Quase aconteceu. Por pouco que o time norte-americano de basquete não perdeu uma partida no torneio olímpico ontem. Na terceira rodada da competição, os EUA passaram um sufoco contra os até então também invictos da Austrália e venceram por 98 a 88, depois de ter virado a metade do jogo cinco pontos atrás no placar.

Eu até esperava que a equipe americana pudesse encontrar algumas pedreiras ao longo do caminho para o ouro, mas, antes do início do torneio, jamais imaginaria que a Austrália seria um deles. A verdade é que os Boomers estão jogando um basquete de excelência na defesa e com ataque muito bem azeitado. Contrariando um final de temporada muito ruim, Dellavedova, pasmem, tem sido o melhor jogador do torneio. Bogut está um monstro na defesa e Patty Mills está endiabrado no ataque

Ficou claro no jogo de ontem que era um time muito bem armado e treinado tentando derrotar um grupo de talento puro, mas que só joga no contra-ataque e que nem sempre é tão dedicado na defesa. Quase deu certo.

Os EUA só conseguiram virar a partida quando o ataque encaixou de vez e as bolas de fora começaram a cair. Daí, meu amigo, não tem muito o que fazer. Carmelo Anthony anotou nove bolas de três – faltou uma para igualar o recorde em uma partida de Jogos Olímpicos que é dele mesmo, contra a Nigéria em 2012.

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No final das contas, a maneira como o jogo se desenrolou serviu como lição para os dois times envolvidos. Os australianos entenderam que, jogando dessa forma, têm chances de encarar qualquer um. É a defesa mais organizada e enérgica até o momento e é a equipe que parece ter o entrosamento mais próximo de um clube que joga junto o ano inteiro. Aliás, eu me enganei quando, nas análises pré-torneio, falei que a Australia era o time mais fraco entre os possíveis oito classificados. O time é tão bom quanto seus concorrentes diretos.

Para os americanos, o susto também foi saudável. O time é muito bom, mas precisa jogar de verdade para ser campeão. Não que eles não estejam focados, mas claramente o time se deslumbrou com os amistosos preparatórios e com os dois primeiros jogos do campeonato – ainda que tenha achado engraçado, penso que não é o maior símbolo de seriedade jogar ‘pedra, papel e tesoura’ dentro de quadra para decidir quem vai cobrar um lance-livre, por exemplo.

O quase acidente de percurso também nos dá alguma esperança de que o torneio será competitivo na fase de mata-mata, sem a garantia de que o time americano já passar o trator por cima dos adversários. Ainda acho que eles serão campeões, mas torço para que tenham mais jogos assim pela frente.

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