Month: July 2016 (Page 2 of 4)

Não dá para imaginar Westbrook em um time de verdade

Sim, é quase impossível deixar de ser monotemático nesta offseason. Basicamente as trocas de time de Kevin Durant e Dwyane Wade dominam as conversas nesta época em que quase nada acontece na NBA (Summer League pra mim é quase nada, foi mal…). Pensando na saída de Durant de OKC e nos boatos que colocam Russell Westbrook, seu ex companheiro, em outros times, eu cheguei à conclusão que eu simplesmente não consigo imaginar Russ jogando por uma outra franquia, com um time já formado.

Westbrook é um cara que tem o jogo mais intenso da liga. Também é o que mais domina a bola. Em boa parte das jogadas, ele salta no meio dos pivôs para pegar p rebote, corre por toda a quadra quase que mais rápido do que a bola e bate bola até arremessar ou colocar um companheiro livre para marcar. A cada dez segundos de posse do seu time, parece que só uma fração mínima de tempo ele não está dominando as ações, puxando o time inteiro numa histeria coletiva.

A estranheza de imaginar ele fora de OKC é que ao longo de toda a sua carreira foi desse jeito – no máximo dividindo as responsabilidades com Kevin Durant e James Harden. O grande lance neste caso é que Durant e Harden são estrelas mais tradicionais nos seus modos de jogar, não são uma explosão da força de uma bomba atômica a cada posse de bola. Nos últimos oito anos, enquanto Russell foi jogador profissional, o esquema do seu time era entregar a bola na sua mão ou de Durtant e esperar que algo saísse dali, como um eterno jogo de praça.

No entanto, pela sua personalidade e pelo seu chute refinado, eu consigo imaginar Durant jogando por um time tradicional, com um esquema de jogo de verdade. Westbrook não. O Boston Celtics é o time mais falado no momento para receber o armador em algum tipo de troca antes do início da temporada. A equipe hoje tem um dos técnicos mais inteligentes e promissores da liga. Dá para imaginar um time que joga totalmente baseado em um esquema coletivo sendo conduzido por um trem desgovernado como Westbrook? Eu não consigo.


Em tempo, está não é uma crítica ao jogador. Eu acho ele excelente. Russell é, para mim, o atleta mais naturalmente preparado que eu já vi para tentar ganhar um jogo – todas, TODAS, as suas jogadas são estritamente objetivas, o que eu acho uma qualidade gigantesca. Mas me parece que colocá-lo em um time de verdade, pronto, vai causar nada menos do que um estouro cósmico da força de um Big Bang.

É como colocar um gorila imenso e irado dentro de uma jaula para um mico-leão: ou o bicho destrói tudo aquilo em segundos ou ele se reduz a algo muito menor do que ele é de verdade. É exatamente essa a minha sensação com Westbrook: transformando um eventual novo time em uma nova versão do Thunder, com todas as vantagens e desvantagens disso, ou perdendo algumas das suas características que o fazem um jogador tão único.

Apesar disso tudo, dessa minha incapacidade de abstração, eu acho que ele merece um time mais competitivo. Também entendo que todo time que tenha a chance de propor uma troca por ele, deve fazê-lo. Que o trabalho de somar todo o talento de Westbrook a um esquema vencedor já em desenvolvimento seja do seu novo treinador – mas já adianto que não vai ser fácil.

Zaza e seu destino

A próxima temporada de Zaza Pachulia seria apenas mais uma como qualquer outra na carreira do jogador – em 13 temporadas sempre foi um mero coadjuvante- não fosse por um golpe de sorte, estar no lugar certo na hora certa. O pivô georgiano (do país Geórgia, não do estado americano, risos) estava prestes a fechar um contrato de dois anos com o Washington Wizards quando no começo de tarde do dia 4 de julho, uma segunda-feira banal na vida da maioria das pessoas, Kevin Durant anunciou que assinaria contrato com o Golden State Warriors. A partir disso, a vida de Zaza mudou completamente.

O jogador se tornou uma peça chave para que a ida de Durant para a Califórnia fosse possível. Assinando o ala pelo salário máximo, o Warriors teria que se desfazer de alguns jogadores para poder abrigar o seu contrato. O time despachou Andrew Bogut para o Dalls Mavericks e abriu mão de renovar com Harrison Barnes e, mais tarde, com o pivô reserva Festus Ezeli. Solucionado isso, contudo, o time precisava de um pivô para fechar a rotação titular mais mas que aceitasse receber uma mixaria.

Aí que entra Zaza, que estava negociando um salário de 10 milhões por dois anos mas topou baixar a pedida para fazer parte do time mais badalado dos últimos anos (décadas?) – não por causa dele, mas ainda assim com ele.

Entre todos os jogadores do mercado, praticamente só ele tinha a possibilidade de completar o quebra cabeça salarial do Warriors: os demais estavam presos a contratos maiores que não caberiam nas possibilidades financeiras do Golden State (caso de Bogut, que toparia ficar mas tem contrato mais longo que não pode ser quebrado) ou são jovens demais para se exigir que abram mão dos contratos super inflacionados que estão sendo firmados nesta offseason (no começo da carreira o objetivo é garantir uma aposentadoria tranquila com um contrato longo e com muitos dígitos.


Zaza já ganhou 50 milhões na carreira, já está com seu pé de meia garantido. Que diferença faria ser mais um em um Washington Wizards que não vai lutar por nada além de playoffs na próxima temporada? No GSW tem tudo pra ser campeão em um dos times mais fortes já montados em todos os tempos – e mesmo que perca, a responsabilidade definitivamente não cairá sobre ele.

 Isso que é sorte. Se Durant demorasse mais um ou dois dias para anunciar sua decisão, poderia acontecer de Pachulia já ter se comprometido com o Wizards e, mais uma vez, ter confirmado que era só mais um “Silva cuja estrela não brilha” na NBA. Mas diferente de mim e de você, Zaza nasceu com a bunda virada pra lua e tem tudo pra ser titular em um time campeão.

NBA muda regra das faltas intencionais para coibir Hack-A-Shaq

Adam Silver estava matutando há algum tempo para tentar coibir as faltas intencionais nos jogadores ruins em lances-livres. O presidente da NBA já tinha anunciado que pretendia fazer algo para que os jogos não ficassem tão desinteressantes quando os times resolvessem fazer falta em todas as posses de bola forçando jogadores como Andre Drummond, Dwight Howard e DeAndre Jordan a baterem a falta – normalmente errar – e fazer a bola voltar para o time adversário.

A tática, conhecida como Hack-A-Shaq  (ficou famosa quando os adversários forçavam Shaquille Oneall a bater lance-livre), apesar de inteligente, pois quase garante que o time do péssimo batedor de faltas tenha uma posse de poucos ou nenhum ponto, é um saco para quem assiste o jogo. Ninguém quer pagar caro num ingresso para assistir uma partida que se arrasta meia hora além do normal porque um grandalhão erra dezenas de arremessos.

Pior: é muito fácil trocar de canal quando o jogo entra nessa de parar a cada dez segundos com uma falta intencional – e as emissoras que pagaram BILHÕES pelos direitos de transmissão também não gostam nada disso.

Vale a pena forçar jogadores com menos de 50% de aproveitamente nos FTs batam lances-livres, mas é um saco para quem assiste

A ideia mais recente era que faltas intencionais nos últimos dois minutos de jogo teriam um desfecho diferente das infrações em outros momentos das partidas. Ao invés de mandar o jogador para bater dois lances-livres, o time ganhava um arremesso livre e mais a posse de bola. Agora, a “grande ideia” de Silver é aplicar esta mesma regra para os dois minutos finais de todos os quartos do jogo.

De verdade, não é uma mudança que me agrada. Eu não curto que uma mesma falta tenha “punições” diferentes só por causa do momento em que ela é feita. Também não acho justo que uma regra seja mudada pela incompetência de uns caras em um fundamento tão básico.

No mundo ideal, claro, eu gostaria que os pivôs com baixo aproveitamento treinassem, melhorassem e tornassem esse tipo de tática ineficaz.

Em todo caso, eu entendo que algo tinha que ser feito para que os jogos de alguns times não ficassem tão insuportáveis nos seus minutos finais. Talvez mudar a regra para que os times tenham direito de escolha entre posse de bola e arremesso livre nas faltas fora da bola – mas, daí, em todos os momentos do jogo e não só nos minutos finais. Sei lá. Só não gosto da decisão que foi tomada. Tomara que não atrapalhe ainda mais o jogo.

Aquela “dor de cabeça boa” chamada Saric

O ala croata Dario Saric é um cara de palavra. Saric se comprometeu a jogar pela sua seleção nacional, ainda que fosse a menina dos olhos da disputa entre o Philadelphia 76ers, que o draftou há dois anos, e o seu time turco, para tentar classificar a Croácia para as Olimpíadas do Rio. Ele foi lá, ajudou seu time a eliminar a Itália, foi eleito o melhor jogador do torneio de repescagem e garantiu a classificação da Croácia para os jogos olímpicos.

Desde sempre ele também tem dito que vai se juntar ao Sixers nesta offseason para fazer parte do elenco a partir da temporada 2016/17. Mesmo que isso implique em menos dinheiro do que ele recebe do seu time atual, o Anadolu Efes, e mesmo que ao não esperar por mais um ano, caia na escala salarial dos calouros e abra mão de alguns milhões a mais que poderiam ser negociados no ano que vem. Apesar disso tudo, ele cumpre a sua palavra e, mais uma vez confirmando o que disse, vai ser jogador do Phila neste ano.

Aparentemente Saric tem tomado suas decisões com base no que julga ser melhor para seu amadurecimento no jogo. Aos 22 anos, ele escolheu perder suas férias para classificar sua seleção e, depois, se viu pronto para jogar na NBA. Para quem assiste, foi a melhor decisão possível, já que ele a este ponto da carreira não vai ter que jogar duzentas Summer League e esquentar o banco por temporadas a fio até criar corpo e sua técnica convencer os técnicos ianques.

Agora, se está pronto mesmo para a NBA, o croata cria aquela “dor de cabeça boa” pra a comissão técnica do Sixers. A franquia tem um time inteiro de alas e pivôs jovens para escalar, todos pedindo tempo de quadra (Joel Embiid deve jogar este ano, Ben Simmons acabou de ser draftado, Jahlil Okafor foi muito bem enquanto jogou e Nerlens Noel tem sido o mais consistente de todos).

Saric foi selecionado há dois anos juntos com Nerlens Noel

Se Saric tem alguma vantagem sobre os demais, é pela versatilidade do seu jogo (pode jogar na ala mais aberta, quase como um point-forward, ainda que essa já seja a vaga garantida de Ben Simmons), pela qualidade do seu arremesso (melhor disparado entre os concorrentes) e sua experiência (tem mais rodagem que qualquer um no basquete profissional). O grande obstáculo é vencer o hype dos demais, que foram todos estrelas nas duas universidades e escolhidos entre os top6 do draft de seus anos. Ainda que o título de MVP da repescagem das olimpíadas ajude um pouco o jogador com isso.

Mesmo que troque alguém – Noel e Okafor estão constantemente presentes nos boatos -, a briga pelas três posições mais próximas ao garrafão vai ser dura. A confirmação de Saric, neste momento, só comprova isso.

Gasol e Spurs nasceram um para o outro

Pau Gasol é um dos jogadores mais injustiçados desta geração. Em algum momento alguém o viu jogar mais com a cabeça do que com os bíceps, não gostou e botou um carimbo de ‘soft’ na sua testa – que colou mesmo no jogador especialmente pelo apelido realmente muito bom de GaSOFT e por ter tomado algumas enterradas lendárias na cara mesmo e ter reagido de forma meio ‘blase’.


Mas a real é que Pau Gasol nunca foi exatamente frouxo (numa tradução livre e ainda mais pejorativa de ‘soft’). Gasol só foi sempre um cara que soube que é mais esperto fazer a bola rodar sozinha enquanto os jogadores se movimentam discretamente sem ela do que carregar a pelota para os quatro cantos da quadra. Ou então aquele cara que sabia que uma largadinha precisa vale os mesmos pontos que a enterrada na cara do adversário.

Em resumo: Gasol sempre jogou o ‘Spurs ball’, esquema de muitos passes, movimentação sem a bola e basquete coletivo, mesmo jogando a sua carreira toda somente no Grizzlies, Lakers e Bulls. Apesar de nunca ter jogado no time multicampeão do Texas, parece que a carreira inteira entrou em quadra sendo orientado por Gregg Popovich.

Agora já no final da carreira, Gasol vai finalmente vestir a camisa do Spurs. Achei a contratação mais interessante entre as negociações não muito badaladas desta offseason. Além de parecer um casamento perfeito, Gasol não só preenche a lacuna deixada por Tim Duncan, como é um excelente complemento para o jogo de Lamarcus Aldridge, que é um ala-pivo que gosta de chutar de meia distância e que vai saber aproveitar muito bem os espaços abertos por Gasol no ataque.

Mesmo que o time a ser batido ainda seja o Golden State Warriors, o San Antonio Spurs vai continuar na cola.

Esse Bulls vai ser muito estranho

Quase tão chocante quanto a ida de Kevin Durant para o Golden State Warriors foi a saída de Dwyane Wade do Miami Heat para se juntar ao Chicago Bulls. Quer dizer, acho que a movimentação de Wade foi muito mais surpreendente. Durant era o grande nome da offseason e, mesmo que antipática, a troca de time do ala faz todo o sentindo – um dos melhores do mundo cansou de perder e se juntou ao melhor time da NBA para ganhar um título. Agora, Wade saindo de Miami? Para se juntar a um Chicago Bulls que parecia que iria afundar num processo de reconstrução monstruoso? É bem estranho.

O papo nem era novo, mas é muito surpreendente que o desfecho tenha sido este mesmo. Todas as renovações de Dwayne Wade com o Miami foram cheias de cu doce para todos os lados. O jogador sempre sentia que estava abrindo mão de uma valorização natural em prol do elenco. A franquia achava que o jogador tinha que fazer estas concessões já que frequentemente se lesionava e estava pagando o preço por ter um time competitivo por toda a carreira, algo raro para maioria dos atletas.

Enquanto um blefava com o outro, Wade sempre foi ventilado no Bulls. O jogador é nativo de Chicago e a cidade esteve carente de um jogador do seu calibre desde a saída de Michael Jordan – Derrick Rose ocupou este posto por um tempo, mas as lesões deram mais dor de cabeça para o torcedor do que esperança. Apesar de todos os boatos, todo mundo sabia que Wade ia acabar renovando com o Heat.

Até que deu a louca e não renovou. Saiu de um time que parecia se acertar bem para a próxima temporada e se uniu a um Bulls que se desmantelou. Que trocou Rose, deixou Joakim Noah e Pau Gasol saírem e todos os boatos davam conta que o próximo negociado seria Jimmy Butler, o único excelente jogador remanescente no elenco.

Como não conseguiu fazer nenhuma troca no dia do draft, foi levando. Até que assinou com Rajon Rondo, em uma movimentação bem estranha, e, agora, com Dwyne Wade, mais bizarra ainda.

Individualmente falando, eu adoro os três jogadores do backcourt do Bulls. Dwyane Wade é um dos atletas mais decisivos da liga, seu jogo está atrelado à vitória. Butler é um defensor fantástico e um ala-armador completo. Rondo é um gênio incompreendido. Mas, de verdade, não consigo imaginar o que vai sair da combinação destes três caras juntos.

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Esse photoshop ficou massa

A questão mais óbvia e que nenhum dos três chuta de três. Rondo não arremessa de nenhum lugar. Wade arremessa sempre o mais próximo possível da cesta. Butler tem a pior característica de um jogador dos anos 90, que é adorar os arremessos longos de dois pontos.

Somados, o trio fez 133 cestas de trás do arco na temporada passada – marca que foi 30 jogadores superaram sozinhos ao longo do último campeonato. Rondo, que não chuta e não sabe chutar, foi o que teve a melhor mira em comparação com os dois colegas, com 36% de aproveitamento – o que dá uma boa medida de como os três são péssimos no fundamento.

Isso faz com que o esquema a ser desenhado pelo técnico do time seja um desafio à NBA de hoje, que a cada ano chuta mais de três e a todo jogo nega o jogo de jump shot de dois pontos. Ainda que nem todo time seja um Golden State Warriors, não ter a alternativa dos arremessos de fora torna uma equipe muito mais fácil de ser marcada – especialmente por ter um pivô que não é um exímio pontuador em Robin Lopez.

Por outro lado, o trio pode formar uma cara tão incomum ao basquete de hoje, que eu não duvido que dê certo. Não vai ser suficiente para competir com Cleveland Cavaliers, por exemplo, mas pode dar liga e ficar no miolo da classificação para os playoffs do Leste.

Nem que não vença, acho que vai ser interessante pelo experimento. Wade é excelente na movimentação sem a bola, Rondo consegue ver o jogo de uma maneira muito particular e Butler é uma estrela em ascensão. Há elementos para se montar um time de uma maneira muito interessante. A gente só não faz ideia de como isso vai ser. Vai ser estranho, mas não vai ser necessariamente ruim.

No final do banco

A temporada 2016/17 não promete para a maioria dos brasileiros com contrato na NBA. Praticamente todas as trocas de times envolvendo brasileiros ou equipes destes jogadores acabaram jogando os nossos compatriotas para o final do banco de reservas.

O único que, por enquanto, fica numa situação levemente melhor do que esteve na temporada passada é Lucas Bebe, já que o Toronto Raptors perdeu um jogador que estava na sua frente  na rotação. E Cristiano Felício, que fica meio que na mesma situação da temporada passada. De resto, todos vão ser espectadores de luxo assistindo aos jogos da beira da quadra.

Vamos falar dos casos de cada um:

Leandrinho Barbosa 

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‘Barboussa’ fechou o ano bem, foi um dos poucos jogadores do Warriors que saiu dos playoffs melhor do que entrou, mostrando ‘cojones’ quando o pau comeu. Apesar disso, não rolou negociar uma extensão contratual e o jogador voltou para o time onde ele passou maior parte da sua carreira e seus melhores momentos. O grande problema é que a backcourt do Suns é uma das mais congestionadas da NBA, com jogadores das mesmas características físicas ou técnicas do brasileiro.

Com um biotipo comparável ao de Leandrinho (com um tamanho intermediário entre as posições 1 e 2), Eric Bledsoe já é o dono do time e Brandon Knight é seu parceiro titular garantido. Archie Goodwin é outro que, dependendo da opção do técnico, pode passar na frente de Barbosa na rotação. Se Leandrinho é o melhor dos quatro para chutar de longe, Devin Booker é a esperança da franquia para o futuro e é um especialista nos arremessos de três. No final das contas, Barbosa só deve ter um role interessante, mesmo que reserva, se rolar alguma troca nesse time.

Nene Hilario

O pivô assinou com o Houston Rockets por uma temporada e deve ser o reserva de Clint Capela no garrafão. No esquema de Dantoni, Nene pode ter alguma importância ofensiva já que se sai tão bem quanto o titular nos pick’n’rolls. Mesmo assim, Capela vai ter muitos mais minutos por ser uma aposta para substituir Howard como o único reduto de defesa do esquema do time texano. Briga por minutos com Donatas Montiejunas, uma das eternas promessas do Rockets.

Marcelinho Huertas

O brasileiro teve a boa notícias que o Lakers já apresentou uma qualifying offer, ou seja, mesmo que ninguém queira apresentar uma proposta de contrato para Huertas, seu time atual já tem um contrato ‘de gaveta’ para ele.

Marcelinho começou como piada. Deu azar de fazer umas jogadas ridículas e cair no Shaqtin A Fool (tape com as piores jogadas da semana). Com o tempo, foi mostrando que era muito mais do que isso e que poderia ser um resquício de sobriedade naquela zona que era o Lakers. Eu até esperava que ele fosse assumir um role importante neste ano, como reserva imediato de D’Angelo Russell. O problema foi que o time foi atrás de Jose Calderon, armador que tem muito em comum com Huertas (com menos inteligência na visão de jogo e com mais chute de três, mas com a mesma fraqueza defensiva que o brasileiro), com a diferença que o espanhol tem uma rodagem muito maior na liga que Marcelinho.

Vai ser o reserva do reserva.

Anderson Varejão

Ainda não se sabe para onde Varejão vai. Ele é free agent e está livre para assinar com quem quiser. No Warriors, o futuro não é dos melhores. Na prática, Draymond Green deve continuar jogando maior parte dos minutos como o pivô principal da rotação. Na teoria, Zaza Pachulia será o titular – no mesmo papel meio figurativo que Andre Bogut tinha na rotação, que começava o jogo, mas não era a titular nos minutos mais importantes da partida. Para piorar, David West assinou com o time e vai roubar o papel de ‘reserva que entra para sair na mão’ que podia ser de Anderson.

Tiago Splitter

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Bem difícil projetar algo aqui, especialmente porque Splitter vem de uma cirurgia complicada e não sei dizer quando ele volta a atuar. A certeza é que Dwight Howard será o titular absoluto da posição. E, ao lado de Tiago, temos uma porrada de jogadores: Mike Muscala, Kris Humphries e Walter Tavares. A vantagem de Splitter perante estes é que parece ter a simpatia do técnico da equipe. Mesmo assim, deve ter um papel discreto.

Raul Neto

O único brasileiro que vira e mexe era titular na temporada passada começará a temporada sem qualquer chance de começar no quinteto inicial do Utah Jazz. O armador titular do time, Dante Exum, volta depois de um ano parado por lesão. O time ainda foi atrás de George Hill, um combo guard que deve ser o sexto homem da franquia para a temporada. Shelvin Mack, que na temporada passada chegou para roubar a titularidade do brasileiro, continua no elenco também. Para piorar, Jazz ainda contratou Joe Johnson, que na hora que a coisa aperta, costuma dominar a armação dos times onde joga.

Perdeu as contas? O brasileiro é tipo a sexta opção do elenco.

Bruno Caboclo

O Toronto não chegou a contratar ninguém para sua posição, mas o brasileiro também não tem feito nada para subir na rotação. A franquia oficialmente diz que ele ainda é um projeto para o futuro, mas hoje é a quarta opção para small forward. Escorregou ainda mais pro final do banco com a excelente final de temporada do calouro Norman Powell. Deve passar mais uma temporada jogando a D-League.

Cristiano Felício

Aqui as coisas começam a melhorar um pouquinho. Felício terminou a temporada com algumas oportunidades no time titular. Foi um movimento muito claro da comissão técnica de que queria testá-lo por mais tempo. Isso é bom, pois mostra que ele pode fazer parte do futuro do Chicago Bulls. Acho que ele fez o certo em recusar vir para as Olimpíadas na intenção de mostrar comprometimento com o time, também.

Vejo ele mais como um reserva do pivô Robin Lopez. Como ala-pivô, o time deve entrar com Nikola Mirotic de titular e Bobby Portis como reserva imediato. Taj Gibson, veterano, é seu principal rival por minutos.

Lucas Nogueira

Curiosamente o brasileiro que eu acho que mais tem deficiências no seu jogo é aquele que tem mais chances de jogar nesta temporada. O Toronto Raptors perdeu Bismack Biyombo para o Orlando Magic e Lucas Bebê virou automaticamente o reserva imediato de Jonas Valanciunas como pivô do time canadense. O brasileiro tem um físico que a NBA ama atualmente – pivô magro, ágil e com uma envergadura absurda -, mas tem que aprender a marcar. Nos momentos em que jogou nos playoffs, Nogueira virou piada por estar completamente perdido na defesa. Não se enganem, seus tocos e rebotes são frutos dos braços gigantes que a natureza deu a ele e não de uma habilidade defensiva.

O lado bom disso tudo é que ele tem tempo de sobra para aprender.

 

 

Nene em Houston é melhor que Nene em Washington

O pivô brasileiro Nene acertou com o Houston Rockets para esta temporada. Não é uma contratação que vá abalar o mercado da NBA ou mudar os rumos de uma franquia, mas acho que foi uma escolha boa para o jogador.

Nem acredito que Nene terá uma participação muito importante no time. Acho até que poderia ter mais minutos em outro time mais irrelevante na NBA hoje. Mas imagino que com a contratação do técnico Mike Dantoni, o Houston Rockets tem tudo pra ser uma das equipes mais divertidas para se acompanhar na próxima temporada – especialmente se você não torcer para o time e quiser ver os jogos de maneira despretensiosa – e a capacidade de Nene em atacar como um trato e passar a bola podem combinar com o estilo de jogo que se prevê para o time.

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Contrato de Nene é de um ano, apenas

Imagino um Houston muito rápido com a bola. Harden puxando o contra-ataque de forma alucinante, com Trevor Ariza e Ryan Anderson sempre abertos nas laterais prontos para chutar de três. Dos jogadores de garrafão do Rockets, Nene com certeza é a opção com melhor visão de jogo e mais capacidade de encontrar quem está livre fora do arco. Não imagino que ele jogue como titular, mas nos momentos em que estiver em quadra pode ser bem útil.

Falando um pouco mais sobre o Rockets, pode não dar nada certo, já que um time sem defesa tem seu destino reservado para o fracasso em boa parte das vezes, mas tenho certeza que vai ser uma evolução brutal em relação ao esquema das últimas duas temporadas, que se baseavam basicamente em Harden batendo bola até encontrar uma brecha para infiltrar e cavar a falta – cobrou 200 lances livres a mais do que o segundo colocado na liga neste período.

Voltando ao Nene: no Washington, ela já era uma figura cada vez mais desimportante. Gortat era um cara que adicionava ao time as mesmas ferramentas que Nene tinha capacidade de prover, mas com muito mais vigor físico que o brasileiro. Já tinha dado pra ele por lá.

No Houston, deve ser reserva de Clint Capela, que combina muito mais com a correria esperada com Dantoni e que se desenvolve para ser uma ameaça defensiva mais imponente do que Nene é. Mesmo assim, devem pintar uns minutos para o brasileiro. E, como eu disse, se não é para jogar muito lá nem cá, que pelo menos seja no time com um basquete mais divertido.

Se é pra não jogar muito lá ou cá, que pelo menos seja divertido e com mais chances de ir longe nos playoffs que, neste caso, é com o Houston Rockets.

 

Uma dica: não se empolguem com a Summer League

De certa forma, o calendário de jogos da próxima temporada já começou: no final de semana a bola subiu para a Summer League de Orlando e ontem o mesmo aconteceu para a liga de Utah. Com muita molecada em quadra, as ligas deverão são um bom passatempo para que a gente veja os primeiros passos dos calouros e possa conferir como estão os jovens das equipes que têm pouco tempo de quadra durante a temporada regular. Mas, de verdade, não dá para levar mais a série do que isso.

Pra quem não está familiarizado, o calendário da NBA conta com três ligas de verão: Utah, Orlando e Las Vegas, a mais badalada. Nestes campeonatos, os times inscrevem elencos super alternativos, com os jogadores jovens dos seus elencos, atletas sem contrato que estão querendo mostrar serviço e uns veteranos que estão sem tempo de quadra. É uma mistura de peneira de talentos com pré-temporada para os mais jovens. Os times nem jogam com seus uniformes tradicionais, as quadras são de treinamentos e vários jogadores estão lá sem contrato. Os times também mandam membros da comissão técnica para comandar as equipes, dando férias para os técnicos figurões.

Acontece que tem muito torcedor que acaba se empolgando com as atuações de alguns jogadores. Como se isso valesse alguma coisa. É tipo comemorar que a contratação do seu time de coração no futebol meteu três gols naquela pelada beneficente de final de ano: o nível do jogo é ridículo, os times são catadões e tem um monte de gente ali que nem está jogando de verdade.

Em 2014, Glen Rice Jr foi o cestinha da Summer League de Las Vegas, a principal liga destas, com 25 pontos por jogo. Na NBA de verdade, depois disso, ele fez 11 pontos. NO TOTAL. SOMANDO TODOS OS JOGOS. Jordan McRae foi o terceiro pontuador, com 21 pontos por jogo pelo Sixers, mas sequer foi aproveitado pela pior franquia da liga. Ano passado Furkan Adelmir foi o principal reboteiro da liga com média de 13 por jogo – e nunca mais ninguém sequer ouviu falar do indivíduo.

O MVP da Summer League de Las Vegas do ano passado foi Kyle Anderson, do San Antonio Spurs. O jogador até parece bom, mas não conseguiu fazer mais do que 4,5 pontos por jogo na temporada da NBA para valer, mesmo jogando 78 partidas e começando 11 delas como titular.

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Glen Rice Jr já foi MVP da Summer League de Las Vegas, mas não conseguiu jogar mais do que cinco partidas na temporada seguinte

No final das contas, estes torneios são aproveitados mais para que as franquias imponham algumas jogadas aos seus atletas e tenham uma primeira medida sobre quem está em forma, quem consegue entender bem as orientações dos treinadores, quem se encaixa corretamente em determinadas jogadas. Mas estas são avaliações muito difíceis para que a gente faça do lado de fora –  um cara pode se mostrar o mais disciplinado e inteligente em um sistema e ter médias discretas, enquanto um peladeiro pode comer a bola mesmo sem fazer nada que foi pedido a ele.

Claro, também não descarto que é bacana ver alguns jogadores que estamos curiosos para assistir (foi bacana ver Ben Simmons armando, rodando bola e finalizando pelo Sixers ontem, por exemplo). Mas sempre é bom se conter para não se decepcionar com a gurizada. Quem é bom mesmo e comprovou isso está de férias a uma hora dessas.

“Ninguém falou nada quando Lebron fez o mesmo que Durant”

Eu tenho lido algumas reações nos comentários da página do Dois Dribles no facebook que estão me deixando impressionado. Muita gente que apoia a decisão de Kevin Durant trocar o Oklahoma City Thunder parece não conseguir entender que a minha decepção (e de muita gente) com a decisão dele não faz dela uma escolha necessariamente errada, não faz de Durant um pereba e não tem nada a ver com o direito dele mudar de time. É ÓBVIO que ele pode fazer o que quiser e uma discussão aqui não vai mudar nada na vida de ninguém – e uma crítica à decisão que ele tomou não quer dizer que eu odeio Durant (que aliás, gosto demais) ou o Golden State Warriors (que tantas vezes fui rotulado como torcedor só por saber admirar um dos melhores times da história). Mas tudo bem, faz parte da vida na internet.

O que não consigo aceitar é desinformação histórica. Como tanta gente pode acreditar que “ninguém falou nada quando Lebron trocou Cleveland por Miami”?

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Esse povo estava em coma? Congelado? Preso? Sem contar a barbaridade que é argumentar qualquer coisa dizendo que “ninguém fala” – sempre que alguém diz isso me dá uma dorzinha no cérebro, como assim ninguém? Mas tudo bem, entendo que é um exagero usado para tentar comprovar um ponto de vista – que, neste caso, está bem errado. Diante disso tudo, acho que tenho o dever de relembrar que as reações foram as piores possíveis – numa proporção muito maior do que as que vemos hoje com Durant. E, convenhamos, Lebron fez por merecer mesmo.

A começar que o jogador fez toda uma cena para definir seu futuro. Vários times tinham a expectativa de contar com Lebron para os anos seguintes, entre eles o seu Cleveland, Knicks, Bulls, Nets, Heat e outros menos cotados. Diante da ansiedade de um país inteiro, James combinou de transmitir a sua decisão ao vivo em rede nacional, com links ao vivo em todas as praças para onde o jogador tinha alguma chance de ir.

Um fisco, claro, já que Lebron agradou uma torcida e enfureceu um país inteiro. Imediatamente pipocaram camisas do jogador sendo queimadas, juras de morte em todos os muros de Cleveland, seu banner em frente ao ginário do Cavs foi derrubado em horas e etc.

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Piorou quando, na apresentação, falou que não ganharia “só dois, três, quatro, cinco, seis” títulos com o Heat. Ele já tinha uma legião de haters, mas que naquele momento de multiplicava a cada segundo.

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Em poucos meses, o jogador foi eleito o jogador da NBA mais odiado dos Estados Unidos em uma enquete periódica que questiona a popularidade das celebridades americanas – e atrás apenas de Michael Vicki, que foi preso por maltratar animais, e Tiger Woods, que tinha traído a mulher. Criaram um site para concentrar todo o ódio destilado contra o jogador (que sobrevive até hoje com algumas maravilhas) O mundo inteiro curtiu quando o Miami Heat começou a temporada tropeçando, numa campanha de 8 vitórias e 7 derrotas. E quase todo mundo delirou quando o time da Florida perdeu para um improvável Dallas Mavericks. A atuação medíocre de James, aliás, foi a mais festejada.

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Torcida do Mavs ganhou reforço na final de 2011

Acho que as coisas só foram quase totalmente sanadas com a atuação monstruosa na derrota do ano passado e na vitória deste ano – mas mesmo assim, ainda há quem não consiga tirar James da cabeça, a exemplo deste pessoal que insiste em falar que “ninguém falou nada” em 2010 quando a notícia e sobre Kevin Durant.

O resumo da ópera é esse: uma grande decisão como esta de se juntar a um time fortíssimo vai sempre gerar uma reação negativa. Foi muito assim com Lebron, está sendo assim com Durant. Isso também não é, nem de longe, achar que ambos são ruins, não podiam fazer isso e etc. Mas, por favor, não vamos distorcer os fatos, ok?

 

 

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