Na série de posts que comecei com análises sobre os times (especialmente Brasil e EUA) e grupos do torneio olímpico, muita gente comentou que a seleção brasileira vai ganhar medalha e que até tem chances de vencer os americanos. Apesar da notória e clara diferença de qualidade, o pessoal se prende naquele lance de que os jogos são aqui, a torcida vai empurrar o time e os caras vão se superar em quadra. Eu até acho que o Brasil pode conseguir um resultado acima da sua qualidade, ganhando uma medalha (de bronze ou de prata, dependendo do cruzamento da segunda fase), superando times mais fortes como Sérvia e França, mas acho impossível que vença os EUA. Mas aqui, sobretudo, quero desmistificar esse papo de que o ‘fator casa’ é tão favorável nos torneios de basquete de seleções. Pelo menos no histórico recente, jogar em casa não tem sido uma vantagem grande o suficiente para levar um time ao título.

Isso é tão flagrante que, mesmo quando o time é um dos favoritos no torneio, o título não vem – mais difícil ainda quando não é a melhor equipe, como é o caso do Brasil. Nas Copas do Mundo de Basquete, por exemplo, até os EUA perderam em casa na última vez que sediaram o mundial. A Espanha, maior força europeia dos últimos anos, ficou apenas em quinto quando o campeonato foi realizado por lá – sendo que tinha sido duas vezes medalhas de prata nas olimpíadas anteriores e campeã mundial dois torneios antes.

COPADOMUNDO

Nas olimpíadas, a vantagem do time da casa é ainda menor e chega a dar a impressão que os times têm um desempenho PIOR quando jogam em casa. Só os EUA foram campeões jogando em seus domínios – o que não é nenhuma novidade, já que eles foram medalhistas de outro em 14 dos 18 torneios de basquete nos jogos. Fora isso, só a União Soviética conseguiu ser medalhista em casa – o que não é exatamente um bom resultado, já que os EUA não participaram daquela edição e os soviéticos eram os francos favoritos.

olimpiadas

Falo tudo isso, porque percebi que existem duas correntes muito fortes e distintas entre os fãs de basquete. Uma turma acha que o Brasil vai tomar pau invariavelmente. Outros se alimentam da ilusão que o time tupiniquim vai chegar forte para ganhar dos seus principais rivais, inclusive os EUA.

A verdade é que há um equilíbrio muito grande. Os americanos são muito melhores do que todos, mas, de resto, tudo pode acontecer. Mesmo sendo pior que Espanha, Sérvia e França – e no mesmo nível que Lituânia e Argentina – dá para ganhar de todos em um dia bom. Ou perder em um dia infeliz. Só é preciso ter em mente que o Brasil não se torna favorito só por jogar no Rio de Janeiro.

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