Alguns times são mais marcantes do que outros. A seleção americana de 1992, formada para as Olimpíadas de Barcelona, é com certeza o time nacional mais emblemático de todos os tempos. Pela primeira vez jogadores profissionais do basquete estavam liberados para disputar os jogos e os americanos juntaram os maiores craques da sua geração mais famosa em um único time. Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Charles Barkley, Patrick Ewing David Robinson e companhia se reuniram na equipe com maior pedigree de todos os tempos e encantaram o mundo inteiro com um basquete avassalador e plástico: tudo que até hoje simboliza a NBA e a bola no cesto americana para o resto do mundo.

Mas teve uma turma que foi além. Não só se apaixonou pelo jogo dos caras, mas também se inspirou naquele time e se encantou pelo esporte: uma geração inteira de crianças do país que recebeu o Dream Team passou a ter o sonho de um dia formar um time de basquete tão bom quanto aquele. Poucos anos depois, o programa de desenvolvimento de basquete da cidade-sede dos jogos, Barcelona, revelou a dupla Pau e Marc Gasol e o armador Juan Carlos Navarro, que em 1992 tinham lá pelos seus 10 anos. Da mesma geração que cresceu encantada com aquele time saíram Jorge Garbarosa, Felipe Reyes e Jose Calderon, que no começo dos anos 2000 até hoje formou um dos melhores times internacionais de todos os tempos.

Claro que não foi só a inspiração do Dream Team que fez surgir do nada uma seleção forte. Ter uma das principais ligas do mundo é fundamental para isso e facilita muito as coisas. Ter clubes fortíssimos, uma consequência da importância da liga nacional, é outro ponto essencial, até mesmo para, vez ou outra, pescar um talento ainda em formação de outro país e até apelar e naturalizá-lo para jogar pela seleção (como fez com Serge Ibaka e Nikola Mirotic).

O resultado disso tudo, é que a Espanha só não se tornou uma hegemonia total do basquete nos últimos anos porque os Estados Unidos voltaram a dar valor para as competições internacionais. De 2004 para cá, os americanos eliminaram os espanhóis dos jogos olímpicos e, nas últimas duas edições, em confrontos nas finais.

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A geração inspirada pelo Dream Team conseguiu duas medalhas de prata

Não dá para dizer que o jogo de hoje entre os dois times na semifinal é uma final antecipada – os australianos estão jogando muito bem e o time sérvio não é fraco -, mas com certeza coloca em choque os dois times mais fortes do mundo na atualidade.

Não seria uma maravilha se o Brasil seguisse o exemplo espanhol e, a partir das olimpíadas em casa, formasse uma geração inteira de apaixonados pelo esporte? Seria, ainda que eu não tenha muitas esperanças de que isso possa acontecer…

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