O Brasil conseguiu uma vitória empolgante contra a Espanha na segunda rodada do campeonato de basquete das Olimpíadas do Rio. A cinco segundos do fim, Marquinhos deu um tapinha no rebote ofensivo e deu a liderança para o time brasileiro no placar: 66 a 65 sobre um dos favoritos do torneio.

Existem inúmeros fatores que dão ou tiram uma vitória dessas das mãos de uma equipe em jogos tão apertados e é irresponsável atribuir a apenas um destes, mas nestes dois primeiros jogos, o time brasileiro teve uma alteração decisiva e flagrante no seu desempenho: o aproveitamento de lances-livres.

Na derrota na partida de estreia, o Brasil acertou apenas 22 de 35 (62,9%) arremessos da linha, enquanto os lituanos converteram 15 de 18 (83,3%) tentados. No placar, apesar da reação impressionante no segundo tempo, os brasileiros perderam por seis pontos. Hoje, contra a Espanha, o Brasil meteu 16 de 21 (76,2%) e os rivais acertaram 22 de 33 (66,6%). Em especial, Pau Gasol, principal jogador espanhol, errou sete arremessos do lance-livre – e dois decisivos no último minuto, que obrigariam o Brasil a chutar de três pontos no lance seguinte.

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Este tipo de análise vale, atribuindo uma derrota ou uma vitória em grande parte ao aproveitamento dos free throws, porque é a única jogada do basquete em que o time depende exclusivamente da sua capacidade e do seu equilibrio emocional – excluindo a capacidade de defesa do adversário, os esquemas táticos, os matchups, o ritmo da partida, que influenciam nos outros arremessos e jogadas. Um time excelente neste fundamento, vai ganhar boa parte dos jogos disputados lance a lance e um time pouco confiável vai oscilar quando depender disso para vencer – é bem básico.

No final das contas, o Brasil só teve condições de fazer valer seu aproveitamento porque se manteve na partida a todo momento. Sem o apagão nos momentos finais dos torneios anteriores e sem a moleza com que entrou em quadra na estreia.

Marcelinho Huertas controlou o ataque do time e Nene, além de ser um point guard dentro do garrafão, foi monstruoso na defesa. Augusto Lima mostrou que tem que tomar todos os minutos de Hettsheimer e Marquinhos conseguiu entrar no jogo melhor do que fez nos amistosos e na estreia. O time apresenta um desempenho crescente, que é o mais importante em uma competição de tiro curto como esta.

O caminho para medalha é longo e não tem nada garantido, mas o Brasil está pelo menos fazendo o básico – o que a Espanha, um dos seus maiores rivais nesta caminhada, não fez.