Não foi vexame

Claro que poderia ser muito melhor, que poderia se classificar e até avançar no mata-mata dependendo do cruzamento da segunda fase, mas o resultado da seleção brasileira no torneio de basquete não foi vergonhoso, como muita gente tem dito neste momento.

O grupo do Brasil era muito foda. Das seis equipes, cinco tinham plenas condições de se classificar. O problema é que eram apenas quatro vagas – e os brasileiros que ficaram de fora.

Eu até concordo que as rotações de Magnano foram esquisitas, que o time foi amador em um ou outro momento decisivo, mas não acho que exista um grande culpado pela eliminação.

Olhando jogo a jogo, o Brasil teve boas condições de vencer todos eles. Começou muito mal contra uma Lituânia que acertava tudo, mas quase conseguiu buscar uma diferença de 29 pontos. Contra a Croácia, fez um jogo honesto, mas do outro lado tinha um Bogdanovic endiabrado. Superou o melhor elenco do grupo, os espanhóis, e perdeu para a Argentina em um jogo com mais méritos dos hermanos, que teve muita estrela em buscar dois empates nos segundos finais, do que deméritos do Brasil.

Da mesma forma que perdeu três destes jogos, poderia ter vencido mais um, mais dois, ter perdido mais um. Foi tudo decidido muito no detalhe. A verdade é que as coisas estavam equilibradas a ponto de que todos os times tinham chances de classificação na ultima rodada do grupo – Argentina podia se classificar do 1º ao 4º lugar, Croácia idem, ou dependendo do resultado da Lituania, os quatro classificados podem terminar empoados, num cenário de paridade surreal.

O problema é que o ufanismo toma conta da rapaziada nessas horas e nem sempre conseguimos ver a dificuldade de um torneio olímpico – basta ver o que a rapaziada me xingou quando eu disse que jogar em casa não garante medalha pra ninguém. Com muita sorte nos cruzamentos dava pra ir mais longe, mas seria uma campanha que desafiaria a lógica do torneio e o favoritismo de outros times.

Claro que, apesar de não achar que foi um grande vexame, eu esperava um pouco mais. Achava que o Brasil tinha elenco pra superar pelo menos Croácia e Argentina. Ia achar sensacional um jogo, mesmo que fosse uma eliminação anunciada, contra os Estados Unidos com um ginásio incendiado pela torcida. E, por fim, torcia muito por uma campanha histórica pra esta geração que se despede da seleção e não vê muitas alternativas de renovação.

Mas não rolou. Diante de todas as circunstâncias, acontece…

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Equilíbrio insano

1 Comment

  1. FLP

    “Da mesma forma que perdeu três destes jogos, poderia ter vencido mais um, mais dois, ter perdido mais um. Foi tudo decidido muito no detalhe.”

    Tem uns 30 anos que isso acontece com Basquete masculino do Brasil. Inclusive em todas as competições de categorias de base da seleção.

    É obvio que em uma Olimpíada com as 12 melhores seleções do mundo, TUDO será decidido em “um detalhe” (exceto, claro, para os EUA. E mesmo assim com ressalvas).

    Mas é justamente nunca conseguir alcançar esse detalhe que deve ser questionado né.

    O buraco é BEM mais embaixo e vai muito além da quadra. A CBB consegue piorar a cada gestão, nossa renovação é bem fraca e etc etc…

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