimento gradual dos jogadores que já estão no elenco. Considerando que Giannis Antetokounmpo vai mesmo virar o armador do time, sobra uma vaga de pivô para completar o elenco, que poderia ser completada pelo calouro Jakob Poeltl.

Se o time insistir em usar Giannis como ala, seria uma boa ir atrás de um armador de ofício. Neste caso, os favoritos são Dejounte Murray ou Wade Baldwin.

Orlando Magic
1º round – 11 | 2º round – 41 e 47

É o mesmíssimo caso do Bucks: o time atual precisa de mais tempo do que necessariamente um bom calouro que venha contribuir. O time tem um jovem promissor para cada uma das cinco posições do jogo, o que abre um leque imenso de possibilidades de escolhas no draft. Uma necessidade mais urgente seria completar o elenco com um pivô especialista de defesa, já que Nikola Vucevic, o titular, é um dos jogadores mais relapsos na marcação. Skal Labissiere parece ser um jogador com um bom perfil para a vaga.

Utah Jazz
1º round – 12 | 2º round – 42, 52 e 60

Difícil dizer uma grande necessidade do Utah Jazz. Com a volta de lesão de Dante Exum, o time vai naturalmente preencher seu maior gargalo, que era a armação. Uma boa opção seria tentar um ala-armador pontuador para entrar com a segunda unidade do time, sendo reserva do talentoso Rodney Hood.

Qualquer um dos shooting guards já citados cairiam muito bem aqui, mas acho difícil que sobrem até a metade do primeiro round. O próximo jogador com as mesmas características mais bem cotado é o francês Timothe Luwawu.

Chicago Bulls
1º round – 14 | 2º round – 48

Tudo indica que o Chicago vai com tudo para uma reformulação total do elenco. Joakim Noah já disse que sai do time, Pau Gasol pode partir e Derrick Rose está nos rumores de trocas. Basicamente, abre-se espaço para qualquer jogador chegar e ter chance de contribuir de imediato com o time. Pivôs e armadores seriam bem-vindos. Dejounte Murray ou Wade Baldwin, ambos point guards, são especulados para a escolha. Deyonta Davis é a opção para o garrafão.

Memphis Grizzlies
1º round – 17 | 2º round – 57

Tudo indica que Mike Conley vai buscar novos ares assim que o mercado dos jogadores sem contrato se abrir. Se isso acontecer, encontrar um sucessor na armação passa a ser a prioridade para a franquia – Baldwin e Murray, citados acima, seriam boas opções caso sobrem.

Se Conley assinar a renovação, o ideal seria tentar um small forward, de preferência especialista em chutes de fora, maior necessidade da equipe nas últimas temporadas. Se não ficar pelo caminho, o francês Timothe Luwawu é uma alternativa interessante.

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Apesar de já ter um time inteiro pra mesma posição, o Sixers vai escolher Ben Simmons

*Daqui em diante, fica impossível fazer um prognóstico de quem pode ser pego. São muitas variáveis (se já saiu, se foi bem nos workouts e etc) que estão em jogo. Não vou perder o meu ou o seu tempo dando chutes sobre quem pode ser pego. Só vou completar a lista com as escolhas e principais necessidades, resumidamente.

Detroit Pistons
1º round – 18 | 2º round – 49

A maior necessidade é um backup na armação para Reggie Jackson ou tentar apostar em um shooting guard que chegue para disputar vaga com Kentavius Candwell-Pope.

Indiana Pacers
1º round – 20 | 2º round – 50

O melhor dos mundos seria conseguir um armador bom o suficiente para o time não depender mais da inspiração escassa de George Hill ou da improvável recuperação de Ty Lawson, mas é difícil imaginar que um point guard que saia a essa altura chegue para jogar logo de cara. É mais fácil conseguir uma versão piorada de Miles Turner para ajudá-lo no garrafão.

Altanta Hawks
1º round – 21 | 2º round – 44 e 54

O time pode perder Al Horford e Kent Bazemore, que tem seu contrato encerrado agora. Se eles saírem mesmo, a franquia precisa recompor peças nas posições de pivô e ala. No draft, vai ter que escolher uma coisa ou outra.

Charlotte Hornets
1º round – 22 

A grande chave do sucesso do time neste ano foi melhorar substancialmente as opções de ala-armador, com jogadores versáteis no ataque e defesa. O problema é que os dois caras que têm estas características estão livres para assinar com qualquer time. Um shooting guard passa a ser a prioridade para a eventual substituição de Nicolas Batum e Cortney Lee. Um power forward também cairia bem para ser reserva de Marvin Williams.

Los Angeles Clippers
1º round – 25 | 2º round – 33

Chris Paul, JJ Redick, Blake Griffin e Deandre Jordan estão garantidos para este ano, deixando vaga a posição de small forward. No melhor dos mundos, o time pegaria um daqueles alas bons na defesa. Não deve ser fácil conseguir um desses a essa altura do draft. Um backup no garrafão também pode ser útil.

San Antonio Spurs
1º round – 29

Do jeito que são as coisas, dá para esperar que o San Antonio Spurs vá conseguir algo melhor aqui do que muitos dos times que estão na frente na ordem do draft. Um reserva para Danny Green ou um substituto para Tim Duncan são as maiores necessidades do time.

Golden State Warriors
1º round – 30 

Harrison Barnes e Festus Ezeli têm seus contratos encerrados e podem vestir novas camisas ano que vem. Para a vaga de Barnes, o time pode usar Andre Iguodala, o que faz da posição de pivô reserva a principal necessidade do time neste drat – desculpa, Varejão.

Houston Rockets
2º round – 37 e 43

Há alguns anos o time busca um power forward decente. Terrence Jones, Donatas Monejunas e Clint Capela já tiveram chances, mas nenhum convenceu. Um jogador para a posição que conseguisse se manter saudável já seria uma excelente adição ao elenco.

Dallas Mavericks
2º round – 46

Dos oitos jogadores que mais jogaram pela franquia na temporada, sete terão mais de 30 anos no próximo campeonato. Ou seja, basicamente qualquer jogador com menos de 25 anos já chega com alguma vantagem sobre os demais. Nesse aspecto, o draft pode ajudar, ainda que o time só tenha uma escolha lá pro final da lista.

Brooklyn Nets
2º round – 55

A coisa tá feia pro Nets. Dos piores times do ano passado, é o único que não tem escolha de primeiro round. A franquia precisa de bons jogadores em todas as posições e não é com uma das últimas picks do draft que vai conseguir.

New York Knicks, Cleveland Cavaliers, Oklahoma City Thunder, Miami Heat, Washington Wizards e Portland Trail Blazers trocaram suas escolhas em algum momento e não tem qualquer pick no draft – a menos que pinte alguma troca durante a noite.

My precious

Quando o Golden State Warriors cravou a vaga para a final da NBA contra o Cleveland Cavaliers, Anderson Varejão marcou seu nome na história como o primeiro jogador a atuar pelas duas equipes finalistas em uma mesma temporada. Não sei quem se deu conta disso antes (o primeiro lugar que eu vi levantar o questionamento e aparecer com uma resposta foi o Bala na Cesta), mas surgiu a história de que o brasileiro já tinha direito a um anel de campeão independente do resultado da série final: era verdade, já que ele fez parte das campanhas dos dois times. Bastaria a ele pedir e o Cavs reconhecer. Ou o Cavs resolver premiá-lo e ele aceitar.

Além de Anderson, outra figura, em uma situação muito mais polêmica, também tem o mesmo direito que o brasileiro. O técnico David Blatt, finalista com o time no ano passado, demitido no meio da campanha e trocado pelo seu assistência técnico, também teria direito ao anel de campeão por ter, de alguma forma, colaborado com o título.

A princípio, a franquia deve oferecer a honraria aos dois, imagino. É bem comum que os jogadores recebam o anel. Imagina então no caso de Varejão, que não queria ser trocado, que se dedicou 12 anos ao time e que sempre foi aquele ‘fan favorite’? Para mim não há a menor chance do Cavs não considerá-lo como campeão – ainda que em uma recente pesquisa em Cleveland, as opiniões sobre Anderson tenham se dividido (46% ainda são fãs dele e 54% o consideram parte do passado da franquia).

O ex-técnico, imagino, também será considerado. Os casos são mais raros, mas o histórico diz que eles também são reconhecidos geralmente. Foi assim com Stan Van Gundy, que saiu do Miami Heat no meio da campanha do primeiro título, em 2005, e mesmo assim o time quis dar a ele o anel de campeão, que ele rejeitou. Ah, o sósia do Ratinho só tinha comandado o time por 21 jogos na temporada, praticamente um quarto dos jogos apenas.

Já Blatt comandou o time uma temporada inteira no ano passado, perdeu a final com um time desmantelado e continuou o bom trabalho neste ano. Foi demitido com o time na liderança da conferência Leste – foi o técnico mandado embora com o melhor aproveitamento de vitórias em todos os tempos. Ele com certeza merece o reconhecimento.

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Varejão e Blatt foram dispensados ao longo da temporada

No entanto, acho que vai ser uma situação muito estranha para ambos.

O jogador perdeu a final para o campeão. É claro que receber o anel do rival é quase que uma chacota pela derrota. É o pior prêmio de consolação possível – especialmente porque nos momentos em que Varejão esteve em quadra, o clima esquentou: ou porque ele cavava faltas e os antigos companheiros reclamavam do velho truque do pivô ou porque perdeu algumas bolas decisivas no derradeiro jogo, sucessivamente. Pelo que vemos do Varejão dentro da quadra, hoje ele é 100% Warriors e é possível que nem queira saber do anel.

O mesmo de David Blatt. Durante as finais, o técnico, que estava recluso, apareceu para dizer que era muito difícil para ele assistir as finais. Ele sentia que não tinha falhado ‘no trabalho’, mas sim em mantê-lo. Claramente, e com uma boa dose de razão, Blatt guarda uma mágoa imensa em relação à franquia e a Lebron, o grande cara do título.

Ainda que os dois mereçam, não vejo motivos para que aceitem. O prêmio seria quase que uma chacota. No final das contas, os dois queriam estar na foto do título de outra maneira completamente diferente. Para eles é triste, mas a vitória do Cavs foi a derrota de ambos.

A temporada acabou, mas tem mais por aí!

Conforme eu falei no post de ontem da prestação de contas dos palpites feitos no ano passado, com o final da temporada, o blog assume um novo ritmo e uma nova pegada até que a NBA retome suas atividades normais no final do ano. Mas já quero aproveitar para apresentar um cronograma bem genérico dos posts, anunciar algumas novidades e autoavaliar estes primeiros oito meses de blog.

Eu garanto que as coisas não vão ficar às moscas. Esta semana tem draft, semana que vem postarei uma análise das escolhas, algumas informações sobre os calouros escolhidos, possíveis trocas e mudanças nos elencos.Em agosto já é certo que por pelo menos duas semanas vamos falar bastante dos Jogos Olímpicos. Neste meio tempo, preparei alguns posts com indicações de livros e documentários, e algumas análises mais profundas de temas genéricos como salários, eficiência do draft e um dos meus assuntos preferidos, a linha do tempo da moda capilar da NBA.

Em setembro a ideia é abrir os trabalhos para a temporada 2016/2017, com alguma coisa sobre summer league (e o quanto elas são inúteis e nos enganam), previsões, perfil dos times. Mas o principal é que neste período eu pretendo colocar em prática duas ideias que venho amadurecendo bastante com o tempo e que acho que serão ainda mais bacanas se contarem com o envolvimento de vocês, leitores e haters deste blog.

total

Vai ter muito JR Smith, Stuff Curry, Kim Jong Un e Dennis Rodman por aí

A primeira delas é dar mais espaço para os fantasy de basquete. Eu sou um viciado neste tipo de jogo e acho quem tem interesse nisso tem uma relação muito particular com o esporte. Para quem não está familiarizado com isso, não se preocupe que os posts sobre isso serão inaugurados com uma apresentação sobre o que é fantasy game de basquete e o que você tem que saber para jogar.

A segunda grande novidade que eu espero colocar em prática é um podcast periódico sobre NBA. Acho que é uma plataforma legal para discussões mais descontraídas. Para quem não tem o hábito de ouvir estes programas, também já tenho preparado um guia dos meus podcasts preferidos para quem gostar da plataforma.

No mais, quero agradecer todo mundo que entrou aqui, leu, comentou, compartilhou, xingou (nem todos risos) ou curtiu a página no facebook ou interagiu comigo no twitter. Eu comecei este blog aqui como uma maneira só de me distrair, me desestressar, mas a coisa cresceu e hoje tem uma turma por aí que parece gostar de acompanhar o Dois Dribles.

Aliás, deixo em aberto o espaço para quem quiser sugerir qualquer coisa ou deixar algum comentário!

E não se esqueça que amanhã tem mais!

O que eu errei e acertei nas previsões do início da temporada

A temporada acabou. Por mais que muita gente bote defeito em um monte de coisa, tivemos um ano histórico para a NBA. Recordes individuais e coletivos sendo batidos, um título impressionante, disputas equilibradas nos playoffs marcaram uma temporada de altíssimo nível.

Em um próximo post vou fazer uma autoavaliação deste blog ao longo desta temporada e dar as coordenadas de como vai ser a atividade por aqui durante as semanas de marasmo da offseason. Mas antes de mais nada, vou começar me expondo um pouco e relembrar um post que fiz no começo do ano, com palpites e previsões para a temporada. Errei um monte de coisa, claro, mas até que algumas coisas que eu disse na época aconteceram. Vou avaliar cada previsão como (DESASTROSO, ERRADO, OK e NA MOSCA). Dá uma olhada:

O New York Knicks vai continuar sendo um time ruim, com menos de 30 vitórias na temporada. (ERRADO – O time começou bem até, o calouro deu certo e a campanha não estava tão ruim. A coisa desandou na segunda metade do campeonato, quando o gênio Kurt Rambis foi promovido a técnico interino do time. Terminou com 32 vitórias)

– O Lakers também. (NA MOSCA – Foram 17 vitórias apenas e uma temporada perdida, mas era bem óbvio né?)

– Kobe vai meter pelo menos um jogo com mais de 55 pontos.( NA MOSCA – Quase que eu erro essa. Muita sorte que ele chutou até a mãe na sua despedida e meteu 60 pontos na última partida da carreira)

– Mesmo não sendo lá essas coisas em quadra, Kobe e Derrick Rose estarão no top 5 de camisas mais vendidas. (ERRADO – Kobe ainda ficou em segundo, mas Rose caiu para a sétima posição. Curry foi o primeiro, Lebron o terceiro, Porzingis surpreendeu com o quarto posto e Durant e Westbrook ficaram em quinto e sexto, respectivamente)

– Brad Stevens vai tirar leite de pedra do Boston, mas não vai ganhar o prêmio de melhor técnico. (OK – Brad Stevens foi muito bem e não ganhou o prêmio de melhor técnico, mas acho que é forçar a barra dizer que tirou leite de pedra. O elenco não é brilhante, mas é digno de playoffs no Leste, e foi isso que aconteceu)

– Anthony Davis vai ser um monstro em quadra, com o melhor desempenho estatístico, mas Durant, Lebron, Harden e Curry vão acabar na frente dele na corrida pelo título de MVP. (ERRADO – Davis realmente ficou atrás de todos eles na corrida para MVP, mas não teve uma temporada tão sensacional como eu achava que teria. Não melhorou nada em relação ao ano passado e ainda ficou 20 jogos fora por lesão)

– Utah Jazz e Phoenix Suns vão fechar o ano com pelo menos 40 vitórias, com campanha melhor que alguns times classificados do Leste, mas vão ficar fora dos playoffs do Oeste. (ERRADO – Maldita hora que eu resolvi colocar o Phoenix Suns no mesmo balaio do Utah Jazz! O time de Salt Lake City realmente ganhou 40 jogos e perdeu a vaga nos playoffs nas últimas duas rodadas. Já o Phoenix foi a pior equipe da segunda metade do campeonato. Para completar, depois de muitos anos todos os classificados do Leste tiveram mais de 50% de aproveitamento na temporada regular)

– Clippers contratou um monte de gente, mas o sexto homem do time ainda vai ser o Jamal Crawford. (NA MOSCA– Em um determinado momento da temporada eu nem acreditava mais que isso ia acontecer, mas por sorte os jornalistas que votam pelos ‘awards’ têm preguiça de pensar e elegeram mais uma vez Crawford com o melhor reserva da liga)

– DeMarcus Cousins e George Karl vão se matar fora de quadra, mas os dois ficam até o final da temporada no time. (NA MOSCA – Os dois se xingaram no vestiário, a imprensa deu como certa a saída de Karl na pausa para o All Star Game, Cousins esteve em todos os boatos de troca, mas os dois estiveram juntos do primeiro ao último jogo da temporada. Sacramento só foi atrás de um novo técnico ao final do campeonato.

– Orlando Magic vai ser o time da moda, mas não vai a lugar algum. (NA MOSCA – O termo ‘moda’ pode ser um pouco questionado aqui, mas de fato se esperou muito mais do Magic e ele entregou muito pouco)

– Stephen Curry vai fazer mais de 300 cestas de três na temporada, mais uma vez. (NA MOSCAForam mais de 400, na real)

– Toronto Raptors vai ser campeão de divisão, mesmo sendo um time meia boca. (NA MOSCA – E foi o segundo do Leste)

– Russell Westbrook vai ser o líder em triples-doubles na temporada. Mesmo assim, Durant vai voltar a ser o dono do Thunder. (OK – Westbrook foi disparado o líder em triples-doubles, mas não dá para dizer que Durant é o dono incontestável do time)

– Drake vai se apresentar no All Star Game. (OK – Olha, quem cantou mesmo foi o Sting, num show chato pra caralho, mas Drake foi o grande anfitrião da festa, tanto é que estava no palco na hora da entrada dos jogadores na partida)

– Zach Lavine vai ganhar de volta o campeonato de enterradas. (NA MOSCA– Ele ganhou o campeonato em uma das disputas mais sensacionais de todos os tempos)

– Houston Rockets vai chegar na final de conferência. (DESASTROSO – O time se classificou para os playoffs nas rodadas finais e caiu na primeira fase do mata-mata. Péssimo)

– Lebron vai chegar a mais uma final da NBA. Todos vão torcer contra ele. (OK
Olha, a final reuniu dois dos maiores alvos do ódio dos torcedores nesta temporada. Lebron chegou à final e pelo menos metade da população mundial secou o cara, mas outra parcela muito grande torceu muito contra o GSW).

E aí? Dos 17 palpites, um foi medonho (sim, cagada apostar no Houston), quatro foram errados, quatro estavam certos mas com alguma ressalva e oito, ao meu ver, foram irrepreensíveis. Tudo bem que muitos deles eram óbvios, mas acho que já dá para tentar uma vaga na Central de Estágios da Mãe Dinah.

Ano que vem tem mais!

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