Eu tinha achado um pouco estranho que o Atlanta Hawks tenha oferecido um contrato alto para Dwight Howard ser seu novo pivô para os próximos três anos. O jogador vai receber 70 milhões do time para as próximas três temporadas e vai substituir Al Horford, que embarcou para Boston depois de nove anos com o Hawks.

Não só pela grana (Bleacher Report tinha feito uma pesquisa com os donos dos times e eles disseram que Dwight não valia mais do que 15 milhões ao ano), mas pelo desfecho do negócio. À primeira vista Dwight teria encaixes melhores em outras franquias, com a sua tão reclamada maior participação ofensiva – o que fez ele abrir mão de 23,3 milhões por mais uma temporada com o Rockets, já que lá, ao lado de Harden, chegou à sua pior média de toques na bola por partida em toda a sua carreira. Imaginava que o ideal para ele seria acertar com o Dallas Mavericks ou Portland Trial Blazers.

Mas não, foi para o Atlanta Hawks, time de sua cidade natal, mas que pelo que jogou nos últimos anos não tem a menor relação com o jogo de Dwight. Howard não tem arremesso e fica imóvel dentro do garrafão como se tivesse uma bigorna amarrada no calcanhar – uma mudança brutal se comparado ao estilo de jogo de Al Horford, que até aprendeu a chutar de três nesta última temporada.

No entanto, pensando melhor, tentando entender o plano do Hawks mais profundamente, acho que pode dar certo.

O grande problema de Dwight é psicológico. Ele é um trintão que quer ser amado. De nada adiantaria ele ir para uma franquia em que o encaixe do seu jogo seria mais óbvio mas, ao mesmo tempo, ele teria os mesmos problemas que encontrou em Houston – não seria o foco ofensivo, seria só uma peça importante, mas não fundamental. O problema dele no Rockets não foi um relativo mau desempenho, mas a diferença enorme entre o que ele esperava ser e o que ele realmente foi.

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Descontando a diferença de idade dele e de saúde, Dwight foi brilhante quando era o jogador mais cortejado de um time, rodeado por atletas que trabalhavam como operários para mostrar que ele era a grande estrela do Orlando (finalista da NBA). No Lakers e no Rockets, à sombra de Kobe e Harden, o pivô foi se encolhendo até desaparecer. Seria assim jogando ao lado de Nowitzki, Lillard ou qualquer cara que já é dono do time.

Só por isso, acho que o ambiente em Atlanta já é favorável a Howard. A ‘cultura organizacional’ do time é assim. Paul Millsap é excelente, mas não é necessariamente uma estrela expansiva. Dennis Schroeder ainda quer provar seu talento. Kent Bazemore é a definição do trabalho duro em pessoa.

Uma boa medida de como o Hawks é um time de formigas-operárias foi quando o time emplacou uma sequencia impressionante de vitórias em janeiro do ano passado e a NBA elegeu os cinco titulares da equipe como “Player of the Month”, algo inédito. Se existe a chance de Dwight se reabilitar, é num lugar como esse.

 

 

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