A seleção brasileira está em Mogi das Cruzes fazendo uma série de amistosos preparatórios para as Olimpíadas ao longo dos últimos dias. Em todos os jogos, nos momentos em que é apresentado na escalação inicial e quando dá seus primeiros toques na bola, o armador Rafa Luz recebe uma vaia da galera que está no ginásio. O jogador disputou até o último momento vaga no time final com o armador do time local, Larry Taylor. No final das contas, o atleta que jogou pelo Flamengo foi o escolhido em detrimento do americano naturalizado brasileiro – e o pessoal de Mogi ficou na bronca.

Na mesma frequência em que aparecem as vaias, o pessoal que está cobrindo o jogo, jornalistas que acompanham a modalidade e PERSONALIDADES DO BASQUETE EM GERAL criticam a reação da galera e fazem uma campanha de, digamos assim, ‘acolhimento’ de Rafael Luz.

Eu, sinceramente, acho essa recriminação um saco! Tem coisa mais escrota no esporte do que condenar uma torcida por fazer seu papel de torcida?

Luz foi escolhido no lugar do ídolo do time de Mogi, Flamengo e o time da cidade se mataram na semifinal da NBB há pouco tempo. Se essa é uma torcida de verdade, é claro que eles vão encher o saco dele.

Me coloco no lugar destes torcedores. Lembro de ter ido assistir o treinamento da seleção de futebol quando era moleque, numa das vezes que vieram jogar em Curitiba. Na oportunidade, Oséias, atacante do Atlético foi convocado. Eu, coxa-branca, só fui ao Pinheirão para xingar o cara. Dane-se que ele estava com a camisa do Brasil. Não dá para pedir que o torcedor, aquele que não é um mero espectador, deixe seus sentimentos de lado.

Além disso, são apenas amistosos. Os jogos não valem nada. Em breve, Rafa Luz, que não tem culpa de nada mesmo e está jogando numa boa, vai atuar ’em casa’, sem ninguém pra pegar no seu pé. Tenho certeza que o simples fato de ser o time da casa é uma pressão muito mais perturbadora do que essas vaias – que ao longo do jogo desaparecem, a exemplo de uma bola espírita que o armador meteu na partida deste sábado e todo mundo aplaudiu e comemorou.

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Rafa Luz está menos incomodado com as vaias do que todas as PERSONALIDADES DO BASQUETE que ficaram ofendidas com a reação da torcida local

Por último, o que me deixa mais puto com essa campanha é que, ao mesmo tempo que condenam a reação mais espontânea vinda da arquibancada nestes amistosos, um locutor insuportável tenta enfiar goela abaixo da torcida aqueles coros ensaiados do tipo EEEEEEEEEEUUU SOU BRASILEEEEEEIRO, que nenhuma torcida que se preze deveria ter a pachorra de cantar.

Contra esse tipo de coisa, que é o verdadeiro mal das arquibancadas nesse tipo de competição, essa turma não se revolta…

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