Hoje vou estrear aqui uma série de posts sobre o torneio masculino de basquete nas Olimpíadas. Para começar, vou destrinchar um pouco da seleção brasileira e, na sequência, as suas possibilidades de beliscar uma medalha.

A competição olímpica é muito difícil, especialmente por ser muito equilibrada e curta. No entanto, justamente por isso, também é possível que o Brasil esteja na briga por medalha, mesmo não sendo uma das três melhores seleções do mundo. É tudo uma questão de sorte nos cruzamentos e momento – vou tratar disso em um post nos próximos dias.

Mas vamos lá, sobre o time: esta é a última chance deste elenco mostrar serviço pela seleção. O ‘núcleo duro’ do time é todo trintão e não vai ter mais uma chance de medalha: Leandrinho, Nene, Alex, Marquinhos, Huertas, Giovanonni e Hettsheimeir não estarão em Toquio daqui quatro anos. Isso não é necessariamente ruim para a disputa deste ano, já que os caras estão com rodagem suficiente para encarar o grande desafio das suas vidas e com a máxima motivação de fazer acontecer agora – só é negativo pensando no futuro da seleção, mas essa é outra conversa.

A primeira geração brasileira com experiência na NBA demorou para engrenar, ficou de fora dos jogos de 2000 a 2008. Mas teve participações com excelentes lampejos nas Olimpíadas de Londres, em 2012, e na Copa do Mundo de 2014, fechando na quinta e sexta posição, respectivamente. Isso denota alguma evolução, especialmente com a chegada do técnico Rubén Magnano no time.

Esta combinação, de técnico e time experientes, aliada à vocação e entrega de um elenco que joga junto há um bom tempo, faz do Brasil uma das melhores defesas da competição, o que já é um primeiro passo para ter um time bem competitivo. Se existe uma nuvem negra que atormenta este time, que são os apagões em momentos decisivos, uma marcação implacável nos 40 minutos de jogo é algo que pode compensar mesmos estes lapsos ofensivos.

O possível time titular – que eu imagino sendo Marcelinho Huertas, Leandrinho, Alex, Hettsheimeir e Nene – joga o chamado BASQUETE MODERNO. No backcourt, Huertas é um armador inteligentíssimo que mete suas bolas quando não é o ponto focal do ataque (e não é neste time), Leandrinho é um combo guard completo. Nas alas, Alex é capaz de marcar qualquer jogador da face da terra e Hettsheimeir, guardadas as devidas proporções, é o típico ‘stretch four’ que virou moda na NBA – corpo de pivô, mas especialista na bola de três, abrindo espaço no garrafão adversário para as infiltrações dos colegas.

Por último, Nene, que é o jogador brasileiro que eu mais gosto – acho que merece um comentário mais longo, aliás. O atleta já foi achincalhado em outros momentos por não ter jogado sempre que convocado pela seleção. Quem acompanha o blog sabe que eu defendo os jogadores que, nestes casos, pensam no que é melhor para suas carreiras e não para as confederações que cuidam das seleções nacionais. Hoje, sem sombra de dúvidas, é o principal jogador do elenco e os PATRIOTAS que tanto xingaram o cara nos últimos anos vão acabar se dobrando diante do seu talento. Nene tem a inteligência de um point guard dentro do garrafão e é o tipo do cara que não afina para absolutamente ninguém. O que me anima ainda mais, é que ele parece estar muito bem fisicamente. Veremos o pivô na sua melhor forma dos últimos anos, o que é excelente.

nene

Nene no garrafão: fisicamente bem e tecnicamente especial

Outro ponto positivo do time é que seu banco de reservas é bem completo e acima da média da competição. Raulzinho é muito bom jogador e é um armador quase tão bom quanto o titular. Marquinhos é excelente nos tiros e tem porte para encarar os principais jogadores das seleções adversárias. Felício e Augusto Lima são os jovens talentos com gás e potência para, inclusive, brigarem pela titularidade ao longo do torneio. Benite tem cacife para ser o pontuador da segunda unidade.

O que pesa contra esse elenco – e é uma desvantagem perante os principais rivais – é que os principais jogadores do time brasileiro não tem jogado com a intensidade de competição que os melhores jogadores das outras equipes ao longo do ano. Huertas, Nene e Leandrinho foram reservas das suas equipes. Faz diferença no ritmo e na moral você ter jogado a última temporada inteira como um titular, ter entrado em quadra 30 minutos de jogo, ter sido um dos caras que decidiu partidas para seu time de ser um reserva que entra, joga 15 minutos no máximo e volta para o banco assistir os minutos finais de jogo sentado. O alento é que existem outros jogadores que jogaram dezenas de partidas decisivas e foram os principais jogadores em suas equipes da NBB.

Os amistosos mostraram um time bem competitivo, mas né, foram amistosos. Eu acho que, mesmo no ‘grupo da morte’, o Brasil passa bem de fase – isso quer dizer que não fica em quarto, evitando um cruzamento precoce com os EUA – e que, com sorte, briga por medalha lá na frente. Acho que dá.

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