Exceto pela ausência do Brasil, os primeiros confrontos do mata-mata do torneio olímpico parecem que foram escolhidos a dedo para que os jogos mais representativos possíveis acontecessem já nas quartas de final. Dos quatro jogos, três deles têm histórico de rivalidade, grandes jogos, partidas marcantes e coisas do gênero – e pelo caráter de cada um deles, tudo deve entrar em quadra quando a bola subir.

Austrália x Lituânia, 11h

Até a forma como o calendário foi feito parece que orna com isso: o primeiro jogo do dia, Lituânia x Austrália, às 11 horas, é o único confronto mais sem sal da rodada. Se há algum tempero aí é a expectativa de um jogo muito brigado, com chances reais de alguém se exceder na ‘vontade’: o pivo europeu Jonas Valanciunas não é um cara muito delicado e vai encontrar o igualmente ‘educado’ Andrew Bogut. Em termos técnicos, é também um jogo muito imprevisível, já que os lituanos têm um time melhor, mas que vem de duas derrotas atordoantes, enquanto os australianos são a surpresa positiva da competição.

Espanha x França, 14h30

Na sequência, às 14h30, os times que protagonizaram os melhores confrontos recentes na Europa se matam por uma vaga nas semifinais. Começa que os dois times vivem seus melhores momentos na história: uma geração cheia de craques para os dois lados e hegemonia local. Para se ter uma ideia, nos últimos QUATRO campeonatos europeus, um time eliminou o outro no mata-mata (sendo uma delas na final e outras duas em prorrogações).

O início da rivalidade se deu em 2009, quando Espanha, favoritaça, despachou o ascendente time francês no primeiro jogo do mata-mata. Até aí, tudo tranquilo, normal, só mais um time eliminado pela forte seleção de Pau e Marc Gasol. Em 2011, dois anos mais tarde, os dois times se enfrentaram na final do torneio – e mais uma vez a Espanha ganhou com até alguma tranquilidade.

Na edição seguinte, a treta ficou mais séria. Os dois times se cruzam novamente, agora na semifinal, com uma França mais calejada, mas que vinha cambaleando na fase de grupos. No tempo normal, Rudy Fernandez e Tony Parker lideram seus times a um empate em 65 a 65, com Calderon errando o arremesso final que daria a vitória pra Espanha. Na prorrogação, a França abre três pontos no minuto final em três arremessos livres e a Espanha desperdiça duas chances de empatar nos últimos segundos.

A revanche volta no torneio seguinte, em 2015, com novo embate nas semifinais. Desta vez, franceses jogam em casa com uma campanha impecável de sete vitórias e nenhuma derrota. Os anfitriões começam atropelando os espanhóis, que devolvem uma reação impressionante no segundo quarto. No último período, Sergio Rodriguez abre três pontos nos últimos 30 segundos, mas Batum mete uma bola do corner para levar o jogo para a prorrogação na sequencia em um ginásio incendiado pela torcida da casa. Na prorrogação, a redenção espanhola, que abre cinco pontos nos segundos finais e elimina o rival – com 40 pontos de Pau Gasol.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=pIubkw2O69I&w=560&h=315]

EUA x Argentina, 18h45

Na bola, deve ser o jogo mais aguardado. Os velhacos argentinos estão dando o último gás nestas olimpíadas e o time americano, apesar de ser o único invicto, não está sobrando como se imaginava. A preguiça defensiva e um jogo no ataque baseado única e exclusivamente no chute de três dá alguma esperança para a Argentina, que deve ser o único time com muita torcida contra e a favor em quadra na competição ainda.

argentina-usa-atenas

Na história, o duelo é gigante. Das três derrotas americanas na história das olimpíadas, a mais dolorida e importante foi justamente contra o escrete sulamericano. Em 2004, os nossos vizinhos conseguiram um feito absurdo de derrotar o time dos EUA na semifinal. Ginobili, Scola, Nocioni e cia (sim, os mesmos caras de hoje) derrotaram um time que não era fraco, com Duncan, Carmelo, Lebron e outros.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=vBnw6I9p_4Q&w=420&h=315]

Se alguma seleção assombra a hegemonia americana, é ‘L’Alma Argentina’.

Sérvia x Croácia, 22h15

Esse sim é guerra. Se você matou as aulas de geografia e história no colégio, vai ser difícil passar a dimensão de toda a treta, mas basicamente a divisa entre eles já foi cenário de guerra quando os croatas buscavam a independência da antiga Iugoslávia.

A merda toda já afetou o basquete, inclusive (o que é brilhantemente retratado no documentário Once Brothers, que se você não viu, deve baixar agora mesmo no computador da firma e assistir mocado): ainda em processo de separação das suas repúblicas, a Iugoslávia venceu o mundial de 90, mesmo com croatas, sérvios e montenegrinos no elenco. Na comemoração, um torcedor invadiu a quadra com a bandeira croata e, num ato de impulso e com a justificativa de não querer politizar a situaçao, Vlade Divac, sérvio, tirou a bandeira da mão do torcedor – o que irritou os jogadores de origem croata do time, gerando uma treta enorme nos anos seguintes entre os atletas.

A coisa só piorou nos anos seguintes, com jogos que representavam a extensão da guerra entre os países. O treinador atual da sérvia, inclusive, já meteu um buzzer beater no áuge da discussão política de separação das repúblicas, apimentando ainda mais a rivalidade.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=R2z2XEwrduM&w=420&h=315]

Sou ignorante o suficiente para não saber se os caras se odeiam ainda hoje ou não, mas dentro de quadra os times registraram jogos bem disputador nos últimos tempos. Há uma máxima entre os times que ‘só os sérvios conseguem decidir um jogo no último segundo’ – e o último jogo entre os dois foi assim, com vitória da Sérvia por um ponto no mundial de 2014.

Pouco tenso? Pois é, só faltou o país sede nesse bolo.

CompartilheShare on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on Reddit0Share on LinkedIn0Email this to someone